Da Agência Carta Maior
O pântano argentino: o irresistível desenvolvimento da crise de governabilidade
A queda ou degradação integral do governo kirchnerista seria uma ótima notícia para os norte-americanos, pois enfraqueceria o Brasil e reduziria o espaço político da Venezuela, Equador e Bolívia. A recente crise envolvendo o Banco Central mostra mais uma vez a ação de uma nova direita argentina, uma força heterogênea, quase caótica, sem grandes projetos visíveis, impulsionada pelos grandes meios de comunicação que operam como um “partido midiático” extremista. Sua base social é um agrupamento muito belicoso de classes médias e altas que constituíram uma lumpen-burguesia onde se interconectam redes de negócios legais e ilegais. A análise é de Jorge Beinstein.
Jorge Beinstein (*)
O ano novo começou mal na Argentina. O conflito causado pela substituição do presidente do Banco Central, Martín Redrado, detonou uma grave crise institucional onde se enfrentam dois grupos que vem endurecendo suas posições. De um lado, uma oposição de direita cada vez mais radicalizada, agora com maioria no poder Legislativo, encabeçada pelo vice-presidente da República e que se estende até os núcleos mais reacionários do Poder Judiciário e das forças de segurança (públicas e privadas). Trata-se de uma força heterogênea, quase caótica, sem grandes projetos visíveis, impulsionada pelos grandes meios de comunicação que operam como uma espécie de “partido midiático” extremista. Sua base social é um agrupamento muito belicoso de classes médias e altas.
Do outro lado encontramos a presidente Cristina Kirchner resistindo desde o poder Executivo com seus aliados parlamentares, sindicais e “sociais”. Seu perfil político é o de um centrismo desenvolvimentista muito contraditório, oscilando entre as camadas populares mais pobres, às quais não se atreve a mobilizar com medidas econômicas e sociais radicais, e os grandes grupos empresariais e outras esferas de poder que busca em vão recuperar para recompor o sistema de governabilidade vigente durante a presidência de Nestor Kirchner.
A este leque de forças locais é necessário incorporar a intervenção dos Estados Unidos que, a partir da chegada de Barak Obama à Casa Branca, mostra-se cada vez mais ativa nos assuntos internos da Argentina. Isso deve ser integrado ao contexto mais amplo da estratégia imperial de reconquista da América Latina, marcada por fatos notórios como o recente golpe de Estado em Honduras, a recriação da IV Frota, as bases militares na Colômbia e outras atividades menos visíveis, mas não menos efetivas, como a reativação de seu aparato de inteligência na região (CIA, DEA, etc) e a conseqüente expansão de operações conspirativas com políticos, militares, empresários, grupos mafiosos, meios de comunicação, etc.
A onda reacionária
Como se sabe, a crise estourou quando o presidente do Banco Central decidiu não acatar um decreto de “necessidade e urgência”, com força de lei, que ordenava colocar uma parte das reservas à disposição de um fundo público destinado ao pagamento da dívida externa. Deste modo, Redrado (apoiando-se na “autonomia” do Banco, imposta nos anos 1990 pelo FMI) desafiava a legalidade e assumia como própria a reivindicação do conjunto da direita: não pagar dívida externa com reservas, mas sim com receitas fiscais, obrigando assim o governo a reduzir o gasto público, o que seguramente teria um impacto negativo sobre o Produto Interno Bruto, o nível de emprego e os salários.
Em uma primeira aproximação, a crise aparece como uma disputa sobre política econômica entre neoliberais partidários do ajuste fiscal e keynesianos partidários da expansão do consumo interno. No entanto, a magnitude da tormenta política em curso obriga a ir mais além do debate econômico. Não existe proporção entre o volume de interesses financeiros afetados e a extrema virulência do enfrentamento. Tampouco se trata de um problema causado pela necessidade de pagar a dívida externa diante de uma situação financeira difícil. Pelo contrário, o Estado tem um importante superávit fiscal e a dívida externa representa atualmente cerca de 40% do Produto Interno Bruto contra 80%, em 2003, quando Nestor Kirchner assumiu a presidência da República.
Para começar a entender o que está ocorrendo é necessário remontarmos ao primeiro semestre de 2008 quando estourou o conflito entre o governo e a burguesia rural. Neste caso também a confrontação apareceu sob o aspecto econômico: o governo tentou estabelecer impostos móveis às exportações agrárias cujos preços internacionais neste momento subiam vertiginosamente; os grandes grupos do agronegócio se opuseram – ainda que estivessem ganhando muito dinheiro, pretendiam ganhar muito mais embolsando a totalidade destes lucros extraordinários. Para surpresa tanto do governo como das próprias elites agrárias, o protesto foi imediatamente respaldado pela quase totalidade dos empresários rurais, inclusive por setores que por sua área de especialização ou inserção regional não tinham interesses materiais concretos no tema. Rapidamente os bloqueios de estradas, muito destacados pelos meios de comunicação, arrastaram a adesão das classes altas e médias urbanas, estruturando-se deste maneira uma maré social reacionária cuja magnitude não tinha precedentes na história argentina dos últimos 50 anos.
Para encontrarmos algo parecido seria necessário remontarmos a 1955, quando uma massiva convergência conservadora de classes médias apoiou o golpe militar oligárquico. A mobilização direitista de 2008 esteve infestada de brotos neofascistas, alusões racistas às classes baixas, insultos ao “governo montonero” (quer dizer, supostamente controlado por ex-guerrilheiros marxistas reciclados), etc.
Essa onda reacionária se prolongou nas eleições legislativas de 2009, onde a direita obteve a vitória (a maioria no Parlamento). Antes e depois deste evento, esteve permanentemente alimentadas pelos meios de comunicação concentrados. Atualmente é difícil diagnosticar se mantém ou não o seu nível de massividade. O conflito se desenrola agora sem a presença de multidões nas ruas. A grande maioria da população observa a situação como a uma briga entre grupos de poder no andar de cima.
Se avaliamos a trajetória, nos dois últimos anos, da confrontação entre uma direita cada vez mais audaciosa e agressiva e um governo crescentemente encurralado não é difícil imaginar um cenário próximo do “golpe de Estado”, não seguindo os velhos esquemas das intervenções militares diretas, nem sequer uma réplica do caso hondurenho (golpe militar com fachada civil), mas sim um leque de novas alternativas onde se combinariam fatores como a manipulação de mecanismos judiciais, o emprego arrasador da arma midiática, a utilização de instrumentos parlamentares, a mobilização de setores sociais reacionários (cuja amplitude é uma forte incógnita), incluindo ações violentas de grupos civis dirigidos por estruturas de segurança policiais ou militares.
Neste último caso deveríamos levar em conta as possíveis intervenções do aparato de inteligência norte-americano que dispõe atualmente de um importante know how em matéria de golpes civis, como as chamadas “revoluções coloridas”, algumas bem sucedidas como a “laranja” na Ucrânia (2204), a que derrotou Milosevic (Iugoslávia, 2000), a das “rosas” (Geórgia, 2003), a das “tulipas” (Kirguistão, 2005), a “do cedro” (Líbano, 2005) e outras fracassadas como a “revolução branca” (Bielorussia, 2006), a “verde” (Irã, 2009) ou a “revolução twitter” (Moldávia, 2009). Em todas essas “revoluções” orquestradas pelo aparato de inteligência dos EUA as convergências entre grupos civis e meios de comunicação golpearam governos considerados “indesejáveis” pelo Império. Tiveram êxito diante de Estados mergulhados em crises profundas; fracassaram quando as estruturas estatais puderam resistir e/ou quando as maiorias populares os enfrentaram.
As raízes
Quais são as raízes dessa avalanche direitista? Ela não pode ser atribuída ao descontentamento das elites empresariais e das classes superiores diante de drásticas redistribuições de renda em favor dos pobres ou a medidas econômicas esquerdizantes ou estatistas que afetem de maneira decisiva os negócios dos grupos dominantes. Pelo contrário, a bonança econômica que marcou os governos dos Kirchner significou grandes lucros para toda classe de grupos capitalistas: financeiros, industriais exportadores ou voltados ao mercado interno, empresas grandes ou pequenas, etc.
A Argentina experimentou altas taxas de crescimento do PIB e enormes superávits fiscais impulsionados por exportações em vertiginosa ascensão. E ainda que o desemprego tenha caído, a estrutura de distribuição da renda nacional, herdada da era neoliberal, não variou de maneira significativa. A governabilidade política permitiu a preservação do sistema que cambaleava entre 2001-2002. As estatizações decididas durante a presidência de Cristina Kirchner foram, na verdade, medidas destinadas mais a preservar o funcionamento do sistema do que a modificá-lo. A estatização da previdência privada, por exemplo, foi precipitada pela crise financeira global e pelo esgotamento de uma estrutura de saque de fundos previdenciários. A estatização da Aerolíneas Argentinas significou tomar posse de uma empresa totalmente liquidada e a ponto de desaparecer.
Se existe alguma pressão, entre as classes altas, é na direção de uma maior concentração de renda, em função de sua própria dinâmica governada pelo parasitismo financeiro global-local que opera como uma espécie de núcleo estratégico central de seus negócios. Neste sentido, a resistência do governo a esta tendência aparece para estas elites como um “intervencionismo insuportável”.
Outro fator decisivo é a crescente agressividade dos EUA acossado pela crise, sabendo que o tempo joga contra seus interesses, que a decadência da unipolaridade imperial pode fazer com que percam por completo suas tradicionais posições de poder na América Latina. Isso já está começando a ocorrer a partir do processo de integração regional, de um Brasil autonomizando-se cada vez mais dos EUA, da persistência da Venezuela chavista, da consolidação de Evo Morales na Bolívia, etc. A Casa Branca embarcou em longa corrida contra o tempo: amplia as operações militares na Ásia e África, herdadas da era Bush, apadrinha o golpe militar em Honduras e outras intervenções na América Latina. A queda ou degradação integral do governo kirchnerista seria uma ótima notícia para os norte-americanos, pois enfraqueceria o Brasil e reduziria o espaço político da Venezuela, Equador e Bolívia.
Mas existe um fenômeno de primeira importância que provavelmente os Kirchner ignoraram e que boa parte da esquerda e do progressismo subestimou: a mudança de natureza da burguesia local, cujos grupos dominantes passaram a constituir uma verdadeira lumpen-burguesia onde se interconectam redes que vinculam negócios financeiros, industriais, agrários e comerciais com negócios ilegais de todo tipo (prostituição, tráfico de drogas e armas, etc.), empresas de segurança privada, máfias policiais e judiciárias, elites políticas e grandes grupos midiáticos. Essa é a mais importante das heranças deixadas pela ditadura, consolidada e expandida durante a era Menem.
A política de direitos humanos do governo não afetou somente a grupos de velhos militares criminosos isolados e ideologicamente derrotados. Ao golpear esses grupos, essa política estava desatando uma dinâmica que feria uma das componentes essenciais da (lumpen) burguesia argentina realmente existente. Quando começamos a desenrolar a trama de grupos midiáticos como o “Clarín” ou não midiáticos, como o grupo Macri, aparecem as vinculações com negócios provenientes da última ditadura, personagens-chave das máfias policiais, etc. Nestes círculos dominantes, a maré crescente de processos judiciais contra ex-repressores pode ser vista talvez em seu começo como uma concessão necessária ao clima esquerdizante herdado dos acontecimentos de 2001-2002 e que, mantida dentro de limites modestos, não afetaria a boa marcha de seus negócios. Mas essa maré cresceu até transformar-se em uma pressão insuportável para essas elites.
Finalmente é necessário constatar que assim como se desenvolveu um processo de humanização cultural democratizante também se desenvolveu, protagonizado pelos grandes meios de comunicação, um contra-processo de caráter autoritário, de criminalização dos pobres, de condenação do progressismo que põe os direitos humanos acima de tudo. Em certo sentido, tratou-se de uma espécie de reivindicação indireta da última ditadura realizada pelos grandes meios de comunicação, centrada na necessidade de empregar métodos expeditivos ante à chamada “insegurança”, à delinqüência social, às desordens nas ruas.
A mesma encontrou um espaço favorável em uma porção importante da população pertencente às classes médias e altas. Muitos membros destes setores não se atrevem a defender a velha e desmoralizada ditadura militar, mas encontraram um novo discurso neofascista que lhes permitiu levantar a cabeça. Essa gente se mobilizou em 2008 em apoio à burguesia rural e contra o governo “esquerdista”, esteve na vanguarda da vitória eleitoral de Mauricio Macri na cidade de Buenos Aires e dos políticos de direita nas eleições parlamentares de 2009.
Brincando com fogo?
A crise atual pode vir a ter sérias repercussões econômicas. É o que esperam muitos dirigentes políticos da direita que sonham em se apoderar do governo em meio ao caos e/ou a passividade popular. A paralisia do Banco Central ou sua transformação em uma trincheira opositora poderia desordenar por completo o sistema monetário, degradar o conjunto da economia, o que, somado a um tsunami midiático, converteria o governo em uma presa fácil.
Em tese existe a possibilidade de que o governo, encurralado pela direita, busque desesperadamente ampliar sua base popular multiplicando medidas de redistribuição de renda junto às classes baixas, estatizações, etc. A direita acredita cada vez menos nesta possibilidade, o que a torna mais audaciosa, mais segura de sua impunidade. Ela considera que os Kirchner estão demasiado aferrados ao “país burguês”, por razões psicológica, ideológicas e pelos interesses que representam, para que essa alternativa de ruptura passe por suas cabeças. Uma sucessão de fatos concretos parece dar-lhe razão. Afinal, Martín Redrado foi designado como presidente do Banco Central por Nestor Kirchner e confirmado depois por Cristina Kirchner. Agora, eles “descobrem” que se trata de um neoliberal reacionário e buscam substituí-lo por algum outro neoliberal ou bom amigo dos interesses financeiros.
Também existe a possibilidade que o caos buscado pela direita ou as medidas econômicas que ela seguramente tomará caso conquiste o governo desatem uma gigantesca onda de protestos sociais, fazendo ruir a governabilidade e reinstalando em uma escala ampliada o fantasma popular de 2001-2002. Mas essa direita considera cada vez menos provável a concretização dessa ameaça. Ela está cada vez mais convencida de que os meios de comunicação combinados com um sistema de repressão pontual - não ostensivo, mas enérgico - podem controlar as classes baixas. É muito provável que essas elites degradadas, lançadas em uma cruzada irracional, estejam atravessando uma séria crise de percepção.
Buenos Aires, 12 de janeiro de 2010
(*) Economista argentino, professor na Universidade de Buenos Aires. É autor, entre outros livros, de "Capitalismo senil, a grande crise da economia global".
Tradução: Katarina Peixoto
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
El Premio Nobel de la Paz y los Escuadrones de la Muerte
Do site Rel-Uita:
Continuaron los asesinatos, persecuciones y torturas durante las fiestas tradicionales. Estados Unidos bendice al régimen golpista. La comunidad internacional brilla por su ausencia
Giorgio Trucchi
No ha parado ni un solo instante la política del terror implementada desde el pasado 28 de junio en Honduras, reanudando el hilo de la violencia sistémica de los años 80. Las organizaciones de los derechos humanos hondureñas siguen denunciando asesinatos, persecuciones, amenazas y torturas contra miembros de la Resistencia, así como los preocupantes episodios de violencia contra periodistas comprometidos con la lucha contra el golpe de Estado y el burdo intento del gobierno de facto de hacer “borron y cuenta nueva” de todo lo que ha ocurrido en los últimos seis meses.
El Departamento de Estado norteamericano, a través de su funcionario Craig A. Kelly de visita en Honduras, pidió nuevamente al presidente de facto, Roberto Micheletti, abandonar el poder antes del 27 de enero, fecha del traspaso de mando, y secundó la propuesta del futuro presidente Porfirio Lobo Sosa de decretar una amnistía generalizada que incluya al propio presidente legítimo Manuel Zelaya Rosales.
De esa manera, la administración Obama y varios países europeos pretenden limpiarle la cara al nuevo gobierno y hacerlo aceptable para el resto de la comunidad internacional. Sin embargo, ni siquiera una sola palabra ha sido pronunciada sobre los innumerables casos de violación a los derechos humanos que continúan ensangrentando al país.
Para el Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH), que el pasado 1 de enero realizó un plantón en la Plaza La Merced, rebautizada Plaza de los Desaparecidos, frente al Congreso Nacional, en Honduras “opera un escuadrón de la muerte con infraestructura terrorista, responsable de ejecuciones, persecución y muertes selectivas contra miembros de la Resistencia, con el pleno conocimiento de la Policía y el Ejército”.
En un documento dado a conocer en esta ocasión, esta histórica organización denuncia que “existe un patrón de violaciones sistemáticas a los derechos humanos cometidas por la misma estructura que rompió el orden constitucional el 28 de junio de 2009”.
Las ejecuciones de Walter Tróchez y Edwin Renán Fajardo, editor de los documentales y reportajes producidos por el periodista César Silva, además de los secuestros y ataques continuados al personal del periódico El Libertador y de Radio Globo, confirmaría la existencia de esta infraestructura asesina que apunta a sembrar el terror entre los miembros de la Resistencia.
“Hoy estamos transitando los primeros días de 2010, y lo hacemos bajo una atmósfera de terror, con la cual los golpistas civiles y militares, nacionales y extranjeros, pretenden silenciar las voces de millones de legítimos hondureños y hondureñas, que rechazamos la violencia como forma de dirigir el consenso y gobernar el Estado”, continúa el documento.
Navidad ensangrentada
Edwin Renán Fajardo Argueta, de 22 años, miembro activo de la Resistencia, fue asesinado el pasado 22 de diciembre en su departamento en Tegucigalpa, y sus asesinos trataron burdamente de simular un suicidio por ahorcamiento. En los días anteriores al asesinato, Edwin Renán Fajardo había comunicado a sus amigos sentirse preocupado porque había estado recibiendo varios mensajes de texto amenazantes en su celular.
César Silva, periodista independiente comprometido con relatar y denunciar a través de sus videos los horrores del golpe de Estado, fue bajado de un taxi por tres hombre armados el pasado 28 de diciembre y fue llevado a una cárcel clandestina donde fue golpeado repetidamente para que diera informaciones sobre la Resistencia y supuestos depositos de armas provenientes del extranjero.
“En la madrugada entró uno de los secuestradores. Me tomó por el cuello, me tiró al suelo, me pateó y me puso una silla en el cuello para ahogarme. Me echó una bolsa de agua en la nariz. Me estaba asfixiando, y él intentó meterme la bolsa en la boca. Pero de afuera le gritaron: `Ya te dije que no te metas a pedos (en problemas), ¡Dejalo!’”, contó el periodista a la prensa internacional.
Al llegar a las oficinas del COFADEH, después de haber sido liberado tras 24 horas de interrogatorio salvaje, Silva relató que los secuestradores le dijeron que tenía un ángel guardián que abogó por su vida.
Más periodistas amenazados
El corresponsal de Prensa Latina, Ronnie Huete, el periodista de Radio Globo, Rony Martínez y la joven periodista de El Libertador, Suny Arrazola fueron repetidamente amenazados de muerte por celular y costantemente hostigados, mientras que el editor de ese mismo periódico, René Novoa, fue brutalmente agredido y golpeado por miembros del Ejército y la Policía mientras estaba en un taxi.
Desde el golpe de Estado, los periodistas de El Libertador han estado sometido a una constante represión y su reportero gráfico Delmer Membreño tuvo que irse al exilio después de haber sido secuestrado y brutalmente torturado.
La brutalidad de este régimen opresor se ha ensañado hasta contra una de las “abuelas de la Resistencia”.
María Yolanda Chavarría, de 70 años, fue detenida por tres policías y trasladada a un cuarto oscuro de una posta policial el pasado 22 de diciembre. Según relató al COFADEH, los policías siguieron insultándola y le dijeron que era una cuatrera y que le habían tomado fotos mientras estaba con la Resistencia.
No a la amnistía
Ante esta situación, el COFADEH hizo un llamado a la comunidad internacional para que “no quite sus ojos de este país centroamericano y lo declare en alerta máxima en materia de derechos humanos.
Es extremadamente urgente que antes del simulacro de traspaso de mando el 27 de enero próximo y después de esa fecha, las organizaciones multilaterales abran en Honduras legaciones in situ para coordinar las operaciones de salvamento de los liderazgos sociales y políticos opuestos a los asaltantes del poder.
Honduras avanza aceleradamente, lejos de la mirada internacional, a un estado de absoluta indefensión que debe ser interferido –continúa el llamado del COFADEH–.
Para las y los perseguidos por esta dictadura exigimos juicios no viciados y respeto al debido proceso, libertad para los cuatro presos políticos en la Penitenciaría Nacional y el retorno seguro de casi un centenar de personas que salieron forzadamente de Honduras, por el peligro inminente a su vida.
Sin proceso constituyente popular no hay paz ni tranquilidad posibles. Sin un nuevo Pacto Social y consenso político mínimo, ninguna gobernabilidad será posible”, concluye el documento.
Continuaron los asesinatos, persecuciones y torturas durante las fiestas tradicionales. Estados Unidos bendice al régimen golpista. La comunidad internacional brilla por su ausencia
Giorgio Trucchi
No ha parado ni un solo instante la política del terror implementada desde el pasado 28 de junio en Honduras, reanudando el hilo de la violencia sistémica de los años 80. Las organizaciones de los derechos humanos hondureñas siguen denunciando asesinatos, persecuciones, amenazas y torturas contra miembros de la Resistencia, así como los preocupantes episodios de violencia contra periodistas comprometidos con la lucha contra el golpe de Estado y el burdo intento del gobierno de facto de hacer “borron y cuenta nueva” de todo lo que ha ocurrido en los últimos seis meses.
El Departamento de Estado norteamericano, a través de su funcionario Craig A. Kelly de visita en Honduras, pidió nuevamente al presidente de facto, Roberto Micheletti, abandonar el poder antes del 27 de enero, fecha del traspaso de mando, y secundó la propuesta del futuro presidente Porfirio Lobo Sosa de decretar una amnistía generalizada que incluya al propio presidente legítimo Manuel Zelaya Rosales.
De esa manera, la administración Obama y varios países europeos pretenden limpiarle la cara al nuevo gobierno y hacerlo aceptable para el resto de la comunidad internacional. Sin embargo, ni siquiera una sola palabra ha sido pronunciada sobre los innumerables casos de violación a los derechos humanos que continúan ensangrentando al país.
Para el Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH), que el pasado 1 de enero realizó un plantón en la Plaza La Merced, rebautizada Plaza de los Desaparecidos, frente al Congreso Nacional, en Honduras “opera un escuadrón de la muerte con infraestructura terrorista, responsable de ejecuciones, persecución y muertes selectivas contra miembros de la Resistencia, con el pleno conocimiento de la Policía y el Ejército”.
En un documento dado a conocer en esta ocasión, esta histórica organización denuncia que “existe un patrón de violaciones sistemáticas a los derechos humanos cometidas por la misma estructura que rompió el orden constitucional el 28 de junio de 2009”.
Las ejecuciones de Walter Tróchez y Edwin Renán Fajardo, editor de los documentales y reportajes producidos por el periodista César Silva, además de los secuestros y ataques continuados al personal del periódico El Libertador y de Radio Globo, confirmaría la existencia de esta infraestructura asesina que apunta a sembrar el terror entre los miembros de la Resistencia.
“Hoy estamos transitando los primeros días de 2010, y lo hacemos bajo una atmósfera de terror, con la cual los golpistas civiles y militares, nacionales y extranjeros, pretenden silenciar las voces de millones de legítimos hondureños y hondureñas, que rechazamos la violencia como forma de dirigir el consenso y gobernar el Estado”, continúa el documento.
Navidad ensangrentada
Edwin Renán Fajardo Argueta, de 22 años, miembro activo de la Resistencia, fue asesinado el pasado 22 de diciembre en su departamento en Tegucigalpa, y sus asesinos trataron burdamente de simular un suicidio por ahorcamiento. En los días anteriores al asesinato, Edwin Renán Fajardo había comunicado a sus amigos sentirse preocupado porque había estado recibiendo varios mensajes de texto amenazantes en su celular.
César Silva, periodista independiente comprometido con relatar y denunciar a través de sus videos los horrores del golpe de Estado, fue bajado de un taxi por tres hombre armados el pasado 28 de diciembre y fue llevado a una cárcel clandestina donde fue golpeado repetidamente para que diera informaciones sobre la Resistencia y supuestos depositos de armas provenientes del extranjero.
“En la madrugada entró uno de los secuestradores. Me tomó por el cuello, me tiró al suelo, me pateó y me puso una silla en el cuello para ahogarme. Me echó una bolsa de agua en la nariz. Me estaba asfixiando, y él intentó meterme la bolsa en la boca. Pero de afuera le gritaron: `Ya te dije que no te metas a pedos (en problemas), ¡Dejalo!’”, contó el periodista a la prensa internacional.
Al llegar a las oficinas del COFADEH, después de haber sido liberado tras 24 horas de interrogatorio salvaje, Silva relató que los secuestradores le dijeron que tenía un ángel guardián que abogó por su vida.
Más periodistas amenazados
El corresponsal de Prensa Latina, Ronnie Huete, el periodista de Radio Globo, Rony Martínez y la joven periodista de El Libertador, Suny Arrazola fueron repetidamente amenazados de muerte por celular y costantemente hostigados, mientras que el editor de ese mismo periódico, René Novoa, fue brutalmente agredido y golpeado por miembros del Ejército y la Policía mientras estaba en un taxi.
Desde el golpe de Estado, los periodistas de El Libertador han estado sometido a una constante represión y su reportero gráfico Delmer Membreño tuvo que irse al exilio después de haber sido secuestrado y brutalmente torturado.
La brutalidad de este régimen opresor se ha ensañado hasta contra una de las “abuelas de la Resistencia”.
María Yolanda Chavarría, de 70 años, fue detenida por tres policías y trasladada a un cuarto oscuro de una posta policial el pasado 22 de diciembre. Según relató al COFADEH, los policías siguieron insultándola y le dijeron que era una cuatrera y que le habían tomado fotos mientras estaba con la Resistencia.
No a la amnistía
Ante esta situación, el COFADEH hizo un llamado a la comunidad internacional para que “no quite sus ojos de este país centroamericano y lo declare en alerta máxima en materia de derechos humanos.
Es extremadamente urgente que antes del simulacro de traspaso de mando el 27 de enero próximo y después de esa fecha, las organizaciones multilaterales abran en Honduras legaciones in situ para coordinar las operaciones de salvamento de los liderazgos sociales y políticos opuestos a los asaltantes del poder.
Honduras avanza aceleradamente, lejos de la mirada internacional, a un estado de absoluta indefensión que debe ser interferido –continúa el llamado del COFADEH–.
Para las y los perseguidos por esta dictadura exigimos juicios no viciados y respeto al debido proceso, libertad para los cuatro presos políticos en la Penitenciaría Nacional y el retorno seguro de casi un centenar de personas que salieron forzadamente de Honduras, por el peligro inminente a su vida.
Sin proceso constituyente popular no hay paz ni tranquilidad posibles. Sin un nuevo Pacto Social y consenso político mínimo, ninguna gobernabilidad será posible”, concluye el documento.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Boris Casoy e o Comando de Caça aos Comunistas
Deu no Cloaca News: uma matéria da antiga revista O Cruzeiro sobre o CCC em São Paulo cita Casoy como integrante do grupo.
Para vê-la, clique aqui.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O regresso da “Gandhi” do Saara
Com bastante atraso, posto abaixo a matéria sobre o retorno de Aminetu ao Saara Ocidental. Dias depois de sua volta, ela ainda permanece, na prática, em prisão domiciliar.
O regresso da “Gandhi” do Saara
A saaráui Aminetu Haidar interrompe greve de fome após obter permissão do Marrocos para voltar para casa
Igor Ojeda
da Redação
Foram 32 dias sem ingerir alimentos. Quase um mês com o corpo débil, sentindo náuseas, perdendo constantemente a consciência. Mas, no final, a ativista pela independência do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, alcançou seu objetivo. Na primeira hora do dia 18 (ainda dia 17 no Brasil), o avião que a levava pousou no aeroporto de El Aaiún, capital do seu país, ocupado desde 1975 pelo vizinho Marrocos. Ela, enfim, voltava para casa e seus filhos.
Aminetu havia entrado em greve de fome em 16 de novembro, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha (leia sobre o assunto nas edições 352 e 355 do Brasil de Fato). Pois foi para este local que o governo marroquino a enviou, sem passaporte, após ter impedido sua entrada em El Aaiún. Na ocasião, ao preencher o formulário da imigração, a ativista escreveu “Saara Ocidental” no espaço reservado ao “País de residência”, o que teria motivado sua expulsão. O governo da Espanha, por sua vez, permitiu seu ingresso, mas proibiu seu retorno, justamente por não portar passaporte.
Durante 32 dias, entre longas negociações entre Marrocos e comunidade internacional – acusada por muitos de cúmplice e omissa – o impasse permaneceu, enquanto Aminetu se debilitava a olhos vistos. Somente um acordo negociado entre o país africano, a Espanha e a França permitiu uma solução: a militante poderia voltar por “razões humanitárias”(leia texto nesta página).
“Triunfo”
“Este é um triunfo para todas as pessoas livres do mundo. É uma vitória da justiça e dos direitos humanos […] O povo saaráui está consciente de que o dia da liberdade está muito próximo”, disse Aminetu, em entrevista coletiva em sua casa. “Agora, tenho que recuperar minha saúde. Levarei pelo menos dois meses. Mas, depois, penso continuar lutando”, completou a ativista, conhecida como a “Gandhi” do Saara Ocidental por sua militância pacífica pela independência do seu país.
Para Bahia Mahmud Awah, escritor, poeta e investigador saaráui, o retorno de Aminetu à sua casa gé a confirmação da identidade nacional saaráui diante da tentativa do Marrocos de impor que o Saara Ocidental é marroquino. Ela regressou como saaráui sem as condições que o rei exigia: aceitar a nacionalidade marroquina e pedir perdão ao regimeh.
Já na opinião de Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saaráui Democrática (RASD), o fim do jejum da ativista significa uma vitória da causa independentista saaráui e uma derrota moral e política para a monarquia marroquina. “Uma mulher sozinha, uma simples militante pelos direitos humanos, foi capaz de entortar o braço ferrenho do rei Mohamed VI e obrigá-lo a suspender a ordem de expulsão ditada contra ela”.
“Derrota” marroquina
Segundo ele, depois de um mês de uma campanha “nacionalista” contra Aminetu impulsionada pela monarquia, aliados políticos e a imprensa local, o governo marroquino foi obrigado a “inventar” o pretexto humanitário para “justificar o regresso de Aminetu e disfarçar a tremenda derrota causada pela firmeza da mulher saaráui”.
A “vitória” de Aminetu, entretanto, transcendeu a conquista pessoal, de acordo com o espanhol Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS). Segundo ele, nos últimos anos, a população saaráui vinha perdendo a confiança na legitimidade “de um direito internacional invocado tantas vezes quanto menosprezado”, devido à falta de solução para um território já reconhecido pela ONU como passível de descolonização. Tal realidade, segundo Santiago, estava fazendo amadurecer na cabeça dos militantes a convicção da necessidade de um novo conflito armado como única saída, como ocorreu entre 1975 e 1991.
“O que o gesto de Aminetu Haidar fez mudar? Agora, os e as saaráuis se sentem menos ignorados ou silenciados pela história e orgulhosos por formar parte de uma sociedade que cria consciências tão decididas, tão generosas e tão convencidas de seu esforço e de seu sacrifício como Aminetu, que, além disso, não deixou em nenhum momento de se sentir mulher e mãe, um espelho no qual todos e todas se viram refletidos e cuja imagem lhes proporcionou novas forças e uma renovada capacidade de luta pelo que consideram justo”, analisa.
Visibilidade
No entanto, mesmo que os 32 dias de greve de fome da independentista do Saara Ocidental não tivessem gerado os efeitos mencionados, só a grande visibilidade internacional que a causa saaráui ganhou com tal ato já seria suficiente para se fazer um balanço altamente positivo do ocorrido.
“O mundo inteiro está a par do que acontece diariamente aqui. Agora, a causa saaráui está sendo discutida em alto nível”, declarou Aminetu à imprensa. Segundo Bahia Awah, a greve de fome da militante “reativou o processo [da luta saaráui], rompendo o bloqueio informativo que tem rodeado o conflito do Saara Ocidental”.
Na avaliação de Santiago, esse ganho de visibilidade poderia trazer uma maior vontade dos governos e da ONU para solucionar a questão, “algo tão aparentemente simples como que uma comunidade pendente de descolonização assuma sua responsabilidade acerca de seu destino e de seus assuntos”.
De acordo com Bahia, no entanto, a transformação dessa maior visibilidade do conflito em resultados concretos dependerá dos militantes saaráuis que, segundo ele, poderiam seguir a mesma linha de ação e mobilização do movimento midiático solidário que esteve ativo durante o jejum de Aminetu.
A prisão domiciliar de Aminetu
da Redação
A independentista saaráui Aminetu Haidar voltou para casa no dia 18. Mas, desde então, as forças de segurança marroquinas vêm impondo um cerco fechado à sua residência. “A polícia só deixa entrar meus familiares”, afirmou a ativista ao jornal espanhol El País.
Segundo ela, seus companheiros na defesa dos direitos humanos no Saara Ocidental são alguns dentre os muitos impedidos de visitá-la. “Peço ao governo [do Marrocos] que me leve para a cadeia e ponto, e que termine com essa estratégia estúpida”, completou. Na manhã do dia 19, até seu médico pessoal, Domingo de Guzmán, foi barrado, sendo liberado somente após a intervenção da própria Aminetu.
Repressão
Já no momento de seu retorno as forças policiais mostraram como seriam os dias que se seguiriam. Segundo a imprensa internacional presente em El Aaiún, capital do Saara Ocidental, dezenas de agentes rodeavam o aeroporto, enquanto outras dezenas patrulhavam pela cidade e cortavam o acesso às ruas adjacentes da casa da ativista.
Ao mesmo tempo, dezenas de cidadãos saaráuis, jovens em sua maioria, esperavam a chegada da militante, gritando palavras de ordem contra Marrocos e a favor da independência. Durante várias horas, ocorreram enfrentamentos.
Até o fechamento desta edição (dia 22), Aminetu continuava sem comer, já que 32 dias de greve de fome exigem que ela ingira alimentos de forma gradual. Segundo afirmou seu médico ao El País, a ativista continua sofrendo com a perda de peso, hipotensão, enjôo e vômitos. “O processo a partir de agora será delicado. Começaremos pela reidratação oral para seguir com a realimentação”, disse. (IO)
Nos bastidores, uma vitória do Marrocos
Em troca da permissão para o retorno de Aminetu, governos espanhol e francês emitiram comunicados reconhecendo a legislação marroquina sobre o território do Saara Ocidental
da Redação
“O governo da França mente, engana e manipula, o da Espanha faz o mesmo e as própria ONU confunde mais do que esclarece. E o que dizer das mentiras e manhas das autoridades de Marrocos?”, dispara o espanhol Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS).
Desde 1975, quando o Saara Ocidental foi ocupado pelo Marrocos após as tropas da Espanha deixarem o território, os ativistas saaráuis e seus apoiadores vêm denunciando a omissão e cumplicidade da comunidade internacional diante das violações praticadas pela monarquia marroquina.
Dentre eles, destaque (negativo) para Espanha e, principalmente, França. “O Estado francês é o mais firme e poderoso aliado do reino de Marrocos. É quem garante o apoio político, diplomático, financeiro e militar para esta monarquia corrupta, totalitária e com ambições expansionistas sobre os países vizinhos”, indigna-se Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saaráui Democrática (RASD), o Estado saaráui não reconhecido pelo Marrocos.
Assim, apesar das gestões espanholas e francesas para que as autoridades marroquinas permitissem a volta da ativista Aminetu Haidar a El Aaiún, capital do Saara Ocidental, estes Estados não deixaram de favorecer o país do rei Mohamed VI.
Apoio político
“O rei concordou com o regresso de Aminetu por 'razões humanitárias', mas, na realidade, aceitou porque estes governos [Espanha e França] se comprometeram a dar um maior apoio político à sua tese da 'autonomia sob a soberania marroquina' para o Saara Ocidental”, denuncia Emiliano, referindo-se à proposta do Marrocos de conceder ao país ocupado uma “ampla autonomia”, mas não a independência. “Quer dizer, o resultado final desta chantagem marroquina foi o fortalecimento da política de ocupação do Saara Ocidental”, conclui.
Tal apoio político por parte de Espanha e França se expressou claramente nos comunicados que ambos governos emitiram no mesmo dia em que Aminetu Haidar pôde voltar a seu país, o que deixou evidente quais foram as moedas de troca utilizadas nas negociações para o fim do impasse.
O texto francês afirmava que o presidente Nicolas Sarkozy “acolhia a proposta do reino de Marrocos de uma ampla autonomia no marco de uma solução política sob os auspícios da ONU. À espera dessa solução, aplica-se a legislação marroquina [sobre o território saaráui].
Já o comunicado espanhol insta o governo de Mohamed VI a permitir o regresso de Aminetu, afirmado que tal gesto “poria uma vez mais de manifesto seu compromisso com a democracia e a consolidação do Estado de direito”. E conclui: enquanto se resolve a contenda, a Espanha constata que a lei marroquina se aplica no território do Saara Ocidental”.
Em seguida, o Ministério de Assuntos Exteriores do Marrocos também emitiu seu comunicado, através do qual comemorava as posições de Espanha e Franca e criticava a atuação de Aminetu, que não guardaria relação com a promoção dos direitos humanos.
Interesses econômicos
Segundo o jornal espanhol El Mundo, o acordo entre marroquinos, espanhóis e franceses começou a ser gestado no dia 13. O objetivo seria encontrar uma solução para que Aminetu pudesse voltar sem ser obrigada a pedir perdão ao rei Mohamed VI – que este exigia e ela rejeitava – e de maneira que o Marrocos não ficasse humilhado diante da opinião pública.
No dia 19, o embaixador marroquino na Espanha, Omar Azziman, manifestou sua plena satisfação com o desfecho do impasse. “Fica claro que o Saara Ocidental está sob o império do direito marroquino”, disse à imprensa.
Já a Frente Polisario, instância que reúne política e militarmente as forças independentistas saaráuis, divulgou um comunicado acusando o país governado pelo primeiro-ministro José Luis Zapatero de ter utilizado “como moeda de troca a outorga de validez às leis marroquinas em um território sobre o qual a ONU não reconhece ao Marrocos nenhuma soberania”.
A conivência com o governo de Marrocos evidenciada por Espanha e França, em particular, e pela União Europeia (UE), de maneira geral, é explicada em grande parte por fortes interesses econômicos. Exemplo disso são as negociações entre UE e o país africano para a assinatura de um tratado de livre comércio, que tem grande chance de se concretizar no primeiro semestre de 2010, quando a presidência rotativa da instância europeia será ocupada justamente pela Espanha. (IO)
O regresso da “Gandhi” do Saara
A saaráui Aminetu Haidar interrompe greve de fome após obter permissão do Marrocos para voltar para casa
Igor Ojeda
da Redação
Foram 32 dias sem ingerir alimentos. Quase um mês com o corpo débil, sentindo náuseas, perdendo constantemente a consciência. Mas, no final, a ativista pela independência do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, alcançou seu objetivo. Na primeira hora do dia 18 (ainda dia 17 no Brasil), o avião que a levava pousou no aeroporto de El Aaiún, capital do seu país, ocupado desde 1975 pelo vizinho Marrocos. Ela, enfim, voltava para casa e seus filhos.
Aminetu havia entrado em greve de fome em 16 de novembro, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha (leia sobre o assunto nas edições 352 e 355 do Brasil de Fato). Pois foi para este local que o governo marroquino a enviou, sem passaporte, após ter impedido sua entrada em El Aaiún. Na ocasião, ao preencher o formulário da imigração, a ativista escreveu “Saara Ocidental” no espaço reservado ao “País de residência”, o que teria motivado sua expulsão. O governo da Espanha, por sua vez, permitiu seu ingresso, mas proibiu seu retorno, justamente por não portar passaporte.
Durante 32 dias, entre longas negociações entre Marrocos e comunidade internacional – acusada por muitos de cúmplice e omissa – o impasse permaneceu, enquanto Aminetu se debilitava a olhos vistos. Somente um acordo negociado entre o país africano, a Espanha e a França permitiu uma solução: a militante poderia voltar por “razões humanitárias”(leia texto nesta página).
“Triunfo”
“Este é um triunfo para todas as pessoas livres do mundo. É uma vitória da justiça e dos direitos humanos […] O povo saaráui está consciente de que o dia da liberdade está muito próximo”, disse Aminetu, em entrevista coletiva em sua casa. “Agora, tenho que recuperar minha saúde. Levarei pelo menos dois meses. Mas, depois, penso continuar lutando”, completou a ativista, conhecida como a “Gandhi” do Saara Ocidental por sua militância pacífica pela independência do seu país.
Para Bahia Mahmud Awah, escritor, poeta e investigador saaráui, o retorno de Aminetu à sua casa gé a confirmação da identidade nacional saaráui diante da tentativa do Marrocos de impor que o Saara Ocidental é marroquino. Ela regressou como saaráui sem as condições que o rei exigia: aceitar a nacionalidade marroquina e pedir perdão ao regimeh.
Já na opinião de Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saaráui Democrática (RASD), o fim do jejum da ativista significa uma vitória da causa independentista saaráui e uma derrota moral e política para a monarquia marroquina. “Uma mulher sozinha, uma simples militante pelos direitos humanos, foi capaz de entortar o braço ferrenho do rei Mohamed VI e obrigá-lo a suspender a ordem de expulsão ditada contra ela”.
“Derrota” marroquina
Segundo ele, depois de um mês de uma campanha “nacionalista” contra Aminetu impulsionada pela monarquia, aliados políticos e a imprensa local, o governo marroquino foi obrigado a “inventar” o pretexto humanitário para “justificar o regresso de Aminetu e disfarçar a tremenda derrota causada pela firmeza da mulher saaráui”.
A “vitória” de Aminetu, entretanto, transcendeu a conquista pessoal, de acordo com o espanhol Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS). Segundo ele, nos últimos anos, a população saaráui vinha perdendo a confiança na legitimidade “de um direito internacional invocado tantas vezes quanto menosprezado”, devido à falta de solução para um território já reconhecido pela ONU como passível de descolonização. Tal realidade, segundo Santiago, estava fazendo amadurecer na cabeça dos militantes a convicção da necessidade de um novo conflito armado como única saída, como ocorreu entre 1975 e 1991.
“O que o gesto de Aminetu Haidar fez mudar? Agora, os e as saaráuis se sentem menos ignorados ou silenciados pela história e orgulhosos por formar parte de uma sociedade que cria consciências tão decididas, tão generosas e tão convencidas de seu esforço e de seu sacrifício como Aminetu, que, além disso, não deixou em nenhum momento de se sentir mulher e mãe, um espelho no qual todos e todas se viram refletidos e cuja imagem lhes proporcionou novas forças e uma renovada capacidade de luta pelo que consideram justo”, analisa.
Visibilidade
No entanto, mesmo que os 32 dias de greve de fome da independentista do Saara Ocidental não tivessem gerado os efeitos mencionados, só a grande visibilidade internacional que a causa saaráui ganhou com tal ato já seria suficiente para se fazer um balanço altamente positivo do ocorrido.
“O mundo inteiro está a par do que acontece diariamente aqui. Agora, a causa saaráui está sendo discutida em alto nível”, declarou Aminetu à imprensa. Segundo Bahia Awah, a greve de fome da militante “reativou o processo [da luta saaráui], rompendo o bloqueio informativo que tem rodeado o conflito do Saara Ocidental”.
Na avaliação de Santiago, esse ganho de visibilidade poderia trazer uma maior vontade dos governos e da ONU para solucionar a questão, “algo tão aparentemente simples como que uma comunidade pendente de descolonização assuma sua responsabilidade acerca de seu destino e de seus assuntos”.
De acordo com Bahia, no entanto, a transformação dessa maior visibilidade do conflito em resultados concretos dependerá dos militantes saaráuis que, segundo ele, poderiam seguir a mesma linha de ação e mobilização do movimento midiático solidário que esteve ativo durante o jejum de Aminetu.
A prisão domiciliar de Aminetu
da Redação
A independentista saaráui Aminetu Haidar voltou para casa no dia 18. Mas, desde então, as forças de segurança marroquinas vêm impondo um cerco fechado à sua residência. “A polícia só deixa entrar meus familiares”, afirmou a ativista ao jornal espanhol El País.
Segundo ela, seus companheiros na defesa dos direitos humanos no Saara Ocidental são alguns dentre os muitos impedidos de visitá-la. “Peço ao governo [do Marrocos] que me leve para a cadeia e ponto, e que termine com essa estratégia estúpida”, completou. Na manhã do dia 19, até seu médico pessoal, Domingo de Guzmán, foi barrado, sendo liberado somente após a intervenção da própria Aminetu.
Repressão
Já no momento de seu retorno as forças policiais mostraram como seriam os dias que se seguiriam. Segundo a imprensa internacional presente em El Aaiún, capital do Saara Ocidental, dezenas de agentes rodeavam o aeroporto, enquanto outras dezenas patrulhavam pela cidade e cortavam o acesso às ruas adjacentes da casa da ativista.
Ao mesmo tempo, dezenas de cidadãos saaráuis, jovens em sua maioria, esperavam a chegada da militante, gritando palavras de ordem contra Marrocos e a favor da independência. Durante várias horas, ocorreram enfrentamentos.
Até o fechamento desta edição (dia 22), Aminetu continuava sem comer, já que 32 dias de greve de fome exigem que ela ingira alimentos de forma gradual. Segundo afirmou seu médico ao El País, a ativista continua sofrendo com a perda de peso, hipotensão, enjôo e vômitos. “O processo a partir de agora será delicado. Começaremos pela reidratação oral para seguir com a realimentação”, disse. (IO)
Nos bastidores, uma vitória do Marrocos
Em troca da permissão para o retorno de Aminetu, governos espanhol e francês emitiram comunicados reconhecendo a legislação marroquina sobre o território do Saara Ocidental
da Redação
“O governo da França mente, engana e manipula, o da Espanha faz o mesmo e as própria ONU confunde mais do que esclarece. E o que dizer das mentiras e manhas das autoridades de Marrocos?”, dispara o espanhol Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS).
Desde 1975, quando o Saara Ocidental foi ocupado pelo Marrocos após as tropas da Espanha deixarem o território, os ativistas saaráuis e seus apoiadores vêm denunciando a omissão e cumplicidade da comunidade internacional diante das violações praticadas pela monarquia marroquina.
Dentre eles, destaque (negativo) para Espanha e, principalmente, França. “O Estado francês é o mais firme e poderoso aliado do reino de Marrocos. É quem garante o apoio político, diplomático, financeiro e militar para esta monarquia corrupta, totalitária e com ambições expansionistas sobre os países vizinhos”, indigna-se Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saaráui Democrática (RASD), o Estado saaráui não reconhecido pelo Marrocos.
Assim, apesar das gestões espanholas e francesas para que as autoridades marroquinas permitissem a volta da ativista Aminetu Haidar a El Aaiún, capital do Saara Ocidental, estes Estados não deixaram de favorecer o país do rei Mohamed VI.
Apoio político
“O rei concordou com o regresso de Aminetu por 'razões humanitárias', mas, na realidade, aceitou porque estes governos [Espanha e França] se comprometeram a dar um maior apoio político à sua tese da 'autonomia sob a soberania marroquina' para o Saara Ocidental”, denuncia Emiliano, referindo-se à proposta do Marrocos de conceder ao país ocupado uma “ampla autonomia”, mas não a independência. “Quer dizer, o resultado final desta chantagem marroquina foi o fortalecimento da política de ocupação do Saara Ocidental”, conclui.
Tal apoio político por parte de Espanha e França se expressou claramente nos comunicados que ambos governos emitiram no mesmo dia em que Aminetu Haidar pôde voltar a seu país, o que deixou evidente quais foram as moedas de troca utilizadas nas negociações para o fim do impasse.
O texto francês afirmava que o presidente Nicolas Sarkozy “acolhia a proposta do reino de Marrocos de uma ampla autonomia no marco de uma solução política sob os auspícios da ONU. À espera dessa solução, aplica-se a legislação marroquina [sobre o território saaráui].
Já o comunicado espanhol insta o governo de Mohamed VI a permitir o regresso de Aminetu, afirmado que tal gesto “poria uma vez mais de manifesto seu compromisso com a democracia e a consolidação do Estado de direito”. E conclui: enquanto se resolve a contenda, a Espanha constata que a lei marroquina se aplica no território do Saara Ocidental”.
Em seguida, o Ministério de Assuntos Exteriores do Marrocos também emitiu seu comunicado, através do qual comemorava as posições de Espanha e Franca e criticava a atuação de Aminetu, que não guardaria relação com a promoção dos direitos humanos.
Interesses econômicos
Segundo o jornal espanhol El Mundo, o acordo entre marroquinos, espanhóis e franceses começou a ser gestado no dia 13. O objetivo seria encontrar uma solução para que Aminetu pudesse voltar sem ser obrigada a pedir perdão ao rei Mohamed VI – que este exigia e ela rejeitava – e de maneira que o Marrocos não ficasse humilhado diante da opinião pública.
No dia 19, o embaixador marroquino na Espanha, Omar Azziman, manifestou sua plena satisfação com o desfecho do impasse. “Fica claro que o Saara Ocidental está sob o império do direito marroquino”, disse à imprensa.
Já a Frente Polisario, instância que reúne política e militarmente as forças independentistas saaráuis, divulgou um comunicado acusando o país governado pelo primeiro-ministro José Luis Zapatero de ter utilizado “como moeda de troca a outorga de validez às leis marroquinas em um território sobre o qual a ONU não reconhece ao Marrocos nenhuma soberania”.
A conivência com o governo de Marrocos evidenciada por Espanha e França, em particular, e pela União Europeia (UE), de maneira geral, é explicada em grande parte por fortes interesses econômicos. Exemplo disso são as negociações entre UE e o país africano para a assinatura de um tratado de livre comércio, que tem grande chance de se concretizar no primeiro semestre de 2010, quando a presidência rotativa da instância europeia será ocupada justamente pela Espanha. (IO)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
A "Gandhi" do Saara Ocidental encerra greve de fome e volta para casa
Finalmente, depois de 32 dias de greve de fome, Aminetu Haidar pôde voltar para El Aaiún, a capital do Saara Ocidental, país ocupado pelo Marrocos desde 1975. Ela tinha sido expulsa pelo governo marroquino para as Ilhas Canárias, na Espanha, e desde então lutava para poder voltar para sua família. Mais detalhes sobre o caso e a causa, clique aqui e aqui.
No mínimo, o ocorrido tornou mais visível a luta do povo saarauí contra a opressão marroquina. Quer dizer, isso no resto do mundo - sobretudo na Europa. Pois, estranhamente, ou não, a imprensa brasileira não repercutiu absolutamente nada.
A greve de Aminetu deixou evidente também a gigante hipocrisia das potências ocidentais, que fazem campanhas sistemáticas "pela democracia" mas apoiam monarquias absolutistas como o Marrocos. Tudo por interesses econômicos.
Aqui, detalhes sobre a chegada dela a El Aaiún, hoje de madrugada (a polícia marroquina reprimiu os manifestantes que a esperavam).
Abaixo, texto publicado na mais recente edição do Brasil de Fato, quando ela havia completado um mês de greve de fome. O artigo mostra como era o seu dia-a-dia. Vale a pena ler.
Brasil de Fato, edição 355 (17 a 23 de dezembro de 2009)
Um mês em greve de fome
Proibida de voltar a seu país, a ativista do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, segue em jejum contra os governos de Marrocos e Espanha
da Redação
No dia 15, a ativista do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, completou 30 dias de greve de fome no aeroporto de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha. Como o Brasil de Fato relatou em sua edição 352, ela protesta pelo direito de voltar para casa.
Em meados de novembro, Aminetu, de 42 anos, foi impedida de retornar a El Aaiún, a capital de seu país, pelo governo de Marrocos, que ocupa o Saara Ocidental há 34 anos. Mandada para Lanzarote sem passaporte e contra sua vontade, a ativista foi proibida pela Espanha de tentar voltar, justamente por estar sem o documento. Sem uma solução à vista, Aminetu iniciou o jejum.
Desde então, a militante independentista saarauí (do Saara Ocidental) e seus apoiadores em todo o mundo acusam a monarquia marroquina de não querer resolver o impasse e o governo espanhol de não pressionar a nação do norte africano para tal. Os dois países mantêm fortes vínculos econômicos, e usufruem, inclusive, das riquezas saarauís – principalmente fosfato e pesca.
Aminetu, conhecida como a “Mahatma Gandhi” do Saara Ocidental, tem dois filhos (de 13 e 15 anos), que a esperam em El Aaiún. Ela já realizou uma greve de fome antes, que durou 45 dias. Foi em 2005, em uma das duas vezes em que esteve detida nas prisões marroquinas. Esse jejum a deixou com sérias sequelas físicas, o que torna ainda mais perigosa a atual greve de fome.
Confira abaixo um testemunho sobre a rotina de Aminetu Haidar no aeroporto de Lanzarote:
Dez dias no aeroporto com Aminetu Haidar
Qual será o motivo para que ninguém faça nada, já que é algo tão simples, que uma mulher volte para sua casa com seus filhos?
Carmen Giner Briz
Domingo, 29 de novembro, dia nº 14 da greve de fome. Aminetu desmaia na reunião com Agustín Santos, chefe de gabinete do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos. Levam-na ao cômodo onde normalmente descansa. Não consegue sair do quarto de novo.
O lugar onde Aminetu se instala durante os dias no aeroporto fica no segundo andar, no setor de desembarque do terminal 1, ao lado de uns bancos, da mesa para recolher as assinaturas em seu apoio e de um colchonete onde ela se senta para falar ou se deita quando não consegue mais. Além disso, seus amigos põem alguns carrinhos para protegê-la dos turistas que vêm ofuscados pela luz exterior e que, cegados, podem vir a pisá-la, e de todas as pessoas que tentam se aproximar por distintas razões. Esses carrinhos também servem para pendurar faixas explicativas de sua situação.
Aminetu está dormindo em um pequeno cômodo pertencente à garagem dos ônibus do aeroporto, junto a uma pessoa que a acompanha todas as noites. É um quartinho sem luz, sem ventilação, sem janelas.
No cômodo ao lado, junto às máquinas de café, sanduíches e sucos, dormem entre 15 e 20 pessoas, amigos e colaboradores de Aminetu. Os que não cabem dormem na rua. As condições e esse amontoamento são parecidos aos da Cadeia Negra de El Aaiún.
Todos os dias, após acordar, ela precisa recorrer um corredor, entre os ônibus, na rua, à intempérie, para posteriormente entrar no aeroporto pelas garagens de saída, pegar o elevador e chegar ao lugar mencionado em uma cadeira de rodas.
Sofrimento
Segunda, dia 30, pela manhã: levanta-se o acampamento, todo mundo recolhe mantas, colchonetes, malas e demais utensílios. Muitos sobem com seus computadores e outros ficam dando orientações. Aminetu se levanta e sobe com sua cadeira de rodas. Atrás, vai outro carrinho com seu colchonete e suas mantas.
No elevador, me vê, e sua cara se ilumina, como sempre acontece quando sorri. Tenta se inclinar para beijar-me, mas a dor nos ossos que sente na altura da nuca a impede. Faz um gesto de dor, que tenta dissimular com um sorriso. Mesmo assim, me dou conta de seu sofrimento e esforço. Pergunto como está, pondo-me de cócoras a seu lado, e ela, como sempre, diz: “bem”.
Senta em seu lugar e as pessoas vão chegando para vê-la. Gente importante, parlamentares, senadores, políticos, pessoas da cultura, da arte, delegações de distintas comunidades pertencentes a distintas associações de amigos do povo saarauí... também turistas que ouviram falar da história nos meios de comunicação, curiosos que tentam se enfiar entre a multidão, e a imprensa.
Ela recebe todos, e para todos tem palavras de carinho, compreensão. Os escuta até o esgotamento. Quando os visitantes vão embora, tenta descansar entre o bulício das pessoas, os carrinhos barulhentos, os motores dos aviões e os flashes das máquinas fotográficas que machucam sua vista.
Às vezes penso: por que ninguém lhe diz que deixe a greve de fome, que tanto sofrimento lhe está causando? Outras vezes, penso: qual será o motivo para que ninguém faça nada, já que é algo tão simples, que uma mulher volte para sua casa com seus filhos? Têm que existir muita corrupção e suborno para que deixem morrer essa mulher.
Pouco a pouco, percebo sua forte convicção e a dor que lhe produz o fato de sua decisão não ser respeitada. Acho que todos nos encontramos entre a cruz e a espada. Por um lado, o carinho que temos por ela, e o fato de querermos que esteja bem e que não lhe aconteça nada; por outro, nossa obrigação em respeitá-la.
Solidariedade
Não temos televisão, e poucos computadores têm internet. Não sabemos muito bem o que está saindo do lado de fora, mas acho que ninguém se dá conta que ela só consegue estar um par de horas atendendo as pessoas, que o resto é para que ela descanse e se recomponha.
Um dos dias em que vi Aminetu mais animada é quando veio o escritor português José Saramago, e também os dias em que lhe acompanhou Marselha, da Fundação Robert F. Kennedy. A cada dia tem menos forças para estar no andar de cima, e vai reduzindo suas horas por lá. A cada dia tem mais problemas para conseguir dormir. Estamos divididos: uns embaixo com ela, outros em cima, com os computadores.
Na sexta-feira, 4 de dezembro, quando se cumprem 19 dias de greve de fome, por volta das 6 da tarde, alguém me diz que Aminetu provavelmente vai embora a seu país em vinte minutos. As caras de todos se iluminam e todo mundo começa a se mover de maneira nervosa. Uma rádio me entrevista pelo telefone. É quase impossível para mim manter a conversa. Pouco a pouco a notícia vai se estendendo e cada vez há mais pessoas e meios de comunicação. Em seguida, chega uma ambulância e, pouco depois, sob uma forte aclamação, aparece Aminetu, que vai ao banheiro e depois é introduzida na ambulância. Com as mãos, nos lança beijos e nos diz adeus.
Assim que a ambulância parte, estoura um grande júbilo. Os saarauís pulam, gritam, enquanto os espanhóis choram. Depois, todos subimos ao aeroporto para esperar mais notícias. Em seguida, começam rumores de que o avião não vai decolar, de que tudo é uma fraude, um teatro orquestrado pela Espanha para que a opinião pública acredite que eles fazem o que está a seu alcance. A única coisa que o governo é capaz de fazer é rir de uma mulher doente que leva vinte dias em greve de fome, a qual estão dispostos a deixar morrer. O Marrocos confirma: não chegaram a nenhum acordo, não houve reuniões.
Espoliação
Nesse dia, Aminetu não volta mais a subir para o aeroporto. Passa uma noite ruim. O médico, pela manhã, me diz a palavra técnica que não sou capaz de recordar, mas se trata de uma taquicardia, produzida pelo grande esforço de entrar na ambulância, subir e descer andando no avião, e a tensão emocional. Ela chegou a ligar para seus filhos e dizer-lhes que estava voltando.
E outro dos muitos desatinos de nosso governo: ela tem um salvo-conduto para sair, mas, ao entrar depois dessa viagem frustrada, a guarda civil impediu, no começo, sua entrada, por voltar indocumentada. Passa todo o dia em um quartinho que lhe indicaram.
O governo espanhol pressiona Aminetu. Não entendem por que ela não aceita a nacionalidade espanhola. Parece que lhes custa entender que ela se sente orgulhosa de ser saarauí, que quer ter o passaporte que lhe permita voltar para sua casa, para sua terra, com os seus.
Eu me pergunto por que não dão a todos os membros de nosso governo um passaporte somaliano, depois de metê-los em um avião à força, para ver se assim começam a entender. Mas eles entendem perfeitamente. O que acontece é que há muitos milhões em jogo. Recordemos que somente dos fosfatos, o Marrocos expolia o povo saarauí em 1,5 bilhão de euros cada ano.
Em toda a Espanha, na minha cidade Madrid, cada dia há uma manifestação. A população se mobilizou. Nos meios de comunicação, é a notícia mais importante. Os jornais ocupam até suas cinco primeiras páginas falando de Aminetu, mas, para nosso governo, não é suficiente, o povo espanhol não lhe importa.
Pressões
É o dia 21 de greve de fome, já anoitecido, e estamos várias pessoas perto da porta de seu cômodo quando chega um grupo de sete ou oito pessoas em grande velocidade. Ao ver que vêm direto ao quarto de Aminetu, me aproximo para perguntar o que querem, e dizer a eles que não podem entrar. Mas não consigo terminar a frase. Sem parar, me dizem que é o juiz e que vai entrar. Tento chamar o Edi, a pessoa que está dentro com Aminetu, mas não dá tempo. Eles entram e expulsam Edi do quarto, fazendo com que a pobre Aminetu fique sozinha com esses oito indivíduos, que entram e fecham a porta.
Ao saírem os indivíduos, Aminetu declara que a trataram pior que no Marrocos, que a acossaram psicologicamente. O câmera da plataforma se põe a gravar e o juiz e os policiais querem tirar dele a câmera e a fita. Edi chama todos os meios de comunicação para que estes gravem a cena.
A tensão é máxima, o juiz vai embora, mas continua no aeroporto reunido com o médico de Aminetu. Os meios continuam na expectativa, e vemos quando, nas dependências do aeroporto contíguas à garagem em que estamos, chegam os furgões da polícia nacional e da guarda civil. Chegam em torno de 20 ou 30 furgões. O médico volta por volta das 2 da manhã e, posteriormente, a polícia se vai.
Ao amanhecer, Aminetu declara que desde esse momento prescinde de seu médico pessoal, já que o juiz o obrigou a dar seu histórico médico. Ela quer liberar seu médico da pressão a que se vê submetido, assim como preservar sua intimidade.
O final desta história inconclusa também depende de nós, da capacidade que tenhamos de quebrar nossa rotina, nossa forma de viver, para lutar pela dela, para que se faça justiça. Todos, desde onde possamos e como possamos, temos que lutar para que esse possível final se converta em um princípio.
Carmen Giner Briz é ativista do Western Sahara Resource Watch (WSRW, Observatório dos Recursos do Saara Ocidental) da Espanha
Tradução: Igor Ojeda
No mínimo, o ocorrido tornou mais visível a luta do povo saarauí contra a opressão marroquina. Quer dizer, isso no resto do mundo - sobretudo na Europa. Pois, estranhamente, ou não, a imprensa brasileira não repercutiu absolutamente nada.
A greve de Aminetu deixou evidente também a gigante hipocrisia das potências ocidentais, que fazem campanhas sistemáticas "pela democracia" mas apoiam monarquias absolutistas como o Marrocos. Tudo por interesses econômicos.
Aqui, detalhes sobre a chegada dela a El Aaiún, hoje de madrugada (a polícia marroquina reprimiu os manifestantes que a esperavam).
Abaixo, texto publicado na mais recente edição do Brasil de Fato, quando ela havia completado um mês de greve de fome. O artigo mostra como era o seu dia-a-dia. Vale a pena ler.
Brasil de Fato, edição 355 (17 a 23 de dezembro de 2009)
Um mês em greve de fome
Proibida de voltar a seu país, a ativista do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, segue em jejum contra os governos de Marrocos e Espanha
da Redação
No dia 15, a ativista do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, completou 30 dias de greve de fome no aeroporto de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha. Como o Brasil de Fato relatou em sua edição 352, ela protesta pelo direito de voltar para casa.
Em meados de novembro, Aminetu, de 42 anos, foi impedida de retornar a El Aaiún, a capital de seu país, pelo governo de Marrocos, que ocupa o Saara Ocidental há 34 anos. Mandada para Lanzarote sem passaporte e contra sua vontade, a ativista foi proibida pela Espanha de tentar voltar, justamente por estar sem o documento. Sem uma solução à vista, Aminetu iniciou o jejum.
Desde então, a militante independentista saarauí (do Saara Ocidental) e seus apoiadores em todo o mundo acusam a monarquia marroquina de não querer resolver o impasse e o governo espanhol de não pressionar a nação do norte africano para tal. Os dois países mantêm fortes vínculos econômicos, e usufruem, inclusive, das riquezas saarauís – principalmente fosfato e pesca.
Aminetu, conhecida como a “Mahatma Gandhi” do Saara Ocidental, tem dois filhos (de 13 e 15 anos), que a esperam em El Aaiún. Ela já realizou uma greve de fome antes, que durou 45 dias. Foi em 2005, em uma das duas vezes em que esteve detida nas prisões marroquinas. Esse jejum a deixou com sérias sequelas físicas, o que torna ainda mais perigosa a atual greve de fome.
Confira abaixo um testemunho sobre a rotina de Aminetu Haidar no aeroporto de Lanzarote:
Dez dias no aeroporto com Aminetu Haidar
Qual será o motivo para que ninguém faça nada, já que é algo tão simples, que uma mulher volte para sua casa com seus filhos?
Carmen Giner Briz
Domingo, 29 de novembro, dia nº 14 da greve de fome. Aminetu desmaia na reunião com Agustín Santos, chefe de gabinete do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos. Levam-na ao cômodo onde normalmente descansa. Não consegue sair do quarto de novo.
O lugar onde Aminetu se instala durante os dias no aeroporto fica no segundo andar, no setor de desembarque do terminal 1, ao lado de uns bancos, da mesa para recolher as assinaturas em seu apoio e de um colchonete onde ela se senta para falar ou se deita quando não consegue mais. Além disso, seus amigos põem alguns carrinhos para protegê-la dos turistas que vêm ofuscados pela luz exterior e que, cegados, podem vir a pisá-la, e de todas as pessoas que tentam se aproximar por distintas razões. Esses carrinhos também servem para pendurar faixas explicativas de sua situação.
Aminetu está dormindo em um pequeno cômodo pertencente à garagem dos ônibus do aeroporto, junto a uma pessoa que a acompanha todas as noites. É um quartinho sem luz, sem ventilação, sem janelas.
No cômodo ao lado, junto às máquinas de café, sanduíches e sucos, dormem entre 15 e 20 pessoas, amigos e colaboradores de Aminetu. Os que não cabem dormem na rua. As condições e esse amontoamento são parecidos aos da Cadeia Negra de El Aaiún.
Todos os dias, após acordar, ela precisa recorrer um corredor, entre os ônibus, na rua, à intempérie, para posteriormente entrar no aeroporto pelas garagens de saída, pegar o elevador e chegar ao lugar mencionado em uma cadeira de rodas.
Sofrimento
Segunda, dia 30, pela manhã: levanta-se o acampamento, todo mundo recolhe mantas, colchonetes, malas e demais utensílios. Muitos sobem com seus computadores e outros ficam dando orientações. Aminetu se levanta e sobe com sua cadeira de rodas. Atrás, vai outro carrinho com seu colchonete e suas mantas.
No elevador, me vê, e sua cara se ilumina, como sempre acontece quando sorri. Tenta se inclinar para beijar-me, mas a dor nos ossos que sente na altura da nuca a impede. Faz um gesto de dor, que tenta dissimular com um sorriso. Mesmo assim, me dou conta de seu sofrimento e esforço. Pergunto como está, pondo-me de cócoras a seu lado, e ela, como sempre, diz: “bem”.
Senta em seu lugar e as pessoas vão chegando para vê-la. Gente importante, parlamentares, senadores, políticos, pessoas da cultura, da arte, delegações de distintas comunidades pertencentes a distintas associações de amigos do povo saarauí... também turistas que ouviram falar da história nos meios de comunicação, curiosos que tentam se enfiar entre a multidão, e a imprensa.
Ela recebe todos, e para todos tem palavras de carinho, compreensão. Os escuta até o esgotamento. Quando os visitantes vão embora, tenta descansar entre o bulício das pessoas, os carrinhos barulhentos, os motores dos aviões e os flashes das máquinas fotográficas que machucam sua vista.
Às vezes penso: por que ninguém lhe diz que deixe a greve de fome, que tanto sofrimento lhe está causando? Outras vezes, penso: qual será o motivo para que ninguém faça nada, já que é algo tão simples, que uma mulher volte para sua casa com seus filhos? Têm que existir muita corrupção e suborno para que deixem morrer essa mulher.
Pouco a pouco, percebo sua forte convicção e a dor que lhe produz o fato de sua decisão não ser respeitada. Acho que todos nos encontramos entre a cruz e a espada. Por um lado, o carinho que temos por ela, e o fato de querermos que esteja bem e que não lhe aconteça nada; por outro, nossa obrigação em respeitá-la.
Solidariedade
Não temos televisão, e poucos computadores têm internet. Não sabemos muito bem o que está saindo do lado de fora, mas acho que ninguém se dá conta que ela só consegue estar um par de horas atendendo as pessoas, que o resto é para que ela descanse e se recomponha.
Um dos dias em que vi Aminetu mais animada é quando veio o escritor português José Saramago, e também os dias em que lhe acompanhou Marselha, da Fundação Robert F. Kennedy. A cada dia tem menos forças para estar no andar de cima, e vai reduzindo suas horas por lá. A cada dia tem mais problemas para conseguir dormir. Estamos divididos: uns embaixo com ela, outros em cima, com os computadores.
Na sexta-feira, 4 de dezembro, quando se cumprem 19 dias de greve de fome, por volta das 6 da tarde, alguém me diz que Aminetu provavelmente vai embora a seu país em vinte minutos. As caras de todos se iluminam e todo mundo começa a se mover de maneira nervosa. Uma rádio me entrevista pelo telefone. É quase impossível para mim manter a conversa. Pouco a pouco a notícia vai se estendendo e cada vez há mais pessoas e meios de comunicação. Em seguida, chega uma ambulância e, pouco depois, sob uma forte aclamação, aparece Aminetu, que vai ao banheiro e depois é introduzida na ambulância. Com as mãos, nos lança beijos e nos diz adeus.
Assim que a ambulância parte, estoura um grande júbilo. Os saarauís pulam, gritam, enquanto os espanhóis choram. Depois, todos subimos ao aeroporto para esperar mais notícias. Em seguida, começam rumores de que o avião não vai decolar, de que tudo é uma fraude, um teatro orquestrado pela Espanha para que a opinião pública acredite que eles fazem o que está a seu alcance. A única coisa que o governo é capaz de fazer é rir de uma mulher doente que leva vinte dias em greve de fome, a qual estão dispostos a deixar morrer. O Marrocos confirma: não chegaram a nenhum acordo, não houve reuniões.
Espoliação
Nesse dia, Aminetu não volta mais a subir para o aeroporto. Passa uma noite ruim. O médico, pela manhã, me diz a palavra técnica que não sou capaz de recordar, mas se trata de uma taquicardia, produzida pelo grande esforço de entrar na ambulância, subir e descer andando no avião, e a tensão emocional. Ela chegou a ligar para seus filhos e dizer-lhes que estava voltando.
E outro dos muitos desatinos de nosso governo: ela tem um salvo-conduto para sair, mas, ao entrar depois dessa viagem frustrada, a guarda civil impediu, no começo, sua entrada, por voltar indocumentada. Passa todo o dia em um quartinho que lhe indicaram.
O governo espanhol pressiona Aminetu. Não entendem por que ela não aceita a nacionalidade espanhola. Parece que lhes custa entender que ela se sente orgulhosa de ser saarauí, que quer ter o passaporte que lhe permita voltar para sua casa, para sua terra, com os seus.
Eu me pergunto por que não dão a todos os membros de nosso governo um passaporte somaliano, depois de metê-los em um avião à força, para ver se assim começam a entender. Mas eles entendem perfeitamente. O que acontece é que há muitos milhões em jogo. Recordemos que somente dos fosfatos, o Marrocos expolia o povo saarauí em 1,5 bilhão de euros cada ano.
Em toda a Espanha, na minha cidade Madrid, cada dia há uma manifestação. A população se mobilizou. Nos meios de comunicação, é a notícia mais importante. Os jornais ocupam até suas cinco primeiras páginas falando de Aminetu, mas, para nosso governo, não é suficiente, o povo espanhol não lhe importa.
Pressões
É o dia 21 de greve de fome, já anoitecido, e estamos várias pessoas perto da porta de seu cômodo quando chega um grupo de sete ou oito pessoas em grande velocidade. Ao ver que vêm direto ao quarto de Aminetu, me aproximo para perguntar o que querem, e dizer a eles que não podem entrar. Mas não consigo terminar a frase. Sem parar, me dizem que é o juiz e que vai entrar. Tento chamar o Edi, a pessoa que está dentro com Aminetu, mas não dá tempo. Eles entram e expulsam Edi do quarto, fazendo com que a pobre Aminetu fique sozinha com esses oito indivíduos, que entram e fecham a porta.
Ao saírem os indivíduos, Aminetu declara que a trataram pior que no Marrocos, que a acossaram psicologicamente. O câmera da plataforma se põe a gravar e o juiz e os policiais querem tirar dele a câmera e a fita. Edi chama todos os meios de comunicação para que estes gravem a cena.
A tensão é máxima, o juiz vai embora, mas continua no aeroporto reunido com o médico de Aminetu. Os meios continuam na expectativa, e vemos quando, nas dependências do aeroporto contíguas à garagem em que estamos, chegam os furgões da polícia nacional e da guarda civil. Chegam em torno de 20 ou 30 furgões. O médico volta por volta das 2 da manhã e, posteriormente, a polícia se vai.
Ao amanhecer, Aminetu declara que desde esse momento prescinde de seu médico pessoal, já que o juiz o obrigou a dar seu histórico médico. Ela quer liberar seu médico da pressão a que se vê submetido, assim como preservar sua intimidade.
O final desta história inconclusa também depende de nós, da capacidade que tenhamos de quebrar nossa rotina, nossa forma de viver, para lutar pela dela, para que se faça justiça. Todos, desde onde possamos e como possamos, temos que lutar para que esse possível final se converta em um princípio.
Carmen Giner Briz é ativista do Western Sahara Resource Watch (WSRW, Observatório dos Recursos do Saara Ocidental) da Espanha
Tradução: Igor Ojeda
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Folha confirma que teve seus carros usados pela ditadura
Do blog do Jakobskind:
Cidadão Boilesen e a Folha
Não deu na Folha de S. Paulo
Renato Khair foi assistir ao filme Cidadão Boilesen e, no documentário, a Folha é citada como colaboradora da repressão, inclusive cedendo carros do jornal para a famigerada Operação Oban. O rapaz resolveu, então, enviar um e-mail para o ombudsman da Folha, solicitando que o jornal se posicionasse diante das graves acusações, já que até hoje ninguém da direção havia ainda se manifestado. Afinal, a Folha colaborou ou não com a Oban? Abaixo, seguem os e-mails que ele enviou e a resposta risível do Carlos Eduardo Lins da Silva.
Nenhuma das mensagens foi publicada pelo jornal.
Seguem abaixo os e-mails.
E-mail do Renato Khair:
"No ótimo documentário 'Cidadão Boilesen', de Chaim Litewski, há uma citação expressa de que o jornal 'Folha de São Paulo' teria colaborado diretamente com a Operação Bandeirantes (Oban), da ditadura militar. A 'Folha' teria cedido suas caminhonetes aos membros da Oban, na repressão aos opositores da ditadura. É uma acusação grave e séria. Até agora, não vi nenhuma resposta da 'Folha', negando veementemente qualquer tipo de participação ou de apoio ao regime militar. O mínimo que se espera é que o jornal se manifeste, seja para refutar ou para confirmar tais afirmações".
Renato Khair
Resposta do ombudsman da Folha:
Caro Sr. Renato,
Durante o período ditatorial, a direção da Folha não foi informada da utilização de seus caminhões pelos órgãos de repressão. No entanto, investigações posteriores constataram que, de fato, alguns veículos do jornal foram usados por equipes do DOI-Codi. Esses atos foram praticados à revelia dos acionistas da empresa.
Atenciosamente,
Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman - Folha de S.Paulo
Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar
01202-900 - São Paulo - SP
Telefone: 0800 159000
Fax: (11) 3224-3895
ombudsma@uol.com.br
http://www.folha.com.br/ombudsman/
Cidadão Boilesen e a Folha
Não deu na Folha de S. Paulo
Renato Khair foi assistir ao filme Cidadão Boilesen e, no documentário, a Folha é citada como colaboradora da repressão, inclusive cedendo carros do jornal para a famigerada Operação Oban. O rapaz resolveu, então, enviar um e-mail para o ombudsman da Folha, solicitando que o jornal se posicionasse diante das graves acusações, já que até hoje ninguém da direção havia ainda se manifestado. Afinal, a Folha colaborou ou não com a Oban? Abaixo, seguem os e-mails que ele enviou e a resposta risível do Carlos Eduardo Lins da Silva.
Nenhuma das mensagens foi publicada pelo jornal.
Seguem abaixo os e-mails.
E-mail do Renato Khair:
"No ótimo documentário 'Cidadão Boilesen', de Chaim Litewski, há uma citação expressa de que o jornal 'Folha de São Paulo' teria colaborado diretamente com a Operação Bandeirantes (Oban), da ditadura militar. A 'Folha' teria cedido suas caminhonetes aos membros da Oban, na repressão aos opositores da ditadura. É uma acusação grave e séria. Até agora, não vi nenhuma resposta da 'Folha', negando veementemente qualquer tipo de participação ou de apoio ao regime militar. O mínimo que se espera é que o jornal se manifeste, seja para refutar ou para confirmar tais afirmações".
Renato Khair
Resposta do ombudsman da Folha:
Caro Sr. Renato,
Durante o período ditatorial, a direção da Folha não foi informada da utilização de seus caminhões pelos órgãos de repressão. No entanto, investigações posteriores constataram que, de fato, alguns veículos do jornal foram usados por equipes do DOI-Codi. Esses atos foram praticados à revelia dos acionistas da empresa.
Atenciosamente,
Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman - Folha de S.Paulo
Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar
01202-900 - São Paulo - SP
Telefone: 0800 159000
Fax: (11) 3224-3895
ombudsma@uol.com.br
http://www.folha.com.br/ombudsman/
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A farsa de Copenhague
Vamos falar claramente: a Cúpula de Copenhague é uma grande farsa.
Países ricos e emergentes (entre eles, o Brasil) fingem estar preocupados com a redução do aquecimento global. Bobagem. A questão é (como sempre) econômica. Querem mesmo é fazer as contas de quanto perderão em termos de crescimento de suas economias (crescimento, não desenvolvimento, que são coisas bem diferentes) com os cortes nas emissões de gás carbônicos.
O Brasil parece ser um dos mais espertos. Vê o aquecimento global como uma grande possibilidade de vender para o mundo seu modelo energético "limpo" (outra grande farsa) baseado em hidrelétricas e agrocombustíveis. Ou seja, mais bilhões de reais para construtoras, empresas eletrointensivas e agronegócio.
De quebra, espera ganhar outros bilhões com a também grande farsa do mercado de créditos de carbono.
Enquanto isso, os países pobres, os maiores prejudicados com o aquecimento, ficam como sempre. Sem voz nas grandes decisões sobre suas próprias vidas.
--
Abaixo, um artigo publicado no Brasil de Fato que desmistifica a "limpeza" da energia gerada pelas hidreléticas:
Energia limpa na Amazônia: um papo furado que emite metano
Admitir que as barragens produzem energia suja e contribuem significativamente nas emissões seria um tiro no pé, no momento que o país quer mostrar liderança mundial no combate ao aquecimento global
Kostis Damianakis
O Brasil, novamente estará em destaque mundial, desta vez, durante a Conferência do Clima em Copenhague, e com razão. O país tem a maior extensão de florestas tropicais do mundo e ao mesmo tempo o maior ritmo de desmatamento que contribui com mais de 50% nas emissões nacionais de gases do efeito estufa. Sendo o país o quarto maior emissor no mundo, o governo brasileiro chegou esta semana à capital Dinamarquês com a promessa de reduzir em 40% suas emissões até 2020. Para convencer que pode atingir sua meta ambiciosa e ao mesmo tempo continuar crescendo com índices de 4 a 6% na próxima década, utiliza com freqüência o argumento de que sua matriz energética se baseia, em grande parte, em fontes limpas e renováveis, como os agrocombustíveis e a hidroeletricidade.
Falso e ilusório
A noção que a energia hidrelétrica é limpa está embutida no subconsciente coletivo da humanidade há décadas. Obvio que ninguém vê chaminés acima dos lagos e nos muros das barragens ou fumaça saindo dos vertedouros e turbinas. No entanto, pesquisas científicas nas últimas duas décadas vêm apontando que as barragens contribuem significativamente na emissão de gases do efeito estufa. Em um artigo de 2007, cientistas do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) estimaram que as grandes barragens no mundo são responsáveis por mais de 4% das emissões globais enquanto a agroindústria contribui com 18% e o setor de transportes com 13%.
Principalmente em regiões tropicais as águas quietas dos lagos das barragens escondem verdadeiras fábricas de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano; esse último tem 25 vezes maior impacto no efeito estufa do que o próprio dióxido de carbono. A floresta que fica submersa durante décadas e a vegetação que cresce nas margens do lago descobertas na época em que o reservatório está baixo, quando forem digeridos por bactérias emitem esses gases naturalmente. Também o alto teor em material orgânico dos rios que percorrem florestas como a Amazônica até serem barrados, ajuda na proliferação de algas e plantas aquáticas que por sua vez são decompostas por bactérias. É difícil conceber a magnitude das emissões, mas pesquisadores do Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA) têm mostrado que algumas das barragens da Amazônia como a de Curuá-Una (PA), e as desastrosas em termos sociais e ambientais Tucuruí (PA) e Balbina (AM), emitem mais gases do efeito estufa do que termelétricas a gás natural ou diesel com a mesma potência instalada.
No entanto, essas constatações científicas estão disputadas e desqualificadas numa campanha orquestrada por atores ligados à indústria de barragens e energia e setores do governo. A explicação é simples se considerarmos que as barragens na Amazônia, como os Complexos Hidrelétricos dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins/Araguaia e Xingu são alguns dos principais pilares do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo deixa claro,desde o processo de licenciamento ambiental do Belo Monte até a implantação das hidrelétricas no rio Madeira, que nem os graves impactos sociais, e muito menos os ambientais, podem obstruir a implementação do atual - injusto e desequilibrado - modelo de desenvolvimento. Obviamente, admitir que as barragens produzem energia suja e contribuem significativamente nas emissões (20% no caso do Brasil segundo o INPE) seria um tiro no pé, no momento que o país quer mostrar liderança mundial no combate ao aquecimento global e, assim, atrair investimentos “verdes” dos países do norte.
Mercado de carbono
A oportunidade de lucro é outro elemento que pode ajudar a explicar essa disputa dos fatos científicos. Com o argumento que as hidrelétricas produzem energia limpa, as barragens podem ser registradas como projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) estabelecido no Protocolo de Kyoto, e assim vender créditos de carbono no mercado mundial. Esse mercado que hoje vale mais de U$ 100 bilhões, cresceu cerca de 1000% desde 2005 e deve atingir pelo menos U$ 1 trilhão até 2014. No Brasil existem 83 projetos hidrelétricos em avaliação ou inseridos no MDL, gerando mais de U$ 60 milhões/ano para os donos dos empreendimentos. O futuro só pode ser melhor para eles se nada mudar. As duas barragens do rio Madeira, por exemplo, se forem inseridas no MDL, vão gerar U$ 100 milhões/ano, além dos R$ 8,2 bilhões/ano de lucro esperado com a geração, transmissão e distribuição de energia. E para variar, estima-se que entre um a dois terços dos projetos no mundo que hoje são inseridos no MDL, não cumprem as exigências estabelecidas, ou seja, existem fraudes na avaliação dos projetos e de fato não ajudam a diminuir o efeito estufa.
Crise mundial
A atual crise econômica que veio complementar a crise energética e alimentar foi fruto da atitude descontrolada dos mercados financeiros, mas quem pagou e paga a conta são os milhões de novas pessoas famintas e desempregadas no mundo. Para agravar ainda mais a situação, os governos desembolsaram U$ 12 trilhões de dinheiro publico, segundo o Fundo Monetário Internacional, para salvar o sistema financeiro - com sucesso extremamente duvidoso. Os mercados não poderiam ter a solução para a crise financeira que eles produziram e com a crise climática não é muito diferente. A conferência do clima em Copenhagen tem a oportunidade de desvincular o combate ao aquecimento global dos mecanismos de mercado. Ambientalistas, movimentos sociais e cientistas dizem que esse é o único caminho para um desenvolvimento sustentável e minimamente honesto. Tanto honesto, para não poder fingir que a hidroeletricidade é limpa só porque ninguém vê chaminés nos murros das barragens.
Kostis Damianakis é doutor em Microbiologia Ambiental pela Universidade de Essex na Inglaterra.
Países ricos e emergentes (entre eles, o Brasil) fingem estar preocupados com a redução do aquecimento global. Bobagem. A questão é (como sempre) econômica. Querem mesmo é fazer as contas de quanto perderão em termos de crescimento de suas economias (crescimento, não desenvolvimento, que são coisas bem diferentes) com os cortes nas emissões de gás carbônicos.
O Brasil parece ser um dos mais espertos. Vê o aquecimento global como uma grande possibilidade de vender para o mundo seu modelo energético "limpo" (outra grande farsa) baseado em hidrelétricas e agrocombustíveis. Ou seja, mais bilhões de reais para construtoras, empresas eletrointensivas e agronegócio.
De quebra, espera ganhar outros bilhões com a também grande farsa do mercado de créditos de carbono.
Enquanto isso, os países pobres, os maiores prejudicados com o aquecimento, ficam como sempre. Sem voz nas grandes decisões sobre suas próprias vidas.
--
Abaixo, um artigo publicado no Brasil de Fato que desmistifica a "limpeza" da energia gerada pelas hidreléticas:
Energia limpa na Amazônia: um papo furado que emite metano
Admitir que as barragens produzem energia suja e contribuem significativamente nas emissões seria um tiro no pé, no momento que o país quer mostrar liderança mundial no combate ao aquecimento global
Kostis Damianakis
O Brasil, novamente estará em destaque mundial, desta vez, durante a Conferência do Clima em Copenhague, e com razão. O país tem a maior extensão de florestas tropicais do mundo e ao mesmo tempo o maior ritmo de desmatamento que contribui com mais de 50% nas emissões nacionais de gases do efeito estufa. Sendo o país o quarto maior emissor no mundo, o governo brasileiro chegou esta semana à capital Dinamarquês com a promessa de reduzir em 40% suas emissões até 2020. Para convencer que pode atingir sua meta ambiciosa e ao mesmo tempo continuar crescendo com índices de 4 a 6% na próxima década, utiliza com freqüência o argumento de que sua matriz energética se baseia, em grande parte, em fontes limpas e renováveis, como os agrocombustíveis e a hidroeletricidade.
Falso e ilusório
A noção que a energia hidrelétrica é limpa está embutida no subconsciente coletivo da humanidade há décadas. Obvio que ninguém vê chaminés acima dos lagos e nos muros das barragens ou fumaça saindo dos vertedouros e turbinas. No entanto, pesquisas científicas nas últimas duas décadas vêm apontando que as barragens contribuem significativamente na emissão de gases do efeito estufa. Em um artigo de 2007, cientistas do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) estimaram que as grandes barragens no mundo são responsáveis por mais de 4% das emissões globais enquanto a agroindústria contribui com 18% e o setor de transportes com 13%.
Principalmente em regiões tropicais as águas quietas dos lagos das barragens escondem verdadeiras fábricas de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano; esse último tem 25 vezes maior impacto no efeito estufa do que o próprio dióxido de carbono. A floresta que fica submersa durante décadas e a vegetação que cresce nas margens do lago descobertas na época em que o reservatório está baixo, quando forem digeridos por bactérias emitem esses gases naturalmente. Também o alto teor em material orgânico dos rios que percorrem florestas como a Amazônica até serem barrados, ajuda na proliferação de algas e plantas aquáticas que por sua vez são decompostas por bactérias. É difícil conceber a magnitude das emissões, mas pesquisadores do Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA) têm mostrado que algumas das barragens da Amazônia como a de Curuá-Una (PA), e as desastrosas em termos sociais e ambientais Tucuruí (PA) e Balbina (AM), emitem mais gases do efeito estufa do que termelétricas a gás natural ou diesel com a mesma potência instalada.
No entanto, essas constatações científicas estão disputadas e desqualificadas numa campanha orquestrada por atores ligados à indústria de barragens e energia e setores do governo. A explicação é simples se considerarmos que as barragens na Amazônia, como os Complexos Hidrelétricos dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins/Araguaia e Xingu são alguns dos principais pilares do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo deixa claro,desde o processo de licenciamento ambiental do Belo Monte até a implantação das hidrelétricas no rio Madeira, que nem os graves impactos sociais, e muito menos os ambientais, podem obstruir a implementação do atual - injusto e desequilibrado - modelo de desenvolvimento. Obviamente, admitir que as barragens produzem energia suja e contribuem significativamente nas emissões (20% no caso do Brasil segundo o INPE) seria um tiro no pé, no momento que o país quer mostrar liderança mundial no combate ao aquecimento global e, assim, atrair investimentos “verdes” dos países do norte.
Mercado de carbono
A oportunidade de lucro é outro elemento que pode ajudar a explicar essa disputa dos fatos científicos. Com o argumento que as hidrelétricas produzem energia limpa, as barragens podem ser registradas como projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) estabelecido no Protocolo de Kyoto, e assim vender créditos de carbono no mercado mundial. Esse mercado que hoje vale mais de U$ 100 bilhões, cresceu cerca de 1000% desde 2005 e deve atingir pelo menos U$ 1 trilhão até 2014. No Brasil existem 83 projetos hidrelétricos em avaliação ou inseridos no MDL, gerando mais de U$ 60 milhões/ano para os donos dos empreendimentos. O futuro só pode ser melhor para eles se nada mudar. As duas barragens do rio Madeira, por exemplo, se forem inseridas no MDL, vão gerar U$ 100 milhões/ano, além dos R$ 8,2 bilhões/ano de lucro esperado com a geração, transmissão e distribuição de energia. E para variar, estima-se que entre um a dois terços dos projetos no mundo que hoje são inseridos no MDL, não cumprem as exigências estabelecidas, ou seja, existem fraudes na avaliação dos projetos e de fato não ajudam a diminuir o efeito estufa.
Crise mundial
A atual crise econômica que veio complementar a crise energética e alimentar foi fruto da atitude descontrolada dos mercados financeiros, mas quem pagou e paga a conta são os milhões de novas pessoas famintas e desempregadas no mundo. Para agravar ainda mais a situação, os governos desembolsaram U$ 12 trilhões de dinheiro publico, segundo o Fundo Monetário Internacional, para salvar o sistema financeiro - com sucesso extremamente duvidoso. Os mercados não poderiam ter a solução para a crise financeira que eles produziram e com a crise climática não é muito diferente. A conferência do clima em Copenhagen tem a oportunidade de desvincular o combate ao aquecimento global dos mecanismos de mercado. Ambientalistas, movimentos sociais e cientistas dizem que esse é o único caminho para um desenvolvimento sustentável e minimamente honesto. Tanto honesto, para não poder fingir que a hidroeletricidade é limpa só porque ninguém vê chaminés nos murros das barragens.
Kostis Damianakis é doutor em Microbiologia Ambiental pela Universidade de Essex na Inglaterra.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A Bolívia depois das eleições
Eduardo Paz Rada
Se bem estava "cantado" que Evo Morales conseguiria a reeleição presidencial no primeiro turno para conduzir a Bolívia durante os próximos cinco anos, que provavelmente se convertirão em dez, não era muito claro quais seriam as margens de controle nas regiões que haviam sido o reduto da oposição neoliberal e conservadora durante os últimos quatro anos.
Os sucesivos triunfos de Morales, em eleições, consultas e referendos, desde 2005, tem como fundamental antecedente a rebelião popular de outubro de 2003 que jogou abaixo todo o sistema político e partidos que haviam levado adiante a política neoliberal que destruiu a estrutura econômica do país e entregou os recursos e empresas estratégicas, a terra e a administração financeira às transnacionais e à oligarquia local.
Foram as consignas de recuperação dos recursos naturais, especialmente o gás, e do Estado, através de uma Assembléia Constituinte, e de expulsão dos políticos corruptos que marcaram os últimos seis anos da vida nacional. Este impulso social, imposto pelos movimentos populares teve sua continuidade e projeção na derrota dos setores oligárquicos e proprietários de terras de Santa Cruz, Beni e Pando em setembro e outubro de 2008, incluindo a expulsão do embaixador dos Estados Unidos na Bolívia.
Agora, com verificação electoral, os desafios do governo se abrem a novas perspectivas. O programa de governo apresentado pelo Movimento ao Socialismo (MAS) está claramente orientado ao desenvolvimento clássico da sociedade moderna, sob a consigna de "Revolução Industrial, Viária, Tecnológica e Institucional" que propõe romper a colonial exportação de matérias primas. O discurso indigenista passou a um segundo plano, assim como a "Revolução Democrática e Cultural" sustentada durante o período 2006-2009.
Evo Morales, a tempo de agradecer o apoio do povo boliviano, manifestou que é hora de acelerar as mudanças, ponderou o voto recebido da classe média e respondeu com a referência anti-imperilista do projeto dos países da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba) quando grupos de manifestantes faziam um coro: "Socialismo, socialismo".
Ao haver sido pulverizada a oposição conservadora, começaram a surgir vozes empresariais para somar-se abertamente ao porjeto de governo, por um lado, e os grupos opositores regionais a reagrupar-se para buscar melhores resultados nas eleições de governadores e prefeitos nas eleições departamentais (estaduais) e municipais de abril de 2010, aonde poderiam rearticular-se os setores oligárquicos.
Por outra parte, no seio das forças políticas e sociais que respaldam Morales, começa a remover-se tendências que se manifestaram mornamente até agora. Os setores indigenistas buscam um maior protagonismo nas instâncias governamentais, os bolivarianos uma maior vinculação e compromisso com os postulados latino-americanistas e de integração econômica e política, os esquerdistas uma definição socialista e os liberais manter as boas relações existentes com as transnacionais
petroleiras, mineradoras e financeiras.
Finalmente, o contexto regional e mundial vai marcar também os passos do segundo mandato de Evo Morales. A multipolaridade abriu vários polos que pretendem hegemonia econômica, especialmente com a emergência de China, Índia, Rússia e Brasil, que se somam a União Européia e Estados Unidos e buscam recursos naturais, com poderosas transnacionais, que existem na Bolivia. Regionalmente, as prováveis mudanças no timão político no Brasil, Chile e Argentina, junto a estratégia militar imperialista
manifestada em Honduras e Colômbia, abrem um jogo geopolítico ainda indefinido.
Bolívia, junto a outros países, na União das Nações Sulamericanas e na Alba têm um grande desafio batendo à porta.
Eduardo Paz Rada é diretor do curso de sociologia da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA), universidade pública de La Paz, Bolivia.
Tradução: Vinicius Mansur
Se bem estava "cantado" que Evo Morales conseguiria a reeleição presidencial no primeiro turno para conduzir a Bolívia durante os próximos cinco anos, que provavelmente se convertirão em dez, não era muito claro quais seriam as margens de controle nas regiões que haviam sido o reduto da oposição neoliberal e conservadora durante os últimos quatro anos.
Os sucesivos triunfos de Morales, em eleições, consultas e referendos, desde 2005, tem como fundamental antecedente a rebelião popular de outubro de 2003 que jogou abaixo todo o sistema político e partidos que haviam levado adiante a política neoliberal que destruiu a estrutura econômica do país e entregou os recursos e empresas estratégicas, a terra e a administração financeira às transnacionais e à oligarquia local.
Foram as consignas de recuperação dos recursos naturais, especialmente o gás, e do Estado, através de uma Assembléia Constituinte, e de expulsão dos políticos corruptos que marcaram os últimos seis anos da vida nacional. Este impulso social, imposto pelos movimentos populares teve sua continuidade e projeção na derrota dos setores oligárquicos e proprietários de terras de Santa Cruz, Beni e Pando em setembro e outubro de 2008, incluindo a expulsão do embaixador dos Estados Unidos na Bolívia.
Agora, com verificação electoral, os desafios do governo se abrem a novas perspectivas. O programa de governo apresentado pelo Movimento ao Socialismo (MAS) está claramente orientado ao desenvolvimento clássico da sociedade moderna, sob a consigna de "Revolução Industrial, Viária, Tecnológica e Institucional" que propõe romper a colonial exportação de matérias primas. O discurso indigenista passou a um segundo plano, assim como a "Revolução Democrática e Cultural" sustentada durante o período 2006-2009.
Evo Morales, a tempo de agradecer o apoio do povo boliviano, manifestou que é hora de acelerar as mudanças, ponderou o voto recebido da classe média e respondeu com a referência anti-imperilista do projeto dos países da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba) quando grupos de manifestantes faziam um coro: "Socialismo, socialismo".
Ao haver sido pulverizada a oposição conservadora, começaram a surgir vozes empresariais para somar-se abertamente ao porjeto de governo, por um lado, e os grupos opositores regionais a reagrupar-se para buscar melhores resultados nas eleições de governadores e prefeitos nas eleições departamentais (estaduais) e municipais de abril de 2010, aonde poderiam rearticular-se os setores oligárquicos.
Por outra parte, no seio das forças políticas e sociais que respaldam Morales, começa a remover-se tendências que se manifestaram mornamente até agora. Os setores indigenistas buscam um maior protagonismo nas instâncias governamentais, os bolivarianos uma maior vinculação e compromisso com os postulados latino-americanistas e de integração econômica e política, os esquerdistas uma definição socialista e os liberais manter as boas relações existentes com as transnacionais
petroleiras, mineradoras e financeiras.
Finalmente, o contexto regional e mundial vai marcar também os passos do segundo mandato de Evo Morales. A multipolaridade abriu vários polos que pretendem hegemonia econômica, especialmente com a emergência de China, Índia, Rússia e Brasil, que se somam a União Européia e Estados Unidos e buscam recursos naturais, com poderosas transnacionais, que existem na Bolivia. Regionalmente, as prováveis mudanças no timão político no Brasil, Chile e Argentina, junto a estratégia militar imperialista
manifestada em Honduras e Colômbia, abrem um jogo geopolítico ainda indefinido.
Bolívia, junto a outros países, na União das Nações Sulamericanas e na Alba têm um grande desafio batendo à porta.
Eduardo Paz Rada é diretor do curso de sociologia da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA), universidade pública de La Paz, Bolivia.
Tradução: Vinicius Mansur
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Uma eleição validada com sangue
Este vídeo (15 minutos) mostra claramente como a eleição em Honduras não transcorreu nem um pouco "normalmente", como os EUA e a grande mídia querem fazer crer.
Além de elencar as violações de direitos humanos desde o golpe, mostra com imagens e testemunhos contundentes a opressão que se viveu no país no dia da eleição.
Obviamente, o Departamento de Estado dos EUA soube do que aconteceu (assim como a mídia brasileira). Seu serviço de inteligência não é nada bobo. Mas prefere, claro, seguir o plano de consolidação do golpe, ou seja, reconhecer as eleições realizadas sob um regime de exceção.
O engraçado é que Clóvis Rossis e Elianes Catanhêdes da vida jogam o jogo dos EUA, e já cobram do governo brasileiro uma mudança de postura. E utilizam os mesmos argumentos estadunidenses, sempre tão "ponderados". Quer dizer: preferem deixar de lado o jornalismo. Como quase sempre, aliás.
Além de elencar as violações de direitos humanos desde o golpe, mostra com imagens e testemunhos contundentes a opressão que se viveu no país no dia da eleição.
Obviamente, o Departamento de Estado dos EUA soube do que aconteceu (assim como a mídia brasileira). Seu serviço de inteligência não é nada bobo. Mas prefere, claro, seguir o plano de consolidação do golpe, ou seja, reconhecer as eleições realizadas sob um regime de exceção.
O engraçado é que Clóvis Rossis e Elianes Catanhêdes da vida jogam o jogo dos EUA, e já cobram do governo brasileiro uma mudança de postura. E utilizam os mesmos argumentos estadunidenses, sempre tão "ponderados". Quer dizer: preferem deixar de lado o jornalismo. Como quase sempre, aliás.
Os "isentos" observadores das eleições em Honduras
Do site TR-Honduras:
Micheletti reclutó en Miami a observadores vinculados a la CIA
La dictadura golpista de Roberto Micheletti ha utilizado como “observadores internacionales” de sus elecciones ilegales a connotados miembros de la mafia cubanoamericana, conocidos por su colaboración con la CIA y sus lazos con los círculos terroristas de Miami
Jean-Guy Allard
Revelaciones” de la prensa mafiosa de Miami confirman que a su lista de supuestos observadores reclutados en los círculos de extrema derecha de Estados Unidos y de América Latina - se aparecieron el traidor cubano Huber Matos, jefe de la organización Cuba Independiente y Democrática (CID).
Orlando Gutiérrez, capo del Directorio Democrático Cubano (DDC), Sylvia Iriondo, gerente de la organización MAR por Cuba.
Los tres tienen lazos documentados con la Agencia Central de Inteligencia (CIA) y se han vinculado a organizaciones terroristas generadas por este mismo órgano del gobierno norteamericano.
Huber Matos, de 91 años de edad, ha apoyado en varias oportunidades planes de asesinatos desarrollados por sus amigos Gaspar Jiménez Escobedo y Nelsy Ignacio Castro Matos además de mantener relaciones con narcotraficantes tales como el caíd canadiense Máximo Morales arrestado en diciembre de 1990, justo después de su visita, al producirse la más importante captura de cocaína de la historia de Montreal.
“Nunca había visto una elección tan ordenada y con tanto entusiasmo popular”, comentó Matos quien visitó mesas electorales escoltado por militares en una Tegucigalpa aterrorizada por las omnipresentes fuerzas policiales y militares.
Por su parte, Gutiérrez Boronat es un ex miembro de la llamada Organización para la Liberación de Cuba (OLC) del connotado terrorista Ramón Saúl Sánchez Rizo. uno de los más peligrosos sicarios de Omega 7. Propagandista de elite del Departamento de Estado, recibió oficialmente en el último presupuesto de la NED la cantidad de 275 000 dólares para difamar a Cuba.
Sylvia Iriondo que calificó de “una fiesta cívica extraordinaria” los comicios de Micheletti, sigue también en la nomenklatura de los más grandes beneficiarios de los programas federales norteamericanos de subsidios a la contrarrevolución además de prestarse para cualquier actividad propagandística orientada por la CIA contra Cuba.
Ya se sabía que el estafador Adolfo Franco que utilizó su puesto en la USAID para regar sus amistades de la Miami mafiosa con millones de dólares se encontró entre los ex funcionarios norteamericanos vinculados a los Bush que viajaron a Honduras - todo pagado por Micheletti - como observadores de las elecciones.
Franco y sus acompañantes de Miami se sumaron a los enviados del grupo neonazi UnoAmérica y de la “Red Latinoamericana y del Caribe para la Libertad”, un apéndice de la Fundación Libertad, financiada por la NED, así como al Faes de José María Aznar.
Después de honrar al agente CIA Carlos Alberto Montaner, el régimen hondureño regaló la “Orden José Cecilio del Valle en el grado de Comendador”, la más elevada del país, a dos otros “observadores”, el agente CIA cubanoamericano Armando Valladares y al líder de la agrupación neonazi UnoAmerica Alejandro Peña Esclusa,
Calderón Sol, asesino de jesuitas, también “observó”
La junta de Tegucigalpa reclutó la mayoría de sus observadores a través del Consejo Hondureño de la Empresa Privada (Cohep) y de los magistrados golpistas del Tribunal Supremo Electoral.
Entre las personalidades más prominentes se encontraron ex presidente de Bolivia, Jorge Quiroga, el ex mandatario de El Salvador, Armando Calderón Sol, el español Carlos Iturgaiz del falangista Partido Popular, un representante del Partido Reformista de la República Checa, Eduard Kozusnik y Christian Lüth de la ultraderechista Fundación Friedrich Naumann de Alemania.
El ultraderechista Quiroga asumió la presidencia de su país en 2001 tras la renuncia de Hugo Bánzer y es famoso por su uso salvaje de las fuerzas de represión contra campesinos y Calderon Sol, presidente de El Salvador en los años 80,por el partido fascista ARENA, ha sido acusado en varias oportunidades de haber mandado a matar a los padres jesuitas y a Monseñor Romero,
Llama la atención que todos los partidarios extranjeros del régimen asesino de Micheletti que se impuso por las armas y mantiene una máxima represión, son los mismos individuos que participan en las campañas del Departamento de Estado donde se pretende defender a los “derechos humanos” en los países cuyas políticas progresistas molestan a Washington.
Golpistas condecoran a Valladares y al neonazi Peña Esclusa
Cabecillas del gobierno golpista de Honduras acaban de otorgar la “Orden José Cecilio del Valle en el grado de Comendador”, al agente CIA cubanoamericano Armando Valladares junto al jefe de la agrupación neonazi UnoAmerica Alejandro Peña Esclusa, ambos fanáticos partidarios del régimen usurpador de Tegucigalpa.
Mientras fue creada para honrar la memoria de quién fue el redactor del Acta de Independencia de Centroamérica, la Orden José Cecilio del Valle se utiliza descaradamente por los funcionarios de Roberto Micheletti para “distinguir” a elementos de la derecha latinoamericana más extremista.
Según la prensa golpista, “los galardonados, han realizado importantes acciones a favor de Honduras”.
Del venezolano -también golpista- Peña Esclusa, se señala que es “una prometedora figura latinoamericana que combina su experiencia política con una sólida formación moral e intelectual”.
Peña Esclusa es jefe de UNOAMERICA, una organización de corte fascista que reúne lo más recio de las oligarquías de Sudamérica con una ideología inspirada del Plan Condor.
Fue asesor en la reciente campaña electoral salvadoreña del partido ARENA (Alianza Republicana Nacionalista), fundado por el Mayor Roberto d’Abuisson Arrieta, famoso por sus escuadrones de la muerte.
Como Valladares, el cabecilla de la pandilla neonazi radicada en Colombia, fue vinculado en abril con el intento de asesinato contra el presidente boliviano Evo Morales, en el cual participaron paramilitares fascistas reclutados en Hungría y Croatia.
El jefe del comando asesino, Eduardo Rózsa se reunió días antes del descubrimiento de la conspiración con el ex oficial de la inteligencia golpista argentina Jorge Mones Ruiz, un directivo de UnoAmérica quién asesoró la fracasada operación.
Cinco días después del golpe de Tegucigalpa, UnoAmérica emitió un comunicado “reconociendo al nuevo gobierno de Honduras, presidido por Roberto Micheletti” y decretando que “no se ha producido un golpe de Estado, sino una sucesión constitucional”, una línea ya orientada por la inteligencia yanqui y la extrema derecha de Miami.
En cuanto a Valladares, el texto del otorgamiento de la condecoración afirma - irónicamente - que se la confiere “por ser un fiel defensor y protector de los Derechos Humanos”.
No se precisa que abandonó precipitadamente su puesto de Secretario General de la Human Rights Foundation y sus oficinas del Empire State Building en abril cuando está organización fachada de la CIA fue denunciada como cómplice del financiamiento del complot. Se dedicó desde el 28 de junio a celebrar y asesorar el régimen ilegal de Tegucigalpa.
Torturador con la dictadura policiaca de Fulgencio Batista, el cubanoamericano se puso a disposición de la inteligencia norteamericana al tocar el suelo de Estados Unidos y ha sido utilizado en innumerables campañas de difamación de Cuba.
Por cierto, no es la primera condecoración que recibe. Años atrás, el fundador del grupusculo anticomunista “Resistencia Internacional” fue también “distinguido” con el máximo reconocimiento civil que Washington regala a sus servidores eméritos, la Medalla Presidencial del Ciudadano, de manos del presidente Ronald Reagan.
bolpress.com
Micheletti reclutó en Miami a observadores vinculados a la CIA
La dictadura golpista de Roberto Micheletti ha utilizado como “observadores internacionales” de sus elecciones ilegales a connotados miembros de la mafia cubanoamericana, conocidos por su colaboración con la CIA y sus lazos con los círculos terroristas de Miami
Jean-Guy Allard
Revelaciones” de la prensa mafiosa de Miami confirman que a su lista de supuestos observadores reclutados en los círculos de extrema derecha de Estados Unidos y de América Latina - se aparecieron el traidor cubano Huber Matos, jefe de la organización Cuba Independiente y Democrática (CID).
Orlando Gutiérrez, capo del Directorio Democrático Cubano (DDC), Sylvia Iriondo, gerente de la organización MAR por Cuba.
Los tres tienen lazos documentados con la Agencia Central de Inteligencia (CIA) y se han vinculado a organizaciones terroristas generadas por este mismo órgano del gobierno norteamericano.
Huber Matos, de 91 años de edad, ha apoyado en varias oportunidades planes de asesinatos desarrollados por sus amigos Gaspar Jiménez Escobedo y Nelsy Ignacio Castro Matos además de mantener relaciones con narcotraficantes tales como el caíd canadiense Máximo Morales arrestado en diciembre de 1990, justo después de su visita, al producirse la más importante captura de cocaína de la historia de Montreal.
“Nunca había visto una elección tan ordenada y con tanto entusiasmo popular”, comentó Matos quien visitó mesas electorales escoltado por militares en una Tegucigalpa aterrorizada por las omnipresentes fuerzas policiales y militares.
Por su parte, Gutiérrez Boronat es un ex miembro de la llamada Organización para la Liberación de Cuba (OLC) del connotado terrorista Ramón Saúl Sánchez Rizo. uno de los más peligrosos sicarios de Omega 7. Propagandista de elite del Departamento de Estado, recibió oficialmente en el último presupuesto de la NED la cantidad de 275 000 dólares para difamar a Cuba.
Sylvia Iriondo que calificó de “una fiesta cívica extraordinaria” los comicios de Micheletti, sigue también en la nomenklatura de los más grandes beneficiarios de los programas federales norteamericanos de subsidios a la contrarrevolución además de prestarse para cualquier actividad propagandística orientada por la CIA contra Cuba.
Ya se sabía que el estafador Adolfo Franco que utilizó su puesto en la USAID para regar sus amistades de la Miami mafiosa con millones de dólares se encontró entre los ex funcionarios norteamericanos vinculados a los Bush que viajaron a Honduras - todo pagado por Micheletti - como observadores de las elecciones.
Franco y sus acompañantes de Miami se sumaron a los enviados del grupo neonazi UnoAmérica y de la “Red Latinoamericana y del Caribe para la Libertad”, un apéndice de la Fundación Libertad, financiada por la NED, así como al Faes de José María Aznar.
Después de honrar al agente CIA Carlos Alberto Montaner, el régimen hondureño regaló la “Orden José Cecilio del Valle en el grado de Comendador”, la más elevada del país, a dos otros “observadores”, el agente CIA cubanoamericano Armando Valladares y al líder de la agrupación neonazi UnoAmerica Alejandro Peña Esclusa,
Calderón Sol, asesino de jesuitas, también “observó”
La junta de Tegucigalpa reclutó la mayoría de sus observadores a través del Consejo Hondureño de la Empresa Privada (Cohep) y de los magistrados golpistas del Tribunal Supremo Electoral.
Entre las personalidades más prominentes se encontraron ex presidente de Bolivia, Jorge Quiroga, el ex mandatario de El Salvador, Armando Calderón Sol, el español Carlos Iturgaiz del falangista Partido Popular, un representante del Partido Reformista de la República Checa, Eduard Kozusnik y Christian Lüth de la ultraderechista Fundación Friedrich Naumann de Alemania.
El ultraderechista Quiroga asumió la presidencia de su país en 2001 tras la renuncia de Hugo Bánzer y es famoso por su uso salvaje de las fuerzas de represión contra campesinos y Calderon Sol, presidente de El Salvador en los años 80,por el partido fascista ARENA, ha sido acusado en varias oportunidades de haber mandado a matar a los padres jesuitas y a Monseñor Romero,
Llama la atención que todos los partidarios extranjeros del régimen asesino de Micheletti que se impuso por las armas y mantiene una máxima represión, son los mismos individuos que participan en las campañas del Departamento de Estado donde se pretende defender a los “derechos humanos” en los países cuyas políticas progresistas molestan a Washington.
Golpistas condecoran a Valladares y al neonazi Peña Esclusa
Cabecillas del gobierno golpista de Honduras acaban de otorgar la “Orden José Cecilio del Valle en el grado de Comendador”, al agente CIA cubanoamericano Armando Valladares junto al jefe de la agrupación neonazi UnoAmerica Alejandro Peña Esclusa, ambos fanáticos partidarios del régimen usurpador de Tegucigalpa.
Mientras fue creada para honrar la memoria de quién fue el redactor del Acta de Independencia de Centroamérica, la Orden José Cecilio del Valle se utiliza descaradamente por los funcionarios de Roberto Micheletti para “distinguir” a elementos de la derecha latinoamericana más extremista.
Según la prensa golpista, “los galardonados, han realizado importantes acciones a favor de Honduras”.
Del venezolano -también golpista- Peña Esclusa, se señala que es “una prometedora figura latinoamericana que combina su experiencia política con una sólida formación moral e intelectual”.
Peña Esclusa es jefe de UNOAMERICA, una organización de corte fascista que reúne lo más recio de las oligarquías de Sudamérica con una ideología inspirada del Plan Condor.
Fue asesor en la reciente campaña electoral salvadoreña del partido ARENA (Alianza Republicana Nacionalista), fundado por el Mayor Roberto d’Abuisson Arrieta, famoso por sus escuadrones de la muerte.
Como Valladares, el cabecilla de la pandilla neonazi radicada en Colombia, fue vinculado en abril con el intento de asesinato contra el presidente boliviano Evo Morales, en el cual participaron paramilitares fascistas reclutados en Hungría y Croatia.
El jefe del comando asesino, Eduardo Rózsa se reunió días antes del descubrimiento de la conspiración con el ex oficial de la inteligencia golpista argentina Jorge Mones Ruiz, un directivo de UnoAmérica quién asesoró la fracasada operación.
Cinco días después del golpe de Tegucigalpa, UnoAmérica emitió un comunicado “reconociendo al nuevo gobierno de Honduras, presidido por Roberto Micheletti” y decretando que “no se ha producido un golpe de Estado, sino una sucesión constitucional”, una línea ya orientada por la inteligencia yanqui y la extrema derecha de Miami.
En cuanto a Valladares, el texto del otorgamiento de la condecoración afirma - irónicamente - que se la confiere “por ser un fiel defensor y protector de los Derechos Humanos”.
No se precisa que abandonó precipitadamente su puesto de Secretario General de la Human Rights Foundation y sus oficinas del Empire State Building en abril cuando está organización fachada de la CIA fue denunciada como cómplice del financiamiento del complot. Se dedicó desde el 28 de junio a celebrar y asesorar el régimen ilegal de Tegucigalpa.
Torturador con la dictadura policiaca de Fulgencio Batista, el cubanoamericano se puso a disposición de la inteligencia norteamericana al tocar el suelo de Estados Unidos y ha sido utilizado en innumerables campañas de difamación de Cuba.
Por cierto, no es la primera condecoración que recibe. Años atrás, el fundador del grupusculo anticomunista “Resistencia Internacional” fue también “distinguido” con el máximo reconocimiento civil que Washington regala a sus servidores eméritos, la Medalla Presidencial del Ciudadano, de manos del presidente Ronald Reagan.
bolpress.com
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Caricatura da direita boliviana
Este vídeo, que poderia ser hilário se não fosse trágico, foi enviado por Vinicius Mansur, correspondente do Brasil de Fato na Bolívia e entrevistador das duas caricaturas que aparecem na tela. Vale a pena.
Terrorismo de Estado, ontem e hoje
Estão circulando duas petições online importantíssimas. Embora sobre temas aparentemente distintos, elas têm tudo a ver uma com a outra.
Uma delas é um apelo ao STF para que este declare que a lei da Anistia, de 1979, não se aplica a torturadores, sequestradores etc do regime civil-militar, afinal, estes são crimes de lesa-humanidade, e não políticos. Quem quiser ler o manifesto e assiná-lo, clique aqui.
A outra petição exige o desarquivamento e a federalização das investigações sobre os chamados "Crimes de Maio". Todos devem lembrar que em maio de 2006, o PCC fez uma série de ataques a policiais em São Paulo, causando cerca de 50 mortes.
Mas poucos lembram (ou ficaram sabendo) do saldo do contra-ataque da PM. Pois a polícia invadiu periferias e executou mais de 400 pessoas. Sim, executou. E a imensa maioria não tinha nenhuma ligação como o PCC e sequer tinha antecedentes (não que isso justificasse aplicar penas de morte extrajudiciais). Quem quiser ler e assinar, clique aqui.
O que os dois assuntos têm a ver? Ora, tudo. A não punição aos agentes do Estado do passado é que permite que hoje se continue torturando e matando nas favelas, delegacias e cadeias.
E a doutrina do combate aos "inimigos" aplicada pelas forças de segurança do Estado é a mesma. Se antes esses inimigos eram principalmente os "comunistas", hoje são os pobres.
Uma delas é um apelo ao STF para que este declare que a lei da Anistia, de 1979, não se aplica a torturadores, sequestradores etc do regime civil-militar, afinal, estes são crimes de lesa-humanidade, e não políticos. Quem quiser ler o manifesto e assiná-lo, clique aqui.
A outra petição exige o desarquivamento e a federalização das investigações sobre os chamados "Crimes de Maio". Todos devem lembrar que em maio de 2006, o PCC fez uma série de ataques a policiais em São Paulo, causando cerca de 50 mortes.
Mas poucos lembram (ou ficaram sabendo) do saldo do contra-ataque da PM. Pois a polícia invadiu periferias e executou mais de 400 pessoas. Sim, executou. E a imensa maioria não tinha nenhuma ligação como o PCC e sequer tinha antecedentes (não que isso justificasse aplicar penas de morte extrajudiciais). Quem quiser ler e assinar, clique aqui.
O que os dois assuntos têm a ver? Ora, tudo. A não punição aos agentes do Estado do passado é que permite que hoje se continue torturando e matando nas favelas, delegacias e cadeias.
E a doutrina do combate aos "inimigos" aplicada pelas forças de segurança do Estado é a mesma. Se antes esses inimigos eram principalmente os "comunistas", hoje são os pobres.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Armas que causam câncer
Saiu no La Jornada, do México. Estas eram as armas de destruição em massa a que os EUA se referiam?
Desechos tóxicos por años de guerra en Irak incrementan casos de cáncer y malformaciones
Reuters
Periódico La Jornada
Monday 7 de December de 2009, p. 27
Bagdad, 6 de diciembre. Las armas poco a poco dejan de escucharse en Irak mientras la frágil estabilidad se va consolidando, situación que traslada el foco de atención sobre un asesino silencioso que probablemente aceche a los iraquíes en los próximos años.
La incidencia del cáncer, los bebés con malformaciones y otros problemas de salud se han incrementado de manera alarmante, según funcionarios iraquíes, y muchos sospechan que la contaminación producto de las armas usadas en tantos años de guerra es una de las causas.
"Hemos visto nuevos tipos de cáncer de los que no se tenía registro en Irak antes de la guerra de 2003, tipos de cáncer fibroso (tejido blando) y cáncer óseo. Éstos se originan claramente en la radiación", dijo Jawad Ali, oncólogo de Basora, la segunda mayor ciudad iraquí.
En Fallujah, oeste de Irak, escenario de dos de las más feroces batallas entre las tropas estadunidenses y los insurgentes después de la invasión de Estados Unidos en 2003, una cifra récord de casos de bebés nacidos muertos, deformes o con parálisis ha alarmado a los médicos.
El uso de uranio en el armamento de Estados Unidos y la coalición en la guerra de 1991 para liberar a Kuwait, y en la invasión de Irak en 2003, está bien documentado, pero establecer un nexo entre el metal radiactivo y los problemas de salud entre los iraquíes es difícil, según funcionarios.
Las instalaciones médicas iraquíes son limitadas, y el mantenimiento de estadísticas precisas en materia de seguridad durante los años de matanzas sectarias desatadas por la invasión fue imposible.
En Basora, golpeada por años de guerra y anegada por años de contaminación industrial y agrícola, a los médicos les resulta difícil aislar las causas específicas del cáncer.
Su población ha vivido por años entre montañas de chatarra que contiene restos de la guerra, como el óxido marrón que se descascara con el viento que llega hasta las casas de los habitantes, sus alimentos y sus pulmones.
"Nuestra información indica que hay más de 200 kilómetros cuadrados de tierra en el sur de Basora que contienen restos de guerra, algunos de los cuales están contaminados con uranio", dijo Bushra Ali, del departamento de prevención de radiación del Ministerio de Medio Ambiente.
Un informe de 2007 de la publicación médica de la Universidad de Basora encontró que no había "un significativo aumento" en los índices de muerte por cáncer, pero que la proporción de niños muertos por la enfermedad en Basora había crecido 65 por ciento en 1997 y 60 por ciento en 2005, comparado con 1989.
El uranio empobrecido, un metal denso, es usado en armamento para perforar blindajes como los de los tanques. Su conexión con los problemas de salud es polémica: el Ministerio de Defensa Británico dice que no hay evidencia "científica o médica confiable".
En la primera guerra del Golfo se usaron grandes cantidades de uranio empobrecido, buena parte cerca de Basora. No queda claro cuánto fue usado en Fallujah por las tropas estadunidenses en dos ataques contra la ciudad en 2004.
El ejército estadunidense usó fósforo blanco –que puede causar graves quemaduras al hacer contacto con la piel–, a fin de marcar blancos o sacar a enemigos armados de sus escondites.
Cinco años más tarde, los doctores en Fallujah registran inusual número de bebés con afecciones cardiacas congénitas y defectos en el tubo neural, lo que implica en último caso un desarrollo anormal de la médula espinal y del cerebro, condiciones que pueden causar parálisis y la muerte.
"El marcado aumento de malformaciones congénitas en recién nacidos en este hospital llevó a la junta directiva a conformar un comité especial para investigar y registrar estos casos", dijo Abdulsatar Kadim, gerente del principal hospital de Fallujah.
Los médicos dicen que no han podido aislar una causa específica. Varios factores pueden provocar la condición, incluida la falta de ácido fólico durante el embarazo.
Un especialista en neurología pediátrica dijo ver en promedio semanal de tres a cuatro recién nacidos con defectos en el tubo neural en Fallujah y zonas circundantes, región de unos 675 mil habitantes.
Desechos tóxicos por años de guerra en Irak incrementan casos de cáncer y malformaciones
Reuters
Periódico La Jornada
Monday 7 de December de 2009, p. 27
Bagdad, 6 de diciembre. Las armas poco a poco dejan de escucharse en Irak mientras la frágil estabilidad se va consolidando, situación que traslada el foco de atención sobre un asesino silencioso que probablemente aceche a los iraquíes en los próximos años.
La incidencia del cáncer, los bebés con malformaciones y otros problemas de salud se han incrementado de manera alarmante, según funcionarios iraquíes, y muchos sospechan que la contaminación producto de las armas usadas en tantos años de guerra es una de las causas.
"Hemos visto nuevos tipos de cáncer de los que no se tenía registro en Irak antes de la guerra de 2003, tipos de cáncer fibroso (tejido blando) y cáncer óseo. Éstos se originan claramente en la radiación", dijo Jawad Ali, oncólogo de Basora, la segunda mayor ciudad iraquí.
En Fallujah, oeste de Irak, escenario de dos de las más feroces batallas entre las tropas estadunidenses y los insurgentes después de la invasión de Estados Unidos en 2003, una cifra récord de casos de bebés nacidos muertos, deformes o con parálisis ha alarmado a los médicos.
El uso de uranio en el armamento de Estados Unidos y la coalición en la guerra de 1991 para liberar a Kuwait, y en la invasión de Irak en 2003, está bien documentado, pero establecer un nexo entre el metal radiactivo y los problemas de salud entre los iraquíes es difícil, según funcionarios.
Las instalaciones médicas iraquíes son limitadas, y el mantenimiento de estadísticas precisas en materia de seguridad durante los años de matanzas sectarias desatadas por la invasión fue imposible.
En Basora, golpeada por años de guerra y anegada por años de contaminación industrial y agrícola, a los médicos les resulta difícil aislar las causas específicas del cáncer.
Su población ha vivido por años entre montañas de chatarra que contiene restos de la guerra, como el óxido marrón que se descascara con el viento que llega hasta las casas de los habitantes, sus alimentos y sus pulmones.
"Nuestra información indica que hay más de 200 kilómetros cuadrados de tierra en el sur de Basora que contienen restos de guerra, algunos de los cuales están contaminados con uranio", dijo Bushra Ali, del departamento de prevención de radiación del Ministerio de Medio Ambiente.
Un informe de 2007 de la publicación médica de la Universidad de Basora encontró que no había "un significativo aumento" en los índices de muerte por cáncer, pero que la proporción de niños muertos por la enfermedad en Basora había crecido 65 por ciento en 1997 y 60 por ciento en 2005, comparado con 1989.
El uranio empobrecido, un metal denso, es usado en armamento para perforar blindajes como los de los tanques. Su conexión con los problemas de salud es polémica: el Ministerio de Defensa Británico dice que no hay evidencia "científica o médica confiable".
En la primera guerra del Golfo se usaron grandes cantidades de uranio empobrecido, buena parte cerca de Basora. No queda claro cuánto fue usado en Fallujah por las tropas estadunidenses en dos ataques contra la ciudad en 2004.
El ejército estadunidense usó fósforo blanco –que puede causar graves quemaduras al hacer contacto con la piel–, a fin de marcar blancos o sacar a enemigos armados de sus escondites.
Cinco años más tarde, los doctores en Fallujah registran inusual número de bebés con afecciones cardiacas congénitas y defectos en el tubo neural, lo que implica en último caso un desarrollo anormal de la médula espinal y del cerebro, condiciones que pueden causar parálisis y la muerte.
"El marcado aumento de malformaciones congénitas en recién nacidos en este hospital llevó a la junta directiva a conformar un comité especial para investigar y registrar estos casos", dijo Abdulsatar Kadim, gerente del principal hospital de Fallujah.
Los médicos dicen que no han podido aislar una causa específica. Varios factores pueden provocar la condición, incluida la falta de ácido fólico durante el embarazo.
Un especialista en neurología pediátrica dijo ver en promedio semanal de tres a cuatro recién nacidos con defectos en el tubo neural en Fallujah y zonas circundantes, región de unos 675 mil habitantes.
Repressão em Honduras
Enquanto os EUA e seus aliados trabalham para legalizar o golpe em Honduras, ao reconhecerem as eleições do dia 29 (como se eleições por si só garantissem a existência de democracia), segue no país a repressão contra quem resiste.
Abaixo, um comunicado publicado no site Honduras en Resistencia:
NOTA URGENTE - REAPARECE LA DESAPARICION FORZADA Y EL CRIMEN POLITICO EN HONDURAS
Continua masacre y agresión a miembros de la resistencia y sus familiares, el de de hoy, cinco de diciembre del corriente mes, varios hombres usando vestimenta de la Dirección Nacional de Investigación Criminal (DNIC) y encapuchados, a la una de la mañana, llegaron a las colonias el Carrizal y la Mery flores, se introdujeron violentamente a las casas donde se encontraban las señoras Vilma Martínez y Sonia Castillo; buscaban a la Señora Ada Martínez miembro activa de la resistencia contra el golpe de Estado, al no encontrarle se llevaron a las señoras antes mencionadas.
Este Escuadrón de la muerte continúo su recorrido y allanaron otras viviendas en la Colonia el Carrizal y se llevaron cuatro personas más vinculados a la resistencia; hasta la hora de difusión de este llamado las personas se encuentran desaparecidas.
EL CODEH denuncia la complicidad del poder judicial en esta práctica que constituye delito de lesa humanidad, denunciamos que los números disponibles para el turno del poder judicial para interponer los recursos de exhibición personal contesta una persona que al responder manifiesta pertenecer a las Fuerzas Armadas de Honduras y que no están disponibles para atender esos llamados; manifestamos que hasta este momento se ha hecho imposible presentar un habeas Corpus a favor de las víctimas por el Número 225-3928 extensión 121 asignado a los Juzgados Unificados de Francisco Morazán.
El cuatro del corriente mes, en horas de la mañana, fueron allanadas las oficinas de edición del Periódico el Libertador, quienes los hicieron se llevaron la computadora que contenía el material para la próxima edición, abusaron de una de las empleadas a quien amenazaron con cometer actos delujuria.
Desde el espacio del CODEH hemos denunciado la creación de Escuadrones dela Muerte organizados por el Régimen Militar y dirigidos por ex miembros del 3-16 que operan desde oficinas públicas del Estado; estas personas han recibido entrenamiento de ex militares del ejército Israelita que han llegado a Honduras para prestar estos servicios.
Al CODEH le preocupa la situación de persecución selectiva que desde estructuras clandestinas, dirigidas por oficiales de las Fuerzas Armadas de Honduras y de la Policía Nacional, se ha desatado en el país; esta práctica ha desplazado, actualmente, a más de quince personas y familias obligadas a salir del país por el hostigamiento, allanamientos de morada en horas nocturnas y atentados criminales, estas prácticas corresponden a escuadrones de la muerte ya organizados en Honduras, el CODEH ha presentado, públicamente, la fotografía de los miembros de estas
estructuras; alertamos a la comunidad internacional del desplazamiento de familias por persecución política, mujeres y niños (as) han empezado a abandonar este país la persecución selectiva cada día amenaza con más fuerza la vida, la integridad física, síquica y moral, así como la libertad.
A la para de esta agresión existe una campaña mediática de apología al odio hacia los defensores (as) de los derechos humanos, entre estos periodistas que se dedican a fomentarla se encuentra el Señor Rodrigo WongArévalo quien se ha manifestado, con sorpresa, que las personas que son privadas de su libertad en el marco de la persecución política tienen el teléfono del Presidente del CODEH nuestro compañero Andrés Pavón, el número del Presidente del CODEH es público, lo hemos anunciado por
radio ytelevisión a fin de estar disponible para todos aquellos y aquellas que por hoy son perseguidos en Honduras por no doblegarse frente al golpe de estado.
Por último exigimos a la Fuerzas Armadas de Honduras y la Policía Nacional dejar en libertad sana y salva a las personas hoy secuestradas con pruebas, en poder del CODEH, que posesionan fuertes indicios de responsabilidad de parte de estas estructuras. La Desaparición forzada esta, nuevamente, enseñando su rostro de impunidad en este régimen militarde facto, los impunes de ayer son los impunes del presente.
Tegucigalpa Distrito del Municipio Central 05 de diciembre de 2009
Por la Comisión Ejecutiva del Comité para la Defensa de los Derechos Humanos en Honduras CODEH
Luchamos por la Paz Defendiendo los Derechos Humanos y la Justicia
Abaixo, um comunicado publicado no site Honduras en Resistencia:
NOTA URGENTE - REAPARECE LA DESAPARICION FORZADA Y EL CRIMEN POLITICO EN HONDURAS
Continua masacre y agresión a miembros de la resistencia y sus familiares, el de de hoy, cinco de diciembre del corriente mes, varios hombres usando vestimenta de la Dirección Nacional de Investigación Criminal (DNIC) y encapuchados, a la una de la mañana, llegaron a las colonias el Carrizal y la Mery flores, se introdujeron violentamente a las casas donde se encontraban las señoras Vilma Martínez y Sonia Castillo; buscaban a la Señora Ada Martínez miembro activa de la resistencia contra el golpe de Estado, al no encontrarle se llevaron a las señoras antes mencionadas.
Este Escuadrón de la muerte continúo su recorrido y allanaron otras viviendas en la Colonia el Carrizal y se llevaron cuatro personas más vinculados a la resistencia; hasta la hora de difusión de este llamado las personas se encuentran desaparecidas.
EL CODEH denuncia la complicidad del poder judicial en esta práctica que constituye delito de lesa humanidad, denunciamos que los números disponibles para el turno del poder judicial para interponer los recursos de exhibición personal contesta una persona que al responder manifiesta pertenecer a las Fuerzas Armadas de Honduras y que no están disponibles para atender esos llamados; manifestamos que hasta este momento se ha hecho imposible presentar un habeas Corpus a favor de las víctimas por el Número 225-3928 extensión 121 asignado a los Juzgados Unificados de Francisco Morazán.
El cuatro del corriente mes, en horas de la mañana, fueron allanadas las oficinas de edición del Periódico el Libertador, quienes los hicieron se llevaron la computadora que contenía el material para la próxima edición, abusaron de una de las empleadas a quien amenazaron con cometer actos delujuria.
Desde el espacio del CODEH hemos denunciado la creación de Escuadrones dela Muerte organizados por el Régimen Militar y dirigidos por ex miembros del 3-16 que operan desde oficinas públicas del Estado; estas personas han recibido entrenamiento de ex militares del ejército Israelita que han llegado a Honduras para prestar estos servicios.
Al CODEH le preocupa la situación de persecución selectiva que desde estructuras clandestinas, dirigidas por oficiales de las Fuerzas Armadas de Honduras y de la Policía Nacional, se ha desatado en el país; esta práctica ha desplazado, actualmente, a más de quince personas y familias obligadas a salir del país por el hostigamiento, allanamientos de morada en horas nocturnas y atentados criminales, estas prácticas corresponden a escuadrones de la muerte ya organizados en Honduras, el CODEH ha presentado, públicamente, la fotografía de los miembros de estas
estructuras; alertamos a la comunidad internacional del desplazamiento de familias por persecución política, mujeres y niños (as) han empezado a abandonar este país la persecución selectiva cada día amenaza con más fuerza la vida, la integridad física, síquica y moral, así como la libertad.
A la para de esta agresión existe una campaña mediática de apología al odio hacia los defensores (as) de los derechos humanos, entre estos periodistas que se dedican a fomentarla se encuentra el Señor Rodrigo WongArévalo quien se ha manifestado, con sorpresa, que las personas que son privadas de su libertad en el marco de la persecución política tienen el teléfono del Presidente del CODEH nuestro compañero Andrés Pavón, el número del Presidente del CODEH es público, lo hemos anunciado por
radio ytelevisión a fin de estar disponible para todos aquellos y aquellas que por hoy son perseguidos en Honduras por no doblegarse frente al golpe de estado.
Por último exigimos a la Fuerzas Armadas de Honduras y la Policía Nacional dejar en libertad sana y salva a las personas hoy secuestradas con pruebas, en poder del CODEH, que posesionan fuertes indicios de responsabilidad de parte de estas estructuras. La Desaparición forzada esta, nuevamente, enseñando su rostro de impunidad en este régimen militarde facto, los impunes de ayer son los impunes del presente.
Tegucigalpa Distrito del Municipio Central 05 de diciembre de 2009
Por la Comisión Ejecutiva del Comité para la Defensa de los Derechos Humanos en Honduras CODEH
Luchamos por la Paz Defendiendo los Derechos Humanos y la Justicia
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Como a mídia fabrica uma verdade
Não é difícil. Por exemplo:
Em uma matéria da Folha Online do dia 1º/12, sobre os planos do Obama de mandar mais soldados para o Afeganistão, tem um parágrafo, a certa altura, que diz:
Com o reforço, os soldados dos EUA no país devem passar de 100 mil. O principal objetivo das novas tropas será combater a ação da milícia radical Taleban e garantir a segurança da população em regiões consideradas mais instáveis, como o sul e o leste.
O parágrafo não está entre aspas, nem há um "segundo Obama, o principal objetivo...". Ou seja, a afirmação é do redator da notícia. Então, ficamos assim: o que os EUA querem no Afeganistão é nobre, afinal, quem condenaria aquele que luta contra o terrorismo e garante a segurança da população que habita regiões instáveis?
Parece frescura, preciosismo, mas não é. Palavras, qualquer palavra, importam, e muito. Têm força para fazer grandes estragos. Uma afirmação (mentirosa) dessas repetida exaustivamente por toda a mídia ocidental (simplesmente porque a notícia em questão veio das poucas agências internacionais existentes no mundo, cujas "verdades" são distribuídas pela imensa maioria da imprensa) se torna a mais pura verdade. Simples.
É o mesmo caso do que acontece com as notícias sobre as favelas brasileiras. "Jornalistas" publicam a versão oficial e pronto: a polícia, em "confronto" com "traficantes", matou tantos "bandidos".
Enquanto isso, milhares de jovens pobres e negros são executados todos os anos pelo Estado, com a conivência criminosa da mídia e o apoio de grande parte da sociedade.
Em uma matéria da Folha Online do dia 1º/12, sobre os planos do Obama de mandar mais soldados para o Afeganistão, tem um parágrafo, a certa altura, que diz:
Com o reforço, os soldados dos EUA no país devem passar de 100 mil. O principal objetivo das novas tropas será combater a ação da milícia radical Taleban e garantir a segurança da população em regiões consideradas mais instáveis, como o sul e o leste.
O parágrafo não está entre aspas, nem há um "segundo Obama, o principal objetivo...". Ou seja, a afirmação é do redator da notícia. Então, ficamos assim: o que os EUA querem no Afeganistão é nobre, afinal, quem condenaria aquele que luta contra o terrorismo e garante a segurança da população que habita regiões instáveis?
Parece frescura, preciosismo, mas não é. Palavras, qualquer palavra, importam, e muito. Têm força para fazer grandes estragos. Uma afirmação (mentirosa) dessas repetida exaustivamente por toda a mídia ocidental (simplesmente porque a notícia em questão veio das poucas agências internacionais existentes no mundo, cujas "verdades" são distribuídas pela imensa maioria da imprensa) se torna a mais pura verdade. Simples.
É o mesmo caso do que acontece com as notícias sobre as favelas brasileiras. "Jornalistas" publicam a versão oficial e pronto: a polícia, em "confronto" com "traficantes", matou tantos "bandidos".
Enquanto isso, milhares de jovens pobres e negros são executados todos os anos pelo Estado, com a conivência criminosa da mídia e o apoio de grande parte da sociedade.
Pequena mostra da realidade que o Clóvis Rossi finge que não conhece
Email que recebi de uma comunidade colombiana que, há anos, foi vítima de um massacre promovido por paramilitares, e que até hoje é reprimida:
SE INTENSIFICA EL HORROR, LA MUERTE Y EL DESCARO
Los hechos evidencian lamentablemente lo que venimos diciendo tantas veces la incrementación de la muerte, lo peor con el descaro del Estado y sin acciones de contener este derrame de sangre y el avance paramilitar. El gobierno nacional, local y las Fuerzas Militares solo nos llaman mentirosos, terroristas psicológicos pues todo está tranquilo, según su lógica de muerte la tranquilidad es la de las tumbas, el miedo y el silencio, al cual nos oponemos, por ello nuevamente dejamos constancia de los siguientes hechos:
- El 14 de noviembre de 2009 hacia las 15 horas fue víctima de una mina en la vereda Mulatos Gilberto Graciano miembro de nuestra comunidad, él se encontraba buscando unos cerdos y junto al camino donde estaba caminando fue victima de una mina, en el mismo lugar el 3 de agosto fue víctima Aida Luz.
- Todas las semanas alias Zamir se ha dedicado por todas las emisoras de la zona a seguir mintiendo y estigmatizando la comunidad, es indudable una acción orquestada de la Brigada XVII sin que ningún organismos de control del Estado haga algo ante tanta arbitrariedad e impunidad con una persona que ha cometido crímenes de lesa humanidad.
- El 16 de noviembre hacia las 10 horas, en Caracoli (lugar ubicado en la carretera a 10 minutos de San José hacia Apartadó) fue abordado Wilmer Tuberquia por Wilfer Higuita con otro hombre de civil, ellos portaban armas cortas y estaban en moto, le dijeron a Wilmer Tuberquia que tenían una lista de gente para asesinar y que en esa lista estaba Reynaldo Areyza, luego le dijeron que se fuera enseguida. Wilfer Higuita ha patrullado con el ejército y es quien con el coronel Rojas le propusieron a Reynaldo Areiza que trabajara para ellos con el fin de destruir la comunidad.
- El 21 y 22 de noviembre los paramilitares realizaron reuniones. El 21 a las 11 horas en Batata y el 22 hacia las 13 horas en Murmullo (vereda de Batata), allí dijeron que todas las personas debían ser carnetizadas por ellos, que había plazo de tenerse este carnet hasta diciembre de este año, quien no lo tenga sería asesinado. La reunión de Batata fue hecha en el centro del caserío donde se encontraban viendo policía y militares, allí se encuentra una base paramilitar.
- El 23 de noviembre hacia las 22 horas. fue asesinado Dairo de Jesús Rodríguez, conocido como Lalo, se encontraba en el negocio de billares que tenia en San José, allí fue degollado.
- El 24 de noviembre a las 10 horas los paramilitares realizaron una reunión en Nueva Antioquia con la gente, allí dijeron que habían buscado un acuerdo con la guerrilla pero que no se había dado y que ahora asesinarían a cualquiera que estuviera con la guerrilla, además que iban a carnetizar a la gente donde cada persona tendría una ficha que llenarían con sus movimientos, lugar de vivienda, familiares quien no tuviera el carnet lo asesinarían. Agregaron que el objetivo principal en estos momentos era acabar esa h.p. Comunidad de Paz. En Nueva Antioquia se encuentra una base paramilitar que hemos dejando constancia hace muchos años y allí existe presencia del ejército y la policía.
- El 25 de noviembre hacia las 13 horas Elkin Tuberquia llamó a Rodrigo Rodríguez allí le ofreció $ 400.000 para que informara lo que hacia la comunidad en especial lo que hacia Eduar para poder aniquilarlo, que era un trabajo fácil y que ya tenían una red que estaba conectada con el ejército. Elkin Tuberquia ha servido para mentir y distorsionar la masacre del 21 de febrero de 2005, la fiscalía. Cuando se le ha pedido por calumnia la fiscalía ha dicho que no saben donde está y que parece que está muerto según la Brigada XVII.
- El 29 de noviembre a las 15 horas fue asesinado Luis Arnelio Zapata Montoya quien vivía en la Antena. Ese día llegaron temprano a San José dos hombres armados en moto desde Apartadó y preguntaban por varias personas. Luis bajó en un chivero de San José hacia Apartadó, la moto con los dos hombres seguían el carro. En la platanera en Mangolo a la salida de Apartadó se encontraba otra moto con dos hombres vestidos de civil armados con arma corta, pararon el carro y los dos hombres de la moto que los seguía se bajaron, intentaron bajar a Luis quien se resistió y lo asesinaron en el carro.
Lo anterior solo muestra el desespero por acabarnos, pero lo peor la cantidad de acciones de muerte a las que se nos esta sometiendo sin que se haga absolutamente nada. Sabemos que nos quieren exterminar pero estos esfuerzos serán inútiles pues creemos en la vida en principios de paz, de no violencia, de un mundo alternativo y eso no puede ser exterminado de ninguna forma. Pedimos la solidaridad nacional e internacional ante el horror que se esta padeciendo.
COMUNIDAD DE PAZ DE SAN JOSE DE APARTADÓ
Diciembre 3 de 2009
SE INTENSIFICA EL HORROR, LA MUERTE Y EL DESCARO
Los hechos evidencian lamentablemente lo que venimos diciendo tantas veces la incrementación de la muerte, lo peor con el descaro del Estado y sin acciones de contener este derrame de sangre y el avance paramilitar. El gobierno nacional, local y las Fuerzas Militares solo nos llaman mentirosos, terroristas psicológicos pues todo está tranquilo, según su lógica de muerte la tranquilidad es la de las tumbas, el miedo y el silencio, al cual nos oponemos, por ello nuevamente dejamos constancia de los siguientes hechos:
- El 14 de noviembre de 2009 hacia las 15 horas fue víctima de una mina en la vereda Mulatos Gilberto Graciano miembro de nuestra comunidad, él se encontraba buscando unos cerdos y junto al camino donde estaba caminando fue victima de una mina, en el mismo lugar el 3 de agosto fue víctima Aida Luz.
- Todas las semanas alias Zamir se ha dedicado por todas las emisoras de la zona a seguir mintiendo y estigmatizando la comunidad, es indudable una acción orquestada de la Brigada XVII sin que ningún organismos de control del Estado haga algo ante tanta arbitrariedad e impunidad con una persona que ha cometido crímenes de lesa humanidad.
- El 16 de noviembre hacia las 10 horas, en Caracoli (lugar ubicado en la carretera a 10 minutos de San José hacia Apartadó) fue abordado Wilmer Tuberquia por Wilfer Higuita con otro hombre de civil, ellos portaban armas cortas y estaban en moto, le dijeron a Wilmer Tuberquia que tenían una lista de gente para asesinar y que en esa lista estaba Reynaldo Areyza, luego le dijeron que se fuera enseguida. Wilfer Higuita ha patrullado con el ejército y es quien con el coronel Rojas le propusieron a Reynaldo Areiza que trabajara para ellos con el fin de destruir la comunidad.
- El 21 y 22 de noviembre los paramilitares realizaron reuniones. El 21 a las 11 horas en Batata y el 22 hacia las 13 horas en Murmullo (vereda de Batata), allí dijeron que todas las personas debían ser carnetizadas por ellos, que había plazo de tenerse este carnet hasta diciembre de este año, quien no lo tenga sería asesinado. La reunión de Batata fue hecha en el centro del caserío donde se encontraban viendo policía y militares, allí se encuentra una base paramilitar.
- El 23 de noviembre hacia las 22 horas. fue asesinado Dairo de Jesús Rodríguez, conocido como Lalo, se encontraba en el negocio de billares que tenia en San José, allí fue degollado.
- El 24 de noviembre a las 10 horas los paramilitares realizaron una reunión en Nueva Antioquia con la gente, allí dijeron que habían buscado un acuerdo con la guerrilla pero que no se había dado y que ahora asesinarían a cualquiera que estuviera con la guerrilla, además que iban a carnetizar a la gente donde cada persona tendría una ficha que llenarían con sus movimientos, lugar de vivienda, familiares quien no tuviera el carnet lo asesinarían. Agregaron que el objetivo principal en estos momentos era acabar esa h.p. Comunidad de Paz. En Nueva Antioquia se encuentra una base paramilitar que hemos dejando constancia hace muchos años y allí existe presencia del ejército y la policía.
- El 25 de noviembre hacia las 13 horas Elkin Tuberquia llamó a Rodrigo Rodríguez allí le ofreció $ 400.000 para que informara lo que hacia la comunidad en especial lo que hacia Eduar para poder aniquilarlo, que era un trabajo fácil y que ya tenían una red que estaba conectada con el ejército. Elkin Tuberquia ha servido para mentir y distorsionar la masacre del 21 de febrero de 2005, la fiscalía. Cuando se le ha pedido por calumnia la fiscalía ha dicho que no saben donde está y que parece que está muerto según la Brigada XVII.
- El 29 de noviembre a las 15 horas fue asesinado Luis Arnelio Zapata Montoya quien vivía en la Antena. Ese día llegaron temprano a San José dos hombres armados en moto desde Apartadó y preguntaban por varias personas. Luis bajó en un chivero de San José hacia Apartadó, la moto con los dos hombres seguían el carro. En la platanera en Mangolo a la salida de Apartadó se encontraba otra moto con dos hombres vestidos de civil armados con arma corta, pararon el carro y los dos hombres de la moto que los seguía se bajaron, intentaron bajar a Luis quien se resistió y lo asesinaron en el carro.
Lo anterior solo muestra el desespero por acabarnos, pero lo peor la cantidad de acciones de muerte a las que se nos esta sometiendo sin que se haga absolutamente nada. Sabemos que nos quieren exterminar pero estos esfuerzos serán inútiles pues creemos en la vida en principios de paz, de no violencia, de un mundo alternativo y eso no puede ser exterminado de ninguna forma. Pedimos la solidaridad nacional e internacional ante el horror que se esta padeciendo.
COMUNIDAD DE PAZ DE SAN JOSE DE APARTADÓ
Diciembre 3 de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Na Guatemala, "anti-comunismo" exterminou mais de 400 comunidades indígenas
Do La Jornada:
Prueban documentos que Ríos Montt ordenó genocidio indígena en Guatemala
David Brooks
Corresponsal
Periódico La Jornada
Jueves 3 de diciembre de 2009, p. 18
Nueva York, 2 de diciembre. Por primera vez en la historia se comprueba que el genocidio indígena en Guatemala en su peor etapa fue ordenado por el gobierno militar de Efraín Ríos Montt, revelan documentos oficiales obtenidos y divulgados hoy por el National Security Archive.
Los archivos de la llamada Operación Sofía contienen documentos militares secretos sobre la campaña de contrainsurgencia que resultó en matanzas de decenas de miles de civiles mayas en Guatemala, informó el National Security Archive (NSA) al divulgar el material. Los documentos establecen que la operación citada “fue ejecutada como parte de la estrategia militar del presidente de facto de Guatemala, el general Efraín Ríos Montt, bajo el comando y control de los oficiales militares de más alto rango”, afirmó el NSA.
Más de 350 páginas de información
El documento del gobierno guatemalteco, de 359 páginas, detalla la matanza de hombres, mujeres y niños no armados, la destrucción de viviendas, cultivos y animales, y el bombardeo aéreo indiscriminado de refugiados. Los documentos incluyen planes operativos, mapas, órdenes, informes de resultados y reportes de patrullajes. Además, está la orden inicial de lanzar la operación fechada el 8 de julio de 1982 firmada por el jefe del estado mayor, general Héctor Mario López Fuentes.
El documento fue presentado este miércoles por Kate Doyle, directora del Proyecto Guatemala del NSA, ante la Audiencia Nacional de España que está procediendo sobre el caso de genocidio en Guatemala, en el cual están acusados Ríos Montt y otros altos oficiales (la querella original fue presentada por la Fundación Rigoberto Menchú Tum en 1999).
Doyle presentó los documentos ante el juez Santiago Pedraz, de la Audiencia Nacional, quien preside el caso. Los documentos fueron obtenidos por el NSA de fuentes de inteligencia militar en Guatemala, después que a principios de este año el ministro de Defensa, general Abraham Valenzuela González, había afirmado que no era posible localizar estos documentos, ni presentarlos ante un juez guatemalteco como fue ordenado por el tribunal constitucional de ese país en 2008.
En su resumen y análisis de los documentos presentados hoy ante el tribunal español, Doyle afirmó que la operación militar se lanzó el 16 de julio de 1982 en la zona de Ixil en El Quiché. El propósito, según se describe en el plan militar, era realizar "operaciones contrasubversivas y sicológicas en el área de operaciones de la FT (Fuerza de Tarea) Gumarcaj" para "exterminar a los elementos subversivos en el área". La campaña duró hasta el 19 de agosto e involucró oficiales y tropas de varias unidades de las fuerzas armadas.
Doyle, en su presentación del archivo al juez, sostuvo que "esta información nos da una imagen muy precisa de la intencionalidad del daño y el sufrimiento causado a las comunidades indígenas ixiles por el ejército en el curso de su campaña para erradicar a los grupos armados guerrilleros". La documentación permite concluir “con certeza y claridad que la cadena de mando funcionaba en todo momento y que el alto mando –que en ese entonces hubiera incluido el presidente, comandante general del ejército y ministro de la Defensa de facto Efraín Ríos Montt y el viceministro de la Defensa Nacional Óscar Humberto Mejía Víctores, ambos imputados en este caso– estaba perfectamente enterado de las operaciones en el campo”.
Los documentos revelan que el ejército consideraba a pueblos enteros como el enemigo en su lucha contra el "comunismo". Comandantes informan a sus superiores durante esta operación que "durante más de 10 años, los grupos subversivos que han operado en el área del Triángulo IXIL, lograron un trabajo completo de concientización ideológica en toda la población, alcanzando ciento por ciento de apoyo". En otro informe enviado por una de las patrullas militares a sus superiores, se reporta que "en las aldeas no hay gente, toda está escondida. Todas las aldeas de la región están organizadas". Y agrega que "los guerrilleros ya tienen ganada a toda la gente, puesto que cuando ven al ejército, se esconden en las montañas".
Como señala Doyle, se interpretaba el temor y la huida ante la presencia militar como prueba de que el pueblo entero formaba parte del "enemigo" y, por lo tanto, se justificaba el ataque contra la población civil.
Al evaluar los archivos durante meses, Doyle dijo hoy que “hemos determinado que estos documentos fueron creados por oficiales militares durante el régimen de Efraín Ríos Montt para planear e implementar una política de ‘tierra arrasada’ sobre las comunidades mayas en El Quiché. Los documentos registran el asalto genocida de los militares contra las poblaciones indígenas en Guatemala”.
Más de 200 mil personas fueron asesinadas o desparecidas entre 1960 y 1996 en Guatemala. El peor periodo de violencia fue entre 1982 y 1983, durante operativos contrainsurgentes con el estado justificando el exterminio de unas 440 comunidades indígenas como parte de la lucha anticomunista, reportó el Center for Justice and Accountability (CJA), organización internacional de derechos humanos que encabeza el caso ante la justicia española.
El National Security Archive, organización independiente de investigaciones sobre documentación oficial y libertad de información, colocó este miércoles toda esta documentación en su sitio de Internet: www.gwu.edu/~nsarchiv/guatemala/index.htm.
El caso sobre genocidio ha procedido desde 2006 ante la Audiencia Nacional. Para mayor información visitar el sitio de CJA en www.cja.org/article.php?list=type&type=369
Prueban documentos que Ríos Montt ordenó genocidio indígena en Guatemala
David Brooks
Corresponsal
Periódico La Jornada
Jueves 3 de diciembre de 2009, p. 18
Nueva York, 2 de diciembre. Por primera vez en la historia se comprueba que el genocidio indígena en Guatemala en su peor etapa fue ordenado por el gobierno militar de Efraín Ríos Montt, revelan documentos oficiales obtenidos y divulgados hoy por el National Security Archive.
Los archivos de la llamada Operación Sofía contienen documentos militares secretos sobre la campaña de contrainsurgencia que resultó en matanzas de decenas de miles de civiles mayas en Guatemala, informó el National Security Archive (NSA) al divulgar el material. Los documentos establecen que la operación citada “fue ejecutada como parte de la estrategia militar del presidente de facto de Guatemala, el general Efraín Ríos Montt, bajo el comando y control de los oficiales militares de más alto rango”, afirmó el NSA.
Más de 350 páginas de información
El documento del gobierno guatemalteco, de 359 páginas, detalla la matanza de hombres, mujeres y niños no armados, la destrucción de viviendas, cultivos y animales, y el bombardeo aéreo indiscriminado de refugiados. Los documentos incluyen planes operativos, mapas, órdenes, informes de resultados y reportes de patrullajes. Además, está la orden inicial de lanzar la operación fechada el 8 de julio de 1982 firmada por el jefe del estado mayor, general Héctor Mario López Fuentes.
El documento fue presentado este miércoles por Kate Doyle, directora del Proyecto Guatemala del NSA, ante la Audiencia Nacional de España que está procediendo sobre el caso de genocidio en Guatemala, en el cual están acusados Ríos Montt y otros altos oficiales (la querella original fue presentada por la Fundación Rigoberto Menchú Tum en 1999).
Doyle presentó los documentos ante el juez Santiago Pedraz, de la Audiencia Nacional, quien preside el caso. Los documentos fueron obtenidos por el NSA de fuentes de inteligencia militar en Guatemala, después que a principios de este año el ministro de Defensa, general Abraham Valenzuela González, había afirmado que no era posible localizar estos documentos, ni presentarlos ante un juez guatemalteco como fue ordenado por el tribunal constitucional de ese país en 2008.
En su resumen y análisis de los documentos presentados hoy ante el tribunal español, Doyle afirmó que la operación militar se lanzó el 16 de julio de 1982 en la zona de Ixil en El Quiché. El propósito, según se describe en el plan militar, era realizar "operaciones contrasubversivas y sicológicas en el área de operaciones de la FT (Fuerza de Tarea) Gumarcaj" para "exterminar a los elementos subversivos en el área". La campaña duró hasta el 19 de agosto e involucró oficiales y tropas de varias unidades de las fuerzas armadas.
Doyle, en su presentación del archivo al juez, sostuvo que "esta información nos da una imagen muy precisa de la intencionalidad del daño y el sufrimiento causado a las comunidades indígenas ixiles por el ejército en el curso de su campaña para erradicar a los grupos armados guerrilleros". La documentación permite concluir “con certeza y claridad que la cadena de mando funcionaba en todo momento y que el alto mando –que en ese entonces hubiera incluido el presidente, comandante general del ejército y ministro de la Defensa de facto Efraín Ríos Montt y el viceministro de la Defensa Nacional Óscar Humberto Mejía Víctores, ambos imputados en este caso– estaba perfectamente enterado de las operaciones en el campo”.
Los documentos revelan que el ejército consideraba a pueblos enteros como el enemigo en su lucha contra el "comunismo". Comandantes informan a sus superiores durante esta operación que "durante más de 10 años, los grupos subversivos que han operado en el área del Triángulo IXIL, lograron un trabajo completo de concientización ideológica en toda la población, alcanzando ciento por ciento de apoyo". En otro informe enviado por una de las patrullas militares a sus superiores, se reporta que "en las aldeas no hay gente, toda está escondida. Todas las aldeas de la región están organizadas". Y agrega que "los guerrilleros ya tienen ganada a toda la gente, puesto que cuando ven al ejército, se esconden en las montañas".
Como señala Doyle, se interpretaba el temor y la huida ante la presencia militar como prueba de que el pueblo entero formaba parte del "enemigo" y, por lo tanto, se justificaba el ataque contra la población civil.
Al evaluar los archivos durante meses, Doyle dijo hoy que “hemos determinado que estos documentos fueron creados por oficiales militares durante el régimen de Efraín Ríos Montt para planear e implementar una política de ‘tierra arrasada’ sobre las comunidades mayas en El Quiché. Los documentos registran el asalto genocida de los militares contra las poblaciones indígenas en Guatemala”.
Más de 200 mil personas fueron asesinadas o desparecidas entre 1960 y 1996 en Guatemala. El peor periodo de violencia fue entre 1982 y 1983, durante operativos contrainsurgentes con el estado justificando el exterminio de unas 440 comunidades indígenas como parte de la lucha anticomunista, reportó el Center for Justice and Accountability (CJA), organización internacional de derechos humanos que encabeza el caso ante la justicia española.
El National Security Archive, organización independiente de investigaciones sobre documentación oficial y libertad de información, colocó este miércoles toda esta documentación en su sitio de Internet: www.gwu.edu/~nsarchiv/guatemala/index.htm.
El caso sobre genocidio ha procedido desde 2006 ante la Audiencia Nacional. Para mayor información visitar el sitio de CJA en www.cja.org/article.php?list=type&type=369
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
EUA pagam os talebãs para que estes não atirem em seus soldados
Estava eu buscando informações e lendo artigos sobre a guerra no Afeganistão para servirem de base para uma pauta sobre o novo plano do Obama para o país quando me deparei, em um dos textos, com a informação de que os EUA, na prática, pagam os talebãs para estes protegerem seus comboios de mantimentos e equipamentos bélicos.
Funciona assim: a exemplo do que fizeram e continuam fazendo no Iraque, os EUA deixaram a questão da segurança das instituições e dos seus comboios militares no Afeganistão nas mãos de empresas privadas.
Acontece que tais empresas privadas são controladas muitas vezes por pessoas que eram muito próximas ao regime anterior a 2001. Aí, para facilitar o serviço da companhia contratada, esta paga aos talebãs para protegerem os comboios. Como disseram em um dos artigos que li, que pode ser acessado aqui: "o Exército dos EUA está basicamente pagando aos Talebãs para que estes não atirem".
Hilário, não? Mais detalhes, podem ser lidos aqui.
Funciona assim: a exemplo do que fizeram e continuam fazendo no Iraque, os EUA deixaram a questão da segurança das instituições e dos seus comboios militares no Afeganistão nas mãos de empresas privadas.
Acontece que tais empresas privadas são controladas muitas vezes por pessoas que eram muito próximas ao regime anterior a 2001. Aí, para facilitar o serviço da companhia contratada, esta paga aos talebãs para protegerem os comboios. Como disseram em um dos artigos que li, que pode ser acessado aqui: "o Exército dos EUA está basicamente pagando aos Talebãs para que estes não atirem".
Hilário, não? Mais detalhes, podem ser lidos aqui.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A César o que é de César
Da Caros Amigos:
Por José Arbex Jr.
Quando comecei a ler o já famoso texto de César Benjamin: “Os filhos do Brasil”, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em 27 de novembro, fiquei orgulhoso de ser da esquerda. E mais ainda: de ter compartilhado com o autor do texto alguns momentos emocionantes de nossa luta comum, como o final da marcha do MST para Brasília, em 1997, quando me encontrei pessoalmente com ele, pela primeira vez. Os parágrafos iniciais do texto são primorosos. Muito bem escritos, compõem uma narrativa densa, sedutora, que vai criando no leitor uma vontade de querer saber mais sobre uma história que nunca foi contada direito: a história da ditadura militar, dos porões, das torturas, das prisões, dos seres humanos condenados à ignomínia. Benjamin soube retratar com grande humanidade os seus companheiros temporários de cela. Resgatou-lhes a história, a identidade, a face profundamente humana.
Mas aí, veio a facada, o golpe inesperado, a decepção, a tristeza profunda. Benjamin relatou, no mesmo texto, uma conversa supostamente mantida com Luís Inácio Lula da Silva, em São Paulo, em 1994, durante a campanha à Presidência do Brasil. Lula teria “confessado”, então, entre amigos, que, na prisão, tentou seduzir, sem sucesso, um militante de uma organização de esquerda. Benjamin faz uma comparação entre o assédio descrito por Lula e o temor que ele mesmo, Benjamin, sentiu, quando preso, de ser “currado” por outros detentos.
Não entendi nada. Li de novo, reli, tentei buscar alguma ironia oculta, algo que justificasse, no plano do próprio texto, o absolutamente injustificável paralelo entre estupradores que pululam nas prisões brasileiras – em geral, seres humanos reduzidos a condições quase completamente animalescas pelo próprio sistema carcerário, e/ou por uma vida anterior mergulhada na mais profunda miséria econômica, ideológica e afetiva – e Lula, que não estuprou ninguém, mas que, supostamente, comentou ter sentido o desejo de manter relações sexuais com um companheiro de cela que não cedeu aos seus desejos. Não quis acreditar que alguém dotado com os recursos intelectuais de Benjamin, adquiridos ao longo de sua longa história de luta pela liberdade e pela dignidade humana, pudesse cair em um pântano tão sórdido e profundo. Mas não encontrei nada no texto de Benjamin que permitisse uma interpretação positiva. Ou melhor: encontrei “o” nada: o vazio absoluto; vazio de sentido, o vazio da total falta de perspectivas, o vazio de um rancor desmedido.
(Antes de prosseguir, esclareço logo: não sou e nunca fui “lulista”; não sou mais já fui petista; não simpatizo com a maioria das medidas de governo adotadas por Lula, e por isso sou totalmente favorável à crítica de esquerda ao seu governo. Mais precisamente, creio que Lula pode e deve ser criticado por aquilo que fez, mas acho muito estranho ele ser atacado por aquilo que NÃO praticou.)
Vamos agora considerar, por um segundo, que Lula realmente fez o que supostamente disse ter feito. Isto é, que em dado momento tentou seduzir – seduzir, note bem, não estuprar -- o colega de cela. E daí? O que se pode concluir disso? Qual seria, nesse caso, o crime de Lula? O exercício, o desejo da homossexualidade? Estaremos, então, diante de um texto homofóbico?
Ainda segundo o próprio Benjamin, como já observado, Lula teria comentado o caso numa roda de amigos. Estamos, então, diante de um gravíssimo precedente, aberto pelo próprio Benjamin. De hoje em diante, todos teremos que suspeitar dos nossos amigos, teremos que nos policiar para que nossas palavras não sejam, eventualmente, atiradas contra nós por algum “traíra”, algum “dedo duro”, algum “cagueta”, algum Judas, algum oportunista que resolva tirar proveito de uma situação de cumplicidade. Revivemos, então, a era da delação (Premiada? Que o prêmio, no caso, teria sido pago a Benjamin?), a era da intriga, da fofoca, da futrica, da artimanha, da safadeza. Que vergonha! (Isso tudo me faz lembrar a famosa oração de Marco Antônio, no brilhante texto de Shakespeare: “Poderoso César, terás então descido a tão baixo nível?”)
Benjamin utilizou a imprensa dos patrões para atacar um expoente do movimento de esquerda do Brasil. Claro, claro, claro: sempre se pode alegar que Lula não é de esquerda, como ele mesmo já disse e como eu, pessoalmente, avalio. Mas há um abismo entre considerações de caráter individual, feitas por indivíduos privados e isolados, ou mesmo por grupos e seitas, e a realidade política concreta, historicamente determinada pela luta de classes. No contexto brasileiro, em que as alternativas concretas ao governo Lula (e à sua imagem refratada Dilma Rousseff) são figuras sinistras como as de José Serra e Aécio Neves, Lula surge como um expoente à esquerda do espectro político, com algumas conseqüências importantes para a luta de classes na América Latina: por exemplo, a condução exemplar do governo brasileiro no caso de Honduras (embora feiamente chamuscada pelo desastre no Haiti), a recusa em avalizar o acordo das bases militares estadunidenses com a Colômbia e a denúncia permanente do bloqueio de Cuba. Para não mencionar o fato de que a figura de Lula, malgré lui même, inspira movimentos de resistência ao capital em todo o mundo. Disso não se conclui, automaticamente, que a esquerda deva, necessariamente, apoiar o governo Lula, ou mesmo apostar na eleição de Dilma. Ao contrário, deve aproveitar as contradições, os paradoxos e as ambigüidades para fortalecer o seu próprio campo. Mas Benjamin preferiu fortalecer as correntes representadas pelo jornal dos campos Elíseos.
Não por acaso, a Folha de S. Paulo cedeu o espaço todo pedido por Benjamin. Cederia mais, se necessário fosse. Benjamin conhece a teoria marxista e sabe, com Gramsci, que a mídia dos patrões é o verdadeiro organizador coletivo, é o grande partido do capital. Triste é o fato de ele ter arregaçado as mangas para trabalhar por tal partido. E pior: Benjamin sabe que o falso paralelo que tentou traçar entre os predadores das prisões da ditadura e o prisioneiro Lula seria muito mais verdadeiro se, no lugar de Lula, ele colocasse os donos dos jornais para os quais hoje escreve.
Todo o encanto produzido pelos primeiros parágrafos do texto de César Benjamin foi transformado em fel a partir do momento em que se instaurou a delação, o oportunismo, o absurdo. Lula não estuprou o seu companheiro de cela, mas Benjamin violentou, com alto grau de sadomasoquismo, a própria consciência e uma história repleta de glórias. Requiescate in pace.
Por José Arbex Jr.
Quando comecei a ler o já famoso texto de César Benjamin: “Os filhos do Brasil”, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em 27 de novembro, fiquei orgulhoso de ser da esquerda. E mais ainda: de ter compartilhado com o autor do texto alguns momentos emocionantes de nossa luta comum, como o final da marcha do MST para Brasília, em 1997, quando me encontrei pessoalmente com ele, pela primeira vez. Os parágrafos iniciais do texto são primorosos. Muito bem escritos, compõem uma narrativa densa, sedutora, que vai criando no leitor uma vontade de querer saber mais sobre uma história que nunca foi contada direito: a história da ditadura militar, dos porões, das torturas, das prisões, dos seres humanos condenados à ignomínia. Benjamin soube retratar com grande humanidade os seus companheiros temporários de cela. Resgatou-lhes a história, a identidade, a face profundamente humana.
Mas aí, veio a facada, o golpe inesperado, a decepção, a tristeza profunda. Benjamin relatou, no mesmo texto, uma conversa supostamente mantida com Luís Inácio Lula da Silva, em São Paulo, em 1994, durante a campanha à Presidência do Brasil. Lula teria “confessado”, então, entre amigos, que, na prisão, tentou seduzir, sem sucesso, um militante de uma organização de esquerda. Benjamin faz uma comparação entre o assédio descrito por Lula e o temor que ele mesmo, Benjamin, sentiu, quando preso, de ser “currado” por outros detentos.
Não entendi nada. Li de novo, reli, tentei buscar alguma ironia oculta, algo que justificasse, no plano do próprio texto, o absolutamente injustificável paralelo entre estupradores que pululam nas prisões brasileiras – em geral, seres humanos reduzidos a condições quase completamente animalescas pelo próprio sistema carcerário, e/ou por uma vida anterior mergulhada na mais profunda miséria econômica, ideológica e afetiva – e Lula, que não estuprou ninguém, mas que, supostamente, comentou ter sentido o desejo de manter relações sexuais com um companheiro de cela que não cedeu aos seus desejos. Não quis acreditar que alguém dotado com os recursos intelectuais de Benjamin, adquiridos ao longo de sua longa história de luta pela liberdade e pela dignidade humana, pudesse cair em um pântano tão sórdido e profundo. Mas não encontrei nada no texto de Benjamin que permitisse uma interpretação positiva. Ou melhor: encontrei “o” nada: o vazio absoluto; vazio de sentido, o vazio da total falta de perspectivas, o vazio de um rancor desmedido.
(Antes de prosseguir, esclareço logo: não sou e nunca fui “lulista”; não sou mais já fui petista; não simpatizo com a maioria das medidas de governo adotadas por Lula, e por isso sou totalmente favorável à crítica de esquerda ao seu governo. Mais precisamente, creio que Lula pode e deve ser criticado por aquilo que fez, mas acho muito estranho ele ser atacado por aquilo que NÃO praticou.)
Vamos agora considerar, por um segundo, que Lula realmente fez o que supostamente disse ter feito. Isto é, que em dado momento tentou seduzir – seduzir, note bem, não estuprar -- o colega de cela. E daí? O que se pode concluir disso? Qual seria, nesse caso, o crime de Lula? O exercício, o desejo da homossexualidade? Estaremos, então, diante de um texto homofóbico?
Ainda segundo o próprio Benjamin, como já observado, Lula teria comentado o caso numa roda de amigos. Estamos, então, diante de um gravíssimo precedente, aberto pelo próprio Benjamin. De hoje em diante, todos teremos que suspeitar dos nossos amigos, teremos que nos policiar para que nossas palavras não sejam, eventualmente, atiradas contra nós por algum “traíra”, algum “dedo duro”, algum “cagueta”, algum Judas, algum oportunista que resolva tirar proveito de uma situação de cumplicidade. Revivemos, então, a era da delação (Premiada? Que o prêmio, no caso, teria sido pago a Benjamin?), a era da intriga, da fofoca, da futrica, da artimanha, da safadeza. Que vergonha! (Isso tudo me faz lembrar a famosa oração de Marco Antônio, no brilhante texto de Shakespeare: “Poderoso César, terás então descido a tão baixo nível?”)
Benjamin utilizou a imprensa dos patrões para atacar um expoente do movimento de esquerda do Brasil. Claro, claro, claro: sempre se pode alegar que Lula não é de esquerda, como ele mesmo já disse e como eu, pessoalmente, avalio. Mas há um abismo entre considerações de caráter individual, feitas por indivíduos privados e isolados, ou mesmo por grupos e seitas, e a realidade política concreta, historicamente determinada pela luta de classes. No contexto brasileiro, em que as alternativas concretas ao governo Lula (e à sua imagem refratada Dilma Rousseff) são figuras sinistras como as de José Serra e Aécio Neves, Lula surge como um expoente à esquerda do espectro político, com algumas conseqüências importantes para a luta de classes na América Latina: por exemplo, a condução exemplar do governo brasileiro no caso de Honduras (embora feiamente chamuscada pelo desastre no Haiti), a recusa em avalizar o acordo das bases militares estadunidenses com a Colômbia e a denúncia permanente do bloqueio de Cuba. Para não mencionar o fato de que a figura de Lula, malgré lui même, inspira movimentos de resistência ao capital em todo o mundo. Disso não se conclui, automaticamente, que a esquerda deva, necessariamente, apoiar o governo Lula, ou mesmo apostar na eleição de Dilma. Ao contrário, deve aproveitar as contradições, os paradoxos e as ambigüidades para fortalecer o seu próprio campo. Mas Benjamin preferiu fortalecer as correntes representadas pelo jornal dos campos Elíseos.
Não por acaso, a Folha de S. Paulo cedeu o espaço todo pedido por Benjamin. Cederia mais, se necessário fosse. Benjamin conhece a teoria marxista e sabe, com Gramsci, que a mídia dos patrões é o verdadeiro organizador coletivo, é o grande partido do capital. Triste é o fato de ele ter arregaçado as mangas para trabalhar por tal partido. E pior: Benjamin sabe que o falso paralelo que tentou traçar entre os predadores das prisões da ditadura e o prisioneiro Lula seria muito mais verdadeiro se, no lugar de Lula, ele colocasse os donos dos jornais para os quais hoje escreve.
Todo o encanto produzido pelos primeiros parágrafos do texto de César Benjamin foi transformado em fel a partir do momento em que se instaurou a delação, o oportunismo, o absurdo. Lula não estuprou o seu companheiro de cela, mas Benjamin violentou, com alto grau de sadomasoquismo, a própria consciência e uma história repleta de glórias. Requiescate in pace.
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