<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751</id><updated>2011-07-08T15:22:11.888-03:00</updated><title type='text'>Nos caminhos do Qollasuyu...</title><subtitle type='html'>... de Abya Yala e do planeta Terra em geral. Impressões, expressões e reflexões de um jornalista parcial</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>200</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-4862526753030716333</id><published>2010-03-29T14:26:00.000-03:00</published><updated>2010-03-29T14:26:41.539-03:00</updated><title type='text'>O governo Serra e os professores em greve</title><content type='html'>Do blog &lt;a href="http://miguelgrazziotinonline.blogspot.com/"&gt;MiguelGrazziotinOnLine&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Serra usa polícia secreta infiltrada nos movimentos sociais: a ditadura vem aí&lt;/b&gt;. Para ler, clique &lt;a href="http://miguelgrazziotinonline.blogspot.com/2010/03/serra-usa-policia-secreta-infiltrada.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, um artigo repassado pelo amigo e jornalista Alípio Freire:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Reportagens sobre o conflito da tarde &lt;/span&gt;de 26 de março dão mostras de como a imprensa é PSDBoza&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;tt&gt;Por Amir Machado&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;tt&gt;No geral, a imprensa de S. Paulo tem se mostrado partidária e preconceituosa em relação a greve dos professores. As reportagens sobre os conflitos da última sexta-feira são mais um exemplo dessa &lt;i&gt;liberalidade &lt;/i&gt;que a própria mídia insiste em confundir com “liberdade de imprensa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ontem no início da noite, a Rede GROBO de televisão apresentou reportagem sobre o conflito ocorridos nas ruas do Morumbi entre policiais militares e professores manifestantes: na pressa de fazer a notícia a emissora criou um discurso contraditória e ambíguo. Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Com narração em OFF de Carlos Tramontina a reportagem mostrava imagens sem som, bem típica das coberturas da GROBO nos tempos da ditadura militar; também não apareceram entrevistas de qualquer um dos lados; a reportagem também dizia que um grupo não identificado de pessoas foi até as barreiras e começou o "tumulto". Vejo que aqui a GROBO faz novamente uso de aprendizados da época em que ela defendia o regime militar: na imagem há inclusive a bandeira de uma organização de esquerda com aqueles "não identificados". Duvido que a polícia, que tem usado câmeras e alta tecnologia desde o início da greve (e assim o faz em todas as manifestações de movimentos sociais), não tenha identificado as pessoas que subiram as ruas para encontrar as barreias policiais. Aqui o despiste da emissora é para que as próprias pessoas acreditem que a polícia não os identificou. Típico da ditadura militar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - A narração diz que o conflito começou quando os professores acertaram uma pedra na cabeça de um policial. A cena da pedrada foi feita de um helicóptero, e nela dá para ver que os policiais estão em formação de tiro (!) e que há fumaça no local. Fumaça das bombas de gás que a polícia estava usando. É claro que naquela imagem o conflito já havia começado. E começou com a polícia jogando spray de pimenta nos professores e até nos jornalistas (como a própria reportagem da GROBO mostrou...) e depois avançando quando a ordem de “dispersar” chegou aos soldados. A GROBO sequer cita esta irresponsabilidade da polícia militar em uma manifestação que não tinha nada para gerar violência (ou o samba das entidades estudantis que lá apoiavam os professores irritou os milicas?);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - A GROBO também mostra um manifestante carregando um policial (!). E veja que ambíguo: o texto em OFF diz que era isso mesmo!! Quer dizer, se o "tumulto" foi causado pelos professores, porque apareceria algum desses "baderneiros" socorrendo um policial? A cena é, no mínimo, estranha. Na edição de 27 de março, a Folha de S. Paulo (que também apoiou a ditadura, inclusive cedendo carros da "Folha da Tarde" para a os torturadores irem disfarçados à caça dos inimigos do regime militar) mostra a mesma foto em "reportagem" sobre o conflito, mas - pasmem! - não cita que o policial foi socorrido por um professor... (embora dê para ver claramente as alças da mochila do professor que carrega o policial... e a foto tenha saído com essa explicação em outros meios de comunicação);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - A GROBO também cita uma lei de 1987 que proíbe manifestações em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Engraçado é saber que, nestes 16 anos lecionando na rede estadual, já havia feito duas manifestações no local. E todas em governos do PSDB(!). Agora, por que o governador Serra (que nem estava no local, segundo própria Folha de S. Paulo) se preocupa em APLICAR LEIS REPRESSIVAS? Por que não SE PREOCUPA TANTO QUANTO COM LEIS DEMOCRÁTICAS? Como caracterizar um governo que tem esse tipo de atitude? Há leis para forçar os militares a abrir os arquivos da ditadura, para aplicar os índices da inflação como reajuste a todos os salários dos trabalhadores, para obrigar empresas a usar filtros nas chaminés e nada disso é feito... Agora pense, por que a GROBO se preocupa em citar a lei que impede as manifestações no Palácio? Que os professores fiquem atentos, pois há lei semelhante em relação à Avenida Paulista e a próxima assembléia está marcada este local. SERÁ QUE O GOVERNADOR SERRA IRÁ MANDAR A TROPA DE CHOQUE PARA LÁ TAMBÉM PARA ASSEGURAR A “ORDEM” CONTRA PROFESSORES E &lt;b&gt;PROFESSORAS&lt;/b&gt;? A greve de 2000 nos trás lembranças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Todos esses meios de comunicação insistem em algo que é velho e repetitivo nos discursos das elites deste país: "caos, tumulto, baderna" - são peças frequentes nos discursos que as podres elites tupiniquins usam ao longo da História do Brasil para caricaturizar os movimentos sociais ou qualquer outro ato de organização ou explosão popular, seja das camadas mais pobres, de trabalhadores etc. O que a Folha de S. Paulo, o site BOL notícias, o Estadão e outros fazem são tentativas claras de reproduzir uma &lt;b&gt;&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;criminalização dos movimentos sociais&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;. Toda vez que há uma organização ou uma explosão de camadas mais baixas da população o blá, blá, blá das elites é o mesmo. Um estudo sério da História deste país mostra isso muuuitas vezes e, justamente ao conhecê-lo, sabemos que é preciso lutar contra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros meios de comunicação, como a Folha de S. Paulo salientam que a greve é "política" (querendo dizer &lt;i&gt;político-eleitoreira&lt;/i&gt;). Na reportagem de 27 de março isso se deve principalmente pelo discurso da presidenta da APEOESP: "Quebrar a espinha dorsal"&amp;nbsp; desse governo. Para a Folha a frase é uma demonstração clara das intenções dos grevistas (?). No entanto, a Folha não cita a frase dentro do contexto a qual ela foi produzida. Falava-se da política educacional PSDBoza que destruiu a educação do Estado e com apoio da mídia e do marketing difunde que as escolas são maravilhosas, todos estão contentes, não há problemas etc. Outro fator, a Folha não diz que os professores da rede pública estadual NÃO tem reajuste inflacionário (que é diferente de aumento) há 9 anos... Duvido que algum jornalista dos grandes meios de comunicação ponha seus filhos em uma escola pública com a atual POLÍTICA DE SUCATEAMENTO que este governo realiza. Também duvido que estes jornalistas tenham salários em defasagem de 34,3%... Aliás, creio que sabem de tudo isso, mas como vacas de presépio, &lt;u&gt;NADA PODEM FALAR&lt;/u&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar uma observação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, o secretário da educação de S. Paulo, mostrou o que os PSDBozos pensam em relação a educação... Paulo Renato, como um típico coronel no interior disse: "meus professores não fazem greve". A expressão “meus professores” lembra os "meus homens" dos sinhozinhos deste país. Mas como a História é incrível, consegui entender Paulo Renato: assim como no atual projeto neoliberal do PSDB para a educação de S. Paulo não há prioridade na relação de aprendizagem, no coronelismo, especialmente o da República Velha, a Constituição de 1891 negava o direito ao voto àqueles que não eram alfabetizados e o próprio Estado negava (na mesma Constituição) ter responsabilidade em educar o povo. Por isso Paulo Renato usa frases no "melhor" estilo coronelístico... parece piada? Mas não é: os dois projetos são liberais. A diferença entre eles é que aquele é de uma época de exclusão das camadas populares e o de hoje, neoliberal, procura mascarar a realidade da exclusão-includente através da mídia... afinal, no início do século, as elites não tinham meios de comunicação de massa que falassem para todos. &lt;/tt&gt;  &lt;span&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;"&gt;Por isso, hoje o processo de luta é mais complexo e se dá inclusive e, ao mesmo tempo, numa luta contra o monopólio da interpretação dos fatos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;tt&gt;Em tempo, nas mesmas edições de 27 de março surgem o Data-Folha e o Ibope com pesquisas mostrando que Serra subiu em relação a candidata do PT, Dilma. Engraçado... até pouco tempo atrás era Dilma quem subia; mas – num passe de mágica, ou de &lt;u&gt;lápis&lt;/u&gt; mesmo – Serra disparou... como se quisessem dizer: &lt;i&gt;esse tipo de manifestação&lt;/i&gt; (greve) &lt;i&gt;conflituosa&lt;/i&gt; (enfrentamento) &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; &lt;i&gt;prejudica a candidatura de Serra... Parem com a greve!!&lt;/i&gt; &lt;/tt&gt;&lt;br /&gt;&lt;tt&gt;&amp;nbsp;É certo que esses e outros burocratas não vivem com o salário do povo, mas... e com seus votos?&lt;/tt&gt;&lt;br /&gt;&lt;tt&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt; &lt;b&gt;Amir Machado - professor da rede pública de ensino estatal em greve desde 05 de março de 2010.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/h3&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-4862526753030716333?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/4862526753030716333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=4862526753030716333&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/4862526753030716333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/4862526753030716333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/o-governo-serra-e-os-professores-em.html' title='O governo Serra e os professores em greve'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2837661528430525821</id><published>2010-03-29T12:46:00.000-03:00</published><updated>2010-03-29T12:46:44.048-03:00</updated><title type='text'>Gilberto Dimenstein e os tucanos e demos "generosos"</title><content type='html'>Deu no &lt;a href="http://namarianews.blogspot.com/"&gt;NaMaria News&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Associação Cidade Escola Aprendiz, do Gilberto Dimenstein, recebeu da prefeitura e do governo de São Paulo, desde 2006, nada menos que &lt;b&gt;R$ 3.725.222, 74&lt;/b&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detalhes, &lt;a href="http://namarianews.blogspot.com/2010/03/amor-com-amor-se-paga-licao-de-um.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2837661528430525821?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2837661528430525821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2837661528430525821&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2837661528430525821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2837661528430525821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/gilberto-dimenstein-e-os-tucanos-e.html' title='Gilberto Dimenstein e os tucanos e demos &quot;generosos&quot;'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5573677257700875638</id><published>2010-03-26T15:39:00.000-03:00</published><updated>2010-03-26T15:39:36.193-03:00</updated><title type='text'>Rodolfo Walsh</title><content type='html'>&lt;pre&gt;A 33 anos da morte de Rodolfo Walsh (enviado pela amiga Silvia Adoue):&lt;/pre&gt;&lt;pre&gt;&lt;/pre&gt;&lt;pre&gt;&lt;/pre&gt;&lt;pre&gt;&lt;b&gt;RODOLFO WALSH&lt;/b&gt;&lt;/pre&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A Vicky&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Fugitivo en las islas del Tigre&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;y en un rancho de Merlo,&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;resiste al genocidio y el olvido&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;con sus falanges centinelas.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Huérfano de futura hija&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;revela el designio de una oculta masacre.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Entre la novela gótica y el íntimo ajedrez&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;traza la historia de unos fusilados&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;sobrevivos a una legión de verdugos.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Lejanos basurales apagan los gritos&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;y la tierra encarna la herida anónima:&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;José León Suárez, el tormento elegido.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Su lúcida obsesión reconstruye&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;los miembros del espanto y su agonía,&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;como un entomólogo de la memoria.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Sabrá, más tarde, descifrar en otra isla&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;una secreta cábala de satélites.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Escribe, se fatiga y se alucina&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;sobre la urgida máquina de combate&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;acompañado de un revolver que nunca usa&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;y un seudónimo que invoca a Francisco Freyre.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Mientras tanto, espera y resiste, &lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;sentado en su pensante holocausto,&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;con la templanza de un poseso convertido,&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;con el desvelo de un misionero llagado,&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;en la inminencia de su propia ofrenda.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Y el tiempo supura vigilia.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Entonces, la sangre decide y suena.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;Suena, suena, suena.&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Bosquín Ortega&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;(de Siglos de Labios)&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span lang="ES" style="color: #444444; font-size: 14pt;"&gt;&lt;tt&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ediciones al Márgen-La Plata&lt;/span&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5573677257700875638?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5573677257700875638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5573677257700875638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5573677257700875638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5573677257700875638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/rodolfo-walsh.html' title='Rodolfo Walsh'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2722263491313844970</id><published>2010-03-05T18:14:00.000-03:00</published><updated>2010-03-05T18:14:45.816-03:00</updated><title type='text'>O terremoto no Chile e o cinismo capitalista</title><content type='html'>Saiu na publicação chilena &lt;a href="http://www.theclinic.cl/2010/03/03/lorenzo-constans-joyita-del-ano-la-torre-de-pisa-tambinen-esta-inclinada/"&gt;The Clinic&lt;/a&gt; uma verdadeira pérola do presidente da Câmara da Construção do país. Para quem não sabe, há muitas críticas no país sobre os edifícios modernos que ruíram por causa do terremoto, apesar da restrita legislação existente sobre técnicas e materiais que devem ser utilizados nas construções justamente para que suportem um eventual terremoto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionado sobre o fato, ele respondeu: "A Torre de Pisa também está inclinada". Leia abaixo a nota:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;h1 class="post-title"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lorenzo Constans, joyita del año: “La torre de Pisa también está inclinada”&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 class="post-title"&gt;&lt;span style="font-size: small; font-weight: normal;"&gt;Interpelado por el precario estado en que se encuentran algunos edificios nuevos tras el terremoto del sábado -incluido el edificio Alto Río de Concepción, que sencillamente se desplomó sobre un costado dejando una cantidad aún indetermidada de moradores muertos- y por la certeza de que muchas de las fallas se deben a la negligencia las empresas constructoras, el presidente de la Cámara de la Construcción Lorenzo Constans, ignorante quizás de que las palabras antes de pronunciarlas tienen que pasar por el cerebro, señaló que “hay edificios que están inclinados, el ejemplo más claro es la Torre Pisa, que se ha mantenido por siglos en pie y, por lo tanto, creo que es conveniente analizarlo con un profesional adecuado”. Con sus declaraciones, Constans se pasó por el aro novecientos años de ingeniería, el hecho de que el gobierno italiano tiene prohibido el ingreso a la torre desde 1990 y que el problema de la histórica construcción no está en el uso de defectuosos materiales sino en sus débiles cimientos y en la inestabilidad del suelo.&lt;br /&gt;Para coronar sus dichos, Constans cerró filas a favor de su incompetente gremio al aegurar que “con esta magnitud de cataclismo, más que terremoto, consideramos que las estructuras se han comportado de manera razonable”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2722263491313844970?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2722263491313844970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2722263491313844970&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2722263491313844970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2722263491313844970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/o-terremoto-no-chile-e-o-cinismo.html' title='O terremoto no Chile e o cinismo capitalista'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5508620037204316135</id><published>2010-03-05T17:39:00.000-03:00</published><updated>2010-03-05T17:39:27.235-03:00</updated><title type='text'>A emergência do Brasil é a hegemonia do precário como vanguarda</title><content type='html'>Do site do &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/a-emergencia-do-brasil-e-a-hegemonia-do-precario-como-vanguarda/view"&gt;&lt;b&gt;Brasil de Fato&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;:&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Enquanto o objetivo da esquerda for o crescimento econômico, vamos desenvolver os elementos internos do capitalismo, dentro de uma lógica cada vez mais destrutiva&lt;/i&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Venâncio de Oliveira&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Os países hegemônicos estão avaliando Brasil, Rússia, China e Índia como países chaves para que a crise não afunde ainda mais suas economias. Os BRIC estão ganhando terreno até mesmo no processo decisório, na definição de políticas. O Brasil conseguiu dentro desta aliança um poder de veto sobre decisões dos Novos Acordos de Empréstimos do FMI, um montante de cerca de 550 bilhões de dólares i. Países europeus, como a França, têm estreitado laços com Brasil, as visitas de Sarkozy para definir acordos militares, suas afirmações de que era necessário uma reforma mundial e que o nosso país estaria em sua vanguarda, demonstram sua importância crescente para a redefinição dos padrões de acumulação mundial.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Por que o Brasil não afundou na crise? Os setores à direita do governo Lula comemoram com seus velhos inimigos, os da esquerda levantam a bandeira do crescimento como a vitória do Trabalho. O nosso maior inimigo, o Capital, passou a ser nosso fim último.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O pacote de políticas anticíclicas do governo Lula foi um dos fatores que seguraram o caos. Manteve-se os planos de infraestrutura, com alto retorno e baixo risco para investidores. Os bancos estatais interviram, houve uma expansão de crédito de 20% no acumulado de 12 meses, entre setembro de 2008 e de 2009, o estoque total de crédito chegou a 45% do PIB. A liquidez fornecida pelo Estado diminuiu a pressão sobre a oferta privada de crédito, freando seu preço, que, combinada com o corte do IPI, segurou o consumo dos bens duráveis. O Bolsa Família segurou o consumo de bens não duráveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O segundo fator anti-cíclico veio de fora, consequência das políticas chinesas, que alimentaram seu consumo interno. O freio do seu decrescimento econômico manteve a importação de produtos brasileiros, basicamente de commodities, ferro e soja. Os chineses já representam o principal parceiro comercial do Brasil, desbancando os Estados Unidos.  As vendas para a China já são 40% maior do que para os Estados Unidos. A exportação total de soja brasileira cresceu 11,7% em grão e 3,3% em farelo (entre setembro de 2008 e de 2009), enquanto a exportação total caiu 25,9%.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Mas baseado sobre que estrutura? O progresso do capitalismo está cada vez mais desconectado com bem estar social. A crise não anunciou ainda outra qualidade de política, apareceu um hibridismo liberal com toques desenvolvimentistas. FHC fez escola com ajuda aos bancos, os países hegemônicos apoiaram suas finanças e esqueceram seus desempregados. O modelo de política do capital mundializado é o reforço da lucratividade financeira-industrial em detrimento do trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Temos uma especificidade tupiniquim, no modelo lulista de inserção da economia brasileira na divisão internacional do trabalho. Contrariando a tese do fim do Estado, o governo Lula conseguiu armar um pacto social e político, interno e externo, que lhe deu espaço de formular e intervir. A arte da política é conseguir mudar a realidade, dentro de determinantes incontroláveis. O governo petista teve capacidade de intervir e redefinir estruturas, bem como os tucanos, tanto uns quanto outros, fizeram acontecer, com finalidades semelhantes, mas perfis distintos.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O Governo FHC no afã de desenvolver o capitalismo brasileiro, na era das finanças, desnacionalizou, flexibilizou e privatizou. O Governo Lula, no mesmo objetivo, apoiou o capital nacional, com toda sorte de incentivos fiscais e financeiros, e está brigando com os Estados Unidos por um espaço para o agronegócio brasileiro no mercado mundial, pondo na agenda do dia a tecnologia socialmente suja do etanol.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;A Era Lula manteve as bases essenciais da economia tucana, não reestatizou as privatizações e se aproveitou do mercado informal para chantegear a classe trabalhadora com assistencialismo. Em síntese, mantemos uma estrutura desigual de direitos, não existe acesso universal à educação, à terra, à moradia e direito à humanidade, somos reféns da policia, da violência, das chuvas, da corrupção e dos patrões e gerentes. A juventude sofre nos call centers, alta tecnologia e superexploração, esforçando-se para estudar em universidades privadas sem qualidade. Conseguiram dividir a classe e desmoralizar os lutadores, desenvolvendo a cooptação e atacando a dignidade do nosso povo, usando seu estômago.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Entramos no jogo do capital com vontade, um player que compete no mercado mundial e abraça Bush, sendo o “cara” do Obama. Mas o donos do poder no capitalismo não dormem tranquilos. Juntos, as finanças e a indústria aumentaram as contradições, uma taxa de lucro que foge à regra de criar excedente. Todo dinheiro novo deve criar mais ficção, assim a produção necessita pagar muito. Por outro lado, todo crescimento é raso. Os chineses aumentam produtividade e diminuem preços. Junta-se isso à diminuição das reservas energeticas, desarticulação de ofertas de alimentos e disputas por fronteiras agrícolas para fazer combustíveis. Uma ameaça constante de inflação de insumos e depressão de manufaturados.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;As políticas de estímulos fiscais foram o principal eixo anti-cíclico. Mas são políticas estatais alicerçadas num capital privado viciado em especulação, e em políticas de consumo e de infraestrutura. A criação de novos processos produtivos não aumentou. A formação bruta de capital fixo (investimento) ficou estável no segundo trimestre de 2009, não cresceu, após uma queda de 12,3% no trimestre anteriorv. A fórmula dos emergentes ainda não conseguiu retormar um padrão que renove a acumulação capitalista.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;A técnica de criar capital por dívida ainda permanece, mas fica a dúvida de quem paga este dinheiro novo. O número de brasileiros com dívida acima de R$ 5.000,00 mais que dobrou nos últimos cinco anos – são 23 milhões de pessoas endividadas. Aumentou a oferta de dinheiro para comprar casa e carro. São 430 milhões em crédito (mais de 5.000), 70% do estoque total de empréstimo, como se fosse R$ 20.000,00 por devedor.vi A questão fica: se não se cria valor para que se pague esta dívida, se os salários não chegam para este capital parasitário, que fazemos?&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Estamos num contexto de crise estrutural do capital. Os padrões de acumulação a partir da crise 1970 foram mais parasitários e menos “progressistas”. Podemos visualizar um padrão de acumulação ainda mais bárbaro, tendo o regresso como vanguarda, trabalho escravo na cana de açúcar/etanol, economia do narcotráfico e desemprego permanente, 16 horas de trabalho em maquilas chinesas, ou seja, a hegemonia do precário como referência mundial. Será que não estamos perto de outro modo de produção, e poderíamos chamá-lo de barbárie? Enquanto o objetivo da esquerda for o crescimento econômico, vamos desenvolver os elementos internos do capitalismo, dentro de uma lógica cada vez mais destrutiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Venâncio de Oliveira é economista e trabalha com organizações populares na Guatemala.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5508620037204316135?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5508620037204316135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5508620037204316135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5508620037204316135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5508620037204316135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/emergencia-do-brasil-e-hegemonia-do.html' title='A emergência do Brasil é a hegemonia do precário como vanguarda'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5287975513631382468</id><published>2010-03-05T14:57:00.002-03:00</published><updated>2010-03-05T14:57:40.769-03:00</updated><title type='text'>O modo tucano de governar</title><content type='html'>Para ler o especial do &lt;b&gt;Brasil de Fato&lt;/b&gt; sobre o caos no transporte público em São Paulo, clique &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/transporte-em-sao-paulo/view"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5287975513631382468?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5287975513631382468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5287975513631382468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5287975513631382468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5287975513631382468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/o-modo-tucano-de-governar.html' title='O modo tucano de governar'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-3493854422148208749</id><published>2010-03-05T14:54:00.000-03:00</published><updated>2010-03-05T14:54:13.893-03:00</updated><title type='text'>Falácias no argumento dos donos da mídia</title><content type='html'>&lt;div class="titulo"&gt;Da &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm"&gt;Carta Maior&lt;/a&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div class="linhafina"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="linhafina"&gt;&lt;i&gt;O argumento de que a mídia deve ser regulada exclusivamente pelo gosto do consumidor pressupõe um mercado democratizado, onde estariam representadas a pluralidade e a diversidade da sociedade brasileira que, por óbvio, não existe.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="headline-link"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="headline-link"&gt;&lt;b&gt;Venício Lima&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="texto"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="texto"&gt;Qual o papel que a televisão e o cinema desempenham na formação do “gosto” cultural do brasileiro(a)? Perguntado de outra forma: quais as chances que uma criança nascida no Brasil – independente de sua origem de classe – tem de desenvolver “gosto”, por exemplo, por desenhos animados brasileiros ou por cinema brasileiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para facilitar a reflexão: pense a mesma questão substituindo “criança nascida no Brasil” por “criança nascida nos Estados Unidos” ou por “criança nascida na França” e desenhos animados ou cinema, respectivamente, de produção “americana” ou francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como se formam os gostos culturais?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Como se formam, se desenvolvem e se consolidam os hábitos culturais, incluindo aqui os hábitos de assistir determinados canais e/ou programas de TV ou de ler determinadas revistas e/ou jornais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um fascinante campo da complexa sociologia do gosto e, por óbvio, não se pretende aqui, responder categoricamente a qualquer dessas questões. Elas, no entanto, são pertinentes e atuais em relação à conhecida e repetida falácia no argumento sobre a ausência da necessidade de qualquer forma de regulação da mídia tendo em vista que essa regulação já é feita cotidianamente pelo leitor/espectador/ouvinte que lê/vê/escuta aquilo que quer, podendo, a qualquer momento, simplesmente não ler/ver/escutar aquilo que não quiser ou não gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente debate sobre “controle social” da mídia, Sidnei Basile, vice-presidente de relações institucionais da Editora Abril e vice-presidente do Comitê de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) para o Brasil, afirmou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Ela (a mídia) precisa ter um controle. É o controle que o ouvinte, o telespectador, o leitor, o internauta fazem toda hora, é o melhor controle que existe. Você compra sua revista na banca, não gostou, está ruim, está mal feito, não compra mais. Esse controle social é perfeito e não precisa de outro”&lt;/i&gt; [cf. &lt;a href="http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1511585-16020,00-FORUM+DISCUTE+DEMOCRACIA+E+LIBERDADE+DE+EXPRESSAO.html" target="_blank"&gt;http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1511585-16020,00-FORUM+DISCUTE+DEMOCRACIA+E+LIBERDADE+DE+EXPRESSAO.html&lt;/a&gt; ].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslocar a questão da regulação da mídia apenas para o gosto, além de reduzir toda a problemática da comunicação de massa a uma única dimensão – do “consumo” individual no mercado – ignora toda a complexa questão da formação social do gosto e do enorme papel que a própria mídia nela desempenha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o argumento pressupõe um mercado de mídia democratizado, onde estariam representadas a pluralidade e a diversidade da sociedade brasileira que, por óbvio, não existe. Ignora ainda o fato elementar de que não se pode gostar ou não gostar daquilo que não se conhece ou cujas chances de se conhecer são extremamente reduzidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A historiadora Amara Rocha (UFRJ), mostra no seu “Nas ondas da modernização: o rádio e a televisão no Brasil de 1950 a 1970” (Aeroplano/FAPESP, 2007), como a adoção do “&lt;i&gt;trusteeship model&lt;/i&gt;”, entre nós, respondia a pressões de um programa do governo Roosevelt (1882-1945) cujo objetivo era “estabelecer as bases para as relações econômicas e culturais com a América Latina, priorizando o papel que a proximidade com o &lt;i&gt;american way of life&lt;/i&gt; poderia significar para as mudanças consideradas necessárias à sociedade e à cultura dessa região”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ignorar que o Estado brasileiro, ainda na década de 30 do século passado, priorizou a exploração dos serviços públicos de radiodifusão por empresas privadas e, a partir daí, se instalou na sociedade brasileira um modelo de exploração da mídia que trouxe com ele uma determinada visão de mundo que inclui o gosto e os hábitos culturais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E a noção de serviço público?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, é preciso insistir que, se é verdade que a mídia impressa é uma iniciativa privada que está excluída de qualquer forma de licença e/ou regulação, e pode, por opção, ignorar suas responsabilidades sociais, o mesmo não se aplica ao serviço público de radiodifusão. Concessionários de rádio e televisão são prestadores de um serviço público que se obrigam a um contrato, por tempo determinado e sob prioridades e condições definidas em Lei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca é demais lembrar a célebre frase do juiz Byron White em sentença da Suprema Corte dos Estados Unidos: “&lt;i&gt;É o direito dos telespectadores e ouvintes, não o direito dos radiodifusores, que é soberano&lt;/i&gt;”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O “controle” do cidadão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, o vice presidente da SIP, não deixa de ter sua dose de razão. A acentuada tendência de queda nas audiências e na leitura dos veículos da grande mídia tradicional, revelada nos últimos anos, não deixa dúvidas de “que o ouvinte, o telespectador, o leitor, o internauta” estão, de fato, exercendo o seu “controle”. A grande mídia vai aos poucos tendo que conviver com uma nova mídia, alternativa e interativa, e, em alguns casos, construída pelo sistema público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novos tempos. Nova mídia. Novos atores. Novos poderes. E muitos ainda acreditam nas falácias de seus próprios argumentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="linha-fina"&gt;&lt;b&gt;Venício Lima &lt;/b&gt;é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília - NEMP - UNB&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-3493854422148208749?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/3493854422148208749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=3493854422148208749&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/3493854422148208749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/3493854422148208749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/falacias-no-argumento-dos-donos-da.html' title='Falácias no argumento dos donos da mídia'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2707096448015939045</id><published>2010-03-04T17:45:00.000-03:00</published><updated>2010-03-04T17:45:14.563-03:00</updated><title type='text'>El terremoto estaba anunciado desde el 2002</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;Do &lt;a href="http://www.elclarin.cl/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=20342&amp;amp;Itemid=45"&gt;El Clarín&lt;/a&gt;, do Chile:&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;b&gt;Paul Walder&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;jueves, 4 de marzo de 2010&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;Diversos estudios realizados por el doctor en sismología Jaime Campos concluían con claridad y precisión de un terremoto entre 8 y 8,5 grados Richter para las regiones de Bío Bío y Maule. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;El área entre Concepción y Constitución tiene una acumulación de energía suficiente “para producir un gran terremoto entre 8 y 8,5 grados”, concluía uno de los estudios, publicado el año pasado. ¿Cuándo? En un cercano futuro, señalaba el informe. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;Tras la publicación de un estudio previo hacia finales del 2002, Campos, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;responsable del Servicio Sismológico de Chile y profesor del Departamento de Geofísica de la Facultad de Ciencias Físicas y Matemáticas de la Universidad de Chile, señaló en una entrevista aparecida el 20 de abril del 2003 en el diario El Sur que “la zona entre Constitución y Concepción es la que tiene un mayor peligro sísmico en el país”, a la vez que advertía que “como los beneficios de las políticas preventivas son perceptibles en el largo plazo aparecen como poco rentables”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;J&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;aime Campos explicaba que “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;el último gran terremoto de subducción, es decir, que se produce por el contacto entre las placas de Nazca y Sudamericana, ocurrió en 1835. Esto significa que hace más de 170 años, no ha ocurrido un terremoto con epicentro costero asociado a la zona de contacto interplacas. En 1996, monitoreamos durante dos meses el tramo y nos encontramos que tiene mucha actividad sísmica que la gente no percibe, pero que sí detectaron los instrumentos. Tras realizar mediciones muy precisas con posicionamiento satelital, GPS, llegamos a la conclusión que esa región tiene una deformación en la corteza, una de las más importantes de Chile, lo que permite que se acumule energía”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Se había detectado una laguna sísmica en esa región, que es la ausencia de terremotos durante mucho tiempo en zonas donde se sabe que debieran ocurrir con cierta periodicidad. “Según el estudio, los rasgos de velocidad, de convergencia de placas entre Constitución y Concepción son iguales o muy similares a los que ocurren frente a Valparaíso, sin embargo no tienen la misma periodicidad, por lo que la probabilidad que ocurra un gran terremoto se acerca”. Por tanto, enfatizaba, “La amenaza en esa zona no se ha despejado. Todos los estudios que realizamos no contradicen nuestra hipótesis, al contrario, la avalan. tenemos bastantes elementos para decir que existe entre Constitución y Concepción la laguna sísmica más antigua detectada en Chile”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;Ante la certeza del inminente terremoto, que el estudio dimensionada entre 8 y 8,5 grados Richter, Campos ya entonces reaccionaba sobre la nula reacción de las autoridades ante la advertencia científica. Y sugería, entre otras acciones, “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;hacer mapas de peligro sísmico, que son los instrumentos que cualquier país desarrollado tiene para hacer la gestión del territorio, para decidir en un plan regulador si se va a poner asentamientos humanos, represas, puentes, etc., en un lugar u otro. Los instrumentos de planificación deben reposar en información sísmica que todavía no se empieza a producir en Chile, porque no tenemos monitoreada las regiones. Desde el punto de vista reactivo, se requiere instrumentalizar sísmicamente el país, para que la autoridad pueda tener información en tiempo casi real de lo que está pasando, ya que si no tenemos monitoreo en el caso de producirse un terremoto a las 4 de la mañana de un domingo, la autoridad a la hora de ocurrido el temblor desconocerá el epicentro, lo que retardará la toma de medidas para ayudar a los afectados, es decir, se ha perdido la posibilidad reactiva que tiene la sociedad de accionar frente a un desastre”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;“Chile es un país sísmico, quizás uno de los más sísmicos del planeta. Sin embargo, frente a ese problema real la respuesta de la sociedad es escasa. En las mallas curriculares de los colegios no hay nada o muy poco sobre riesgo natural (terremotos, maremotos, erupciones volcánicas, sequía, etc.), por lo que poco o nada puede opinar un ciudadano respecto a esos temas. Desde el punto de vista más técnico, tener un sistema de vigilancia sísmica requiere una inversión en el presente, cuyos beneficios preventivos están en un futuro lejano y como son poco tangibles, las políticas preventivas no son rentables”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;LOS ESTUDIOS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2707096448015939045?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2707096448015939045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2707096448015939045&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2707096448015939045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2707096448015939045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/el-terremoto-estaba-anunciado-desde-el.html' title='El terremoto estaba anunciado desde el 2002'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2414027254018139851</id><published>2010-03-04T15:48:00.000-03:00</published><updated>2010-03-04T15:48:15.444-03:00</updated><title type='text'>PT 30 anos</title><content type='html'>&lt;h1 class="documentFirstHeading"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Aos 30 anos, PT tem em Lula sua maior estrela&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;i&gt;Quatro analistas que fizeram parte da história do partido discutem seus rumos e as consequências do lulismo para o país e a esquerda brasileira&lt;/i&gt;                 &lt;div class="newsImageContainer"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="newsImageContainer"&gt;              &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/aos-30-anos-pt-tem-em-lula-sua-maior-estrela/image/image_view_fullscreen"&gt;                &lt;/a&gt;&lt;i&gt;1º/03/2010&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;Renato Godoy de Toledo&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;da Redação&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O Partido dos Trabalhadores completa 30 anos em 2010 com mais de 1 milhão de filiados, cinco governadores e o presidente da República mais popular desde a redemocratização do país. Em sua história, o PT mudou de base eleitoral, passando a ser um partido com maior representatividade nas camadas mais pobres da população.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Essa mudança, no entanto, teve início durante o primeiro mandato de Lula e consolidou-se no segundo, na esteira das políticas sociais e da própria figura carismática do mandatário. Para analistas, o partido atingiu o objetivo de tornar-se popular mas, para tanto, teve que fazer concessões ao pragmatismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O PT comemorou o seu aniversário entre os dias 18 e 20 de fevereiro, no Congresso da legenda que definiu a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República. A petista conta com a popularidade de seu maior cabo eleitoral para se eleger.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Antes de entrar no governo, Dilma tinha pouca expressão no PT – partido que acabara de se filiar em 2001, após romper com o PDT. Para alguns, sua candidatura representa um vazio de lideranças que acometeu a agremiação por conta da crise ética de 2005 e pela própria figura de Lula. Segundo tal análise, o lulismo estaria impedindo o PT de formar seus novos quadros.&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Para debater os 30 anos do maior partido de esquerda da história do país, a reportagem do&lt;i&gt;&lt;b&gt; Brasil de Fato&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; ouviu quatro personagens que tiveram participação nesses anos de história do partido. Confira as entrevistas a seguir:&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201cpartido-vivera-profunda-encruzilhada201d"&gt;&lt;b&gt;Rudá Ricci:&lt;/b&gt; "Partido viverá profunda encruzilhada"&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201ce-triste-estarmos-falando-em-lulismo201d"&gt;&lt;b&gt;Mauro Iasi:&lt;/b&gt; "É triste estarmos falando em lulismo"&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201cdepois-de-2005-pt-e-governo-voltaram-se-a-esquerda201d"&gt;&lt;b&gt;Valter Pomar:&lt;/b&gt; "Depois de 2005, PT e governo voltaram-se à esquerda"&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201clula-salga-a-terra-por-onde-passa201d"&gt;&lt;b&gt;Francisco de Oliveira:&lt;/b&gt; "Lula salga a terra por onde passa" &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2414027254018139851?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2414027254018139851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2414027254018139851&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2414027254018139851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2414027254018139851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/pt-30-anos.html' title='PT 30 anos'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1985021422261806136</id><published>2010-03-02T22:31:00.001-03:00</published><updated>2010-03-02T22:32:19.520-03:00</updated><title type='text'>Cuba, los medios occidentales y el suicidio de Orlando Zapata Tamayo</title><content type='html'>&lt;h2 class="title" style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: small; font-weight: normal;"&gt;Publicado em &lt;a href="http://www.cubadebate.cu/opinion/2010/03/02/cuba-los-medios-occidentales-y-el-suicidio-de-orlando-zapata-tamayo/"&gt;Cuba em Debate&lt;/a&gt;:&amp;nbsp;&lt;/span&gt; &lt;/h2&gt;&lt;h2 class="title" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;/h2&gt;&lt;div id="stats"&gt;&lt;b&gt;Salim Lamrani&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div id="stats"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="stats"&gt;2 Marzo 2010  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;El 23 de febrero de 2010 Orlando Zapata Tamayo, recluso cubano, falleció tras una huelga de hambre de 83 días. Tenía 42 años. Era la primera vez desde 1972, cuando murió Pedro Luis Boitel, que un recluso fallecía en semejantes condiciones. Los medios occidentales pusieron en primera plana este trágico suceso y subrayaron la triste suerte de las personas encarceladas en Cuba.&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;La desaparición dramática de Zapata desató una conmoción justificada por todo el mundo. El caso del recluso cubano suscita innegablemente cierta simpatía y un sentimiento de solidaridad hacia una persona que expresó su desesperación y su malestar en prisión llevando su huelga de hambre hasta el final. La emoción sincera que suscitó este caso es del todo respetable. En cambio, la instrumentalización con fines políticos del fallecimiento de Tamayo y del dolor de su familia y sus amigos, hecha por los medios occidentales, viola los principios básicos de la deontología periodística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Zapata, ¿preso político o recluso de derecho común?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Desde 2004 Amnistía Internacional (AI) lo considera como un “prisionero de conciencia”, entre los 55 que hay en Cuba, y señala que Zapata emprendió una huelga de hambre para denunciar sus condiciones de detención, pero también para exigir cosas imposibles de conseguir para un recluso, a saber, un televisor, una cocina personal y un teléfono celular para llamar a su familia.&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; Aunque no era Lucifer en persona, Zapata no era un recluso modelo. En efecto, según las autoridades cubanas, fue culpable de varios actos de violencia en prisión, particularmente contra los guardias, hasta el punto de que su condena fue agravada hasta 25 años de prisión.&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Curiosamente AI no menciona en ningún momento las supuestas actividades políticas que llevaron a Zapata a prisión. La razón es relativamente sencilla: Zapata nunca realizó actividades antigubernamentales antes de su encarcelamiento.&lt;/b&gt; &lt;/b&gt;Al contrario, la organización reconoce que fue condenado en mayo de 2004 a tres años de prisión por “desacato, alteración del orden público y resistencia”.&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt; Esta sanción es relativamente leve comparada con la de los 75 opositores condenados en marzo de 2003 a penas que van hasta 28 años de prisión “por haber recibido fondos o materiales del gobierno estadounidense para realizar actividades que las autoridades consideran subversivas y perjudiciales para Cuba”, como reconoce AI, lo que constituye un grave delito en Cuba pero también en cualquier país del mundo. Aquí AI no puede escapar a una evidente contradicción: por un lado califica a estas personas de “prisioneros de conciencia”, y por el otro admite que cometieron un grave delito al aceptar “fondos o materiales del gobierno estadounidense”.&lt;br /&gt;Al contrario que a éstos, el gobierno de La Habana jamás ha acusado a Zapata de ser estipendiado por une potencia extranjera y siempre lo ha considerado como un recluso de derecho común. Zapata disponía de graves antecedentes penales. En efecto, desde junio de 1990, fue arrestado y condenado varias veces por “alteración del Orden, Daños, Resistencia, dos cargos de Estafa, Exhibicionismo Público, Lesiones y Tenencia de Armas Blancas”. En el año 2000 fracturó el cráneo del ciudadano Leonardo Simón de un machetazo. Sus antecedentes penales no conllevan ningún delito de orden político. Fue sólo después de su encarcelamiento cuando su madre, Reyna Luisa Tamayo, se acercó a los grupos opositores al gobierno, pero jamás ha sido molestada por la justicia.&lt;sup&gt;6&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;¿Conmoción de doble rasero?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Estados Unidos y la Unión Europea declararon su consternación y exigieron la “liberación de los presos políticos”. “Estamos profundamente consternados por su muerte”, declaró la secretaria de Estado Hillary Clinton, quien denunció “la opresión de los presos políticos en Cuba”. Bruselas también se expresó en este sentido y exigió la “liberación incondicional de todos los prisioneros políticos”. Francia anunció que “seguía su situación de cerca, había pedido su liberación, así como la de otros detenidos cuyo estado de salud le parecía especialmente preocupante”, mediante el portavoz de la Cancillería, Bernard Valero.&lt;sup&gt;7&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;El presidente cubano Raúl Castro “lamentó” el fallecimiento y recordó, a guisa de respuesta a la conmoción interesada de Washington y de Bruselas, que “en medio siglo, aquí no hemos asesinado a nadie, aquí no se ha torturado a nadie, aquí no se ha producido ninguna ejecución extrajudicial. Bueno, aquí en Cuba si se ha torturado,&amp;nbsp; pero en la Base Naval de Guantánamo” en referencia al centro de tortura bajo administración estadounidense. “Ellos dicen que quieren discutir con nosotros y estamos dispuestos a discutir con el gobierno norteamericano todos los problemas que quieran; repetí tres veces, en el Parlamento, todos, todos, todos. Las discusiones no las aceptamos si no son en absoluta igualdad de ambas partes. Ellos pueden indagar o preguntar de todas las cuestiones de Cuba, pero nosotros tenemos derecho de preguntar de todos los problemas de los Estados Unidos”.&lt;sup&gt;8&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;El presidente brasileño Lula da Silva, en visita a Cuba, también declaró su condolencia, pero quiso subrayar la doble moral de los medios occidentales, de Washington y de Bruselas recordando una triste realidad. “Conozco prácticamente todas las huelgas de hambre que tuvieron lugar a lo largo de los últimos 25 años en el mundo y no fueron pocas en las que murieron personas que hicieron huelgas de hambre en varios países del mundo”.&lt;sup&gt;9&lt;/sup&gt; Los medios ignoraron la inmensa mayoría de esos casos trágicos y absolutamente ninguno tuvo un cobertura mediática tan importante como la reservada al recluso cubano.&lt;br /&gt;A guisa de comparación, en Francia, entre el 1 de enero de 2010 y el 24 de febrero de 2010, hubo 22 suicidios en prisión, entre ellos el de un adolescente de 16 años. En 2009 hubo 122 suicidios en las cárceles francesas y 115 en 2008. El secretario de Estado de Justicia, Jean-Marie Bickel, declaró su impotencia al respecto: “Cuando alguien decide suicidarse y está determinado a hacerlo, que esté en libertad o en prisión, [...] ninguna medida es posible”. A su pesar, las familias de las víctimas no tuvieron derecho al mismo tratamiento mediático que Zapata, ni a una declaración oficial pública del gobierno francés.&lt;sup&gt;10&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;Hay que poner en perspectiva el caso de Zapata con otros dos hechos mucho más graves pero que los medios occidentales ignoraron deliberadamente y que ilustran claramente cómo un se instrumentaliza y se politiza un hecho común, que pasaría desapercibido en la mayoría de los países del mundo, cuando se trata de Cuba.&lt;br /&gt;Desde el golpe de Estado en Honduras y la instauración de la dictadura militar el 27 de junio de 2009, liderada primero por Roberto Micheletti y luego por Porfirio Lobo desde el 28 de enero de 2010, han ocurrido más de un centenar de asesinatos, otros tantos casos de desapariciones e innumerables casos de tortura y de violencia. Los abusos son cotidianos pero los medios occidentales los censuran cuidadosamente. Así, Claudia Larissa Brizuela, miembro del Frente Nacional de Resistencia Popular (FNRP), opuesto al golpe de Estado, fue asesinada el 24 de febrero de 2010, un día después del fallecimiento de Zapata. No hubo ni un palabra al respecto en la prensa occidental.&lt;sup&gt;11&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;Otro caso similar ilustra también la duplicidad de los medios occidentales. En diciembre de 2009 en La Macarena, Colombia, se descubrió la mayor fosa común de la historia de América Latina, con no menos de 2.000 cadáveres. Según los testimonios recogidos por eurodiputados británicos presentes allí, se trataría de sindicalistas y líderes campesinos asesinados por los paramilitares y las fuerzas especiales del ejército colombiano. El jurista Jairo Ramírez, secretario del Comité Permanente para la Defensa de los Derechos Humanos en Colombia, describió la espantosa escena: “Lo que vimos fue escalofriante. Infinidad de cadáveres y en la superficie cientos de placas de madera de color blanco con la inscripción NN y con fechas desde 2005 hasta hoy. El comandante del Ejército nos dijo que eran guerrilleros caídos&lt;i&gt; en combate&lt;/i&gt;, pero la gente de la región nos habla de multitud de líderes sociales, campesinos y defensores comunitarios que desaparecieron sin dejar rastro”. A pesar de los múltiples testimonios y la presencia de parlamentarios europeos, a pesar de la visita de una delegación parlamentaria española allí para investigar el caso, ningún medio occidental ha concedido el menor espacio a esta noticia.&lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;&lt;br /&gt;El suicidio de Orlando Zapata Tamayo es una tragedia y el dolor de su madre debe respetarse. Pero hay gente que no tiene escrúpulos. A los medios occidentales, Washington y la Unión Europea les importa poco la muerte de éste, como poco les importan los muertos hondureños y colombianos cotidianos. Zapata sólo les es útil en la guerra mediática que llevan contra el Gobierno de La Habana. Cuando la ideología pasa por encima de la objetividad informativa, la verdad y la ética son las primeras víctimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt; Juan O. Tamayo, &amp;nbsp;«Muere el preso político cubano Orlando Zapata», &lt;i&gt;El Nuevo Herald&lt;/i&gt;, 24 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; &lt;i&gt;Amnesty International&lt;/i&gt;, «Death of Cuban Prisonner of Conscience on Hunger Strike Must Herald Change», 24 de febrero de 2010. &lt;a href="http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/death-cuban-prisoner-conscience-hunger-strike-must-herald-change-2010-02-24" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/death-cuban-prisoner-conscience-hunger-strike-must-herald-change-2010-02-24&lt;/a&gt; (sitio consultado el 28 de febrero de 2010).&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt; Enrique Ubieta, «Orlando Zapata, ¿un muerto útil?», &lt;i&gt;Cubadebate&lt;/i&gt;, 24 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt; &lt;i&gt;Amnesty International&lt;/i&gt;, «Death of Cuban Prisonner of Conscience on Hunger Strike Must Herald Change», &lt;i&gt;op. cit.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;5&lt;/sup&gt; &lt;i&gt;Amnesty International&lt;/i&gt;, «Cuba. Cinq années de trop, le nouveau gouvernement doit libérer les dissidents emprisonnés», 18 de marzo de 2008. http://www.amnesty.org/fr/for-media/press-releases/cuba-cinq-ann%C3%A9es-de-trop-le-nouveau-gouvernement-doit-lib%C3%A9rer-les-dissid (sitio consultado el 23 de abril de 2008).&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;6 &lt;/sup&gt;Andrea Rodriguez, «Prensa oficial reacciona a muerte de opositor», &lt;i&gt;The Associated Press&lt;/i&gt;, 27 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;7&lt;/sup&gt; &lt;i&gt;El Nuevo Herald&lt;/i&gt;, «Rechazo mundial al régimen castrista», 25 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;8&lt;/sup&gt; Raúl Castro Ruz, «Declaraciones del Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros Raúl Castro Ruz sobre el fallecimiento del recluso Orlando Zapata Tamayo», 24 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;9&lt;/sup&gt; &lt;i&gt;The Associated Press&lt;/i&gt;, «&amp;nbsp;Washington Post cuestiona política de concesiones a Cuba&amp;nbsp;», 26 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;10&lt;/sup&gt; Charlotte Menegaux, «Les limites du ‘kit anti-suicide’ en prison», &lt;i&gt;Le Figaro&lt;/i&gt;, 25 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;11&lt;/sup&gt; Maurice Lemoine, «Selon que vous serez Cubain ou Colombien…», &lt;i&gt;Le Monde Diplomatique&lt;/i&gt;, 26 de febrero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt; Antonio Albiñana, «Aparece en Colombia una fosa común con 2.000 cadáveres», &lt;i&gt;Público.es&lt;/i&gt;, 26 de enero de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Salim Lamrani es profesor encargado de cursos en la Universidad Paris-Sorbonne-Paris IV y en la Universidad Paris-Est Marne-la-Vallée y periodista francés, especialista de las relaciones entre Cuba y Estados Unidos. &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Acaba de publicar &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://rebelion.org/noticia.php?id=92726" rel="nofollow" target="_blank"&gt;Cuba: Ce que les médias ne vous diront jamais&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;b&gt;(Paris: Editions Estrella, 2009). &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Disponible en librerías y en Amazon: &lt;a href="http://www.amazon.fr/Cuba-Medias-Vous-Diront-Jamais/dp/2953128417/ref=pd_rhf_p_t_1" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://www.amazon.fr/Cuba-Medias-Vous-Diront-Jamais/dp/2953128417/ref=pd_rhf_p_t_1&lt;/a&gt; Para cualquier petición dedicada, contactar directamente: &lt;a href="mailto:lamranisalim@yahoo.fr"&gt;lamranisalim@yahoo.fr&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1985021422261806136?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1985021422261806136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1985021422261806136&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1985021422261806136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1985021422261806136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/03/cuba-los-medios-occidentales-y-el.html' title='Cuba, los medios occidentales y el suicidio de Orlando Zapata Tamayo'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5182659165648540942</id><published>2010-02-24T02:11:00.000-03:00</published><updated>2010-02-24T02:11:54.859-03:00</updated><title type='text'>O caos na zona sul de São Paulo</title><content type='html'>&lt;b&gt;PELO DIREITO À DIGNIDADE PARA O POVO QUE VIVE EM ÁREAS DE MANANCIAIS E ARREDORES NO EXTREMO SUL DE SÃO PAULO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos vivendo uma situação de verdadeira calamidade! Devido ao descaso do “poder público” e à&lt;br /&gt;ambição das elites dessa cidade, em nossas comunidades (Pq. Cocaia I/Jd. Toca, Jd. Lucélia/V. Nascente,&lt;br /&gt;Recanto Cocaia/Jd. Tangará, Jd. Prainha, entre outras), localizadas no extremo sul de São Paulo, ocorrem&lt;br /&gt;diariamente tragédias: enchentes, deslizamentos de terra e desabamento de casas. As perdas são incalculáveis; são muitas pessoas perdendo móveis, eletrodomésticos, alimentos, roupas, perdendo seus empregos, já que não é possível sair para o trabalho sabendo que qualquer chuva pode causar uma desgraça em nossa casa. São muitas as crianças doentes, infectadas por uma água imunda, pegando sarna, leptospirose, e várias outras enfermidades.&lt;br /&gt;Estamos todos traumatizados pelo desespero de vermos nossa vida e a vida de nossos familiares em risco, a cada chuva. Uma situação que não é possível traduzir em palavras... E isso tudo numa região muito carente de infra-estrutura e serviços públicos. Em várias comunidades, como é o caso do Jd. Prainha e do Recanto Cocaia, por exemplo, padecemos com a falta de asfaltamento, de saneamento básico, de atendimento médico, de creches, de escolas próximas, e por aí vai.&lt;br /&gt;Como se isso não bastasse, dezenas de comunidades que se localizam próximas à Represa Billings estão&lt;br /&gt;sendo despejadas, e outras tantas estão sob ameaça de despejo, por conta do “Programa Mananciais”, da&lt;br /&gt;“Operação Defesa das Águas” e de outros processos que visam atender aos interesses da especulação imobiliária.&lt;br /&gt;Todos sabemos que a região dos mananciais abrange uma área enorme, que inclui o Autódromo de Interlagos, regiões habitadas por ricos, grandes casas noturnas, que, é óbvio, permanecerão intocadas. As áreas ameaçadas são apenas a de comunidades pobres, compostas por milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que não tiveram opção, a não ser comprar seu pedaço de chão em loteamentos precários, resultado de uma articulação entre grandes proprietários, políticos, burocratas, imobiliárias e membros do aparelho judiciário. Esta história não se vê nas telas da TV, que mostram apenas uma versão distorcida e mentirosa da nossa realidade, alimentando preconceitos dos quais somos vítimas no dia-a-dia, repetidos por nossos patrões que muitas vezes nem imaginam que o funcionário ali ao seu lado vive naquela comunidade atingida pelas enchentes, ou ameaçada de despejo.&lt;br /&gt;A necessidade de preservação do meio ambiente – com o que estamos de pleno acordo – pode e deve ser&lt;br /&gt;feita respeitando os direitos da população pobre. Portanto, nós, moradores de comunidades carentes, ameaçadas de despejo e vítimas das enchentes, exigimos do poder público a garantia de nosso direito à moradia digna e aos serviços públicos fundamentais.&lt;br /&gt;Quando muito, diante da nossa atual tragédia, a resposta do Estado tem sido os albergues, as passagens&lt;br /&gt;para o “Norte”, os cheques-despejos (cada hora num valor, mas sempre muito baixos) disfarçados de “auxílioaluguel”. &lt;br /&gt;Ao contrário, exigimos a construção de um projeto participativo e popular de reurbanização de nossas&lt;br /&gt;comunidades que una a preservação ambiental à garantia de moradia e de outros direitos sociais assegurados a nós, pelo menos na teoria, pela Constituição. E, de imediato, exigimos uma SOLUÇÃO EMERGENCIAL às tantas famílias que têm perdido tudo o que construíram com tanto esforço, e cuja própria vida está ameaçada, em função da segregação social, da falta de planejamento urbano, e da ganância dos que se dizem “poderosos”.&lt;br /&gt;Apelamos à solidariedade de todos os que apóiam a luta do povo da periferia. Porém, aproveitamos para&lt;br /&gt;lembrar que temos convicção sobre os nossos objetivos, que não estamos pedindo favor, mas lutando pelo que é direito nosso, e que não cairemos no canto da sereia de oportunistas que quiserem tirar proveito de nossa tragédia. Alertamos também que a maneira como os políticos e o “poder público”, em todos os níveis de governo, se posicionarem frente à nossa situação será lembrada – e cobrada - pela via eleitoral, e principalmente por meio de nossa organização cotidiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, Fevereiro de 2010,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Rede de Comunidades do Extremo Sul da Cidade de São Paulo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;http://redeextremosul.wordpress.com&lt;br /&gt;redeextremosul@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5182659165648540942?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5182659165648540942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5182659165648540942&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5182659165648540942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5182659165648540942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/o-caos-na-zona-sul-de-sao-paulo.html' title='O caos na zona sul de São Paulo'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7017885762988764961</id><published>2010-02-20T09:42:00.000-02:00</published><updated>2010-02-20T09:42:00.117-02:00</updated><title type='text'>Cuba é uma ditadura?</title><content type='html'>Breno Altman &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, da&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Folha de S.Paulo&lt;/span&gt;, no último dia 11, respondeu afirmativamente à pergunta que faz as vezes de título deste artigo. Com ressalvas de contexto, identificando no longo bloqueio norte-americano uma das causas do que chamou de “fechamento político”, Dutra assumiu a mesma definição dos setores conservadores quando abordam a natureza do regime político existente na ilha caribenha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa discussão é um capítulo importante na agenda da contra-ofensiva à hegemonia do pensamento de direita. Afinal, a possibilidade do socialismo foi estabelecida pelos centros hegemônicos não apenas como economicamente inviável e trágica, mas também como intrinsecamente autoritária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o colapso da União Soviética permitiu aos formuladores do campo vitorioso declarar o capitalismo e a economia de livre-mercado como o “fim da história”, de lambuja também fixaram o sistema político vigente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos como a única alternativa democrática aceitável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foram poucos os quadros de esquerda que assumiram esse conceito como universal e abdicaram da crítica ao funcionamento institucional dos países capitalistas. Alguns se arriscaram a ir mais longe, aceitando esse modelo como paradigma para a classificação dos demais regimes políticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tradição do liberalismo, base teórica da democracia ocidental, a identificação e a quantificação da democracia estão associadas ao grau de liberdade existente. Quanto mais direitos legais, mais democrático seria o sistema de governo. No fundo, democracia e liberdade seriam apenas denominações diferentes para o mesmo processo social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco importa que o exercício dessas liberdades seja arbitrado pelo poder econômico. As disputas eleitorais e a criação de veículos de comunicação, por exemplo, são determinadas em larga escala pelos recursos financeiros de que dispõem os distintos setores políticos e sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No modelo democrático-liberal, afinal, os direitos formais permitem o acesso irrestrito das classes proprietárias ao poder de Estado, que podem usar amplamente sua riqueza para mercantilizar a política e seus instrumentos, especialmente a mídia. Basta acompanhar o noticiário político para se dar conta do caráter cada vez mais censitário da democracia representativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Novo modelo&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolução cubana ousou ter entre suas bandeiras a criação de outro tipo de modelo político, no qual a democracia é concebida essencialmente como participação popular. Ao longo de cinco décadas, mesmo com as dificuldades provocadas pelo bloqueio norte-americano, forjou uma rede de organismos que mobilizam parcelas expressivas da população. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos cubanos participa de reuniões de células partidárias, do comitê de defesa da revolução do bairro, dos sindicatos da categoria, além de outras organizações sociais que fazem parte do mecanismo decisório da ilha. Não são somente eleitores que delegam a seus representantes a tarefa de legislar e governar, ainda que também votem para deputados – o regime cubano é uma forma de parlamentarismo. Esse tipo de participação talvez explique por que Cuba, mesmo enfrentando enormes privações, não seguiu o mesmo curso de seus antigos parceiros socialistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo cubano não nasceu expurgando seus opositores ou instituindo o monopartidarismo. Poderia ter se desenvolvido com maior grau de liberdade, mas teve de se defender de antigos grupos dirigentes que optaram pela sabotagem e pelo desrespeito às regras institucionais como caminhos para derrotar a revolução vitoriosa. Na outra ponta, as diversas agremiações que apoiavam a revolução (além do Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel, havia o Diretório Revolucionário 13 de Março e o Partido Socialista Popular) foram se fundindo em um só partido, o comunista, oficialmente criado apenas em 1965. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os círculos contra-revolucionários, patrocinados pelo governo democrata de John Kennedy nos EUA, organizaram a invasão da Baía dos Porcos em 1961. Aliaram-se à CIA em algumas dezenas ou centenas de tentativas de assassinar Fidel Castro e outros dirigentes cubanos. Associados a seguidos governos norte-americanas, criaram uma situação de guerra e passaram a operar como braços de um país estrangeiro que jamais aceitou a opção cubana pela soberania e a independência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A restrição das liberdades foi a salvaguarda de uma nação ameaçada, vítima de uma política de bloqueio e sabotagem que já dura meio século. Os EUA dispõem de diversos planos públicos – para não falar dos secretos – cujo objetivo é financiar e apoiar de todas as formas a oposição cubana. Vamos combinar: já imaginaram, por exemplo, o que ocorreria se um setor do partido democrata recebesse dinheiro cubano, além de préstimos do serviço de inteligência, para conquistar a Casa Branca? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Poder Popular&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o ambiente de guerra e a redução das liberdades formais impedem o desenvolvimento pleno do modelo político fundado pela revolução de 1959. Vícios de burocratismo e autoritarismo estão presentes nas instâncias de poder. Mas, ainda nessas condições adversas, o governo cubano veio institucionalizando interessante sistema de participação popular. O contrapeso ao modelo de partido único, opção tomada para blindar a revolução sob permanente ataque, é um sistema de organizações não-partidárias que exercem funções representativas na cadeia de comando do Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Constituição de 1976, reformada em 1992, estabeleceu o ordenamento jurídico do modelo. Um dos principais ingredientes foi a criação do Poder Popular, com suas assembleias locais, municipais, provinciais e nacional. Seus representantes são eleitos em distritos eleitorais, em voto secreto e universal. Os candidatos são obrigatoriamente indicados por organizações sociais, em um processo no qual o Partido Comunista não pode apresentar nomes – aliás, cerca de 300 dos 603 membros da Assembléia Nacional não são filiados comunistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o Poder Popular que designa o Conselho de Estado e o Conselho de Ministros, principais instâncias executivas do país, além de aprovar as leis e principais planos administrativos. Seus integrantes não são profissionais da política: continuam a desempenhar suas atividades profissionais e se reúnem, em âmbito nacional, duas vezes ao ano para deliberar sobre as principais questões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Plebiscitos&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Constituição também prevê mecanismos de consulta popular. Dispondo desse direito, o dissidente Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação, reapresentou à Assembleia Nacional do Poder Popular, em 2002, uma petição com 10 mil assinaturas para que fosse organizado referendo que modificasse o sistema político e econômico na ilha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo reuniu 800 mil registros para propor outro plebiscito, que tornava o socialismo cláusula pétrea da Constituição. Por causa da quantidade de assinaturas, teve preferência. Cerca de 7,5 milhões de cubanos (65% do eleitorado), apesar de o voto em referendo ser facultativo, votaram pela proposta defendida por Fidel Castro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se apenas de algumas indicações e exemplos de que o novo presidente petista pode ter sido um pouco apressado em suas declarações. As circunstâncias históricas levaram Cuba a restringir liberdades. Mas seu sistema político deveria ser analisado com menos preconceito, sem endeusamento do modelo liberal, no qual a existência de direitos formais amplos não representa garantias para um funcionamento democrático baseado na participação popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;sub&gt;Breno Altman é jornalista e diretor do &lt;a href="http://www.operamundi.com.br/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Opera Mundi&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/sub&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7017885762988764961?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7017885762988764961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7017885762988764961&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7017885762988764961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7017885762988764961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/cuba-e-uma-ditadura.html' title='Cuba é uma ditadura?'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5511875128644601252</id><published>2010-02-18T10:54:00.000-02:00</published><updated>2010-02-18T10:54:09.985-02:00</updated><title type='text'>O ataque à liberdade de expressão que não sai na grande mídia</title><content type='html'>A péssima notícia me foi enviada pelo amigo e jornalista Daniel Santini: o semanário colombiano &lt;i&gt;Cambio&lt;/i&gt; simplesmente deixou de ser publicado. O meio caracterizava-se por realizar um jornalismo investigativo de primeira, com graves denúncias sobre o círculo do poder político e econômico da Colômbia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ele não foi fechado por ordem do governo. A coisa foi muito mais sutil. E inteligente. Há três anos, o jornal foi comprado pelo grupo que publica o jornal &lt;i&gt;El Tiempo&lt;/i&gt;, o maior do país, e sobre o qual exerce fortíssima influência a famigerada família Santos, que frequenta o primeiro escalão do governo Uribe: um dos membros da tal família é o atual vice-presidente, e o outro foi ministro da Defesa, entre 2006 e 2009 (Juan Manuel Santos, fortíssimo pré-candidato a presidente nas eleições de maio caso Uribe não possa se candidatar de novo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, nos últimos anos, o semanário &lt;i&gt;Cambio&lt;/i&gt; vinha fazendo inúmeras denúncias, como as ligações entre membros do governo Uribe com o paramilitarismo e o escândalo dos "falsos positivos", ou seja, os assassinatos de líderes sociais ou pessoas "comuns" para serem apresentados como baixas das guerrilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, o principal grupo mediático do país compra a publicação para, três anos depois, anunciar seu fechamento? O quebra-cabeça se completa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, um artigo sobre o tema, enviado também pelo Daniel Santini e publicado na &lt;a href="http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=94652"&gt;IPS&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="marron_titulo_big"&gt;El sentido del fin de la revista Cambio&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="marron"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="marron"&gt;Análisis Javier Darío Restrepo*&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BOGOTÁ, 10 feb (IPS) - ¿Qué le habría pasado a Colombia si se hubieran mantenido ocultas las operaciones del narcotraficante Cartel de Cali y de ejecutivos de la campaña electoral del ex presidente Ernesto Samper (1994-1998)?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿Cómo sería Colombia si el escándalo de los políticos que se aliaron con las milicias paramilitares de ultraderecha se hubiera escondido debajo de las alfombras del Congreso legislativo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿Y si nunca se hubiera conocido la existencia de los secuestrados en poder de la guerrilla y el país se hubiera mantenido indiferente frente a ellos, nada hubiera cambiado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas y otras preguntas comienzan a hacerse esta semana los colombianos ante el episodio del cierre de la revista Cambio, una publicación semanal que en cada edición había denunciado hechos de tal gravedad que se había convertido en parte importante de las preocupaciones de la ciudadanía de este país sudamericano que vive desde 1964 un conflicto armado interno. &lt;img height="1" src="http://www.ipsnoticias.net/imagenes/transparente.gif" width="15" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En enero de 1995, la periodista de Cambio, María Cristina Caballero, alertó al país sobre un cargamento de camisetas que los narcotraficantes del Cartel de Cali habían aportado a la campaña presidencial del candidato del Partido Liberal, Ernesto Samper. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ese fue el hilo que condujo al ovillo de la multimillonaria contribución de los hermanos Gilberto y Miguel Rodríguez Orejuela, jefes del Cartel de Cali, al triunfo de Samper. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sin proponérselo así, la periodista de Cambio aportó la primera prueba del que se llamaría luego proceso 8.000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lo largo de la historia de los últimos años, la edición de Cambio impidió que muchos ojos se cerraran y que los escándalos se escondieran. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En las últimas semanas, esa actividad de periodismo investigativo y de denuncia había inquietado hasta la indignación a los discretos funcionarios de la cancillería, al revelar los detalles del acuerdo sobre la presencia estadounidense en siete bases militares, alcanzado entre Bogotá y Washington el año pasado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;También reveló los abusos del ex ministro de Agricultura, Andrés Felipe Arias, muy cercano al presidente Álvaro Uribe, con el programa Agro Ingreso Seguro, un plan para asistir a los agricultores que le permitió distribuir grandes sumas de dinero a un grupo de grandes empresarios que habían contribuido a las campañas electorales del mandatario. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La revista, fundada en 1994, pasó hace tres años a ser propiedad de la Casa Editorial El Tiempo, dueña del diario más importante de Colombia y cuya mayoría accionaria está en manos del español Grupo Planeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Había miembros de la junta (directiva de Cambio) a quienes les parecía que no era conveniente tanto periodismo de denuncia", recordó la editora de la revista, María Elvira Samper. "Pienso que coexistían la molestia con la línea editorial y las inquietudes sobre rentabilidad", sostuvo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al dar a conocer el cierre de la revista, los comunicados de la Casa Editorial El Tiempo alegaron el agotamiento del "modelo de negocio". La revista no daba el rendimiento que se había esperado de ella, se sostuvo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sin embargo, el director de Cambio, Rodrigo Pardo, y la editora general Samper informaron lo contrario con datos de primera mano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"En 2009 hubo ganancias, y para 2010 se habían vendido más de 1.500 millones de pesos", equivalentes a más de 700.000 dólares en publicidad, reveló Pardo. "No es creíble que una organización como El Tiempo tenga que cerrar una revista que dio utilidades", añadió. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En El Tiempo mantiene influencia la familia Santos, estrechamente ligada al gobierno, pues el vicepresidente es Francisco Santos, y Juan Manuel Santos fue ministro de Defensa entre 2006 y 2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lo que cobran y lo que cierran son las investigaciones de Cambio sobre personajes cercanos al gobierno", escribió el columnista Héctor Abad. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La explicación está avalada por expresiones como la del ex ministro Santos, para quien la revista era "una idiota útil de las FARC", en referencia a la guerrilla de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otro personaje cercano a Uribe, el ex asesor presidencial José Obdulio Gaviria, llamó al director de Cambio "jefe de la bigornia", un rebuscado vocablo que equivale a facineroso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Con todas estas razones se puso en marcha una "operación silencio", que tuvo dos etapas. La primera, el miércoles 3 de febrero a mediodía, cuando dos de los ejecutivos bajo órdenes del Grupo Planeta, Luis Fernando Santos y Guillermo Villaveces, citaron en sus oficinas a Pardo y a Samper para notificarles la decisión de convertir la revista semanal de información periodística en una revista mensual de entretenimiento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El fin de Cambio, y de sus cargos, se produciría cuando, publicados los tres últimos números, renovarían el personal y la orientación y aparecería la nueva revista mensual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pardo y Samper comenzaron a trabajar en el nuevo número, en el que se daría cuenta a los lectores de las razones de la suspensión de la revista semanal y del impacto de ese hecho sobre el periodismo nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero esas tareas se frenaron abruptamente el lunes 8, cuando una nueva decisión de la junta cesó en sus funciones a los dos directivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta decisión reafirmó a quienes ven en el cierre el cobro de cuentas por las denuncias de los "falsos positivos", asesinatos de jóvenes civiles perpetrados por militares para hacerlos pasar como bajas de la guerrilla en combate, los espionajes ilegales del Departamento Administrativo de Seguridad (DAS) contra opositores, activistas y periodistas, y el escándalo del Agro Ingreso Seguro, según la enumeración del columnista Alfredo Molano (Ver recuadros). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"El periodismo que investiga, que hace preguntas y no se somete, es una amenaza para el estado de opinión que nos quieren imponer", anotó la columnista María Jimena Duzán. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;También despertó rechazo el criterio editorial expuesto por el dueño del Grupo Planeta, José Manuel Lara: "Hoy, el editor es aquel que va a preguntarle a la gente qué quiere leer, y después busca al especialista serio que lo haga", sentenció. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No coincide ese criterio con el de Pardo, que habla de "la responsabilidad social que implica el periodismo para la democracia y el fortalecimiento del debate público". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Además, se comprobó la imposibilidad de coexistencia entre el periodismo y los negocios. "Había demasiados negocios de por medio", concluyó Abad al recoger la versión repetida sobre las aspiraciones de Planeta de obtener la adjudicación de un tercer canal de televisión, que está por decidir el Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La desaparición de Cambio es lamentable "cuando el país necesita más y no menos foros de discusión y cuando precisa de medios de comunicación libres", opinó el columnista Santiago Montenegro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde el punto de vista de los periodistas, es un signo premonitorio del creciente poder empresario en los medios de comunicación, y de una información que se hará bajo sus reglas de juego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Con aportes de Constanza Vieira y Helda Martínez (Bogotá).(FIN/2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5511875128644601252?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5511875128644601252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5511875128644601252&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5511875128644601252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5511875128644601252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/o-ataque-liberdade-de-expressao-que-nao.html' title='O ataque à liberdade de expressão que não sai na grande mídia'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-418884746799163822</id><published>2010-02-11T23:09:00.000-02:00</published><updated>2010-02-11T23:09:00.216-02:00</updated><title type='text'>Ruralistas defendem a escravidão no país</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/ruralistas-defendem-a-escravidao-no-pais/view"&gt;Editorial&lt;/a&gt; do &lt;b&gt;Brasil de Fato&lt;/b&gt;, edição&lt;i&gt; &lt;/i&gt;363 (de 11 a 17 de fevereiro de 2010):&lt;br /&gt;&lt;div class="documentDescription"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="documentDescription"&gt;&lt;i&gt;Os lucros obtidos, o envolvimento de setores dinâmicos da economia e a atuação de setores reacionários incrustados no Estado mostram o poderio e os interesses que movem essa atividade criminosa&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="documentDescription"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Após 120 anos da lei que aboliu a escravidão, o trabalho escravo continua sendo uma realidade em nosso país. Nas mãos de pessoas ávidas por lucros fáceis e rápidos, a propriedade privada da terra transforma-se num instrumento poderoso para escravizar seres humanos, cerceando a liberdade e usurpando a dignidade de milhares de brasileiros. Como denunciou, em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), são trabalhadores aprisionados por promessas, tratados pior que animais e impedidos de romper a relação com o empregador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São práticas de trabalho forçado, onde se mantêm o domínio pela força das armas; da servidão, assegurada por dívidas; de jornadas de trabalhos exaustivas, indo além dos limites do corpo humano; e de trabalhos degradantes, onde estão ausentes as condições básicas de saúde e de segurança. No governo de Fernando Henrique Cardoso cerca de 6 mil e no governo Lula outros 30 mil trabalhadores foram resgatados nessas condições, semelhantes as do trabalho escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto as fazendas de gados representam o maior número de propriedades com trabalho forçado, os canaviais detêm o maior número de trabalhadores escravizados. E repete-se a prática nas áreas de atuação das madeireiras e das carvoarias. Enganam-se os que pensam que essas práticas estão restritas aos rincões do Brasil ou limitam-se aos latifundiários remanescentes das oligarquias rurais mais violentas e atrasadas. A imposição da super-exploração aos trabalhadores se espalha por todo o território nacional e abrange os mais diversos ramos da atividade econômica, inclusive no meio urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados do Ministério Público do Trabalho, divulgados dia 25 de janeiro, colocam a região sudeste – a mais desenvolvida economicamente – na liderança das regiões em que consta a prática do trabalho escravo. Dos mais de 3,5 mil trabalhadores resgatados, envolvendo 566 propriedades rurais, em todo país, cerca de 1.300 se encontravam na região sudeste. Nas palavras do juiz do trabalho, Marcus Barberino, o trabalho escravo é uma atividade sistemática, que perpassa toda cadeia produtiva, está na mesa de todos os brasileiros e, ao contrário do que se pensa, não é exceção: é termômetro do mercado de trabalho que continua a explorar o trabalhador de uma forma excessiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o diretor da Anti-Slavery International, Aidan MacQuaide, a escravidão contemporânea está presente nos setores mais dinâmicos da economia capitalista, seu combate exige fortalecer os sindicatos dos trabalhadores para que os próprios possam reivindicar seus direitos básicos e ter consciência que o combate a essa prática não se restringe ao cenário nacional e sim extrapola para o âmbito internacional. A diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, vai além. Para ela o trabalho escravo tem crescido no contexto da globalização, uma vez que é um fenômeno mundial, presente na cadeia produtiva de grandes e modernas empresas transnacionais. Estima a OIT que, em todo mundo, pelo menos 12 milhões de pessoas estão submetidas ao trabalho escravo, gerando um lucro, em 2009, que passa dos 30 bilhões de dólares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os horrores dos porões dos navios negreiros deixaram de cruzar os mares. No entanto, o sistema capitalista mostra que é incapaz de deixar de promover atrocidades humanas quando lucros vultuosos estão ao seu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, no cenário internacional tem se destacado no combate a essa prática criminosa de tratar os trabalhadores. A atuação das organizações da classe trabalhadora, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de organizações não-governamentais e de alguns setores progressistas do Poder Judiciário, Legislativo e dos dois últimos governos promoveram significativos avanços no combate ao trabalho forçado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda há muito o que se fazer. Os lucros obtidos, o envolvimento de setores dinâmicos da economia e a atuação de setores reacionários incrustados no Estado, azeitando as engrenagens de proteção e impunidade, mostram o poderio e os interesses que movem essa atividade criminosa. Certamente não será encontrado um único parlamentar, nem mesmo a senadora Kátia Abreu (DEM/TO), que defenda abertamente o trabalho escravo – o crime é previsto no Código Penal, artigo 149.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o que justifica que até hoje não foi aprovada no Congresso Nacional a proposta de emenda constitucional 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo? Essa emenda constitucional determina a expropriação, sem nenhuma indenização, das propriedades onde houver a prática de trabalho escravo e as terras serão destinadas à reforma agrária. A proposta já passou pelo Senado Federal em 2003, foi aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Mas, é preciso ser feita uma nova votação, em segundo turno, na Câmara. Contudo, desde agosto de 2004 a proposta não é votada por resistência da banca ruralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade civil está mobilizada, recolhendo assinaturas para romper com a resistência dos setores reacionários do Congresso Nacional e exigir a aprovação da PEC 438/2001. É uma medida imprescindível para a erradicação do trabalho escravo em nosso país. Mas que necessita somar-se com a mudança radical no atual modelo agrícola baseado no agronegócio e na realização de uma profunda reforma agrária em nosso país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-418884746799163822?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/418884746799163822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=418884746799163822&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/418884746799163822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/418884746799163822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/ruralistas-defendem-escravidao-no-pais.html' title='Ruralistas defendem a escravidão no país'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7095646323499996861</id><published>2010-02-09T21:44:00.001-02:00</published><updated>2010-02-11T23:13:24.706-02:00</updated><title type='text'>A guerra ideológica de Hollywood</title><content type='html'>"Após anos de corrupção, assassinatos de reféns estadunidenses e traições na área da política externa, os EUA, com a ajuda de outras nações, secretamente junta um grupo dentre seus militares mais bem treinados para finalmente derrubar o ditador que causou devastação na América do Sul por mais de 20 anos". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é parte da sinopse de &lt;span class="hsumario"&gt;"The Expendables", &lt;/span&gt;filme produzido e atuado por S&lt;span class="hsumario"&gt;ylvester Stallone previsto para ser lançado em agosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Em um dos trailers da película, que pode ser assistido &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=z7H_Q1-4Z6I"&gt;aqui&lt;/a&gt;, nota-se que os soldados do tal ditador, assim como o próprio, usam boinas vermelhas. Além disso, em uma das cenas, o tirano diz algo como "Nós iremos matar essa doença americana!".&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;O pano de fundo do roteiro (país sul-americano governado por um ditador corrupto e cruel por mais de 20 anos), as boinas vermelhas e a retórica anti-estadunidense do vilão da história não deixam dúvidas em relação à total falta de sutileza de Hollywood: está claro que o objetivo, além de faturar milhões em bilheteria, é justificar (e naturalizar) uma eventual invasão dos EUA à Venezuela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;E, para "matar dois coelhos de uma cajadada só", como disse o amigo e jornalista Marcelo Netto Rodrigues, no minuto 2:33 do trailer (o mesmo Marcelo que se apercebeu disso), aparece, ao fundo, uma bandeira bastante parecida à da Bolívia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;É engraçado, mas sempre tive a impressão de que o poder "moldador de mentes" da indústria cinematográfica dos EUA sempre foi subestimado. Afinal, seria apenas entretenimento puro, inofensivo - na pior das hipóteses, "burrificante".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Mas há quem diga, e concordo plenamente, que Hollywood talvez seja o mais eficiente mecanismo de dominação estadunidense sobre os demais povos do mundo. É muito mais sutil e "indolor" que o domínio militar, político ou econômico.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Através de seus filmes (é claro que existem exceções), todo um modelo de vida baseado em valores como o capitalismo, consumismo e individualismo exarcebado e toda uma construção de uma imagem fortemente favorável aos EUA e ao que este país representa são introjetados no imaginário das pessoas que os assistem - desde crianças, é bom lembrar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Pensando muito rapidamente, não é difícil lembrar de muitos exemplos. Como o do "Rambo", em que um heroi, sozinho (taí o individualismo, o "vencer por seus próprios esforços"), luta contra malvados (e comunistas) vietnamitas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Ou a sequência "Indiana Jones", em que o protagonista estadunidense, civilizado, sempre que se aventura em países do Terceiro Mundo (que por si só é uma aventura e tanto, não?), topa com tribos selvagens, atrasadas, de canibais, vivendo em cavernas, florestas, templos escondidos...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;O último filme da série, inclusive, tem como vilões os soviéticos, que querem, utilizando-se da tal caveira de cristal que dá nome à película, controlar a mente de toda a população mundial para impor seus próprios valores (comunistas, é claro).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Enquanto isso, os espectadores que se deixam envolver em mais esse perfeito delírio hollywoodiano não se são conta de que, na verdade, são os estadunidenses que, utilizando-se de sua caveira de cristal (o cinema), buscam controlar a mente de toda a população mundial para impor seus próprios valores (capitalistas, é claro).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7095646323499996861?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7095646323499996861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7095646323499996861&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7095646323499996861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7095646323499996861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/guerra-ideologica-de-hollywood.html' title='A guerra ideológica de Hollywood'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-6327148224407874945</id><published>2010-02-09T11:03:00.000-02:00</published><updated>2010-02-09T11:03:49.708-02:00</updated><title type='text'>RCTV saiu do ar outras quatro vezes antes de Chávez</title><content type='html'>A informação é do jornalista e escritor venezuelano Modesto Emilio Guerrero, neste &lt;a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-139895-2010-02-09.html"&gt;artigo&lt;/a&gt; publicado hoje no jornal argentino &lt;a href="http://www.pagina12.com.ar/"&gt;Página 12&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vista la cosa en estos términos, no habría nada de que sorprenderse cuando se registra en la prensa mundial que el canal [RCTV] salió del aire por segunda vez desde 2007. Ya había salido cuatro veces entre 1976 y 1984 por violar cinco leyes y dos reglamentos. (Libro Blanco sobre RCTV, pág. 11, Ccs. 2007.)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: para a grande imprensa mundial, as outras quatro vezes em que a RCTV foi tirada do ar pelos governos venezuelanos anteriores ao de Chávez não foram atos tirânicos ou restrições à liberdade de expressão. Curioso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-6327148224407874945?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/6327148224407874945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=6327148224407874945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/6327148224407874945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/6327148224407874945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/rctv-saiu-do-ar-outras-quatro-vezes.html' title='RCTV saiu do ar outras quatro vezes antes de Chávez'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1441754438860400567</id><published>2010-02-07T15:02:00.000-02:00</published><updated>2010-02-07T15:02:28.393-02:00</updated><title type='text'>Os desafios do socialismo do século XXI na Venezuela</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;William I. Robinson&amp;nbsp;- California.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: book antiqua,palatino;"&gt;Entrevistado - Chronis Polychroniou &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;strong&gt;1- Há histórias alarmantes vindo da Venezuela. A fronteira está a aquecer, está a verificar-se infiltração, nova base militar colombiana próxima à fronteira, o acesso dos EUA a várias novas base na Colômbia e subversão constante. Será que o regime se preocupa com uma possível invasão? Se sim, quem está para intervir? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo venezuelano está preocupado acerca de uma possível invasão estado-unidense e certamente uma invasão sem rodeios não pode ser descartada. Contudo, penso que os EUA estão a prosseguir uma estratégia de intervenção mais refinada que podíamos denominar guerra de atrito. Já vimos esta estratégia em outros países, tais como na Nicarágua na década de 1980, ou mesmo no Chile sob Allende. É o que no léxico da CIA é conhecido como &lt;em&gt;desestabilização, &lt;/em&gt;e na linguagem do Pentágono é chamado &lt;em&gt;guerra política &lt;/em&gt;– o que não significa que não haja componente militar. Isto é uma estratégia contra-revolucionária que combina ameaças militares e hostilidades com operações psicológicas, campanhas de desinformação, propaganda negra, sabotagem económica, pressões diplomáticas, mobilização de forças da oposição política dentro do país, execução de provocações e o atear de confrontações violentas nas cidades, manipulação de sectores insatisfeitos e a exploração de queixas legítimas entre a população. A estratégia é hábil em aproveitar dos próprios erros e limitações da revolução, tais como corrupção, clientelismo e oportunismo, os quais devemos reconhecer que são problemas sérios na Venezuela. É hábil também em agravar e manipular problemas materiais, tais como escassez, inflação dos preços e assim por diante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objectivo é destruir a revolução tornando-a não funcional, pela exaustão da vontade da população em continuar a lutar para forjar uma nova sociedade e, deste modo, minar a base social de massa da revolução. De acordo com a estratégia dos EUA a revolução deve ser destruída fazendo com que entre em colapso por si mesma, pela minagem da notável hegemonia que o chavismo e o bolivarianismo foram capazes de alcançar dentro da sociedade civil venezuelana ao longo da última década. Os estrategas dos EUA esperam provocar Chavez de modo a que tome a posição de transformar o processo socialista democrático num processo autoritário. Na visão destes estrategas, Chavez finalmente será removido do poder através de um certo número de cenários produzidos pela guerra de atrito constante – seja através de eleições, de um putsch militar interno, um levantamento, deserções em massa do campo revolucionário, ou uma combinação de factores que não podem ser antecipados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, as bases militares na Colômbia proporcionam uma plataforma crucial para operações de inteligência e reconhecimento contra a Venezuela e também para a infiltração militar contra-revolucionária, a sabotagem económica e grupos terroristas. Estes grupos de infiltração destinam-se a perturbar mas, mais especificamente, a provocar reacções do governo revolucionário e sincronizar a provocação armada com toda a gama de agressões políticas, diplomáticas, psicológicas, económicas e ideológicas que fazem parte da guerra de atrito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a simples ameaça de agressão militar dos EUA que as bases em si próprias representam constitui uma poderosa operação psicológica estado-unidense destinada a elevar as tensões dentro da Venezuela, forçar o governo a posições extremistas ou a "gritar lobo", e fortalecer as forças internas anti-chavistas e contra-revolucionárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, é importante verificar que as bases militares fazem parte de uma estratégia mais ampla dos EUA em relação a toda a América Latina. Os EUA e a direita na América Latina lançaram uma contra-ofensiva para reverter a viragem para a esquerda ou a chamada "Maré Rosa". A Venezuela é o epicentro de um emergente bloco contra-hegemónico na América Latina. Mas a Bolívia e o Equador e mais generalizadamente os florescentes movimentos sociais e forças políticas de esquerda da região são igualmente alvos desta contra-ofensiva tal como a Venezuela. O golpe em Honduras deu ímpeto a esta contra-ofensiva e fortaleceu a direita e as forças contra-revolucionárias. A Colômbia tornou-se o epicentro regional da contra-revolução – realmente um bastião do fascismo século XXI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2- A "Revolução Bolivariana" de Chavez tem sido muito popular entre os pobres. Poderia delinear como tem mudado a sociedade venezuelana desde que Chavez chegou ao poder? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, vamos reconhecer que a Revolução Bolivariana colocou o socialismo democrático na agenda mundial depois de atravessarmos um período na década de 1990 em que muitos ficavam mesmo alarmados em falar de socialismo, quando parecia que o capitalismo global havia atingido o pico da sua hegemonia e quando alguns na esquerda compravam a tese do "fim da história". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revolução Bolivariana deu às massas pobres e em grande medida afro-caribenhas a sua voz pela primeira vez desde a guerra da independência do colonialismo espanhol. O governo Chavez reorientou prioridades para a maioria pobre. Ele foi capaz de utilizar os rendimentos do petróleo, em particular, para desenvolver saúde, educação e outros programas sociais que tiveram resultados dramáticos na redução da pobreza, eliminando virtualmente a iliteracia e melhorando a saúde da população. Organizações internacionais e agências de recolha de dados têm reconhecido estas notáveis realizações sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, como alguém que visita a Venezuela regularmente, eu diria que a mudança mais fundamental desde que Chavez chegou ao poder não é a destes indicadores sociais mas sim o despertar político e sócio-psicológico da maioria pobre – um vasto processo popular de mobilização das bases, expressão cultural, participação política e participação no poder. A velha elite e a burguesia foram parcialmente substituídas no Estado e do poder político formal – embora não inteiramente. Mas o medo real e o ressentimento dos velhos grupos dominantes, o pânico e o seu ódio contra Chavez é porque eles sentiram deslizar do seu domínio a capacidade confortável de exercer dominação cultura e sócio-psicológica sobre as classes populares como o fizeram durante décadas, mesmo séculos. Naturalmente, ali ainda há outros muitos mecanismos através dos quais a burguesia e os agentes políticos do ancien regime são capazes de exercer sua influência, particularmente através dos mass media que em grande medida ainda estão nas suas mãos... e eis porque as "batalhas nos media" na Venezuela desempenham um papel tão proeminente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, há toda espécie de problemas e contradições internas na Revolução Bolivariana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3- Quão generalizados são os planos de nacionalização sob Chavez e há alguma evidência até agora de que eles levam aos resultados desejados? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande mudança económica óbvia foi a recuperação do petróleo do país para um projecto popular – e mesmo que haja ainda uma burocrática oligarquia PDVSA. Outras empresas chaves, tais como a siderurgia, foram nacionalizadas. E o sector cooperativo – com todos os seus problemas – tem-se estendido. No entanto, vamos ser claros: o poder económico ainda está em grande medida nas mãos da burguesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordemos que a revolução venezuelana é a única em que o velho Estado reaccionário não foi "esmagado" como em outras revoluções. A estratégia da revolução tem sido erguer novas instituições paralelas e também tentar "colonizar" o velho Estado. Mas o Estado venezuelano ainda é em grande medida um Estado capitalista. A questão chave é como pode um projecto de transformação avançar enquanto opera através de um Estado corrupto, clientelista, burocrático e muitas vezes inerte legado pelo antigo regime? Se forças revolucionárias e socialistas chegam ao poder dentro de um processo político capitalista como você confronta o Estado capitalista e os travões que ele coloca nos processos transformativos? De facto, na Venezuela, e também na Bolívia e alhures, as instituições do Estado prevalecentes muitas vezes actuam para constranger, diluir e cooptar lutas de massas vindas de baixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do meu ponto de vista, na Venezuela a maior ameaça à revolução não vem da oposição política de direita mas sim da chamada direita "endógena" ou "chavista" e pertencente ao bloco revolucionário, incluindo elites do Estado e responsáveis partidários, desenvolverão um interesse mais profundo em defender o capitalismo global do que na transformação socialista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4- A revolução tem prosseguido durante mais de uma década. Está a amadurecer ou está a atingir uma etapa de declínio e deformação? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não diria, em resposta à sua pergunta, que a revolução está em "declínio" ou "deformação". De preferência, precisamos ser mais expansivos na nossa análise histórica e mesmo reflexão teórica sobre o que é avançar nesta conjuntura histórica do capitalismo global do século XXI e da sua crise. A viragem à esquerda na América Latina começou como uma rebelião contra o neoliberalismo. Os regimes pós neoliberais empreenderam suaves reformas redistributivas e nacionalizações limitadas, particularmente de recursos energéticos e serviços públicos que anteriormente haviam sido privatizados. Eles foram capazes de reactivar a acumulação. Mas o pós-neo-liberalismo que actualmente não caminha em direcção a uma profunda transformação socialista, está rapidamente a atingir os seus limites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo bolivariano enfrenta contradições, problemas e limitações, tal como todos os projectos históricos! Eu diria que tanto a revolução venezuelana como os processos boliviano e equatoriano podem estar a rebelar-se contra os limites da reforma redistributiva dentro da lógica do capitalismo global, especialmente considerando a actual crise do capitalismo global. O anti-neoliberalismo que não desafia mais fundamentalmente a própria lógica do capitalismo choca-se contra limitações que podem agora ter sido atingidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que a melhor ou a única defesa da revolução seja radicalizar e aprofundar o processo revolucionário, pressionar pelo avanço de transformações estruturais que vão além da redistribuição. O facto é que a burguesia venezuelana pode ter sido deslocada em parte do poder político mas ainda detém grande parte do controle económico. Romper aquele controle económico implica uma mudança mais significativa na propriedade e nas relações de classe. Isto por sua vez significa romper a dominação do capital, do capital global e dos seus agentes locais. Isto naturalmente é uma tarefa hercúlea. Não há um caminho claro de avanço e cada passo gera novas contradições complexas e nós górdios. É claro que estes são assuntos que toda a Esquerda Global deve encarar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordemos as lições da Nicarágua e de outras revoluções. Alianças multi-classe geram contradições desde que a etapa da lua-de-mel da reforma redistributiva e dos programas sociais fáceis alcancem o seu limite. Então as alianças multi-classe começam a entrar em colapso porque há contradições fundamentais entre distintos projectos e interesses de classe. Nesse ponto uma revolução deve definir mais claramente o seu projecto de classe; não apenas no discurso ou na política mas na transformação estrutural real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um nível mais técnico poderíamos dizer que as contradições geradas pela tentativa de romper a dominação do capital global não são uma falha da revolução. A Venezuela ainda é um país capitalista no qual a lei do valor, da acumulação de capital, está operativa. Esforços para estabelecer uma lógica contrária – uma lógica da necessidade social e da distribuição social – chocam-se contra a lei do valor. Mas numa sociedade capitalista violar a lei do valor lança tudo na loucura, gerando muitos problemas e novos desequilíbrios que a contra-revolução é capaz de aproveitar. Isto é o desafio para qualquer revolução orientada para o socialismo dentro do capitalismo global. &lt;br /&gt;01/Fevereiro/2010&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Professor de Sociologia, Universidade da Califórnia – Santa Bárbara &lt;br /&gt;[**] Editor do diário grego &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Eleftherotypia" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Eleftherotypia&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O original encontra-se em:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.zmag.org/znet/viewArticle/23797" target="_blank"&gt;http://www.zmag.org/znet/&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;viewArticle/23797&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1441754438860400567?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1441754438860400567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1441754438860400567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1441754438860400567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1441754438860400567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/os-desafios-do-socialismo-do-seculo-xxi.html' title='Os desafios do socialismo do século XXI na Venezuela'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-9200235332764101530</id><published>2010-02-05T14:59:00.000-02:00</published><updated>2010-02-05T14:59:27.866-02:00</updated><title type='text'>O crime continua...</title><content type='html'>&lt;span class="titulo_index1"&gt;Da Agencia Bolivariana de Noticias (&lt;a href="http://www.abn.info.ve/noticia.php?articulo=218996&amp;amp;lee=16"&gt;ABN&lt;/a&gt;):&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="titulo_index1"&gt;Gaza a punto de colapso energético por bloqueo israelí&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="hsumario"&gt;Caracas, 05 Feb. ABN.- Autoridades de Gaza alertaron este viernes que la única planta eléctrica de la franja quedará fuera de servicio esta noche, en medio del crudo invierno, si persiste la escasez de combustible ocasionada por el bloqueo de Israel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Según un comunicado de la Autoridad de Energía de Gaza, al amanecer del sábado habrá que paralizar las operaciones de la estación generadora de electricidad debido a que Tel Aviv mantiene el impedimento a la entrada de combustible a esta franja palestina, refirió una nota de Prensa Latina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La nota oficial pide a alcaldes de las municipalidades, al Ministerio de Salud y las dos mayores compañías de telecomunicaciones 'prepararse para lo peor', luego que el jueves en la noche ya hubo que cortar el servicio entre el 30 y el 40 por ciento del enclave. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El gobierno que encabeza el Movimiento de Resistencia Islámica (Hamas) sufre un bloqueo fronterizo arreciado por Israel desde junio de 2007, y recordó que el repentino frente frío en la región obligó a gastar el combustible que había de reserva más rápido de lo previsto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los israelíes no permitieron el jueves el paso de camiones cisternas con carburante por el cruce limítrofe habilitado para ello en Karni (norte), denunció el funcionario palestino Raed Fattouh. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agregó que los volúmenes de gas doméstico y diésel transferidos por el cruce de Kerem Shalom (sureste) tampoco fueron los requeridos para mantener operativa por otra semana la referida planta eléctrica, que ahora sólo usa uno de sus cuatro generadores funcionales. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Ese generador habitualmente suministra electricidad a la mayoría de los 1,5 millones de palestinos en Gaza durante 16 horas diarias porque no hay suficiente carburante para que trabaje 24 horas', acotó Fattouh. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La población, entretanto, trata de almacenar combustible para mantener operativos generadores privados de edificios e instituciones, pero el nivel de carencias y el drástico descenso de las temperaturas hacen que muchos hogares tengan problemas con la calefacción. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El combustible entra legalmente a Gaza desde Israel por Kerem Shalom en el sur, y la planta eléctrica sólo puede usar diésel industrial israelí, pero la población usa también el que llega de contrabando desde Egipto a través de túneles fronterizos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-9200235332764101530?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/9200235332764101530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=9200235332764101530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/9200235332764101530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/9200235332764101530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/o-crime-continua.html' title='O crime continua...'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2038771052942823365</id><published>2010-02-04T19:39:00.001-02:00</published><updated>2010-02-05T14:35:51.424-02:00</updated><title type='text'>Chávez e a mídia (uma e outra e outra vez)</title><content type='html'>A situação é cada vez mais preocupante na Venezuela. O presidente Hugo Chávez, em mais um de seus delírios ditatoriais, decidiu impor uma nova norma de radiofusão: quem não transmitisse seus discursos, teria sua licença de transmissão cassada. A RCTV, aquele canal de TV aberta fechado por Chávez em 2007 e que passou a funcionar apenas por cabo e pela internet, se recusou a antender legislação tão arbitrária. Resultado: o governo a fechou mais uma vez, outra mostra clara de que Hugo Chávez não passa de um louco e de que a Venezuela vive sob uma ditadura. Certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué, mas é justamente isso que está saindo em todos os jornais, revistas e TVs do Brasil! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Triste de nós, os leitores e espectadores brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser cansativo falar uma e outra e outra vez sobre a manipulação nos meios de comunicação do Brasil, especialmente quando a "pauta" é Venezuela e seu presidente. Mas não tem jeito, é uma espécie de dever cívico tentar romper o senso comum alimentado por estes veículos. Então, vamos aos fatos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a nova normativa de radiofusão não foi imposta por Chávez (o que os meios querem nos fazer acreditar para colar nele a pecha de ditador). Foi uma determinação governamental para que as emissoras de TV a cabo nacionais passassem a obedecer a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão (Resorte), aprovada em 2004 pelo Congresso (e não pelo Chávez, o ditador).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, tal lei não obriga as emissoras a transmitirem os "discursos de Chávez"  (o que os meios querem nos fazer acreditar para colar nele a pecha de ditador). Obriga, sim, a transmitirem as mensagens e discursos que o Executivo nacional ache necessário, assim como mensagens culturais, educativas, informativas ou preventivas de serviços públicos selecionadas pelo governo (estas não podem superar os quinze minutos por dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, é óbvio que dentre desses discursos e pronunciamente, também existirão os do presidente, assim como acontece em qualquer país "democrático" do mundo (ao contrário do que os meios querem nos fazer acreditar, para colar no Chávez a pecha de ditador). Isso é exclusividade da "ditadura" venezuelana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, o governo interrompeu o sinal da RCTV simplesmente porque ela não cumpria as novas regras. As outras seis emissoras que sofreram a mesma sanção já reconheceram estar fora da legalidade, apresentaram os documentos requeridos e prometeram se adequar à nova norma: tiveram seus sinais restabelecidos. Ou seja, é só a RCTV fazer o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, feitos tais esclarecimentos, resta debater duas questões fundamentais: uma de ordem jornalística, outra de ordem ideológica, embora as duas estejam fortemente vinculadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira: será que os jornalistas da grande imprensa mundial, de maneira geral, e brasileira, em especial, não sabiam ou não souberam pesquisar o que era exatamente essa normativa do governo venezuelano? Será que não conseguiram descobrir que ela se baseava numa lei aprovada pelo Congresso em 2004?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não foram atrás do que diz a lei para constatarem que ela não obrigava ninguém a transmitir "os discursos de Chávez"? Será que esses jornalistas não sabem que a transmissão oficial em TVs privadas ou sua regulação pelo Estado e pela sociedade são mais do que normais nos países desenvolvidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não descobriram que a não renovação ou inclusive a cassação da licença de uma emissora é prática amplamente corrente em vários países do mundo, como explica o jornalista chileno Ernesto Carmona nos últimos seis parágrafos deste &lt;a href="http://www.voltairenet.org/article148630.html#article148630"&gt;artigo&lt;/a&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sabiam. Se não sabiam, simplesmente não procuraram saber. E isso me leva à segunda questão fundamental: qual o interesse dos meios de comunicação brasileiros em "denunciar" os "seguidos atentados à liberdade de expressão cometidos pelo governo Chávez"? Sentido de dever público?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, para responder a essa pergunta, é preciso, primeiro, discutir o que se entende por liberdade de expressão e como tem sido a política de Chávez nesse tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade de expressão é o direito que cada um (isso, qualquer pessoa, independente de raça, gênero, orientação sexual, religião, time de futebol etc etc) tem de transmitir suas ideias, opiniões etc. Mas o que acontece, por exemplo, nos países da América (especialmente nos EUA)? Tal liberdade só é plenamente exercida por uma minúscula, micro, minoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, 11 famílias praticamente controlam todas as rádios, TVs e jornais de todo o país. Que direito realmente têm as outras 40 ou 50 milhões de famílias brasileiras de se expressarem como bem quiserem atingindo de fato um número considerável de pessoas? Virtualmente nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, apenas 11 famílias exercem de fato a liberdade de expressão no Brasil. E são as únicas responsáveis pela formação das opiniões, valores e imaginários de toda a população. Em resumo, apenas sua ideologia (liberal-burguesa, já que elas fazem parte da elite econômica brasileira) é transmitida livremente. O pior, no caso das TVs e rádios, é que essas se utilizam de um bem público (o espaço radioelétrico) para usufruirem desse direito exclusivo (os jornais também, já que são sustentados por publicidade oficial).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o que a grande mídia defende não é a liberdade de expressão, e sim o seu monopólio da expressão.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse quadro, o que um governo minimamente sério deveria fazer? Democratizar a comunicação: permitir que outros grupos sociais (e não apenas uma minoria) tenham a possibilidade de expressar suas ideologias e valores.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, independentemente da desobediência ou não de algum aspecto legal por parte de uma grande emissora, a transferência de sua concessão para outro grupo social que seja mais representativo da sociedade implica em ampliação da liberdade da expressão, e não sua restrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que vem acontecendo na Venezuela? Além da não renovação da concessão pública da RCTV em 2007 (baseada em infrações graves à legislação de comunicação de qualquer país "democrático" do mundo, como o apoio aberto e ativo a um golpe de Estado), e da tentativa permanente de se quebrar esse monopólio midiático, o governo Chávez estimulou e estimula o surgimento e o fortalecimento de inúmeras iniciativas de comunicação popular, como jornais, rádios e canais de televisão comunitários, além de redirecionar uma parte da publicidade oficial para meios independentes e alternativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, na Venezuela, nunca houve tanta liberdade de expressão. E é isso o que os meios de comunicação brasileiros mais temem que aconteça por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2038771052942823365?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2038771052942823365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2038771052942823365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2038771052942823365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2038771052942823365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/chavez-e-midia-uma-e-outra-e-outra-vez.html' title='Chávez e a mídia (uma e outra e outra vez)'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-8824544740085166158</id><published>2010-02-01T11:31:00.000-02:00</published><updated>2010-02-01T11:31:16.773-02:00</updated><title type='text'>Quem mesmo está gerando prejuízos e destruição para a sociedade brasileira?</title><content type='html'>&lt;h1 style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Do &lt;a href="http://passapalavra.info/?p=18199"&gt;Passa Palavra&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt; &lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;Quem mesmo está gerando prejuízos e destruição para a sociedade brasileira?&lt;/h1&gt;&lt;div class="date"&gt;         &lt;div class="dateleft"&gt;      &lt;span class="time"&gt;30 de Janeiro de 2010&lt;/span&gt; &amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;As ocupações são a única alternativa deixada pelo Estado e pelas grandes empresas para as famílias desesperadas, pela miséria e pela fome, reivindicarem o cumprimento da função social da terra e divulgarem para a opinião pública estas injustiças&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Por Passa Palavra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="more-18199"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A situação dos trabalhadores rurais na macro-região de Iaras, estado de São Paulo, onde se localiza a fazenda Capim (dentro do Complexo Monções, de terras da União) &lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt;, é extremamente grave há décadas. Em uma região com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhante ao de países como a Palestina, segundo o PNUD, lá vivem milhares de famílias sem-terra há anos passando dificuldades, incluindo fome e miséria. Conforme nos afirma o professor de Geografia Agrária da USP, Ariovaldo Umbelino, baseando-se no último Censo Agropecuário de 2006: “na região há 200 mil hectares de terras da União que vêm sendo sistematicamente griladas” &lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt;. Este quadro só torna ainda mais absurda a longa permanência de extensas terras públicas griladas especificamente pela poderosa transnacional Sucrocítrico Cutrale. Terras públicas que há muito tempo deveriam estar voltadas à reforma agrária, mas, ao contrário, permanecem sob o ilegítimo grilo da multibilionária empresa de exportação de laranjas – que controla cerca de 60% do mercado mundial de laranja, sendo a maior empresa do mundo neste ramo que, no Brasil, exporta mais de 90% de sua produção para o mercado estrangeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="wp-caption alignleft" id="attachment_18216" style="width: 310px;"&gt;&lt;a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/f100130_mstrepressao4carloslatuff.jpg"&gt;&lt;img alt="f100130_mstrepressao4carloslatuff" class="size-medium wp-image-18216" height="235" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/f100130_mstrepressao4carloslatuff-300x235.jpg" title="f100130_mstrepressao4carloslatuff" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="wp-caption-text"&gt;Um cartum de Carlos Latuff&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ocupação da fazenda grilada Capim, realizada em outubro de 2009, não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira que buscava chamar a atenção para a absurda grilagem de terras públicas feita exatamente pela transnacional Cutrale. As ocupações denunciavam também a parcialidade da Justiça e do Executivo, extremamente lentos para arrecadar terras ou recuperar áreas da União griladas, porém extremamente ágeis na hora de reprimir e criminalizar os trabalhadores rurais sem-terra. Ao invés de se inverter as prioridades, o que temos visto nos últimos dias é um acirramento da repressão e do terror contra aqueles que lutam com muito custo para se manter no campo, viver e produzir com dignidade – ao invés de incharem ainda mais as já super-populosas cidades brasileiras. A resposta do Estado, no entanto, associado à grande imprensa e a serviço do agronegócio, é fortalecer ainda mais um modelo agrícola excludente e insustentável sócio-ecologicamente, agravando, em consequência, ainda mais o cenário de desequilíbrio ambiental e de calamidade social que temos vivido nos últimos tempos, principalmente nas grandes cidades brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, todas estas ocupações não são feitas sem um profundo conhecimento da região, de sua estrutura agrícola desigual, do cotidiano local e das necessidades das pessoas que lá vivem. Conforme o quadro abaixo, com dados oficiais do Incra, podemos verificar que esta empresa do agronegócio, mesmo monopolizando o bilionário setor mundial de laranjas e sucos, tem se especializado há anos em grilar médios e grandes latifúndios no estado de São Paulo. E mais do que isso: especula nestas terras de acordo com o interesse de seus donos e acionistas, e apenas produz quando e quanto bem interessa para os cálculos do seu monopólio de mercado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/cutralequadro.jpg"&gt;&lt;img alt="cutralequadro" class="size-full wp-image-18205 aligncenter" height="606" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/cutralequadro.jpg" title="cutralequadro" width="521" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Cutrale, junto com a Louis Dreifus e a Citrovita, vem sendo investigada pela Polícia Federal há mais de 5 anos por prática de cartel, o que estaria sendo feito há mais de 10 anos. Um cartel que, sabemos, definiu preços e datas de compra de laranjas dos citrocultores nacionais, arruinando diversos pequenos e médios produtores de laranjas, concentrando o lucro para a empresa e socializando os prejuízos entre os sem-terra, os pequenos e médios produtores e a população pobre em geral. De maneira previsível, a mesma justiça que criminaliza rapidamente o MST atravanca, ou é extremamente morosa, quando se trata de investigar a fundo as acusações que recaem sobre as grandes empresas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma gigante destas definitivamente não precisaria grilar terras, muito menos terras públicas, em detrimento da condição de vida das milhares de famílias pobres e miseráveis sem-terra da região. E por que então grilam??? E por que seguem impunes??? E por que a grande imprensa não denuncia estes terríveis prejuízos para pequenos e médios agricultores, para os ecossistemas das regiões e para a própria União???&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #e9e6e6; border: 4px outset black; float: right; font-family: Times; font-size: 10pt; margin: 20px; padding: 20px; text-align: justify; width: 250px;"&gt;&lt;em&gt;Vale a pena citar aqui um pequeno trecho de artigo recente do já referido professor da USP, Ariovaldo Umbelino, sobre a prejudicial atuação de empresas como a Cutrale para o desenvolvimento rural brasileiro:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“Hoje são apenas quatro grupos que controlam toda a laranja: Cutrale (mais ou menos 60%); Citrosuco; Louis Dreifus Commodities – LDC (francesa); e Citrovita, da Votorantim.&lt;br /&gt;A Cutrale tem esse poder todo porque possui uma empresa associada (joint venture) à Coca-Cola mundial nos EUA, de quem é fornecedora exclusiva em escala mundial. Por isso sua condição de empresa “Ltda.”, pois já é parte (menor) do monopólio mundial da Coca-Cola.&lt;br /&gt;Numa reportagem de 2003, a insuspeita revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; denunciou a empresa Cutrale de ter subsidiária nas ilhas Cayman, como forma de aumentar seus lucros, ou quem sabe de evasão fiscal… e saiba Deus mais o quê.&lt;br /&gt;O resultado de todo esse processo foi que milhares de pequenos e médios agricultores tiveram que abandonar a produção de laranja. &lt;strong&gt;Entre 1996 e 2006, foram destruídos, segundo o Censo Agropecuário do IBGE, somente em São Paulo, nada menos do que 280 mil hectares de laranjais. Mas a Globo não fez nenhuma reportagem. Nem o serviço de inteligência da PM de São Paulo se preocupou em filmar porque os pequenos e médios agricultores estavam destruindo seus laranjais!&lt;/strong&gt;”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem… Nós sabemos que os interesses de empresas como a Cutrale e outras afins, controladas por grandes empresários das altas rodas nacionais e internacionais, confluem com os interesses da grande imprensa (que é patrocinada por eles), da grande maioria dos políticos (financiados eleitoralmente por estas empresas), e da maior parte do aparato repressivo do Estado (que trabalha para defender estes interesses, e por eles também são pagos de maneira oficial e extra-oficial) &lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O espetáculo da criminalização e suas brechas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As imagens desta ocupação e agora destas prisões, espetacularmente veiculadas e forjadas pela grande imprensa (numa “parceria” direta com a polícia) com o intuito de criminalização dos trabalhadores rurais sem-terra e do seu movimento, ao menos não conseguiram esconder de toda sociedade brasileira a absurda existência desta grilagem de terras públicas e destas brutais injustiças decorrentes, exatamente numa região com população extremamente pobre e carente de terras para viver e para produzir. Uma área onde vivia, por exemplo, dentre milhares de histórias semelhantes, a militante do MST, Maria Cícera Neves, que estava há cerca de 9 anos acampada em lona preta e barraco, lutando por um pedaço de chão, quando morreu em agosto de 2009 atropelada por um caminhão enquanto marchava rumo à São Paulo para reivindicar seu direito à terra. Esta história saiu apenas como uma nota de rodapé nestes jornais impressos e telejornais, os mesmos que veiculam incansavelmente que a derrubada de cada pé de laranja daquele imenso e insustentável deserto verde monocultor “era como se o trator passasse por cima de cada um de nós, de toda a sociedade brasileira”, nas palavras deste grande ser humano e grande cidadão brasileiro que é Ronaldo Caiado &lt;strong&gt;[4]&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao não possibilitarem a reforma agrária e não promoverem a democratização do acesso à terra no Brasil, os grandes latifundiários, as grandes empresas grileiras do agronegócio e o próprio Estado, coniventes com tudo isso, não deixam outra alternativa aos milhões de famílias trabalhadoras rurais sem-terra do país, senão a denúncia e a luta pelos seus direitos por meio do recurso legítimo à ocupação de terra e, em alguns casos de necessidade extrema, da legítima desobediência civil. As ocupações são a única alternativa deixada pelo Estado e pelas grandes empresas para as famílias desesperadas, pela miséria e pela fome, reivindicarem seu direito constitucional e o cumprimento da função social da terra, e divulgarem para a opinião pública estas injustiças. Assim como o trabalhador na cidade não tem outra alternativa, diante da exploração, senão parar a produção das empresas em que trabalha ou a circulação de carros e mercadorias pelas ruas (secas ou alagadas) e, assim, chamar atenção da opinião pública para seus gravíssimos problemas. Sim, isso gera prejuízos, sobretudo à imagem e à reputação de políticos e empresários – que outra linguagem não entendem. A história tem demonstrado que as pequenas conquistas dos trabalhadores só têm vez quando estes tipos de pressões legítimas acontecem, e que de outra maneira as “respostas” vêm sempre no sentido de abafar e reprimir – violentamente – tais manifestações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/f100130_mstrepressao2.jpg"&gt;&lt;img alt="f100130_mstrepressao2" class="alignleft size-medium wp-image-18219" height="196" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/f100130_mstrepressao2-300x196.jpg" title="f100130_mstrepressao2" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, após estes últimos episódios, a imagem da Sucocítrico Cutrale nunca mais será a mesma, já que agora boa parte do povo brasileiro sabe que ela se utilizou, e se utiliza, de terras públicas griladas para acumular bilhões de dólares nas mãos de sua família de proprietários (os Cutrale já apareceram no ranking de maiores bilionários do mundo, segundo a revista &lt;em&gt;Forbes&lt;/em&gt;, embora cada vez menos queiram visibilidade), enquanto milhares de famílias de trabalhadores sem-terra continuam sequer sem um pedaço de chão para viver e produzir, logo ali, na sua vizinhança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, exatamente pelo fato das legítimas e pacíficas ocupações escancararem esta inconveniente realidade, fica clara também a sintonia com que os mesmos grandes latifundiários, as grandes empresas transnacionais, a grande imprensa e setores coniventes do Estado (todos que se beneficiam desta festa) procedem a um processo de inversão da realidade, ao propagarem que os “verdadeiros criminosos” são os pequenos trabalhadores rurais sem-terra: forjando imagens, deturpando fatos e manipulando declarações com o intuito de demonizar os sem-terra &lt;strong&gt;[5]&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já em plena disputa eleitoral, e tendo emplacado (mais uma!) “CPI do MST”, exatamente para fins eleitorais e de barganha de poder, não tardarão em aparecer novas e as mais variadas denúncias, divulgadas com estardalhaço pela grande mídia. Os trabalhadores rurais sem-terra aparecerão nestes órgãos de imprensa e nas suas páginas (policiais) como aqueles que geram prejuízos para grandes empresas (estas sim,“exemplares”), para os cofres “públicos” e até mesmo para o “meio-ambiente” – como no caso da “terrível” derrubada de pés da monocultura de laranja. Enquanto bilionários banqueiros seguem impunes (como Daniel Dantas, Salvatore Cacciola e tantos outros), recebendo um &lt;em&gt;habeas corpus&lt;/em&gt; atrás do outro; enquanto políticos-panetones &lt;strong&gt;[6]&lt;/strong&gt; se mantêm em seus altos cargos; e enquanto o agronegócio avança na destruição da Amazônia e de tantos outros biomas (como o Cerrado e o Pantanal), mesmo diante de tudo isso, as imagens punitivas que vemos espetacularmente nas TVs são as de trabalhadores pobres sendo criminalizados, presos e muitas vezes assassinados por um aparato policial cada vez mais violento, no campo e nas periferias urbanas. Infelizmente nós sabemos que o preço da rebeldia e da resistência contra tantas injustiças é altíssimo, e quem o está sentindo na pele neste momento são justamente os militantes do MST, sobretudo aqueles que tiveram suas prisões – obviamente políticas – consumadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O Estado reprime quem resiste à injustiça&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Basta ver o estado das casas e barracos dos trabalhadores rurais que foram presos nesta espalhafatosa “Operação Laranja” e compará-lo com as mansões dos proprietários e acionistas da Cutrale para sabermos quem está gerando injustiça e prejuízo ao país, à sociedade, ao nosso meio-ambiente e à democracia. No entanto, ao invés da denúncia dos crimes da Cutrale, da cobrança pela urgente retomada das terras públicas da União, e da distribuição delas para as milhares de famílias rurais pobres que realmente necessitam, a grande imprensa tenta construir a imagem de que os criminosos são os trabalhadores e os seus movimentos sociais, para isso atuando cada vez mais junto à polícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="wp-caption alignright" id="attachment_18226" style="width: 310px;"&gt;&lt;a href="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/leocaldas_mstemmanari1.jpg"&gt;&lt;img alt="O MST em Manari, foto de Leo Caldas" class="size-medium wp-image-18226" height="198" src="http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/01/leocaldas_mstemmanari1-300x198.jpg" title="leocaldas_mstemmanari1" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="wp-caption-text"&gt;O MST em Manari, foto de Leo Caldas&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É óbvio que, com o crescimento das desigualdades sociais no campo brasileiro, e a falta de alternativas criadas aos milhões de famílias de trabalhadores rurais sem-terra (senão o êxodo rural e o inchaço ainda maior dos bolsões de miséria nas grandes cidades), devido à insistência num modelo agrícola concentrador e depredador da natureza, obviamente a tendência é a pressão da população pobre do campo aumentar ainda mais, cada vez mais. Em contraposição à política de repressão e criminalização dos movimentos sociais, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), aprovado recentemente pelo Presidente da República, tem entre os seus objetivos estratégicos “a utilização de modelos alternativos de solução de conflitos, de modo a, entre outras ações programáticas, fomentar iniciativas de mediação e conciliação, estimulando a resolução de conflitos por meios autocompositivos, voltados à maior pacificação social e menor judicialização”. Infelizmente, ao invés disso, o que temos visto na prática aqui no estado de São Paulo e em outros estados &lt;strong&gt;[7]&lt;/strong&gt; é o acirramento do caminho da intolerância por parte da Polícia Civil e Militar, da grande mídia e de outros braços ligados ao agronegócio: o aumento da criminalização, da policialização e da repressão dos trabalhadores pobres, intensificando-se assim ainda mais os conflitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: #e9e6e6; border: 4px outset black; float: left; font-family: Times; font-size: 10pt; margin: 20px; padding: 20px; text-align: justify; width: 250px;"&gt;&lt;strong&gt;IMPORTANTE:&lt;br /&gt;Enquanto escrevemos esta matéria, no dia 29/01/2010, tomamos conhecimento que mais militantes do MST foram presos, nesta madrugada, numa ação de “prisão preventiva” realizada em Santa Catarina. Entre eles está uma das lideranças locais do MST, Altair Lavratti.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A impressão que dá, para muitos de nós, é a de que enquanto não acabarem de devastar todas as nossas terras, florestas e rios; enquanto não desmatarem e poluírem com trilhões de litros de agrotóxicos todas as áreas e biomas possíveis; e enquanto não expulsarem e criminalizarem todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais do campo – agravando assim ainda mais todos os inúmeros problemas já vividos nas cidades, incluindo o desequilíbrio sócio-ambiental e a própria criminalização dos pobres e negros da cidade; enfim, enquanto estes senhores não acabarem de destruir o campo brasileiro e fazerem explodir as cidades, eles não se darão por satisfeitos, utilizando-se para isso de todos os recursos possíveis e imagináveis (incluindo “reportagens”, prisões e às vezes até assassinatos) contra aqueles que tentam permanecer e produzir dignamente no campo, criando outro modelo de sociabilidade e de produção agroecológica para o país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, de fato, estão conseguindo: o mundo parece estar desabando e desaguando sobre as nossas cabeças, sobretudo da população mais pobre, de ascendência indígena e negra no Brasil. E aos que se levantam e resistem a este verdadeiro “projeto de destruição”, a estes continua a ser destinado o chicote, os grilhões, as celas e as balas. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Passa Palavra&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;NOTAS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;União&lt;/em&gt; é a pessoa jurídica de Direito Público representante do Governo Federal, no âmbito interno, e da República Federativa do Brasil, no âmbito externo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Grilagem&lt;/em&gt; é o método pelo qual grandes fazendeiros falsificaram títulos de cartório para se apropriar das terras públicas. O nome se deve pelo fato de colocar-se títulos falsos em uma gaveta ou baú fechado com um grilo dentro, que ao morrer expele certas substâncias que dão ao papel a aparência de envelhecido. Esse método foi muito comum no interior do estado de São Paulo e data de 1856, data final para que os possuidores de terra registrassem sua posse nos termos da Lei de 1850 (esta lei proibia a ocupação de terras do Estado, a não ser por meio de compra, inviabilizando assim que negros e trabalhadores imigrantes e pobres tivessem a posse da terra, obrigando-os a se submeterem às formas de trabalho impostas pelos grandes fazendeiros).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[3]&lt;/strong&gt; Em 2006 a Cutrale financiou, via doações que totalizaram R$ 2 milhões, a campanha de 55 candidatos, tais como os parlamentares que votaram pela CPI do MST, Arnaldo Madeira (PSDB/SP) que recebeu R$ 50.000,00, Carlos Henrique Focesi Sampaio, também do PSDB paulista, e Jutahy Magalhães Júnior (PSDB/BA), obtiveram cada um R$ 25.000,00 para suas respectivas campanhas. Nelson Marquezelli (PTB/SP) foi beneficiado com R$ 40.000,00 no mesmo período. A lista dos candidatos que receberam doações da Cutrale pode ser obtida em &lt;a class="urlextern" href="http://www.mst.org.br/node/8460" rel="nofollow" title="http://www.mst.org.br/node/8460"&gt;http://www.mst.org.br/node/8460&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[4]&lt;/strong&gt; Ronaldo Caiado foi um dos fundadores e é ainda hoje um dos maiores símbolos da UDR (União Democrática Ruralista), uma associação de grandes latifundiários, grupos paramilitares de fazendeiros, e representantes do agronegócio. Deputado Federal pelo partido conservador DEM do estado de Goiás, comanda a chamada “Bancada Ruralista” no Congresso Nacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[5]&lt;/strong&gt; Imagens como a aparição de tratores despedaçados, entre outras grandes máquinas, impossíveis de serem quebradas durante uma ocupação de terra, conforme afirma o movimento, conformaram um cenário montado imediatamente depois da saída dos integrantes do MST da Fazenda Capim, em outubro de 2009. No entanto, foram exatamente estas imagens as que mais circularam pela grande imprensa, sem a garantia de espaço para a versão dos sem-terra sobre elas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[6]&lt;/strong&gt; Referência ao atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que, tendo sido flagrado por câmeras no momento em que recebia propina [suborno, ou “luvas”] de empresas que coadunavam com o seu governo, alegou que o dinheiro seria destinado à doação de panetones [equivalentes ao bolo-rei português] para a população carente no período do natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-8824544740085166158?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/8824544740085166158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=8824544740085166158&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8824544740085166158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8824544740085166158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/02/quem-mesmo-esta-gerando-prejuizos-e.html' title='Quem mesmo está gerando prejuízos e destruição para a sociedade brasileira?'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-8433869537838937568</id><published>2010-01-26T13:12:00.003-02:00</published><updated>2010-01-26T14:29:46.876-02:00</updated><title type='text'>Nove militantes do MST são presos em Iaras-SP</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: small;"&gt;E quem disse que no Brasil não existem presos políticos?&lt;b&gt; &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;pre style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/pre&gt;&lt;h1 class="documentFirstHeading"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nove militantes do MST são presos em Iaras (SP)&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div&gt;      &lt;div class="documentByLine"&gt;                              &lt;span class="documentAuthor"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="documentModified"&gt;&lt;/span&gt;                                                  &lt;div class="reviewHistory"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="documentDescription"&gt;&lt;i&gt;De acordo com relatos, os policiais também cercaram casas e barracos na região e apreenderam pertences pessoais de muitos assentados e acampados&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="newsImageContainer"&gt;              &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/nove-militantes-do-mst-sao-presos-em-iaras-sp/image/image_view_fullscreen"&gt;                &lt;img alt="" src="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/nove-militantes-do-mst-sao-presos-em-iaras-sp/image_mini" /&gt;             &lt;/a&gt;          &lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;26/01/2010&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;i&gt;Nota do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de São Paulo (MST-SP)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Na manhã desta terça-feira (26/1) recebemos, com extrema preocupação, a informação de que desde o final da tarde de ontem (25/1) a polícia está fazendo cercos aos assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária na região de Iaras-SP, portando mandados de “busca, apreensão e prisão”, com o intuito de intimidar, reprimir e prender militantes do MST. Neste momento já estão confirmadas as detenções de nove militantes assentados e acampados do MST, que estão na Delegacia de Bauru-SP. No entanto, há a possibilidade de mais prisões e outros tipos de repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os relatos vindos da região, bastante nervosos e apreensivos, apontam que os policiais além de cercarem casas e barracos, prenderem pessoas e promoverem o terror em algumas comunidades, também têm apreendido pertences pessoais de muitos militantes – exigindo notas fiscais e outros documentos para forjar acusações de roubos e crimes afins. A situação é gravíssima, o cerco às casas continua neste momento (já durando quase um dia inteiro), e as informações que nos chegam é que ele se manterá por mais dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos advogados estão tentando, com muita dificuldade, acompanhar a situação e obter informações sobre os processos – pois a polícia não tem assegurado plenamente o direito constitucional às partes da informação sobre os autos e, principalmente, sobre as prisões. No entanto, é urgente que outros apoiadores Políticos, Organizações de Direitos Humanos e Jornalistas comprometidos com a luta pela Reforma Agrária e com a luta do povo brasileiro divulguem amplamente e acompanhem mais de perto toda a urgente situação. A começar pelas pessoas que vivem na região de Iaras, Bauru e Promissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações como esta apenas reforçam a urgência da criação de novos mecanismos de mediação prévia antes da concessão de liminares de reintegração de posse, e de mandados de prisão no meio rural brasileiro – conforme previsto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3) - com o intuito de diminuir a violência contra trabalhadores rurais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso específico e emergencial de Iaras, tal repressão é o aprofundamento de todo um processo de criminalização e repressão que foi acelerado a partir da repercussão exagerada e dos desdobramentos políticos ocorridos na regional de Iaras (SP) por ocasião da ocupação da Fazenda-Indústria Cutrale, em outubro de 2009. O MST reivindica há anos para a Reforma Agrária aquelas áreas do Complexo Monções, comprovadamente griladas da União por esta poderosa transnacional do agronegócio. Ao invés de se acelerar o processo de Reforma Agrária e a democratização do uso da terra, sabendo-se que naquela região do estado de São Paulo há milhares de famílias de trabalhadores rurais que precisam de um pedaço de chão para sobreviver e produzir alimentos, o que obtemos como “resposta” é ainda mais arbitrariedade, repressão e violência .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MST -SP reforça o pedido de solidariedade a todos os lutadores e lutadoras do povo brasileiro comprometidos com a transformação do país numa sociedade mais justa e democrática, e de todos os cidadãos e cidadãs indignadas com a crescente criminalização da população pobre e de nossos movimentos sociais pelo país. Não podemos nos intimidar nem nos calar diante de tamanho absurdo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-8433869537838937568?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/8433869537838937568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=8433869537838937568&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8433869537838937568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8433869537838937568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/nove-militantes-do-mst-sao-presos-em.html' title='Nove militantes do MST são presos em Iaras-SP'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2857643755357687366</id><published>2010-01-22T00:31:00.000-02:00</published><updated>2010-01-22T00:31:27.943-02:00</updated><title type='text'>Haiti: um caos inventado pela mídia</title><content type='html'>Abaixo, um relato de um guatemalteco que se encontra no Haiti. Para ele, o caos que a mídia pinta não é verdadeiro. Pode até ser teoria da conspiração, mas já houve muitos exemplos na história de caos inventados ou gerados artificialmente para justificarem invasões militares ou golpes de Estado. Nada, nada, os EUA já estão enviando&amp;nbsp;15 mil militares&amp;nbsp;para o Haiti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Haiti: um caos inventado pela mídia &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os meios escolhem as cenas mais fortes, mais mórbidas e mais sensacionalistas e as repetem uma e outra vez, criando uma imagem totalmente distorcida da realidade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alejandro Ramírez&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os meios de informação desinformam”. Li isso uma vez em um livro de Eduardo Galeano e nunca o tinha notado tão claramente como agora. Agora que tenho acesso às cadeias de televisão estrangeiras, aos monstros da informação, é que me dou conta da manipulação como nunca antes. O mundo está vendo as cenas de pessoas brigando por causa do mau manejo das agências de ajuda humanitária e pela desorganização das autoridades que supostamente deveriam entregar esta ajuda. O que é isso de jogar água a partir de um helicóptero? Isso não é ter dignidade. As ajudas não estão chegando porque as agências têm medo das estradas. Estão causando muito mais dano do que já existe. Não estive em Porto Príncipe, mas posso dar fé que em Jacmel não existe a situação que apresentam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios escolhem as cenas mais fortes, mais mórbidas e mais sensacionalistas e as repetem uma e outra vez, criando uma imagem totalmente distorcida da realidade. O Haiti tem um povo que sofre este terremoto como a pior desgraça dos últimos anos, além de todos os problemas que já leva em suas costas, mas, apesar disso, há neste povo um sentimento de seguir adiante, de se organizar para resolver os problemas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui testemunha de famílias que foram ajudadas, nos momentos mais difíceis, pelos vizinhos, por falta de ajuda governamental ou oficial. Foram as próprias pessoas que ajudaram, metendo-se nos escombros para tirar os que ainda estavam vivos, os que não conseguiam levantar as placas de cimento e que não tinham como fazer nada. Foram famílias de muitos povoados distantes de Porto Príncipe as que alojaram os que ficaram sem teto na cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solidariedade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No campo de futebol de Jacmel, onde hoje se refugiam 3.200 pessoas que ficaram sem casa, há todo um sistema de cozinhas coletivas, e as mães e mulheres se revezam para cozinhar para todos. Os homens cortam a lenha com machados e carregam os sacos de comida. As crianças fazem fila organizadamente para encher seus baldes de água, e os que já os levaram para suas famílias que se refugiam em tetos de nylon brincam sorrindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escritório da Crose (Coordenadora Regional de Organizações do Sudeste) chegam muitas pessoas todos os dias para ver como podem ajudar voluntariamente. São os que percorreram todos os bairros de Jacmel a pé, inclusive na montanha, para diminuir as estatísticas de casas afetadas e de famílias com problemas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se da crescente insegurança, que não é possível transitar por nenhum lado por causa dos saques. Não nego que possa haver atos delitivos, mas é lógico que tirem as coisas dos comércios que desmoronaram e as levem embora. Este povo tem fome de séculos, não é razoável que nestes momentos a comida fique enterrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, caminhei por todas as ruas de Jacmel com minhas duas câmeras no pescoço sem sentir uma pitada sequer de agressividade ou algum olhar estranho, coisa que não posso fazer na Cidade da Guatemala ou em Caracas. Todo mundo me recebeu com afeto e inclusive me levaram aos lugares onde estão seus problemas, e lamento muito meu conhecimento nulo do crioulo ou do francês, pois me contavam histórias que eu não conseguia entender. Entretanto, muitos falam espanhol e eles conseguiram dizer seus sentimentos, a mim, um branco desconhecido que invade seus espaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vida normal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorremos a distância entre Jacmel e Anse-a-Pitre em um carro da Crose, uma Nissan 4x4 cheia de malas e volumes, e nos 187 quilômetros que separam essas duas comunidades não encontramos nenhum problema de pilhagem como costumam dizer. O que vi, sim, foram muitas pessoas montadas em seus burros indo ao campo trabalhar, os carvoeiros fazendo seus fornos, as mulheres carregando água como sempre, os mercados comunitários vendendo seus produtos. Sim, a preços mais altos, claro. O preço da gasolina subiu muito e isso encarece tudo, mas as pessoas do campo levam sua vida normalmente, buscam garantir a vida com seu trabalho, que muitas vezes não lhes proporciona o suficiente para comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como os meios de comunicação podem dizer que tudo é desastre se existe um montão de corações que ainda batem com um sentimento humano de solidariedade que sempre se nota mais entre os que menos têm? E este povo é possivelmente um dos povos que menos tem, e menos ainda agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alejandro Ramírez&lt;/strong&gt;, cineasta guatemalteco, presenciou o terremoto no Haiti ocorrido no dia 12&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: &lt;strong&gt;Igor Ojeda&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2857643755357687366?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2857643755357687366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2857643755357687366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2857643755357687366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2857643755357687366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/haiti-um-caos-inventado-pela-midia.html' title='Haiti: um caos inventado pela mídia'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5711614524930623027</id><published>2010-01-21T14:56:00.000-02:00</published><updated>2010-01-21T14:56:13.354-02:00</updated><title type='text'>Terremoto é desastre natural, mas a pobreza extrema, não</title><content type='html'>Abaixo, parte da matéria sobre o terremoto no Haiti publicada na atual edição do &lt;b&gt;Brasil de Fato&lt;/b&gt; (nº 360). Está na &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/"&gt;página na internet&lt;/a&gt; do jornal. &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201ca-pobreza-extrema-do-haiti-e-uma-construcao-historica-bi-centenaria201d"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, a entrevista na íntegra (utilizada em parte na matéria) sobre o assunto com o historiador Mário Maestri. Vale a pena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Terremoto é desastre natural, mas a pobreza extrema, não&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mídia relaciona efeitos graves do tremor de terra no Haiti com a pobreza extrema, mas não diz por que o país caribenho é tão subdesenvolvido&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Eduardo Sales de Lima&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;e Igor Ojeda&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;As imagens das TVs de todo o mundo mostram um verdadeiro inferno. Destruição total, corpos estirados, homens e mulheres aos prantos. Os relatos dos repórteres nos jornais que foram a campo não são diferentes. Saques a supermercados, violência, desespero. &lt;br /&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Quase em uníssono, os meios decretaram: os efeitos do terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido no dia 12 no Haiti são ainda mais graves devido à extrema pobreza em que vive a população do país, o de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do hemisfério ocidental. A análise um tanto óbvia não é incorreta, mas a imprensa em geral “esqueceu-se” de explicar o porquê de tanta miséria, praticamente naturalizando o subdesenvolvimento acentuado do Haiti.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; “É preciso que se diga que se, de fato, as causas da tragédia são naturais, nem todos os efeitos o são”, opina Aderson Bussinger Carvalho, advogado e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que visitou o país em julho de 2007. “É preciso saber que indústrias exploram a mão-de-obra barata haitiana, cujos produtos são exportados para o mercado dos EUA, assegurando imensos lucros que não se revertem em favor do povo. As casas construídas somente com areia, a ausência de hospitais, a falta de luz e água... tudo isso vem de antes do terremoto”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Pobreza extrema&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Atualmente, 80% dos haitianos vivem abaixo da linha de pobreza, sendo que 54% se encontram na extrema pobreza. A mortalidade infantil é de cerca de 60 mortes para cada mil nascimentos (no Brasil, a proporção está em torno de 22 para mil), a expectativa de vida é de 60 anos e o analfabetismo atinge 47,1% da população.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Além disso, o país sofre com a falta de infra-estrutura e indústria nacional. As estradas são bastante precárias, assim como as áreas de energia, telecomunicações e transporte. Dois terços dos haitianos dependem da agropecuária para sobreviver, enquanto apenas 9% trabalham em fábricas, em sua maioria nas chamadas maquiladoras, unidades especializadas em produção de manufaturados para exportação que se utilizam de mão-de-obra barata. “Durante o ano de 2009, percorremos todo o Haiti. Nossa brigada percorreu dez departamentos e conhecemos a situação de pobreza em que vive a imensa maioria da sociedade haitiana”, relata José Luis Patrola, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Brigada Internacionalista Dessalines da Via Campesina, que atua com as organizações camponesas do país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Triste e estranha realidade para uma nação que foi a segunda das Américas a se tornar independente (da França) e a primeira a abolir a escravidão, em 1804. Ou seja, que tinha tudo para oferecer uma vida digna para seus habitantes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Construção histórica&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; “A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária, produto da incessante intervenção colonialista e imperialista, em boa parte devido precisamente a ter sido o Haiti a primeira e única nação negreira onde os trabalhadores escravizados insurrecionados obtiveram a liberdade. Isso após derrotar expedições militares francesa, inglesa e espanhola”, explica Mário Maestri, historiador e professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Segundo ele, a partir de então, o Haiti passou a ser temido pelos EUA, pois poderia servir como exemplo aos escravos estadunidenses. Assim, o país passou a “ser objeto de bloqueio quase total, desde seus primeiros anos, pelas nações metropolitanas e americanas independentes. Já em 1825, foi obrigado a pagar, sob pena de agressão militar, pesadíssima indenização à França. Conheceu nas décadas seguintes intervenções militares dos EUA, que, mesmo após a desocupação, em 1934, transformaram o país em semi-colônia, sobretudo através das sinistras ditaduras dos Duvaliers, Papa-Doc e seu filho [entre 1957 e 1986]”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; De acordo com Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), o Haiti não é uma exceção na região em que se encontra, mas um caso extremo da dominação imposta pelos países centrais do capitalismo. Assim, para ele, “atribuir seus males à incapacidade da sua população, descendente de escravos forçados a trabalhar na ilha pelos colonialistas franceses, é um conceito abertamente racista. A classe dominante, ela sim, é corrupta até a medula. Se chegar ajuda para o governo local, vão roubar, para vender e chantagear a população”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Casas amontoadas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Além da pobreza, outro fator vem sendo apontado como potencializador dos efeitos do terremoto, embora ambos estejam fortemente vinculados: a grande quantidade de pessoas vivendo nas cidades (especialmente na capital, Porto Príncipe) em casas amontoadas e construídas precariamente, o que fez com que desabassem mais facilmente. Segundo Patrola, o desastre deixou evidente a precaridade do sistema urbano no Haiti. “Porto Príncipe e as favelas de Cité Soleil e Bel-air foram construídas de forma espontânea com a ausência de recursos mínimos de construção civil. Isso potencializou a destruição”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Aqui, outra triste e estranha realidade: como se explica que um país cuja agricultura representa 28% do PIB (no Brasil, esse índice é de 7%) possua um índice de êxodo rural tão acentuado e tenha 47% de sua população vivendo na zona urbana?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; “Pela eliminação das culturas agrárias locais pelos produtos importados, inclusive os das famosas 'ajudas internacionais'. O subdesenvolvimento eliminou as florestas locais, pois o carvão é quase a única fonte de energia no interior. Em 1970, o Haiti era quase auto-suficiente em alimentação, hoje importa 60% do que come”, responde Osvaldo Coggiola. Segundo dados da ONU, entre 2005 e 2010, a população das cidades haitianas cresceu 4,5% por ano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Migração&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; O historiador Mário Maestri explica que a revolução de 1804 teve como consequência a divisão dos latifúndios existentes em lotes familiares, que retomaram as tradições camponesas africanas, proporcionando uma independência alimentar. No entanto, “as intervenções imperialistas, com a colaboração das frágeis e corruptas elites negras e mulatas, desdobraram-se para metamorfosear a agricultura familiar-camponesa em mercantil. Levantes camponeses foram duramente reprimidos, para reconstituir a grande propriedade”, diz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Patrola, da brigada da Via Campesina no Haiti, responsabiliza ainda as políticas neoliberais mais recentes pelo “desmonte” do campo. “A abertura comercial está destruindo a agricultura haitiana.  O Haiti é o quarto importador de arroz dos Estados Unidos”, diz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; O resultado de todo esse processo vem sendo uma grande migração para a cidade. E hoje, de acordo com Maestri, as enormes massas de miseráveis urbanos são vistas como mão-de-obra extremamente barata para as indústrias maquiladoras que se estabeleceram no Haiti.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h1 class="documentFirstHeading"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um terremoto oportuno?&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;Envio de militares estadunidenses e de um novo contingente da Minustah farão o número per capita de tropas no país caribenho superar o do Afeganistão pré-Obama&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Eduardo Sales de Lima&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;e Igor Ojeda&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;da Redação&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Se o terremoto que destruiu o Haiti no dia 12 serviu como pretexto para os EUA ocuparem diretamente o país ainda não de pode afirmar com toda segurança, mas o fato é que o governo de Barack Obama já anunciou o envio de 10 mil militares à nação caribenha – cinco mil já estavam chegando ou a caminho no dia 19, data do fechamento desta edição. Em vez de médicos, enfermeiros e engenheiros, máquinas de guerra como helicópteros, navios e porta-aviões.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Se o contingente total da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil, aumentar para 12.651, como de fato pode ocorrer, a presença militar estrangeira no Haiti será de quase 24 mil homens, num país de 9 milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Em um recente artigo, o economista canadense Michel Chossudovsky traz esses números e elabora uma relação inquietante. Ele recorda que no Afeganistão, antes da escalada militar de Obama, as forças conjuntas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contabilizavam 70 mil homens para uma população de 28 milhões. Em outras palavras, Chossudovsky conclui que, per capita, haverá mais tropas no Haiti do que havia no Afeganistão em 2008.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Nos últimos dias, não foi só a quantidade de “marines” que intimidou as demais nações envolvidas na ajuda humanitária ao Haiti, que protestaram contra um suposto controle excessivo sobre a ajuda humanitária por parte dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Poderes aos EUA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; A secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton, também demarcou seu espaço, quer dizer, o espaço político de seu país. No dia 16 de janeiro, afirmou ao jornal estadunidense New York Times esperar que o parlamento haitiano emitisse um decreto emergencial concedendo poder legal ao presidente haitiano, René Préval, de impor toques de recolher e outras medidas. “Tal decreto daria ao governo uma enorme autoridade, que, na prática, eles delegariam para nós”, disse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Os atos e atitudes estadunidenses não pararam por aí. O aeroporto da capital Porto Príncipe foi tomado. A Força Aérea estadunidense “assumiu” as funções de controle de tráfego aéreo bem como a administração do aeroporto. Assim, nos dias que se seguiram ao terremoto os militares estadunidenses passaram a regular o fluxo de ajuda de emergência e de abastecimento que estão sendo levados para o país em aviões civis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Isso não agradou as nações envolvidas com a ajuda humanitária. Alguns de seus representantes chegaram a expressar o descontentamento com as práticas estadunidenses. O secretário de Estado francês para a Cooperação, Alain Joyandet,  protestou contra os entraves que os Estados Unidos impôs a um avião francês que transportava um hospital móvel que tentava aterrissar no aeroporto da capital do Haiti. “Não se trata de ocupar o país, senão de ajudá-lo a recobrar a vida”, criticou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Retomada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Uma ideia de um estadunidense, Lawrence Korb, ex-secretário assistente de Defesa dos Estados Unidos, explicita a preocupação com a presença dos Estados Unidos no Haiti. Ele sugeriu, publicamente, que se aproveitasse o conhecimento dos médicos cubanos em tarefas de resgate no país. Haveria tal desprendimento por parte dos militares estadunidenses? “Cuba manda médicos. Os EUA, porta-aviões e marines de fuzis! Na ocupação militar do país, deixam claro que, nessa região, é o imperialismo estadunidense que manda”, destaca o historiador Mário Maestri, professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Para ele, trata-se de um movimento que se associa ao retorno estadunidense à América Central e do Sul, expresso no golpe de Estado em Honduras e nas bases militares na Colômbia. “Hoje, na região, o grande problema é a Venezuela. Certamente teremos novas bases militares estadunidenses no Haiti, região estratégica, e muito barata”, elucida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Fortalecimento da direita&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; Sandra Quintela, economista do PACS (Políticas Alternativas para o Cone Sul) e integrante da campanha Jubileu Sul, também não desconecta a escalada da ocupação estadunidense no Haiti com o que aconteceu em Honduras e com o próprio passado político haitiano, país sobre o qual, desde 1915, os estadunidenses exercem forte influência política e econômica. Para ela, sempre é necessário analisar as ações estadunidenses tendo em conta o recente fortalecimento da direita contra os países progressistas da  região. “Geograficamente, o Haiti está situado entre Cuba e Venezuela. Do ponto de vista geopolítico, é importantíssimo”, analisa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Manter a América Latina sob sua corrente seria o objetivo maior dos Estados Unidos. “O envio de marines, de fato, é uma vergonha. O que é que o marines sabem fazer?”, questiona José Luis Patrola, da Brigada Internacionalista Dessalines da Via Campesina no Haiti. Ele mesmo responde:  “Sabem fazer guerra. Eles são treinados para guerra, e não para atuar em casos de catástrofes, em caso de reconstrução nacional”. Para Patrola, o que os Estados Unidos temem, em última instância, “é uma rebelião popular motivada pela fome, sede e falta de casa”.&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5711614524930623027?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5711614524930623027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5711614524930623027&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5711614524930623027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5711614524930623027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/terremoto-e-desastre-natural-mas.html' title='Terremoto é desastre natural, mas a pobreza extrema, não'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-9082275390778477208</id><published>2010-01-19T14:50:00.001-02:00</published><updated>2010-01-19T14:52:48.361-02:00</updated><title type='text'>Este é o capitalismo</title><content type='html'>O Haiti inteiro passa fome, mas uma das grandes preocupações das tropas da ONU, dos militares dos EUA e da polícia local é com o saques a supermercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nelson Jobim até já anunciou o envio de balas de borracha, gases lacrimogêneos e cassetetes para ajudar na repressão contra possíveis manifestações populares contra a falta de comida e água.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a mídia insiste em dizer que a falência do Estado e a extrema pobreza do Haiti agravam as consequências do terremoto, mas não diz como que o país chegou a essa situação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-9082275390778477208?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/9082275390778477208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=9082275390778477208&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/9082275390778477208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/9082275390778477208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/este-e-o-capitalismo.html' title='Este é o capitalismo'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-4031434879001721465</id><published>2010-01-18T14:11:00.000-02:00</published><updated>2010-01-18T14:11:29.711-02:00</updated><title type='text'>A "liberdade de expressão" da grande mídia</title><content type='html'>Do site do &lt;a href="http://www.cepr.net/"&gt;Center for Economic and Policy Research (CEPR)&lt;/a&gt;: &lt;br /&gt;&lt;h3&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Luchas mediáticas en América Latina no son sobre la “libertad de expresión”&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt;&lt;/span&gt; &lt;em&gt;The Guardian Unlimited&lt;/em&gt;, 8 de enero de 2010 &lt;a href="http://www.cepr.net/index.php/op-eds-&amp;amp;-columns/op-eds-&amp;amp;-columns/media-battles-in-latin-america-not-about-free-speech/" target="_self"&gt;&lt;br /&gt;En inglés&lt;/a&gt; &lt;span class="pageIntro"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt;Durante el ultimo mes ha habido una lucha sobre como regular los medios de comunicación en Ecuador.&amp;nbsp; La lucha ha aparecido en las primeras paginas de todos los periódicos, y el influyente diario El Comercio la caracterizo como una lucha por la “defensa de los derechos humanos y del libre ejercicio del periodismo.”&amp;nbsp; Esto fue en respuesta al cierre de la estación Teleamazonas por tres días empezando el 22 de diciembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizaciones internacionales como Human Rights Watch, basada en Washington, y el Comité para la Protección de Periodistas, se unieron a los medios Ecuatorianos en condenar las acciones del gobierno.&amp;nbsp; El director del Comité para la Protección de Periodistas se refirió al cierre de Teleamazonas como “nada más que un intento para intimidar a los medios al silencio.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero como suele suceder cuando estos monopolios mediáticos privados son desafiados por gobiernos progresistas, los puntos de vistas presentados por estas poderosas corporaciones y sus aliados en los Estados Unidos son parciales y simplificados.&amp;nbsp; Ecuador, con un gobierno democrático de izquierda, enfrenta el mismo desafío que todos los otros gobiernos progresistas de la región: los medios privados son dominados por fuertes monopolios derechistas que en muchas ocasiones actúan como partidarios políticos y se oponen a las reformas económicas y sociales por las que voto el pueblo.&amp;nbsp; Todos estos gobiernos han ofrecido respuestas a este problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Argentina, una nueva ley de comunicación propone deshacer el monopolio del Grupo Clarín, el cual controla aproximadamente 60 por ciento de los medios de acuerdo a reportes en la prensa.&amp;nbsp; El gobierno de Brasil creó, por primera vez en 2007, un canal de televisión federal publico.&amp;nbsp; El gobierno Boliviano, que posiblemente enfrenta los medios de comunicación más hostiles del hemisferio, también ha expandido el espacio para los canales públicos.&amp;nbsp; Aun que no lo pondrían de esta forma, todos estos gobiernos pretenden cambiar los medios de comunicación para que sean más similares a lo que tenemos aquí en los Estados Unidos.&amp;nbsp; Es decir, medios de comunicación fuertemente parciales hacia los intereses de los ricos y la clase alta, pero que aun así cumplen con normas periodísticas que limitan el grado en que se pueden comportar como un actor político directo y partidario.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En el caso de Ecuador vale la pena examinar los detalles tras la suspensión de Teleamazonas por tres días.&amp;nbsp; El gobierno encontró que Teleamazonas violó, por la segunda vez en un año, una ley que prohíbe la emisión de noticias basadas en supuestos que pueden causar conmoción o daños públicos.&amp;nbsp; En la primera violación, Teleamazonas fue multada $40 por reportar falsamente la existencia de un “centro clandestino” del consejo electoral utilizado para manipular los resultados de elecciones.&amp;nbsp; La segunda violación, que ocurrió en mayo, fue un reporte falso declarando que los habitantes de la isla Puná no podrían pescar por seis meses debido un proyecto de exploración de gas natural.&amp;nbsp; Como la mayoría de la población de Puná vive de la pesca, este reporte sí causo disturbios sociales.&amp;nbsp; Al final se determinó que ambos informes no estaban basados en hechos objetivos.&amp;nbsp; También vale la pena mencionar que los disturbios sociales en Ecuador son mucho más serios que en los Estados Unidos: Ocho de los últimos diez presidentes no terminaron su periodo completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicho esto, personas razonables pueden diferir sobre el papel adecuado del gobierno en la regulación de los medios de comunicación, o que limite – si alguno – debiera existir sobre la libertad de expresión.&amp;nbsp; Algunos libertarios civiles se oponen a leyes permitiendo que individuos hagan demandas por difamación o calumnia, y se puede argüir que en el Reino Unido, por ejemplo – donde la ley permite muchas más acciones en contra de la prensa que en los Estados Unidos – esto excesivamente reprime la prensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero organizaciones internacionales o editorialistas que toman una posición absolutista o anarquista en torno a países como Ecuador deberían tomar la misma posición en torno a los Estados Unidos o otros países desarrollados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ejemplo, aproximadamente dos semanas antes de la elección presidencial del 2004 en los Estados Unidos, el Sinclair Broadcast Group of Maryland, dueño de la cadena televisiva más grande de los Estados Unidos, decidió mostrar una película altamente critica del candidato presidencial John Kerry.&amp;nbsp; Diecinueve senadores Demócratas le mandaron &lt;a href="http://leahy.senate.gov/press/200410/101504.html" target="_blank"&gt;una carta&lt;/a&gt; a la Comisión Federal de Comunicaciones pidiendo una investigación, y algunos declararon públicamente que la licencia del grupo Sinclair podría estar en peligro.&amp;nbsp; Al final, Sinclair no mostró la película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tipo de acción no es común en los Estados Unidos porque los medios de comunicación casi nunca rompen, o ni se acercan a romper, ciertas reglas y normas.&amp;nbsp; Esto es verdad aun para Fox News, que se considera la estación más partidaria de todos los grandes medios de comunicación.&amp;nbsp; Es difícil pensar de un solo ejemplo donde una estación en los Estados Unidos se haya comportado como Teleamazonas – emitido reportes falsos con la aparente intención de desestabilizar al gobierno.&amp;nbsp; Eso simplemente no se toleraría en los Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por supuesto, los estándares de los Estados Unidos son bajos.&amp;nbsp; Después de todo, este es un país donde los grandes medios de comunicación – al simplemente repetir declaraciones oficiales del gobierno sin critica – ayudaron meternos en una guerra con Irak al convencer a la mayoría de los Americanos que Saddam Husein fue el responsable de los ataques del once de septiembre.&amp;nbsp; En asuntos domésticos, nuestros medios de comunicación también han convencido a la mayoría de que nunca recibirán sus pensiones de seguro social – algo tan improbable como el fin de la autoridad del gobierno federal en los Estados Unidos.&amp;nbsp; Los grandes medios de comunicación en los Estados Unidos, la mayoría del tiempo, no cumplen con su deber de informar al público sobre los temas más importantes del día.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero la comparación tiene relevancia.&amp;nbsp; Algunas voces dentro de Ecuador han comentado que la nueva ley de comunicación propuesta por el gobierno, aun que no permitiría censura directa, podría resultar en autocensura.&amp;nbsp; Pero al ver las noticias y programas políticos en la tele Ecuatoriana, hay mucho menos autocensura que en los Estados Unidos.&amp;nbsp; (Lo cual, de nuevo, es un estándar bajo: durante los últimos ocho años, en general, uno tenía que viajar afuera de los Estados Unidos para ver imágenes de bajas militares en Afganistán e Irak).&amp;nbsp; Funcionarios del gobierno, por ejemplo, son cuestionados con mucha más agresividad por periodistas que en los Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mi propia opinión es que la solución es introducir más competición en los medios de comunicación.&amp;nbsp; La ley de medios propuesta en Argentina establecería la división igualitaria del espectro de radiodifusión entre medios de comunicación privados, públicos y comunitarios.&amp;nbsp; Es posible que Ecuador tome medidas similares.&amp;nbsp; Estos cambios son especialmente importantes en una región donde solo menos de un tercio de la población tiene acceso al Internet y la gran mayoría consigue sus noticias a través de medios de comunicación tradicionales.&amp;nbsp; Como dijo Michael J. Copps, un comisionado de la Comisión Federal de Comunicaciones en los Estados Unidos, “usar las ondas públicas es un privilegio – uno lucrativo – no un derecho.”&amp;nbsp; Él ha argumentado, en el &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt; y en otras publicaciones, que el gobierno de los Estados Unidos debería usar su autoridad legal para negarle la renovación de licencias ha medios de comunicación que no han cumplido con su deber de aportar al bien público.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasta que haya una estructura mediática más democrática en América Latina los conflictos entre gobiernos progresistas y los medios de comunicación derechistas son inevitables.&amp;nbsp; Por supuesto es posible que los gobiernos podrían abusar de su autoridad reguladora.&amp;nbsp; Pero hasta ahora ha sido abrumadoramente lo contrario: los grandes medios de comunicación han abusado de su poder y control en maneras que dañan la democracia. &lt;/span&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt; &lt;em&gt;&lt;span class="pageIntro"&gt;&lt;a href="http://www.cepr.net/index.php/mark-weisbrot-en-espanol/" target="_self"&gt;Mark Weisbrot&lt;/a&gt; es codirector del Center for Economic and Policy Research (CEPR), en Washington, D.C.&amp;nbsp; Obtuvo un doctorado en economía por la Universidad de Michigan. Es coautor, junto con Dean Baker, del libro Social Security: The Phony Crisis (University of Chicago Press, 2000), y ha escrito numerosos informes de investigación sobre política económica.&amp;nbsp; Es también presidente de la organización Just Foreign Policy.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-4031434879001721465?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/4031434879001721465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=4031434879001721465&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/4031434879001721465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/4031434879001721465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/liberdade-de-expressao-da-grande-midia.html' title='A &quot;liberdade de expressão&quot; da grande mídia'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2955937483012297869</id><published>2010-01-18T10:26:00.000-02:00</published><updated>2010-01-18T10:26:09.754-02:00</updated><title type='text'>“Devemos buscar uma revolução midiática”</title><content type='html'>Do site do &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/"&gt;&lt;b&gt;Brasil de Fato&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;h1 class="documentFirstHeading"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Devemos buscar uma revolução midiática”&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 class="documentFirstHeading"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: small; font-weight: normal;"&gt;Para o jornalista espanhol Pascual Serrano, fundador da página Rebelión, a esquerda mundial deve criar seus próprios meios para trazer à tona os fatos “silenciados” pela imprensa comercial&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Cristiano Navarro, Igor Ojeda,&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Nilton Viana e Tatiana Merlino*&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;de Guararema (São Paulo)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O silêncio é, paradoxalmente, um dos principais mecanismos adotados pelos meios de comunicação para manipular os fatos. Se uma notícia não interessa aos donos da imprensa – e, consequentemente, aos donos do mundo –, ela simplesmente não é veiculada. Tal denúncia é feita pelo jornalista espanhol Pascual Serrano, um dos fundadores da página alternativa &lt;span class="link-external"&gt;&lt;a href="http://www.rebelion.org/"&gt;Rebelión&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; e autor do livro “Desinformación. Cómo los medios ocultan el mundo”, lançado em meados do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;“Se contarem muitas mentiras, perderão sua credibilidade, perderiam sua eficácia como mecanismo de formação de opinião”, diz, em conversa na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP). Portanto, segundo ele, os meios, além de ignorarem seletivamente determinados fatos, lançam mão de outros expedientes, como a descontextualização e a linguagem enviesada. Para Serrano, só há um modo da esquerda se defender de tamanha manipulação. Criar seus próprios meios, em vez de ficar esperando por pequenos espaços na grande mídia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Brasil de Fato – Você tem um livro chamado “Desinformação. Como os meios ocultam o mundo”. Quais são os principais mecanismos que os meios utilizam para ocultar o mundo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Pascual Serrano –&lt;/b&gt; Eu dividiria em dois mecanismos. Por um lado, os estruturais: ou seja, os mecanismos cotidianos de funcionamento da imprensa que, por seu modelo de trabalho, são incompatíveis com a explicação do mundo. Fundamentalmente, seria a falta de antecedentes sobre um contexto para se compreender uma situação complexa, a dinâmica da televisão – que, com seu ritmo trepidante, impede a compreensão, sobretudo, de assuntos complicados – e o culto ao sensacionalismo da imagem – que ocorre muito na televisão. Isso impede aprofundar as questões e enviar uma mensagem complexa. Por exemplo, quando você quer dar um sentido simples – que o Irã tem bomba atômica ou que o Chávez é um ditador –, isso pode ser dito em poucas palavras. Mas se você quer explicar que a política dos EUA está provocando um genocídio no Afeganistão, isso exige uma explicação mais complexa. Uma outra situação é quando há um consenso e um plano premeditado por parte dos grandes meios para enviar uma mensagem concreta. Isso contempla estigmatizar ou criminalizar líderes políticos que não são do gosto do establishment mundial, até criminalizar movimentos sociais, ou determinados coletivos ou causas. Atentem para o fato de que o mecanismo não é somente a mentira, que essa existe, mas não é a mais habitual. Porque eles sabem que sua principal carta é a credibilidade. Se contarem muitas mentiras, perderão sua credibilidade, perderiam sua eficácia como mecanismo de formação de opinião. Ou seja, o plano é mais refinado: utilizam-se de silenciamentos de notícias que eles não gostam. Por exemplo: a missão Milagre, realizada em uma parceria entre Venezuela e Cuba, que fez com que um milhão de pessoas de origem humilde na América Latina e Caribe conseguissem recuperar a visão, é notícia, parece evidentemente relevante , mas isso está silenciado. Além disso, eles também jogam com o enquadro, o enfoque da notícia, buscando elementos dentro de um contexto que levem para uma tese e não para outra. E o que fica claro no livro é que o modelo muda de uma região para outra, de um tema para outro. Por exemplo: no conflito Palestina-Israel, o problema é a falta de contexto. Ninguém, neste momento, parece saber dizer a origem deste conflito, apesar dele estar presente todos os dias no noticiário. Utilizam a linguagem como método de manipulação, de maneira que sistematicamente chamam de terrorista os palestinos. Chamam de sequestrados os soldados israelenses capturados. Chamam de detidos os civis palestinos que são sequestrados pelo exército israelense. Na África, por exemplo, aplica-se o silenciamento, ou apresenta-se os conflitos como questões tribais, em vez de mostrarem os interesses de empresas e poderes coloniais como França e EUA. E, na América Latina, utilizam a estigmatização e criminalização constante dos líderes, como Hugo Chávez, Evo Morales ou Fidel Castro. No caso da Venezuela, é curioso, porque apresentam como escândalos notícias que se apresentam como normais em outros países. Reivindicam como escândalos a não renovação de uma concessão de TV cujo prazo acabou e a mudança de um fuso horário. Há outra pauta habitual em relação à América Latina, através da qual o presidente ou o líder político são apresentados sempre em meio a uma imagem de crise, desestabilizações e caos. Isso faz com que, na Europa, todo mundo conheça os nomes dos presidentes da Bolívia e da Venezuela, mas não conheçam o nome do presidente do Peru ou do México. Inclusive, se você pergunta quem teria sido outro presidente da Bolívia ou da Venezuela, não sabem dizer. E dos últimos anos, Evo Morales e Hugo Chávez, todo mundo sabe quem é.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Quais foram os métodos utilizados para fazer o livro, como foi a pesquisa?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;O livro nasceu um pouco da minha experiência como diretor da Telesur, onde observei que tudo que chega das agências de notícia e, inclusive, os hábitos dos jovens jornalistas, impedem explicar em profundidade o está acontecendo no mundo. Então, refleti sobre como explicar o mundo com suficiente complexidade na televisão. Tudo que eu quis fazer na Telesur muitas vezes não é possível fazer em uma televisão por imperativos técnicos, econômicos, logísticos ou de imagem. Assim, comecei a entrevistar especialistas e jornalistas que considero autores de confiança e que conhecem em profundidade diferentes regiões – por exemplo, sobre Afeganistão, Congo, Cuba, China. Enfim, perguntei a estes especialistas sobre a zona que conheciam. Perguntei se o que passa na imprensa se ajusta ao que acontece. Eles, evidentemente, opinaram e mostraram como determinadas situações não estão ajustadas ao que está sendo contado nos meios de comunicação. Falei com as organizações de direitos humanos que estão nos locais. Busquei analistas que trabalham com meios de comunicação, observatórios de meios de comunicação, especialistas nos seguimentos de notícia em âmbito acadêmico. Conversei com meios alternativos que não estão tão influenciados por interesses publicitários ou de grupos econômicos empresariais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Você acredita que existe uma espécie de plano estabelecido entre os diversos meios para desinformar ou as coisas acontecem de forma mais natural e automática, como sendo uma espécie de ação de imprensa que vai se estabelecendo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Não é um plano desenhado, mas parte da evolução espontânea do mecanismo de funcionamento dos meios de comunicação. Seguindo a ideia: meios de comunicação são propriedades de grandes grupos empresariais. Interesses econômicos de grandes empresas multinacionais pedem grandes investimentos em publicidade. Políticos liberais que não gostam de políticas progressistas reagem em conjunto com estes atores. Ou seja, assim se forma um consenso para satanizar o Hugo Chávez ou para satanizar ou criminalizar a Revolução Cubana. A grande imprensa não se reúne para dizer: “como vamos atacar Cuba ou Chávez?”. Os interesses destes grupos econômicos é que vão atuar em consenso, sem necessidade de se coordenarem. Um exemplo claro são os países latino-americanos que passam por reformas nas leis de comunicação. A reação dos grandes meios de comunicação na Venezuela, na Argentina e no Equador foi igual. Governos que iniciam processos de democratização dos meios de comunicação, cedendo espaço aos movimentos sociais, meios independentes e imprensa livre, encontram sistemática oposição de grupos midiáticos espanhóis, bolivianos, argentinos e equatorianos. E, se amanhã houver uma iniciativa como essa no Brasil, será igual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Mas, se por um lado não há um plano, por outro existe uma articulação dos meios, como, por exemplo, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) ou a ONG Repórteres Sem fronteira. &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Como é esta articulação?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Sim, eles têm mecanismos de combate comum. E é bom decifrar como operam e como não têm nenhuma legitimidade ou representatividade. Por exemplo, quando se fala da Sociedade Interamericana de Imprensa, não devemos nos cansar de explicar que se trata de uma associação patronal. Que defende as empresas e não representa nenhuma liberdade de expressão. É como se empresas que constroem estradas falassem da falta de liberdade de movimento porque estão impedidas de construírem uma estrada na Amazônia. Não, liberdade de movimento é diferente de construir estradas. Além disso, temos que esclarecer que quando as empresas falam de liberdade de expressão, estão reivindicando o seu direito de censura. Ou seja, querem continuar com seu direito de manter o oligopólio e o controle da informação. Dizer o que pode ir ou não para a tela e chegar ao público. A Repórteres Sem Fronteiras é algo similar. Tem denunciado os jornalistas mortos no Iraque, mas muda de reação quando fala da Colômbia. Recentemente, fiz em uma entrevista com um jornalista colombiano que disse que uma vez perguntou a um representante da Repórteres Sem Fronteiras como ele considerava a liberdade de expressão na Colômbia. Ele respondeu: “Sim, é verdade que nos matam, mas na Colômbia a liberdade de expressão existe”!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Quais são os países onde a desinformação é maior? Em qual nação os meios estão mais concentrados?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Eu acredito que o país mais desinformado é os EUA, considerando a quantidade de recursos que o governo estadunidense tem para infiltrar analistas, comprar jornalistas, pressionar as linhas informativas aos seus interesses. Ademais, os lobbies das empresas, como as de armas, sobre conteúdos jornalísticos, ficou claro na guerra do Iraque. Em alguns países, as denúncias de que não haviam armas de destruição massiva ou de que era uma invasão ilegal ao país do Oriente Médio tiveram uma certa aceitação. Nos EUA, dados de analistas e informações mostraram que a desinformação publicada a respeito da invasão era totalmente a favor da intervenção. Ao ponto em que 51% dos estadunidenses acreditavam que Saddam Hussein havia participado pessoalmente nos atentados de 11 de setembro. O que demonstra claramente que foram enganados. Mas acredito que o país onde a desinformação levou ao enlouquecimento manipulador de maneira mais violenta e radical é a Venezuela. O livro narra exemplos impressionantes. Não só como os meios de comunicação venezuelanos tratavam o Chavéz, mas como as informações chegavam a outros países. Me lembro de uma manifestação a favor de Chávez que as televisões, ao vivo, para mostrarem que haviam poucas pessoas, filmaram a dois quilômetros de onde estava acontecendo o ato. Ou mostravam e repassavam para outros países imagens de manifestação em oposição a Chávez com imagens gravadas há anos!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Como é possível se contrapor a este poder?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;Neste momento, o principal mecanismo de combate que o capital e a burguesia possuem contra os governos progressistas não é sequer a ameaça de um golpe militar, são os meios de comunicação. Já conseguiram coisas que nenhuma empresa e nenhum governo conseguiram. Maior impunidade, menos controle por parte das legislações. Creio que os governos progressistas reagiram demasiadamente atrasados. Evo Morales ou o Lula passaram anos reclamando que os meios de comunicação não paravam de atacá-los e agredi-los. Apenas reclamar me parece uma política ineficaz. Se um governo progressista é atacado, o que ele tem a fazer é desenvolver políticas públicas para evitar isso. É como em educação: se não há colégio para todas as crianças, os governos não devem vir se queixar, devem construir escolas. E estes governos devem criar políticas públicas de democratização da comunicação. Mas estes meios públicos e comunitários não podem se converter em meios de governo, presidentes e partidos. Devem ser participativos, democráticos e estar sob controle do cidadão. Esses são pontos imprescindíveis e que estão se desenvolvendo lentamente, mas com passos firmes. A Venezuela está na primeira linha de desenvolvimento de meios comunitários e públicos, à frente da Europa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Você acredita que a esquerda, de maneira geral, já se deu conta da importância dos meios de comunicação como mecanismo de resistência à dominação das elites?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;A esquerda se deu conta, ela é consciente de que tem grandes inimigos nos meios de comunicação, mas não sabe o que fazer. Durante muitos anos, a esquerda achou que deveria pactuar com os grandes meios. Organizando entrevistas coletivas, passando as informações, dando subvenção fiscais. Assim, acreditaram em um acordo com o capital, pensando que ele os poderiam deixar governar. A esquerda tradicional, seja em governos progressistas ou em partidos políticos, precisa compreender que não há pacto possível. Os grandes meios somente hipotecam espaços, mas não deixarão que nada se mova. O que devemos buscar é uma revolução midiática. Pois o dilema da mídia é o mesmo dilema que há em outros setores. Então, não há pacto com latifundiário, porque ele nunca vai querer perder o latifúndio, nem de terra, nem de mídia. Porque são empresas de comunicação e, por trás, grupos de empresários e um modelo econômico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;b&gt;Como é o panorama da imprensa de esquerda na Espanha?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;É deprimente. O México tem um excelente jornal, que é o La Jornada. No Brasil, vocês têm o Brasil de Fato, que é uma experiência muito bonita de coordenação dos movimentos sociais para ter uma publicação, o que é algo muito difícil. Na Itália, ainda há o Il Manifesto e outros ligados à esquerda. Mas na Espanha não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;* Da revista Caros Amigos&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;QUEM É&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;i&gt;Nascido em Valencia (Espanha) em 1964, Pascual Serrano fundou em 1996, juntamente com um grupo de jornalistas, a página Rebelión (www.rebelion.org). De 2006 a 2007, Serrano foi assessor editorial da Telesur. Hoje, colabora com publicações espanholas e latino-americanas e, mensalmente, com Le Monde Diplomatique. Entre seus livros sobre política e comunicação, destacam-se: “Desinformación. Cómo los medios ocultan el mundo”, de 2009; “Perlas 2. Patrañas, disparates y trapacerías en los medios de comunicación”, de 2007, e “Medios violentos. Palabras e imágenes para el odio y la guerra”.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2955937483012297869?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2955937483012297869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2955937483012297869&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2955937483012297869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2955937483012297869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/devemos-buscar-uma-revolucao-midiatica.html' title='“Devemos buscar uma revolução midiática”'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1138769871741529003</id><published>2010-01-14T15:02:00.002-02:00</published><updated>2010-01-14T15:09:09.469-02:00</updated><title type='text'>Manifesto em defesa do III Programa Nacional de Direitos Humanos</title><content type='html'>Para aderir, clique &lt;a href="http://www.petitiononline.com/pndh31/petition.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;É AVANÇO NA LUTA POR DIREITOS HUMANOS &lt;br /&gt;EM DEFESA DA DEMOCRACIA, DOS DIREITOS HUMANOS E DA VERDADE&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As entidades e militantes dos Direitos Humanos e da Democracia de SãoPaulo-SP juntam-se ao Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), redeque reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil, para manifestar publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao&amp;nbsp; III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), e seu APOIO INTEGRAL a este Programa lançado pelo Governo Federal no dia 21 dedezembro de 2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o MNDH, entendemos que o PNDH 3, aprovado durante a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos (2008), é um importante passo no sentido de o Estado brasileiro assumir a bandeira dos Direitos Humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade como política pública; expressa avanços na efetivação dos compromissos constitucionais e internacionais com direitos humanos; e resultou de amplo debate na sociedade e no Governo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto, nenhuma instância do Governo Federal pode alegar ter conhecido esse Programa somente depois do ato do seu lançamento público no dia 21 de dezembro e, menos ainda, afirmar que o assinou sem haver lido, sob pena de mentir no primeiro caso e, no segundo, de acrescentar à mentira um atestado de irresponsabilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reações contra o PNDH 3 estão cheias de conhecidas motivações conservadoras, além de outras que, pela sua própria natureza, são inconfessáveis em público pelos seus defensores. Estas resistências,&lt;br /&gt;claramente explicitadas ou não ao PNDH 3, provam que vários setores da sociedade brasileira ainda se recusam a tomar os direitos humanos como compromissos efetivos tanto do Estado, quanto da sociedade e de cada pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É falso o antagonismo que se tenta propor ao dizer que o Programa atenta contra direitos fundamentais, visto que o que propõe tem guarida constitucional, além de assentar seus alicerces no que é básico para uma&lt;br /&gt;democracia, e que quer a vida como um valor social e político para todas as pessoas, até porque, a dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais de nossa Constituição e a promoção de uma sociedade livre, justa e solidária é o objetivo de nossa Carta Política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há setores que estranham que o Programa seja tão abrangente, trate de temas tão diversos. Ignoram que, desde há muito, pelo menos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, direitos humanos são muito mais doque direitos civis e políticos. Vários Tratados, Pactos e Convenções internacionais articulam o que é hoje conhecido como o Direito Internacional dos Direitos Humanos, que protege direitos de várias dimensões: civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, de solidariedade, dos povos, entre outras. Desconhecem também que o Brasil, por ter ratificado a maior parte destes instrumentos, é obrigado a cumpri-los, inclusive por força constitucional, e que está sob avaliação dos organismos internacionais da ONU e da OEA que, por reiteradas vezes, através de seus órgãos especializados, emitem recomendações para o Estado brasileiro - entre as quais, as mais recentes são de maio de 2009 e foram emitidas pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Aliás, não é novidade esta&lt;br /&gt;ampliação, visto que o II Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 2, de 2002) já previa inclusive vários dos temas que agora são reeditados, e a primeira versão do PNDH (1996) fora criticada e revisada exatamente por não contemplar a amplitude e complexidade que o tema dos direitos humanos exige.&lt;br /&gt;Por isso, além de conhecimento, um pouco de memória histórica é necessária a quem pretende informar de forma consistente a sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em várias das manifestações e inclusive das abordagens publicadas, há claro desconhecimento (além dos que apenas fingem desconhecer) do que significa falar de direitos humanos. Talvez seja por isso que, entre as recomendações dos organismos internacionais está a necessidade de o Brasil investir em programas de educação em direitos humanos, para que o conhecimento sobre eles seja ampliado pelos vários agentes sociais. Um dos temas que é abordado no PNDH 3, e que poderia merecer mais atenção dos críticos e demais cidadãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PNDH 3 resulta de amplo debate na sociedade brasileira e no Governo. Fatos atestam isso! Durante o ano de 2008, foram realizadas 27 conferências estaduais que constituíram amplo processo coletivo e democrático, coroado pela realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro&lt;br /&gt;daquele ano. Durante 2009, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) procurou traduzir as propostas aprovadas pela Conferência no texto do PNDH 3. O MNDH e suas entidades filiadas, além de outras centenas de organizações, participaram ativamente&lt;br /&gt;de todo o processo. Há outros seis meses, desde julho do ano passado, o texto preliminar está disponível na internet para consulta e opinião.Internamente no Governo, o fato de ter sido assinado pela maioria dos&lt;br /&gt;Ministérios – inclusive o Ministério da Agricultura – é expressão inequívoca da amplitude do debate e da participação coletiva que presidiu sua construção. É claro que, salvas as consultas, o texto publicado expressa a posição que foi pactuada pelo Governo. Nem tudo o que está no PNDH 3 é o que as exigências mais avançadas da agenda popular de luta por direitos humanos esperam. Contém, sim, propostas polêmicas e, em alguns casos, não bem formuladas. Todavia, considerando que é um documento programático, ou seja,&lt;br /&gt;que expressa a vontade de realizar ações em várias dimensões, tem força de orientação da atuação nos limites constitucionais e da lei, mesmo quando propõe a necessidade de revisão ou de alterações de algumas legislações. A título de esclarecimento, é prerrogativa da sociedade e do poder público propor ações e modificações, tanto de ordem programática quanto legal. Por isso, não deveria ser estranho que contenha propostas de modificação de algumas legislações. Assim que, alegar desconhecimento do texto ou mesmo que não foi discutido, é uma postura que ignora ou finge ignorar o processo realizado. É diferente dizer que se tem divergências em relação a um ou outro ponto do texto, de se dizer que o texto não foi discutido, ou que não esteve disponível para conhecimento público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntamente o ao MNDH, ainda que explicitando alguns outros detalhes que envolvem a integralidade do PNDH 3, nós, organizações, movimentos e militantes de São Paulo, entendemos que as reações veiculadas pela grande mídia comercial, com origem, em sua maioria, nos mesmos setores conservadores de sempre, devem ser tomadas como expressão de que o Programa tocou em temas fundamentais e substantivos, que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda&lt;br /&gt;a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas, e que se manifestam no patrimonialismo – que quer o Estado exclusivamente a serviço de interesses dos setores&lt;br /&gt;privados; no apego à propriedade privada – sem que seja cumprida a exigência constitucional de que ela cumpra sua função social; no revanchismo de setores civis e militares – que insistem em ocultar a verdade sobre o período da ditadura militar e em inviabilizar a memória como bem público e direito individual e coletivo; na permanência da tortura – mesmo que condenada pela lei; na impunidade – que livra “colarinhos brancos” e condena “ladrões de margarina”; no patriarcalismo – que violenta crianças e adolescentes, e serve de alicerce para o machismo – que mantém a violência contra a mulher e sua submissão a uma ordem que lhes subtrai o direito de decisão sobre seu próprio corpo (como o direito ao aborto), lhes impõe salários sempre menores que os dos homens, ou a situações de violência em sua própria casa; no racismo – que discrimina negros, indígenas, ciganos e outros grupos sociais; nas discriminações contra outras orientações sexuais que não sejam apenas a heterossexualidade (considerada o único padrão de “normalidade” em termos sexuais) – estigmatizando a homossexualidade (masculina ou feminina), a bissexualidade, os travestis ou transexuais, e todas as demais manifestações de homoafetividade – o que impede o reconhecimento dos casamentos, ligações e constituição de famílias fora das “normas” (atualizadas ou não) do velho patriarcado supostamente sempre heterossexual, monogâmico e monândrico; na falta de abertura para a liberdade e diversidade religiosa – que impede o cumprimento do preceito constitucional da laicidade do Estado; no elitismo – que se traduz na persistência da desigualdade em nosso País como uma das piores do mundo e,&lt;br /&gt;enfim, na criminalização da juventude e da pobreza, e na desmoralização e criminalização de movimentos sociais e de defensores de direitos humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o MNDH, repudiamos também a tentativa de partidarização e eleitoralização do PNDH 3. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Programa pretende ser uma política pública (e pelo público foi gerado) de Estado, e não de candidato; não pertence a um partido, mas à sociedade brasileira e, portanto, não cabe torná-lo instrumento de posicionamentos maniqueistas. Não faz qualquer sentido pretender que o PNDH 3 tenha pretensões eleitorais ou mesmo que pretenda orientar o próximo Governo. Quem dera que direitos humanos tivessem chegado a tamanha importância política e fossem capazes de, efetivamente, ser o centro dos compromissos de qualquer&lt;br /&gt;candidato e de qualquer Governo. Mas compromisso para valer, e não apenas um amontoado de frases demagogicamente esgrimidas nos palanques eleitorais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, nós – de São Paulo, do mesmo modo que o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), reiteramos a manifestação, publicada em nota no último 31/12/2009, na qual se afirma que cobramos “uma posição do Governo brasileiro, que seja coerente com os compromissos constitucionais e com os&lt;br /&gt;compromissos internacionais de promoção e proteção dos direitos humanos. O momento é decisivo para que o País avance em direção de uma institucionalidade democrática mais profunda, que reconheça e torne os&lt;br /&gt;direitos humanos, de fato, conteúdo substantivo da vida cotidiana de cada um/a dos/as brasileiros e brasileiras”. Manifestamos nosso APOIO INTEGRAL ao PNDH 3, pois entendemos que o debate democrático é sempre o melhor remédio para que a sociedade possa produzir posicionamentos que sejam sempre mais coerentes e consistentes com os direitos humanos. Ao mesmo tempo, REJEITAMOS posições e atitudes oportunistas que, desde seu descompromisso histórico com os direitos humanos, tentam inviabilizar avanços concretos na agenda que quer a realização dos direitos humanos na vida de todas e de cada uma das&lt;br /&gt;brasileiras e dos brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntamente com o MNDH, também manifestamos nosso apoio integral ao ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e entendemos que sua permanência à frente da SEDH neste momento só contribui para reforçar o entendimento de que o PNDH 3 veio para valer. Entendemos ainda que, se alguém tem que sair do Governo, são aqueles ministros – entre os quais o da Defesa, senhor Jobim, e o da Agricultura, senhor Stephanes Agricultura) – ou quaisquer outros prepostos que, de forma oportunista e anti-democrática, vêm contribuindo para gerar as reações negativas e conservadoras ao que está&lt;br /&gt;proposto no PNDH 3. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, como organizações da sociedade civil, o MNDH e nós, que vivemos e militamos em São Paulo, estamos atentos e envidaremos todos os esforços paraque as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, 14 de janeiro de 2010. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimentos, Organizações e Militantes &lt;br /&gt;pelos Direitos Humanos de São Paulo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LISTA DE ENTIDADES QUE SUBSCREVEM ESTA NOTA PÚBLICA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AÇÃO SOLIDÁRIA MADRE CRISTINA &lt;br /&gt;AETD - ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA TECER DIREITOS &lt;br /&gt;ABGLBT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E&lt;br /&gt;TRANSEXUAIS &lt;br /&gt;AJD - ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA &lt;br /&gt;ANAPI – ASSOCIAÇÃO DOS ANISTIADOS POLÍTICOS APOSENTADOS PENSIONISTAS E&lt;br /&gt;IDOSOS NO ESTADO DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;ASSOCIAÇÃO DE FAVELAS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS &lt;br /&gt;ASSOCIAÇÃO DE MULHERES DA ZONA LESTE &lt;br /&gt;ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA LUZ E VERDADE &lt;br /&gt;ASSOCIAÇÃO UMBANDISTA E ESPIRITUALISTA DO ESTADO DE SP &lt;br /&gt;ATELIÊ DE MULHER &lt;br /&gt;CASA DA VIDA, DO AMOR E DA JUSTIÇA &lt;br /&gt;CENTRO ACADÊMICO “22 DE AGOSTO' – DIREITO PUC-SP &lt;br /&gt;CENARAB – CENTRO NACIONAL DE AFRICANIDADE E RESISTÊNCIA AFRO BRASILEIRA &lt;br /&gt;CCML - CENTRO CULTURAL MANOEL LISBOA &lt;br /&gt;CIM – CENTRO DE INFORMAÇÃO DA MULHER &lt;br /&gt;CINEMULHER &lt;br /&gt;COLETIVO DE FEMINISTAS LÉSBICAS &lt;br /&gt;COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS. &lt;br /&gt;CONGRESSO NACIONAL AFRO BRASILEIRO &lt;br /&gt;CSD-DH - CENTRO SANTO DIAS &lt;br /&gt;CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES &lt;br /&gt;FRENTE NACIONAL PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DA MULHER E PELA LEGALIZAÇÃO DO&lt;br /&gt;ABORTO &lt;br /&gt;FÓRUM DOS EX-PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;FLO - FRIENDS OF LIFE ORGANIZATION &lt;br /&gt;GTNM-SP GRUPO TORTURA NUNCA MAIS – SÃO PAULO &lt;br /&gt;ICIB - INSTITUTO CULTURAL ISRAELITA BRASILEIRO - SÃO PAULO/SP &lt;br /&gt;ILÊ ASÉ ORISÁ OSUN DEWI &lt;br /&gt;ILÊ ASE OJU OMI IYA OGUNTE – SP &lt;br /&gt;ILÊ IYALASE IYALODE OSUN APARA OROMILADE – PRAIA GRANDE &lt;br /&gt;INSTITUTO LUIZ GAMA &lt;br /&gt;INSTITUTO OROMILADE - INSTITUTO DE PESQUISAS COMUNITÁRIAS, AÇÕES SOLIDÁRIAS&lt;br /&gt;E ESTUDOS DE PROBLEMAS ÉTICOS E SOCIAIS &lt;br /&gt;INTERCAMBIO INFORMAÇÕES ESTUDOS E PESQUISA &lt;br /&gt;INTERVOZES - COLETIVO BRASIL DE COMUNICAÇÃO SOCIAL &lt;br /&gt;LBL - LIGA BRASILEIRA DE LÉSBICAS &lt;br /&gt;LS-21 LIGA SOCIALISTA 21 &lt;br /&gt;MÃES DE MAIO &lt;br /&gt;MAL-AMADAS CIA DE TEATRO FEMINISTA &lt;br /&gt;MMM - MARCHA MUNDIAL DE MULHERES &lt;br /&gt;MNP.RUA – MOVIMENTO NACIONAL DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA &lt;br /&gt;MST - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA &lt;br /&gt;MOVIMENTO BRASIL AFIRMATIVO &lt;br /&gt;NEV/USP-CEPID - NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;NÚCLEO DE MEMÓRIA POLÍTICA &lt;br /&gt;NÚCLEO CABOCLO FLECHA DOURADA &lt;br /&gt;NÚCLEO PENA BRANCA E PAI XANGÔ &lt;br /&gt;NÚCLEO UMBANDISTA CASA DA FÉ &lt;br /&gt;NÚCLEO DE UMBANDA SAGRADA DIVINA LUZ DO ORIENTE &lt;br /&gt;NÚCLEO DE ORAÇÃO UNIÃO E FÉ &lt;br /&gt;NÚCLEO CAMINHOS DA VIDA &lt;br /&gt;NÚCLEO DE UMBANDA MAMÃE OXUM &lt;br /&gt;NÚCLEO SAGRADA FLECHA DOURADA &lt;br /&gt;NÚCLEO YEMANJÁ E SÃO BENEDITO &lt;br /&gt;NÚCLEO OFICINA DA VIDA &lt;br /&gt;NÚCLEO CASA DE OXUM &lt;br /&gt;NÚCLEO GENTIL DA GUINÉ &lt;br /&gt;NÚCLEO OTOCUNARÉ &lt;br /&gt;OBSERVATÓRIO CLÍNICA &lt;br /&gt;OBSERVATÓRIO-SP – OBSERVATÓRIO DAS VIOLÊNCIA POLICIAIS-SP &lt;br /&gt;OUSAS – ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL &lt;br /&gt;PRIMADO DO BRASIL - ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DO BRASIL &lt;br /&gt;PROJETO MEMÓRIA DA OPOSIÇÃO SINDICAL METALÚRGICA &lt;br /&gt;PROMOTORES LEGAIS E POPULARES &lt;br /&gt;REDE FEMINISTA DE SAÚDE, DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS &lt;br /&gt;SECRETARIA MUNICIPAL DE MULHERES DO PARTIDO DOS TRABALHADORES &lt;br /&gt;SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;SINDICATO DOS QUÍMICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;SOF - SEMPREVIVA ORGANIZAÇÃO FEMINISTA &lt;br /&gt;TEMPLO DE UMBANDA ANJO DIVINO SALVADOR &lt;br /&gt;TEMPLO DE UMBANDA PAI JOAQUIM &lt;br /&gt;TEMPLO FORÇA DIVINA &lt;br /&gt;TENDA DE CARIDADE PAI OXALÁ &lt;br /&gt;TENDA DE UMBANDA CAMINHOS DE OXALÁ &lt;br /&gt;TENDA DE UMBANDA CABOCLO PEDRA VERDE &lt;br /&gt;TUPÃ OCA DO CABOCLO ARRANCA TOCO &lt;br /&gt;UBES - UNIÃO BRASILEIRA DE ESTUDANTES SECUNDARISTAS &lt;br /&gt;UMSP – UNIÃO DE MULHERES DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;UNE – UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES &lt;br /&gt;UJR - UNIÃO DA JUVENTUDE REBELIÃO &lt;br /&gt;UPES – UNIÃO PAULISTA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1138769871741529003?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1138769871741529003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1138769871741529003&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1138769871741529003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1138769871741529003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/manifesto-em-defesa-do-iii-programa.html' title='Manifesto em defesa do III Programa Nacional de Direitos Humanos'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2242566043763155304</id><published>2010-01-13T14:42:00.000-02:00</published><updated>2010-01-13T14:42:15.741-02:00</updated><title type='text'>O pântano argentino: o irresistível desenvolvimento da crise de governabilidade</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br"&gt;Agência Carta Maior&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O pântano argentino: o irresistível desenvolvimento da crise de governabilidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A queda ou degradação integral do governo kirchnerista seria uma ótima notícia para os norte-americanos, pois enfraqueceria o Brasil e reduziria o espaço político da Venezuela, Equador e Bolívia. A recente crise envolvendo o Banco Central mostra mais uma vez a ação de uma nova direita argentina, uma força heterogênea, quase caótica, sem grandes projetos visíveis, impulsionada pelos grandes meios de comunicação que operam como um “partido midiático” extremista. Sua base social é um agrupamento muito belicoso de classes médias e altas que constituíram uma lumpen-burguesia onde se interconectam redes de negócios legais e ilegais. A análise é de Jorge Beinstein.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jorge Beinstein (*)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano novo começou mal na Argentina. O conflito causado pela substituição do presidente do Banco Central, Martín Redrado, detonou uma grave crise institucional onde se enfrentam dois grupos que vem endurecendo suas posições. De um lado, uma oposição de direita cada vez mais radicalizada, agora com maioria no poder Legislativo, encabeçada pelo vice-presidente da República e que se estende até os núcleos mais reacionários do Poder Judiciário e das forças de segurança (públicas e privadas). Trata-se de uma força heterogênea, quase caótica, sem grandes projetos visíveis, impulsionada pelos grandes meios de comunicação que operam como uma espécie de “partido midiático” extremista. Sua base social é um agrupamento muito belicoso de classes médias e altas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado encontramos a presidente Cristina Kirchner resistindo desde o poder Executivo com seus aliados parlamentares, sindicais e “sociais”. Seu perfil político é o de um centrismo desenvolvimentista muito contraditório, oscilando entre as camadas populares mais pobres, às quais não se atreve a mobilizar com medidas econômicas e sociais radicais, e os grandes grupos empresariais e outras esferas de poder que busca em vão recuperar para recompor o sistema de governabilidade vigente durante a presidência de Nestor Kirchner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A este leque de forças locais é necessário incorporar a intervenção dos Estados Unidos que, a partir da chegada de Barak Obama à Casa Branca, mostra-se cada vez mais ativa nos assuntos internos da Argentina. Isso deve ser integrado ao contexto mais amplo da estratégia imperial de reconquista da América Latina, marcada por fatos notórios como o recente golpe de Estado em Honduras, a recriação da IV Frota, as bases militares na Colômbia e outras atividades menos visíveis, mas não menos efetivas, como a reativação de seu aparato de inteligência na região (CIA, DEA, etc) e a conseqüente expansão de operações conspirativas com políticos, militares, empresários, grupos mafiosos, meios de comunicação, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A onda reacionária&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, a crise estourou quando o presidente do Banco Central decidiu não acatar um decreto de “necessidade e urgência”, com força de lei, que ordenava colocar uma parte das reservas à disposição de um fundo público destinado ao pagamento da dívida externa. Deste modo, Redrado (apoiando-se na “autonomia” do Banco, imposta nos anos 1990 pelo FMI) desafiava a legalidade e assumia como própria a reivindicação do conjunto da direita: não pagar dívida externa com reservas, mas sim com receitas fiscais, obrigando assim o governo a reduzir o gasto público, o que seguramente teria um impacto negativo sobre o Produto Interno Bruto, o nível de emprego e os salários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma primeira aproximação, a crise aparece como uma disputa sobre política econômica entre neoliberais partidários do ajuste fiscal e keynesianos partidários da expansão do consumo interno. No entanto, a magnitude da tormenta política em curso obriga a ir mais além do debate econômico. Não existe proporção entre o volume de interesses financeiros afetados e a extrema virulência do enfrentamento. Tampouco se trata de um problema causado pela necessidade de pagar a dívida externa diante de uma situação financeira difícil. Pelo contrário, o Estado tem um importante superávit fiscal e a dívida externa representa atualmente cerca de 40% do Produto Interno Bruto contra 80%, em 2003, quando Nestor Kirchner assumiu a presidência da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar a entender o que está ocorrendo é necessário remontarmos ao primeiro semestre de 2008 quando estourou o conflito entre o governo e a burguesia rural. Neste caso também a confrontação apareceu sob o aspecto econômico: o governo tentou estabelecer impostos móveis às exportações agrárias cujos preços internacionais neste momento subiam vertiginosamente; os grandes grupos do agronegócio se opuseram – ainda que estivessem ganhando muito dinheiro, pretendiam ganhar muito mais embolsando a totalidade destes lucros extraordinários. Para surpresa tanto do governo como das próprias elites agrárias, o protesto foi imediatamente respaldado pela quase totalidade dos empresários rurais, inclusive por setores que por sua área de especialização ou inserção regional não tinham interesses materiais concretos no tema. Rapidamente os bloqueios de estradas, muito destacados pelos meios de comunicação, arrastaram a adesão das classes altas e médias urbanas, estruturando-se deste maneira uma maré social reacionária cuja magnitude não tinha precedentes na história argentina dos últimos 50 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encontrarmos algo parecido seria necessário remontarmos a 1955, quando uma massiva convergência conservadora de classes médias apoiou o golpe militar oligárquico. A mobilização direitista de 2008 esteve infestada de brotos neofascistas, alusões racistas às classes baixas, insultos ao “governo montonero” (quer dizer, supostamente controlado por ex-guerrilheiros marxistas reciclados), etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa onda reacionária se prolongou nas eleições legislativas de 2009, onde a direita obteve a vitória (a maioria no Parlamento). Antes e depois deste evento, esteve permanentemente alimentadas pelos meios de comunicação concentrados. Atualmente é difícil diagnosticar se mantém ou não o seu nível de massividade. O conflito se desenrola agora sem a presença de multidões nas ruas. A grande maioria da população observa a situação como a uma briga entre grupos de poder no andar de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se avaliamos a trajetória, nos dois últimos anos, da confrontação entre uma direita cada vez mais audaciosa e agressiva e um governo crescentemente encurralado não é difícil imaginar um cenário próximo do “golpe de Estado”, não seguindo os velhos esquemas das intervenções militares diretas, nem sequer uma réplica do caso hondurenho (golpe militar com fachada civil), mas sim um leque de novas alternativas onde se combinariam fatores como a manipulação de mecanismos judiciais, o emprego arrasador da arma midiática, a utilização de instrumentos parlamentares, a mobilização de setores sociais reacionários (cuja amplitude é uma forte incógnita), incluindo ações violentas de grupos civis dirigidos por estruturas de segurança policiais ou militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último caso deveríamos levar em conta as possíveis intervenções do aparato de inteligência norte-americano que dispõe atualmente de um importante know how em matéria de golpes civis, como as chamadas “revoluções coloridas”, algumas bem sucedidas como a “laranja” na Ucrânia (2204), a que derrotou Milosevic (Iugoslávia, 2000), a das “rosas” (Geórgia, 2003), a das “tulipas” (Kirguistão, 2005), a “do cedro” (Líbano, 2005) e outras fracassadas como a “revolução branca” (Bielorussia, 2006), a “verde” (Irã, 2009) ou a “revolução twitter” (Moldávia, 2009). Em todas essas “revoluções” orquestradas pelo aparato de inteligência dos EUA as convergências entre grupos civis e meios de comunicação golpearam governos considerados “indesejáveis” pelo Império. Tiveram êxito diante de Estados mergulhados em crises profundas; fracassaram quando as estruturas estatais puderam resistir e/ou quando as maiorias populares os enfrentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;As raízes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quais são as raízes dessa avalanche direitista? Ela não pode ser atribuída ao descontentamento das elites empresariais e das classes superiores diante de drásticas redistribuições de renda em favor dos pobres ou a medidas econômicas esquerdizantes ou estatistas que afetem de maneira decisiva os negócios dos grupos dominantes. Pelo contrário, a bonança econômica que marcou os governos dos Kirchner significou grandes lucros para toda classe de grupos capitalistas: financeiros, industriais exportadores ou voltados ao mercado interno, empresas grandes ou pequenas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Argentina experimentou altas taxas de crescimento do PIB e enormes superávits fiscais impulsionados por exportações em vertiginosa ascensão. E ainda que o desemprego tenha caído, a estrutura de distribuição da renda nacional, herdada da era neoliberal, não variou de maneira significativa. A governabilidade política permitiu a preservação do sistema que cambaleava entre 2001-2002. As estatizações decididas durante a presidência de Cristina Kirchner foram, na verdade, medidas destinadas mais a preservar o funcionamento do sistema do que a modificá-lo. A estatização da previdência privada, por exemplo, foi precipitada pela crise financeira global e pelo esgotamento de uma estrutura de saque de fundos previdenciários. A estatização da Aerolíneas Argentinas significou tomar posse de uma empresa totalmente liquidada e a ponto de desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se existe alguma pressão, entre as classes altas, é na direção de uma maior concentração de renda, em função de sua própria dinâmica governada pelo parasitismo financeiro global-local que opera como uma espécie de núcleo estratégico central de seus negócios. Neste sentido, a resistência do governo a esta tendência aparece para estas elites como um “intervencionismo insuportável”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fator decisivo é a crescente agressividade dos EUA acossado pela crise, sabendo que o tempo joga contra seus interesses, que a decadência da unipolaridade imperial pode fazer com que percam por completo suas tradicionais posições de poder na América Latina. Isso já está começando a ocorrer a partir do processo de integração regional, de um Brasil autonomizando-se cada vez mais dos EUA, da persistência da Venezuela chavista, da consolidação de Evo Morales na Bolívia, etc. A Casa Branca embarcou em longa corrida contra o tempo: amplia as operações militares na Ásia e África, herdadas da era Bush, apadrinha o golpe militar em Honduras e outras intervenções na América Latina. A queda ou degradação integral do governo kirchnerista seria uma ótima notícia para os norte-americanos, pois enfraqueceria o Brasil e reduziria o espaço político da Venezuela, Equador e Bolívia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existe um fenômeno de primeira importância que provavelmente os Kirchner ignoraram e que boa parte da esquerda e do progressismo subestimou: a mudança de natureza da burguesia local, cujos grupos dominantes passaram a constituir uma verdadeira lumpen-burguesia onde se interconectam redes que vinculam negócios financeiros, industriais, agrários e comerciais com negócios ilegais de todo tipo (prostituição, tráfico de drogas e armas, etc.), empresas de segurança privada, máfias policiais e judiciárias, elites políticas e grandes grupos midiáticos. Essa é a mais importante das heranças deixadas pela ditadura, consolidada e expandida durante a era Menem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política de direitos humanos do governo não afetou somente a grupos de velhos militares criminosos isolados e ideologicamente derrotados. Ao golpear esses grupos, essa política estava desatando uma dinâmica que feria uma das componentes essenciais da (lumpen) burguesia argentina realmente existente. Quando começamos a desenrolar a trama de grupos midiáticos como o “Clarín” ou não midiáticos, como o grupo Macri, aparecem as vinculações com negócios provenientes da última ditadura, personagens-chave das máfias policiais, etc. Nestes círculos dominantes, a maré crescente de processos judiciais contra ex-repressores pode ser vista talvez em seu começo como uma concessão necessária ao clima esquerdizante herdado dos acontecimentos de 2001-2002 e que, mantida dentro de limites modestos, não afetaria a boa marcha de seus negócios. Mas essa maré cresceu até transformar-se em uma pressão insuportável para essas elites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente é necessário constatar que assim como se desenvolveu um processo de humanização cultural democratizante também se desenvolveu, protagonizado pelos grandes meios de comunicação, um contra-processo de caráter autoritário, de criminalização dos pobres, de condenação do progressismo que põe os direitos humanos acima de tudo. Em certo sentido, tratou-se de uma espécie de reivindicação indireta da última ditadura realizada pelos grandes meios de comunicação, centrada na necessidade de empregar métodos expeditivos ante à chamada “insegurança”, à delinqüência social, às desordens nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma encontrou um espaço favorável em uma porção importante da população pertencente às classes médias e altas. Muitos membros destes setores não se atrevem a defender a velha e desmoralizada ditadura militar, mas encontraram um novo discurso neofascista que lhes permitiu levantar a cabeça. Essa gente se mobilizou em 2008 em apoio à burguesia rural e contra o governo “esquerdista”, esteve na vanguarda da vitória eleitoral de Mauricio Macri na cidade de Buenos Aires e dos políticos de direita nas eleições parlamentares de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Brincando com fogo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A crise atual pode vir a ter sérias repercussões econômicas. É o que esperam muitos dirigentes políticos da direita que sonham em se apoderar do governo em meio ao caos e/ou a passividade popular. A paralisia do Banco Central ou sua transformação em uma trincheira opositora poderia desordenar por completo o sistema monetário, degradar o conjunto da economia, o que, somado a um tsunami midiático, converteria o governo em uma presa fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tese existe a possibilidade de que o governo, encurralado pela direita, busque desesperadamente ampliar sua base popular multiplicando medidas de redistribuição de renda junto às classes baixas, estatizações, etc. A direita acredita cada vez menos nesta possibilidade, o que a torna mais audaciosa, mais segura de sua impunidade. Ela considera que os Kirchner estão demasiado aferrados ao “país burguês”, por razões psicológica, ideológicas e pelos interesses que representam, para que essa alternativa de ruptura passe por suas cabeças. Uma sucessão de fatos concretos parece dar-lhe razão. Afinal, Martín Redrado foi designado como presidente do Banco Central por Nestor Kirchner e confirmado depois por Cristina Kirchner. Agora, eles “descobrem” que se trata de um neoliberal reacionário e buscam substituí-lo por algum outro neoliberal ou bom amigo dos interesses financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também existe a possibilidade que o caos buscado pela direita ou as medidas econômicas que ela seguramente tomará caso conquiste o governo desatem uma gigantesca onda de protestos sociais, fazendo ruir a governabilidade e reinstalando em uma escala ampliada o fantasma popular de 2001-2002. Mas essa direita considera cada vez menos provável a concretização dessa ameaça. Ela está cada vez mais convencida de que os meios de comunicação combinados com um sistema de repressão pontual - não ostensivo, mas enérgico - podem controlar as classes baixas. É muito provável que essas elites degradadas, lançadas em uma cruzada irracional, estejam atravessando uma séria crise de percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenos Aires, 12 de janeiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Economista argentino, professor na Universidade de Buenos Aires. É autor, entre outros livros, de "Capitalismo senil, a grande crise da economia global".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Katarina Peixoto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2242566043763155304?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2242566043763155304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2242566043763155304&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2242566043763155304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2242566043763155304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/o-pantano-argentino-o-irresistivel.html' title='O pântano argentino: o irresistível desenvolvimento da crise de governabilidade'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-777990803485874600</id><published>2010-01-12T13:33:00.000-02:00</published><updated>2010-01-12T13:33:11.024-02:00</updated><title type='text'>El Premio Nobel de la Paz y los Escuadrones de la Muerte</title><content type='html'>Do site &lt;a href="http://www.rel-uita.org/"&gt;Rel-Uita&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Continuaron los asesinatos, persecuciones y torturas durante las fiestas tradicionales. Estados Unidos bendice al régimen golpista. La comunidad internacional brilla por su ausencia&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Giorgio Trucchi &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ha parado ni un solo instante la política del terror implementada desde el pasado 28 de junio en Honduras, reanudando el hilo de la violencia sistémica de los años 80. Las organizaciones de los derechos humanos hondureñas siguen denunciando asesinatos, persecuciones, amenazas y torturas contra miembros de la Resistencia, así como los preocupantes episodios de violencia contra periodistas comprometidos con la lucha contra el golpe de Estado y el burdo intento del gobierno de facto de hacer “borron y cuenta nueva” de todo lo que ha ocurrido en los últimos seis meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Departamento de Estado norteamericano, a través de su funcionario Craig A. Kelly de visita en Honduras, pidió nuevamente al presidente de facto, Roberto Micheletti, abandonar el poder antes del 27 de enero, fecha del traspaso de mando, y secundó la propuesta del futuro presidente Porfirio Lobo Sosa de decretar una amnistía generalizada que incluya al propio presidente legítimo Manuel Zelaya Rosales.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De esa manera, la administración Obama y varios países europeos pretenden limpiarle la cara al nuevo gobierno y hacerlo aceptable para el resto de la comunidad internacional. Sin embargo, ni siquiera una sola palabra ha sido pronunciada sobre los innumerables casos de violación a los derechos humanos que continúan ensangrentando al país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para el Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH), que el pasado 1 de enero realizó un plantón en la Plaza La Merced, rebautizada Plaza de los Desaparecidos, frente al Congreso Nacional, en Honduras “opera un escuadrón de la muerte con infraestructura terrorista, responsable de ejecuciones, persecución y muertes selectivas contra miembros de la Resistencia, con el pleno conocimiento de la Policía y el Ejército”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En un documento dado a conocer en esta ocasión, esta histórica organización denuncia que “existe un patrón de violaciones sistemáticas a los derechos humanos cometidas por la misma estructura que rompió el orden constitucional el 28 de junio de 2009”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las ejecuciones de Walter Tróchez  y Edwin Renán Fajardo, editor de los documentales y reportajes producidos por el periodista César Silva, además de los secuestros y ataques continuados al personal del periódico El Libertador y de Radio Globo, confirmaría la existencia de esta infraestructura asesina que apunta a sembrar el terror entre los miembros de la Resistencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoy estamos transitando los primeros días de 2010, y lo hacemos bajo una atmósfera de terror, con la cual los golpistas civiles y militares, nacionales y extranjeros, pretenden silenciar las voces de millones de legítimos hondureños y hondureñas, que rechazamos la violencia como forma de dirigir el consenso y gobernar el Estado”, continúa el documento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Navidad ensangrentada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edwin Renán Fajardo Argueta, de 22 años, miembro activo de la Resistencia, fue asesinado el pasado 22 de diciembre en su departamento en Tegucigalpa, y sus asesinos trataron burdamente de simular un suicidio por ahorcamiento. En los días anteriores al asesinato, Edwin Renán Fajardo había comunicado a sus amigos sentirse preocupado porque había estado recibiendo varios mensajes de texto amenazantes en su celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;César Silva, periodista independiente comprometido con relatar y denunciar a través de sus videos los horrores del golpe de Estado, fue bajado de un taxi por tres hombre armados el pasado 28 de diciembre y fue llevado a una cárcel clandestina donde fue golpeado repetidamente para que diera informaciones sobre la Resistencia y supuestos depositos de armas provenientes del extranjero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“En la madrugada entró uno de los secuestradores. Me tomó por el cuello, me tiró al suelo, me pateó y me puso una silla en el cuello para ahogarme. Me echó una bolsa de agua en la nariz. Me estaba asfixiando, y él intentó meterme la bolsa en la boca. Pero de afuera le gritaron: `Ya te dije que no te metas a pedos (en problemas), ¡Dejalo!’”, contó el periodista a la prensa internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al llegar a las oficinas del COFADEH, después de haber sido liberado tras 24 horas de interrogatorio salvaje, Silva relató que los secuestradores le dijeron que tenía un ángel guardián que abogó por su vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Más periodistas amenazados&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El corresponsal de Prensa Latina, Ronnie Huete, el periodista de Radio Globo, Rony Martínez y la joven periodista de El Libertador, Suny Arrazola  fueron repetidamente amenazados de muerte por celular y costantemente hostigados, mientras que el editor de ese mismo periódico, René Novoa, fue brutalmente agredido y golpeado por miembros del Ejército y la Policía mientras estaba en un taxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde el golpe de Estado, los periodistas de El Libertador han estado sometido a una constante represión y su reportero gráfico Delmer Membreño tuvo que irse al exilio después de haber sido secuestrado y brutalmente torturado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La brutalidad de este régimen opresor se ha ensañado hasta contra una de las “abuelas de la Resistencia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;María Yolanda Chavarría, de 70 años, fue detenida por tres policías y trasladada a un cuarto oscuro de una posta policial el pasado 22 de diciembre. Según relató al COFADEH, los policías siguieron insultándola y le dijeron que era una cuatrera y que le habían tomado fotos mientras estaba con la Resistencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;No a la amnistía&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ante esta situación, el COFADEH hizo un llamado a la comunidad internacional para que “no quite sus ojos de este país centroamericano y lo declare en alerta máxima en materia de derechos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es extremadamente urgente que antes del simulacro de traspaso de mando el 27 de enero próximo y después de esa fecha, las organizaciones multilaterales abran en Honduras legaciones in situ para coordinar las operaciones de salvamento de los liderazgos sociales y políticos opuestos a los asaltantes del poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honduras avanza aceleradamente, lejos de la mirada internacional, a un estado de absoluta indefensión que debe ser interferido –continúa el llamado del COFADEH–.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para las y los perseguidos por esta dictadura exigimos juicios no viciados y respeto al debido proceso, libertad para los cuatro presos políticos en la Penitenciaría Nacional y el retorno seguro de casi un centenar de personas que salieron forzadamente de Honduras, por el peligro inminente a su vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sin proceso constituyente popular no hay paz ni tranquilidad posibles. Sin un nuevo Pacto Social y consenso político mínimo, ninguna gobernabilidad será posible”, concluye el documento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-777990803485874600?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/777990803485874600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=777990803485874600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/777990803485874600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/777990803485874600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/el-premio-nobel-de-la-paz-y-los.html' title='El Premio Nobel de la Paz y los Escuadrones de la Muerte'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5286646946052685493</id><published>2010-01-08T14:29:00.000-02:00</published><updated>2010-01-08T14:29:33.108-02:00</updated><title type='text'>Boris Casoy e o Comando de Caça aos Comunistas</title><content type='html'>Deu no &lt;a href="http://cloacanews.blogspot.com"&gt;Cloaca News&lt;/a&gt;: uma matéria da antiga revista &lt;i&gt;O Cruzeiro&lt;/i&gt; sobre o CCC em São Paulo cita Casoy como integrante do grupo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vê-la, clique &lt;a href="http://cloacanews.blogspot.com/2010/01/exclusivo-boris-casoy-e-o-comando-do.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5286646946052685493?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5286646946052685493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5286646946052685493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5286646946052685493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5286646946052685493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/boris-casoy-e-o-comando-de-caca-aos.html' title='Boris Casoy e o Comando de Caça aos Comunistas'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5322722663097136511</id><published>2010-01-07T14:58:00.000-02:00</published><updated>2010-01-07T14:58:16.630-02:00</updated><title type='text'>O regresso da “Gandhi” do Saara</title><content type='html'>Com bastante atraso, posto abaixo a matéria sobre o retorno de Aminetu ao Saara Ocidental. Dias depois de sua volta, ela ainda permanece, na prática, em prisão domiciliar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O regresso da “Gandhi” do Saara&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A saaráui Aminetu Haidar interrompe greve de fome após obter permissão do Marrocos para voltar para casa&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Igor Ojeda&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram 32 dias sem ingerir alimentos. Quase um mês com o corpo débil, sentindo náuseas, perdendo constantemente a consciência. Mas, no final, a ativista pela independência do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, alcançou seu objetivo. Na primeira hora do dia 18 (ainda dia 17 no Brasil), o avião que a levava pousou no aeroporto de El Aaiún, capital do seu país, ocupado desde 1975 pelo vizinho Marrocos. Ela, enfim, voltava para casa e seus filhos. &lt;br /&gt;Aminetu havia entrado em greve de fome em 16 de novembro, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha (leia sobre o assunto nas edições 352 e 355 do Brasil de Fato). Pois foi para este local que o governo marroquino a enviou, sem passaporte, após ter impedido sua entrada em El Aaiún. Na ocasião, ao preencher o formulário da imigração, a ativista escreveu “Saara Ocidental” no espaço reservado ao “País de residência”, o que teria motivado sua expulsão. O governo da Espanha, por sua vez, permitiu seu ingresso, mas proibiu seu retorno, justamente por não portar passaporte. &lt;br /&gt;Durante 32 dias, entre longas negociações entre Marrocos e comunidade internacional – acusada por muitos de cúmplice e omissa – o impasse permaneceu, enquanto Aminetu se debilitava a olhos vistos. Somente um acordo negociado entre o país africano, a Espanha e a França permitiu uma solução: a militante poderia voltar por “razões humanitárias”(leia texto nesta página). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“Triunfo”&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Este é um triunfo para todas as pessoas livres do mundo. É uma vitória da justiça e dos direitos humanos […] O povo saaráui está consciente de que o dia da liberdade está muito próximo”, disse Aminetu, em entrevista coletiva em sua casa. “Agora, tenho que recuperar minha saúde. Levarei pelo menos dois meses. Mas, depois, penso continuar lutando”, completou a ativista, conhecida como a “Gandhi” do Saara Ocidental por sua militância pacífica pela independência do seu país.&lt;br /&gt;Para Bahia Mahmud Awah, escritor, poeta e investigador saaráui, o retorno de Aminetu à sua casa gé a confirmação da identidade nacional saaráui diante da tentativa do Marrocos de impor que o Saara Ocidental é marroquino. Ela regressou como saaráui sem as condições que o rei exigia: aceitar a nacionalidade marroquina e pedir perdão ao regimeh. &lt;br /&gt;Já na opinião de Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saaráui Democrática (RASD), o fim do jejum da ativista significa uma vitória da causa independentista saaráui e uma derrota moral e política para a monarquia marroquina. “Uma mulher sozinha, uma simples militante pelos direitos humanos, foi capaz de entortar o braço ferrenho do rei Mohamed VI e obrigá-lo a suspender a ordem de expulsão ditada contra ela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“Derrota” marroquina&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ele, depois de um mês de uma campanha “nacionalista” contra Aminetu impulsionada pela monarquia, aliados políticos e a imprensa local, o governo marroquino foi obrigado a “inventar” o pretexto humanitário para “justificar o regresso de Aminetu e disfarçar a tremenda derrota causada pela firmeza da mulher saaráui”. &lt;br /&gt;A “vitória” de Aminetu, entretanto, transcendeu a conquista pessoal, de acordo com o espanhol Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS). Segundo ele, nos últimos anos, a população saaráui vinha perdendo a confiança na legitimidade “de um direito internacional invocado tantas vezes quanto menosprezado”, devido à falta de solução para um território já reconhecido pela ONU como passível de descolonização. Tal realidade, segundo Santiago, estava fazendo amadurecer na cabeça dos militantes a convicção da necessidade de um novo conflito armado como única saída, como ocorreu entre 1975 e 1991.&lt;br /&gt;“O que o gesto de Aminetu Haidar fez mudar? Agora, os e as saaráuis se sentem menos ignorados ou silenciados pela história e orgulhosos por formar parte de uma sociedade que cria consciências tão decididas, tão generosas e tão convencidas de seu esforço e de seu sacrifício como Aminetu, que, além disso, não deixou em nenhum momento de se sentir mulher e mãe, um espelho no qual todos e todas se viram refletidos e cuja imagem lhes proporcionou novas forças e uma renovada capacidade de luta pelo que consideram justo”, analisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Visibilidade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, mesmo que os 32 dias de greve de fome da independentista do Saara Ocidental não tivessem gerado os efeitos mencionados, só a grande visibilidade internacional que a causa saaráui ganhou com tal ato já seria suficiente para se fazer um balanço altamente positivo do ocorrido. &lt;br /&gt;“O mundo inteiro está a par do que acontece diariamente aqui. Agora, a causa saaráui está sendo discutida em alto nível”, declarou Aminetu à imprensa. Segundo Bahia Awah, a greve de fome da militante “reativou o processo [da luta saaráui], rompendo o bloqueio informativo que tem rodeado o conflito do Saara Ocidental”. &lt;br /&gt;Na avaliação de Santiago, esse ganho de visibilidade poderia trazer uma maior vontade dos governos e da ONU para solucionar a questão, “algo tão aparentemente simples como que uma comunidade pendente de descolonização assuma sua responsabilidade acerca de seu destino e de seus assuntos”. &lt;br /&gt;De acordo com Bahia, no entanto, a transformação dessa maior visibilidade do conflito em resultados concretos dependerá dos militantes saaráuis que, segundo ele, poderiam seguir a mesma linha de ação e mobilização do movimento midiático solidário que esteve ativo durante o jejum de Aminetu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A prisão domiciliar de Aminetu&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da Redação &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A independentista saaráui Aminetu Haidar voltou para casa no dia 18. Mas, desde então, as forças de segurança marroquinas vêm impondo um cerco fechado à sua residência. “A polícia só deixa entrar meus familiares”, afirmou a ativista ao jornal espanhol El País. &lt;br /&gt;Segundo ela, seus companheiros na defesa dos direitos humanos no Saara Ocidental são alguns dentre os muitos impedidos de visitá-la. “Peço ao governo [do Marrocos] que me leve para a cadeia e ponto, e que termine com essa estratégia estúpida”, completou. Na manhã do dia 19, até seu médico pessoal, Domingo de Guzmán, foi barrado, sendo liberado somente após a intervenção da própria Aminetu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Repressão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no momento de seu retorno as forças policiais mostraram como seriam os dias que se seguiriam. Segundo a imprensa internacional presente em El Aaiún, capital do Saara Ocidental, dezenas de agentes rodeavam o aeroporto, enquanto outras dezenas patrulhavam pela cidade e cortavam o acesso às ruas adjacentes da casa da ativista. &lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, dezenas de cidadãos saaráuis, jovens em sua maioria, esperavam a chegada da militante, gritando palavras de ordem contra Marrocos e a favor da independência. Durante várias horas, ocorreram enfrentamentos. &lt;br /&gt;Até o fechamento desta edição (dia 22), Aminetu continuava sem comer, já que 32 dias de greve de fome exigem que ela ingira alimentos de forma gradual. Segundo afirmou seu médico ao El País, a ativista continua sofrendo com a perda de peso, hipotensão, enjôo e vômitos. “O processo a partir de agora será delicado. Começaremos pela reidratação oral para seguir com a realimentação”, disse. &lt;i&gt;(IO)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Nos bastidores, uma vitória do Marrocos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Em troca da permissão para o retorno de Aminetu, governos espanhol e francês emitiram comunicados reconhecendo a legislação marroquina sobre o território do Saara Ocidental&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O governo da França mente, engana e manipula, o da Espanha faz o mesmo e as própria ONU confunde mais do que esclarece. E o que dizer das mentiras e manhas das autoridades de Marrocos?”, dispara o espanhol Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS).&lt;br /&gt;Desde 1975, quando o Saara Ocidental foi ocupado pelo Marrocos após as tropas da Espanha deixarem o território, os ativistas saaráuis e seus apoiadores vêm denunciando a omissão e cumplicidade da comunidade internacional diante das violações praticadas pela monarquia marroquina.&lt;br /&gt;Dentre eles, destaque (negativo) para Espanha e, principalmente, França. “O Estado francês é o mais firme e poderoso aliado do reino de Marrocos. É quem garante o apoio político, diplomático, financeiro e militar para esta monarquia corrupta, totalitária e com ambições expansionistas sobre os países vizinhos”, indigna-se Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saaráui Democrática (RASD), o Estado saaráui não reconhecido pelo Marrocos. &lt;br /&gt;Assim, apesar das gestões espanholas e francesas para que as autoridades marroquinas permitissem a volta da ativista Aminetu Haidar a El Aaiún, capital do Saara Ocidental, estes Estados não deixaram de favorecer o país do rei Mohamed VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Apoio político&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O rei concordou com o regresso de Aminetu por 'razões humanitárias', mas, na realidade, aceitou porque estes governos [Espanha e França] se comprometeram a dar um maior apoio político à sua  tese da 'autonomia sob a soberania marroquina' para o Saara Ocidental”, denuncia Emiliano, referindo-se à proposta do Marrocos de conceder ao país ocupado uma “ampla autonomia”, mas não a independência. “Quer dizer, o resultado final desta chantagem marroquina foi o fortalecimento da política de ocupação do Saara Ocidental”, conclui.&lt;br /&gt;Tal apoio político por parte de Espanha e França se expressou claramente nos comunicados que ambos governos emitiram no mesmo dia em que Aminetu Haidar pôde voltar a seu país, o que deixou evidente quais foram as moedas de troca utilizadas nas negociações para o fim do impasse. &lt;br /&gt;O texto francês afirmava que o presidente Nicolas Sarkozy “acolhia a proposta do reino de Marrocos de uma ampla autonomia no marco de uma solução política sob os auspícios da ONU. À espera dessa solução, aplica-se a legislação marroquina [sobre o território saaráui]. &lt;br /&gt;Já o comunicado espanhol insta o governo de Mohamed VI a permitir o regresso de Aminetu, afirmado que tal gesto “poria uma vez mais de manifesto seu compromisso com a democracia e a consolidação do Estado de direito”. E conclui: enquanto se resolve a contenda, a Espanha constata que a lei marroquina se aplica no território do Saara Ocidental”. &lt;br /&gt;Em seguida, o Ministério de Assuntos Exteriores do Marrocos também emitiu seu comunicado, através do qual comemorava as posições de Espanha e Franca e criticava a atuação de Aminetu, que não guardaria relação com a promoção dos direitos humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Interesses econômicos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o jornal espanhol El Mundo, o acordo entre marroquinos, espanhóis e franceses começou a ser gestado no dia 13. O objetivo seria encontrar uma solução para que Aminetu pudesse voltar sem ser obrigada a pedir perdão ao rei Mohamed VI – que este exigia e ela rejeitava – e de maneira que o Marrocos não ficasse humilhado diante da opinião pública.&lt;br /&gt;No dia 19, o embaixador marroquino na Espanha, Omar Azziman, manifestou sua plena satisfação com o desfecho do impasse. “Fica claro que o Saara Ocidental está sob o império do direito marroquino”, disse à imprensa. &lt;br /&gt;Já a Frente Polisario, instância que reúne política e militarmente as forças independentistas saaráuis, divulgou um comunicado acusando o país governado pelo primeiro-ministro José Luis Zapatero de ter utilizado “como moeda de troca a outorga de validez às leis marroquinas em um território sobre o qual a ONU não reconhece ao Marrocos nenhuma soberania”. &lt;br /&gt;A conivência com o governo de Marrocos evidenciada por Espanha e França, em particular, e pela União Europeia (UE), de maneira geral, é explicada em grande parte por fortes interesses econômicos. Exemplo disso são as negociações entre UE e o país africano para a assinatura de um tratado de livre comércio, que tem grande chance de se concretizar no primeiro semestre de 2010, quando a presidência rotativa da instância europeia será ocupada justamente pela Espanha. &lt;i&gt;(IO)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5322722663097136511?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5322722663097136511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5322722663097136511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5322722663097136511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5322722663097136511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2010/01/o-regresso-da-gandhi-do-saara.html' title='O regresso da “Gandhi” do Saara'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5746527665269320377</id><published>2009-12-18T12:17:00.001-02:00</published><updated>2009-12-18T12:18:07.562-02:00</updated><title type='text'>A "Gandhi" do Saara Ocidental encerra greve de fome e volta para casa</title><content type='html'>Finalmente, depois de 32 dias de greve de fome, Aminetu Haidar pôde voltar para El Aaiún, a capital do Saara Ocidental, país ocupado pelo Marrocos desde 1975. Ela tinha sido expulsa pelo governo marroquino para as Ilhas Canárias, na Espanha, e desde então lutava para poder voltar para sua família. Mais detalhes sobre o caso e a causa, clique &lt;a href="http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/o-martirio-da-gandhi-do-saara.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/uma-luta-invisivel.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mínimo, o ocorrido tornou mais visível a luta do povo saarauí contra a opressão marroquina. Quer dizer, isso no resto do mundo - sobretudo na Europa. Pois, estranhamente, ou não, a imprensa brasileira não repercutiu absolutamente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A greve de Aminetu deixou evidente também a gigante hipocrisia das potências ocidentais, que fazem campanhas sistemáticas "pela democracia" mas apoiam monarquias absolutistas como o Marrocos. Tudo por interesses econômicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.poemariosaharalibre.blogspot.com/"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, detalhes sobre a chegada dela a El Aaiún, hoje de madrugada (a polícia marroquina reprimiu os manifestantes que a esperavam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, texto publicado na mais recente edição do &lt;b&gt;Brasil de Fato&lt;/b&gt;, quando ela havia completado um mês de greve de fome. O artigo mostra como era o seu dia-a-dia. Vale a pena ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Brasil de Fato, edição 355 (17 a 23 de dezembro de 2009)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Um mês em greve de fome &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Proibida de voltar a seu país, a ativista do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, segue em jejum contra os governos de Marrocos e Espanha&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 15, a ativista do Saara Ocidental, Aminetu Haidar, completou 30 dias de greve de fome no aeroporto de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha. Como o Brasil de Fato relatou em sua edição 352, ela protesta pelo direito de voltar para casa. &lt;br /&gt;Em meados de novembro, Aminetu, de 42 anos, foi impedida de retornar a El Aaiún, a capital de seu país, pelo governo de Marrocos, que ocupa o Saara Ocidental há 34 anos. Mandada para Lanzarote sem passaporte e contra sua vontade, a ativista foi proibida pela Espanha de tentar voltar, justamente por estar sem o documento. Sem uma solução à vista, Aminetu iniciou o jejum.&lt;br /&gt;Desde então, a militante independentista saarauí (do Saara Ocidental) e seus apoiadores em todo o mundo acusam a monarquia marroquina de não querer resolver o impasse e o governo espanhol de não pressionar a nação do norte africano para tal. Os dois países mantêm fortes vínculos econômicos, e usufruem, inclusive, das riquezas saarauís – principalmente fosfato e pesca. &lt;br /&gt;Aminetu, conhecida como a “Mahatma Gandhi” do Saara Ocidental, tem dois filhos (de 13 e 15 anos), que a esperam em El Aaiún. Ela já realizou uma greve de fome antes, que durou 45 dias. Foi em 2005, em uma das duas vezes em que esteve detida nas prisões marroquinas. Esse jejum a deixou com sérias sequelas físicas, o que torna ainda mais perigosa a atual greve de fome. &lt;br /&gt;Confira abaixo um testemunho sobre a rotina de Aminetu Haidar no aeroporto de Lanzarote:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dez dias no aeroporto com Aminetu Haidar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Qual será o motivo para que ninguém faça nada, já que é algo tão simples, que uma mulher volte para sua casa com seus filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carmen Giner Briz&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Domingo, 29 de novembro, dia nº 14 da greve de fome. Aminetu desmaia na reunião com Agustín Santos, chefe de gabinete do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos. Levam-na ao cômodo onde normalmente descansa. Não consegue sair do quarto de novo.  &lt;br /&gt;O lugar onde Aminetu se instala durante os dias no aeroporto fica no segundo andar, no setor de desembarque do terminal 1, ao lado de uns bancos, da mesa para recolher as assinaturas em seu apoio e de um colchonete onde ela se senta para falar ou se deita quando não consegue mais. Além disso, seus amigos põem alguns carrinhos para protegê-la dos turistas que vêm ofuscados pela luz exterior e que, cegados, podem vir a pisá-la, e de todas as pessoas que tentam se aproximar por distintas razões. Esses carrinhos também servem para pendurar faixas explicativas de sua situação. &lt;br /&gt;Aminetu está dormindo em um pequeno cômodo pertencente à garagem dos ônibus do aeroporto, junto a uma pessoa que a acompanha todas as noites. É um quartinho sem luz, sem ventilação, sem janelas. &lt;br /&gt;No cômodo ao lado, junto às máquinas de café, sanduíches e sucos, dormem entre 15 e 20 pessoas, amigos e colaboradores de Aminetu. Os que não cabem dormem na rua. As condições e esse amontoamento são parecidos aos da Cadeia Negra de El Aaiún. &lt;br /&gt;Todos os dias, após acordar, ela precisa recorrer um corredor, entre os ônibus, na rua, à intempérie, para posteriormente entrar no aeroporto pelas garagens de saída, pegar o elevador e chegar ao lugar mencionado em uma cadeira de rodas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sofrimento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Segunda, dia 30, pela manhã: levanta-se o acampamento, todo mundo recolhe mantas, colchonetes, malas e demais utensílios. Muitos sobem com seus computadores e outros ficam dando orientações. Aminetu se levanta e sobe com sua cadeira de rodas. Atrás, vai outro carrinho com seu colchonete e suas mantas. &lt;br /&gt;No elevador, me vê, e sua cara se ilumina, como sempre acontece quando sorri. Tenta se inclinar para beijar-me, mas a dor nos ossos que sente na altura da nuca a impede. Faz um gesto de dor, que tenta dissimular com um sorriso. Mesmo assim, me dou conta de seu sofrimento e esforço. Pergunto como está, pondo-me de cócoras a seu lado, e ela, como sempre, diz: “bem”. &lt;br /&gt;Senta em seu lugar e as pessoas vão chegando para vê-la. Gente importante, parlamentares, senadores, políticos, pessoas da cultura, da arte, delegações de distintas comunidades pertencentes a distintas associações de amigos do povo saarauí... também turistas que ouviram falar da história nos meios de comunicação, curiosos que tentam se enfiar entre a multidão, e a imprensa.&lt;br /&gt;Ela recebe todos, e para todos tem palavras de carinho, compreensão. Os escuta até o esgotamento. Quando os visitantes vão embora, tenta descansar entre o bulício das pessoas, os carrinhos barulhentos, os motores dos aviões e os flashes das máquinas fotográficas que machucam sua vista. &lt;br /&gt;Às vezes penso: por que ninguém lhe diz que deixe a greve de fome, que tanto sofrimento lhe está causando? Outras vezes, penso: qual será o motivo para que ninguém faça nada, já que é algo tão simples, que uma mulher volte para sua casa com seus filhos? Têm que existir muita corrupção e suborno para que deixem morrer essa mulher. &lt;br /&gt;Pouco a pouco, percebo sua forte convicção e a dor que lhe produz o fato de sua decisão não ser respeitada. Acho que todos nos encontramos entre a cruz e a espada. Por um lado, o carinho que temos por ela, e o fato de querermos que esteja bem e que não lhe aconteça nada; por outro, nossa obrigação em respeitá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Solidariedade&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não temos televisão, e poucos computadores têm internet. Não sabemos muito bem o que está saindo do lado de fora, mas acho que ninguém se dá conta que ela só consegue estar um par de horas atendendo as pessoas, que o resto é para que ela descanse e se recomponha. &lt;br /&gt;Um dos dias em que vi Aminetu mais animada é quando veio o escritor português José Saramago, e também os dias em que lhe acompanhou Marselha, da Fundação Robert F. Kennedy. A cada dia tem menos forças para estar no andar de cima, e vai reduzindo suas horas por lá. A cada dia tem mais problemas para conseguir dormir. Estamos divididos: uns embaixo com ela, outros em cima, com os computadores. &lt;br /&gt;Na sexta-feira, 4 de dezembro, quando se cumprem 19 dias de greve de fome, por volta das 6 da tarde, alguém me diz que Aminetu provavelmente vai embora a seu país em vinte minutos. As caras de todos se iluminam e todo mundo começa a se mover de maneira nervosa. Uma rádio me entrevista pelo telefone. É quase impossível para mim manter a conversa. Pouco a pouco a notícia vai se estendendo e cada vez há mais pessoas e meios de comunicação. Em seguida, chega uma ambulância e, pouco depois, sob uma forte aclamação, aparece Aminetu, que vai ao banheiro e depois é introduzida na ambulância. Com as mãos, nos lança beijos e nos diz adeus. &lt;br /&gt;Assim que a ambulância parte, estoura um grande júbilo. Os saarauís pulam, gritam, enquanto os espanhóis choram. Depois, todos subimos ao aeroporto para esperar mais notícias. Em seguida, começam rumores de que o avião não vai decolar, de que tudo é uma fraude, um teatro orquestrado pela Espanha para que a opinião pública acredite que eles fazem o que está a seu alcance. A única coisa que o governo é capaz de fazer é rir de uma mulher doente que leva vinte dias em greve de fome, a qual estão dispostos a deixar morrer. O Marrocos confirma: não chegaram a nenhum acordo, não houve reuniões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Espoliação&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;Nesse dia, Aminetu não volta mais a subir para o aeroporto. Passa uma noite ruim. O médico, pela manhã, me diz a palavra técnica que não sou capaz de recordar, mas se trata de uma taquicardia, produzida pelo grande esforço de entrar na ambulância, subir e descer andando no avião, e a tensão emocional. Ela chegou a ligar para seus filhos e dizer-lhes que estava voltando.&lt;br /&gt;E outro dos muitos desatinos de nosso governo: ela tem um salvo-conduto para sair, mas, ao entrar depois dessa viagem frustrada, a guarda civil impediu, no começo, sua entrada, por voltar indocumentada. Passa todo o dia em um quartinho que lhe indicaram. &lt;br /&gt;O governo espanhol pressiona Aminetu. Não entendem por que ela não aceita a nacionalidade espanhola. Parece que lhes custa entender que ela se sente orgulhosa de ser saarauí, que quer ter o passaporte que lhe permita voltar para sua casa, para sua terra, com os seus. &lt;br /&gt;Eu me pergunto por que não dão a todos os membros de nosso governo um passaporte somaliano, depois de metê-los em um avião à força, para ver se assim começam a entender. Mas eles entendem perfeitamente. O que acontece é que há muitos milhões em jogo. Recordemos que somente dos fosfatos, o Marrocos expolia o povo saarauí em 1,5 bilhão de euros cada ano. &lt;br /&gt;Em toda a Espanha, na minha cidade Madrid, cada dia há uma manifestação. A população se mobilizou. Nos meios de comunicação, é a notícia mais importante. Os jornais ocupam até suas cinco primeiras páginas falando de Aminetu, mas, para nosso governo, não é suficiente, o povo espanhol não lhe importa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pressões&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É o dia 21 de greve de fome, já anoitecido, e estamos várias pessoas perto da porta de seu cômodo quando chega um grupo de sete ou oito pessoas em grande velocidade. Ao ver que vêm direto ao quarto de Aminetu, me aproximo para perguntar o que querem, e dizer a eles que não podem entrar. Mas não consigo terminar a frase. Sem parar, me dizem que é o juiz e que vai entrar. Tento chamar o Edi, a pessoa que está dentro com Aminetu, mas não dá tempo. Eles entram e expulsam Edi do quarto, fazendo com que a pobre Aminetu fique sozinha com esses oito indivíduos, que entram e fecham a porta. &lt;br /&gt;Ao saírem os indivíduos, Aminetu declara que a trataram pior que no Marrocos, que a acossaram psicologicamente. O câmera da plataforma se põe a gravar e o juiz e os policiais querem tirar dele a câmera e a fita. Edi chama todos os meios de comunicação para que estes gravem a cena. &lt;br /&gt;A tensão é máxima, o juiz vai embora, mas continua no aeroporto reunido com o médico de Aminetu. Os meios continuam na expectativa, e vemos quando, nas dependências do aeroporto contíguas à garagem em que estamos, chegam os furgões da polícia nacional e da guarda civil. Chegam em torno de 20 ou 30 furgões. O médico volta por volta das 2 da manhã e, posteriormente, a polícia se vai. &lt;br /&gt;Ao amanhecer, Aminetu declara que desde esse momento prescinde de seu médico pessoal, já que o juiz o obrigou a dar seu histórico médico. Ela quer liberar seu médico da pressão a que se vê submetido, assim como preservar sua intimidade. &lt;br /&gt;O final desta história inconclusa também depende de nós, da capacidade que tenhamos de quebrar nossa rotina, nossa forma de viver, para lutar pela dela, para que se faça justiça. Todos, desde onde possamos e como possamos, temos que lutar para que esse possível final se converta em um princípio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carmen Giner Briz&lt;/b&gt;  é ativista do Western Sahara Resource Watch (WSRW, Observatório dos Recursos do Saara Ocidental) da Espanha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tradução:&lt;/b&gt; Igor Ojeda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5746527665269320377?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5746527665269320377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5746527665269320377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5746527665269320377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5746527665269320377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/gandhi-do-saara-ocidental-encerra-greve.html' title='A &quot;Gandhi&quot; do Saara Ocidental encerra greve de fome e volta para casa'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7134972020022537882</id><published>2009-12-16T18:01:00.000-02:00</published><updated>2009-12-16T18:01:52.158-02:00</updated><title type='text'>Folha confirma que teve seus carros usados pela ditadura</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://jakobskind.blogspot.com/2009/12/cidadao-boilesen-e-folha.html"&gt;blog do Jakobskind&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cidadão Boilesen e a Folha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu na Folha de S. Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Khair foi assistir ao filme Cidadão Boilesen e, no documentário, a Folha é citada como colaboradora da repressão, inclusive cedendo carros do jornal para a famigerada Operação Oban. O rapaz resolveu, então, enviar um e-mail para o ombudsman da Folha, solicitando que o jornal se posicionasse diante das graves acusações, já que até hoje ninguém da direção havia ainda se manifestado. Afinal, a Folha colaborou ou não com a Oban? Abaixo, seguem os e-mails que ele enviou e a resposta risível do Carlos Eduardo Lins da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma das mensagens foi publicada pelo jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem abaixo os e-mails.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E-mail do Renato Khair:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No ótimo documentário 'Cidadão Boilesen', de Chaim Litewski, há uma citação expressa de que o jornal 'Folha de São Paulo' teria colaborado diretamente com a Operação Bandeirantes (Oban), da ditadura militar. A 'Folha' teria cedido suas caminhonetes aos membros da Oban, na repressão aos opositores da ditadura. É uma acusação grave e séria. Até agora, não vi nenhuma resposta da 'Folha', negando veementemente qualquer tipo de participação ou de apoio ao regime militar. O mínimo que se espera é que o jornal se manifeste, seja para refutar ou para confirmar tais afirmações".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Khair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta do ombudsman da Folha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Sr. Renato,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o período ditatorial, a direção da Folha não foi informada da utilização de seus caminhões pelos órgãos de repressão. No entanto, investigações posteriores constataram que, de fato, alguns veículos do jornal foram usados por equipes do DOI-Codi. Esses atos foram praticados à revelia dos acionistas da empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Eduardo Lins da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ombudsman - Folha de S.Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01202-900 - São Paulo - SP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Telefone: 0800 159000&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fax: (11) 3224-3895&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ombudsma@uol.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.folha.com.br/ombudsman/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7134972020022537882?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7134972020022537882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7134972020022537882&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7134972020022537882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7134972020022537882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/folha-confirma-que-teve-seus-carros.html' title='Folha confirma que teve seus carros usados pela ditadura'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-8915321521727143999</id><published>2009-12-15T11:26:00.002-02:00</published><updated>2009-12-15T11:43:17.332-02:00</updated><title type='text'>A farsa de Copenhague</title><content type='html'>Vamos falar claramente: a Cúpula de Copenhague é uma grande farsa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Países ricos e emergentes (entre eles, o Brasil) fingem estar preocupados com a redução do aquecimento global. Bobagem. A questão é (como sempre) econômica. Querem mesmo é fazer as contas de quanto perderão em termos de crescimento de suas economias (crescimento, não desenvolvimento, que são coisas bem diferentes) com os cortes nas emissões de gás carbônicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil parece ser um dos mais espertos. Vê o aquecimento global como uma grande possibilidade de vender para o mundo seu modelo energético "limpo" (outra grande farsa) baseado em hidrelétricas e agrocombustíveis. Ou seja, mais bilhões de reais para construtoras, empresas eletrointensivas e agronegócio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quebra, espera ganhar outros bilhões com a também grande farsa do mercado de créditos de carbono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, os países pobres, os maiores prejudicados com o aquecimento, ficam como sempre. Sem voz nas grandes decisões sobre suas próprias vidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, um artigo publicado no &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br"&gt;Brasil de Fato&lt;/a&gt; que desmistifica a "limpeza" da energia gerada pelas hidreléticas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Energia limpa na Amazônia: um papo furado que emite metano&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Admitir que as barragens produzem energia suja e contribuem significativamente nas emissões seria um tiro no pé, no momento que o país quer mostrar liderança mundial no combate ao aquecimento global&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Kostis Damianakis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, novamente estará em destaque mundial, desta vez, durante a Conferência do Clima em Copenhague, e com razão. O país tem a maior extensão de florestas tropicais do mundo e ao mesmo tempo o maior ritmo de desmatamento que contribui com mais de 50% nas emissões nacionais de gases do efeito estufa. Sendo o país o quarto maior emissor no mundo, o governo brasileiro chegou esta semana à capital Dinamarquês com a promessa de reduzir em 40% suas emissões até 2020. Para convencer que pode atingir sua meta ambiciosa e ao mesmo tempo continuar crescendo com índices de 4 a 6% na próxima década, utiliza com freqüência o argumento de que sua matriz energética se baseia, em grande parte, em fontes limpas e renováveis, como os agrocombustíveis e a hidroeletricidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Falso e ilusório&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noção que a energia hidrelétrica é limpa está embutida no subconsciente coletivo da humanidade há décadas. Obvio que ninguém vê chaminés acima dos lagos e nos muros das barragens ou fumaça saindo dos vertedouros e turbinas. No entanto, pesquisas científicas nas últimas duas décadas vêm apontando que as barragens contribuem significativamente na emissão de gases do efeito estufa. Em um artigo de 2007, cientistas do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) estimaram que as grandes barragens no mundo são responsáveis por mais de 4% das emissões globais enquanto a agroindústria contribui com 18% e o setor de transportes com 13%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principalmente em regiões tropicais as águas quietas dos lagos das barragens escondem verdadeiras fábricas de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano; esse último tem 25 vezes maior impacto no efeito estufa do que o próprio dióxido de carbono. A floresta que fica submersa durante décadas e a vegetação que cresce nas margens do lago descobertas na época em que o reservatório está baixo, quando forem digeridos por bactérias emitem esses gases naturalmente. Também o alto teor em material orgânico dos rios que percorrem florestas como a Amazônica até serem barrados, ajuda na proliferação de algas e plantas aquáticas que por sua vez são decompostas por bactérias. É difícil conceber a magnitude das emissões, mas pesquisadores do Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA) têm mostrado que algumas das barragens da Amazônia como a de Curuá-Una (PA), e as desastrosas em termos sociais e ambientais Tucuruí (PA) e Balbina (AM), emitem mais gases do efeito estufa do que termelétricas a gás natural ou diesel com a mesma potência instalada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, essas constatações científicas estão disputadas e desqualificadas numa campanha orquestrada por atores ligados à indústria de barragens e energia e setores do governo. A explicação é simples se considerarmos que as barragens na Amazônia, como os Complexos Hidrelétricos dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins/Araguaia e Xingu são alguns dos principais pilares do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo deixa claro,desde o processo de licenciamento ambiental do Belo Monte até a implantação das hidrelétricas no rio Madeira, que nem os graves impactos sociais, e muito menos os ambientais, podem obstruir a implementação do atual - injusto e desequilibrado - modelo de desenvolvimento. Obviamente, admitir que as barragens produzem energia suja e contribuem significativamente nas emissões (20% no caso do Brasil segundo o INPE) seria um tiro no pé, no momento que o país quer mostrar liderança mundial no combate ao aquecimento global e, assim, atrair investimentos “verdes” dos países do norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mercado de carbono&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oportunidade de lucro é outro elemento que pode ajudar a explicar essa disputa dos fatos científicos. Com o argumento que as hidrelétricas produzem energia limpa, as barragens podem ser registradas como projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) estabelecido no Protocolo de Kyoto, e assim vender créditos de carbono no mercado mundial. Esse mercado que hoje vale mais de U$ 100 bilhões, cresceu cerca de 1000% desde 2005 e deve atingir pelo menos U$ 1 trilhão até 2014. No Brasil existem 83 projetos hidrelétricos em avaliação ou inseridos no MDL, gerando mais de U$ 60 milhões/ano para os donos dos empreendimentos. O futuro só pode ser melhor para eles se nada mudar. As duas barragens do rio Madeira, por exemplo, se forem inseridas no MDL, vão gerar U$ 100 milhões/ano, além dos R$ 8,2 bilhões/ano de lucro esperado com a geração, transmissão e distribuição de energia. E para variar, estima-se que entre um a dois terços dos projetos no mundo que hoje são inseridos no MDL, não cumprem as exigências estabelecidas, ou seja, existem fraudes na avaliação dos projetos e de fato não ajudam a diminuir o efeito estufa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Crise mundial&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atual crise econômica que veio complementar a crise energética e alimentar foi fruto da atitude descontrolada dos mercados financeiros, mas quem pagou e paga a conta são os milhões de novas pessoas famintas e desempregadas no mundo. Para agravar ainda mais a situação, os governos desembolsaram U$ 12 trilhões de dinheiro publico, segundo o Fundo Monetário Internacional, para salvar o sistema financeiro - com sucesso extremamente duvidoso. Os mercados não poderiam ter a solução para a crise financeira que eles produziram e com a crise climática não é muito diferente. A conferência do clima em Copenhagen tem a oportunidade de desvincular o combate ao aquecimento global dos mecanismos de mercado. Ambientalistas, movimentos sociais e cientistas dizem que esse é o único caminho para um desenvolvimento sustentável e minimamente honesto. Tanto honesto, para não poder fingir que a hidroeletricidade é limpa só porque ninguém vê chaminés nos murros das barragens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Kostis Damianakis&lt;/span&gt; é doutor em Microbiologia Ambiental pela Universidade de Essex na Inglaterra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-8915321521727143999?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/8915321521727143999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=8915321521727143999&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8915321521727143999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8915321521727143999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/farsa-de-copenhague.html' title='A farsa de Copenhague'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7178096294148474782</id><published>2009-12-14T13:37:00.002-02:00</published><updated>2009-12-14T13:42:54.234-02:00</updated><title type='text'>A Bolívia depois das eleições</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eduardo Paz Rada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem estava "cantado" que Evo Morales conseguiria a reeleição presidencial no primeiro turno para conduzir a Bolívia durante os próximos cinco anos, que provavelmente se convertirão em dez, não era muito claro quais seriam as margens de controle nas regiões que haviam sido o reduto da oposição neoliberal e conservadora durante os últimos quatro anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sucesivos triunfos de Morales, em eleições, consultas e referendos, desde 2005, tem como fundamental antecedente a rebelião popular de outubro de 2003 que jogou abaixo todo o sistema político e partidos que haviam levado adiante a política neoliberal que destruiu a estrutura econômica do país e entregou os recursos e empresas estratégicas, a terra e a administração financeira às transnacionais e à oligarquia local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram as consignas de recuperação dos recursos naturais, especialmente o gás, e do Estado, através de uma Assembléia Constituinte, e de expulsão dos políticos corruptos que marcaram os últimos seis anos da vida nacional. Este impulso social, imposto pelos movimentos populares teve sua continuidade e projeção na derrota dos setores oligárquicos e proprietários de terras de Santa Cruz, Beni e Pando em setembro e outubro de 2008, incluindo a expulsão do embaixador dos Estados Unidos na Bolívia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, com verificação electoral, os desafios do governo se abrem a novas perspectivas. O programa de governo apresentado pelo Movimento ao Socialismo (MAS) está claramente orientado ao desenvolvimento clássico da sociedade moderna, sob a consigna de "Revolução Industrial, Viária, Tecnológica e Institucional" que propõe romper a colonial exportação de matérias primas. O discurso indigenista passou a um segundo plano, assim como a "Revolução Democrática e Cultural" sustentada durante o período 2006-2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evo Morales, a tempo de agradecer o apoio do povo boliviano, manifestou que é hora de acelerar as mudanças, ponderou o voto recebido da classe média e respondeu com a referência anti-imperilista do projeto dos países da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba) quando grupos de manifestantes faziam um coro: "Socialismo, socialismo".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao haver sido pulverizada a oposição conservadora, começaram a surgir vozes empresariais para somar-se abertamente ao porjeto de governo, por um lado, e os grupos opositores regionais a reagrupar-se para buscar melhores resultados nas eleições de governadores e prefeitos nas eleições departamentais (estaduais) e municipais de abril de 2010, aonde poderiam rearticular-se os setores oligárquicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outra parte, no seio das forças políticas e sociais que respaldam Morales, começa a remover-se tendências que se manifestaram mornamente até agora. Os setores indigenistas buscam um maior protagonismo nas instâncias governamentais, os bolivarianos uma maior vinculação e compromisso com os postulados latino-americanistas e de integração econômica e política, os esquerdistas uma definição socialista e os liberais manter as boas relações existentes com as transnacionais&lt;br /&gt;petroleiras, mineradoras e financeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o contexto regional e mundial vai marcar também os passos do segundo mandato de Evo Morales. A multipolaridade abriu vários polos que pretendem hegemonia econômica, especialmente com a emergência de China, Índia, Rússia e Brasil, que se somam a União Européia e Estados Unidos e buscam recursos naturais, com poderosas transnacionais, que existem na Bolivia. Regionalmente, as prováveis mudanças no timão político no Brasil, Chile e Argentina, junto a estratégia militar imperialista&lt;br /&gt;manifestada em Honduras e Colômbia, abrem um jogo geopolítico ainda indefinido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bolívia, junto a outros países, na União das Nações Sulamericanas e na Alba têm um grande desafio batendo à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eduardo Paz Rada&lt;/span&gt; é diretor do curso de sociologia da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA), universidade pública de La Paz, Bolivia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tradução:&lt;/span&gt; Vinicius Mansur&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7178096294148474782?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7178096294148474782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7178096294148474782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7178096294148474782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7178096294148474782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/bolivia-depois-das-eleicoes.html' title='A Bolívia depois das eleições'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7368156801133703794</id><published>2009-12-11T13:54:00.003-02:00</published><updated>2009-12-11T14:10:54.600-02:00</updated><title type='text'>Uma eleição validada com sangue</title><content type='html'>Este &lt;a href="http://voselsoberano.com/v1/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2969:mini-documental-una-eleccion-validada-con-sangre--video-espanol-ingles&amp;catid=1:noticias-generales"&gt;vídeo &lt;/a&gt;(15 minutos) mostra claramente como a eleição em Honduras não transcorreu nem um pouco "normalmente", como os EUA e a grande mídia querem fazer crer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de elencar as violações de direitos humanos desde o golpe, mostra com imagens e testemunhos contundentes a opressão que se viveu no país no dia da eleição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, o Departamento de Estado dos EUA soube do que aconteceu (assim como a mídia brasileira). Seu serviço de inteligência não é nada bobo. Mas prefere, claro, seguir o plano de consolidação do golpe, ou seja, reconhecer as eleições realizadas sob um regime de exceção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado é que Clóvis Rossis e Elianes Catanhêdes da vida jogam o jogo dos EUA, e já cobram do governo brasileiro uma mudança de postura. E utilizam os mesmos argumentos estadunidenses, sempre tão "ponderados". Quer dizer: preferem deixar de lado o jornalismo. Como quase sempre, aliás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7368156801133703794?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7368156801133703794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7368156801133703794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7368156801133703794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7368156801133703794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/uma-eleicao-validada-com-sangue.html' title='Uma eleição validada com sangue'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1471801695833956968</id><published>2009-12-11T12:06:00.002-02:00</published><updated>2009-12-11T12:11:34.577-02:00</updated><title type='text'>Os "isentos" observadores das eleições em Honduras</title><content type='html'>Do site &lt;a href="http://tr-honduras.nuevaradio.org/"&gt;TR-Honduras&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Micheletti reclutó en Miami a observadores vinculados a la CIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;La dictadura golpista de Roberto Micheletti ha utilizado como “observadores internacionales” de sus elecciones ilegales a connotados miembros de la mafia cubanoamericana, conocidos por su colaboración con la CIA y sus lazos con los círculos terroristas de Miami&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jean-Guy Allard&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelaciones” de la prensa mafiosa de Miami confirman que a su lista de supuestos observadores reclutados en los círculos de extrema derecha de Estados Unidos y de América Latina - se aparecieron el traidor cubano Huber Matos, jefe de la organización Cuba Independiente y Democrática (CID).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orlando Gutiérrez, capo del Directorio Democrático Cubano (DDC), Sylvia Iriondo, gerente de la organización MAR por Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los tres tienen lazos documentados con la Agencia Central de Inteligencia (CIA) y se han vinculado a organizaciones terroristas generadas por este mismo órgano del gobierno norteamericano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huber Matos, de 91 años de edad, ha apoyado en varias oportunidades planes de asesinatos desarrollados por sus amigos Gaspar Jiménez Escobedo y Nelsy Ignacio Castro Matos además de mantener relaciones con narcotraficantes tales como el caíd canadiense Máximo Morales arrestado en diciembre de 1990, justo después de su visita, al producirse la más importante captura de cocaína de la historia de Montreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nunca había visto una elección tan ordenada y con tanto entusiasmo popular”, comentó Matos quien visitó mesas electorales escoltado por militares en una Tegucigalpa aterrorizada por las omnipresentes fuerzas policiales y militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por su parte, Gutiérrez Boronat es un ex miembro de la llamada Organización para la Liberación de Cuba (OLC) del connotado terrorista Ramón Saúl Sánchez Rizo. uno de los más peligrosos sicarios de Omega 7. Propagandista de elite del Departamento de Estado, recibió oficialmente en el último presupuesto de la NED la cantidad de 275 000 dólares para difamar a Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvia Iriondo que calificó de “una fiesta cívica extraordinaria” los comicios de Micheletti, sigue también en la nomenklatura de los más grandes beneficiarios de los programas federales norteamericanos de subsidios a la contrarrevolución además de prestarse para cualquier actividad propagandística orientada por la CIA contra Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ya se sabía que el estafador Adolfo Franco que utilizó su puesto en la USAID para regar sus amistades de la Miami mafiosa con millones de dólares se encontró entre los ex funcionarios norteamericanos vinculados a los Bush que viajaron a Honduras - todo pagado por Micheletti - como observadores de las elecciones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franco y sus acompañantes de Miami se sumaron a los enviados del grupo neonazi UnoAmérica y de la “Red Latinoamericana y del Caribe para la Libertad”, un apéndice de la Fundación Libertad, financiada por la NED, así como al Faes de José María Aznar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Después de honrar al agente CIA Carlos Alberto Montaner, el régimen hondureño regaló la “Orden José Cecilio del Valle en el grado de Comendador”, la más elevada del país, a dos otros “observadores”, el agente CIA cubanoamericano Armando Valladares y al líder de la agrupación neonazi UnoAmerica Alejandro Peña Esclusa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Calderón Sol, asesino de jesuitas, también “observó”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La junta de Tegucigalpa reclutó la mayoría de sus observadores a través del Consejo Hondureño de la Empresa Privada (Cohep) y de los magistrados golpistas del Tribunal Supremo Electoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre las personalidades más prominentes se encontraron ex presidente de Bolivia, Jorge Quiroga, el ex mandatario de El Salvador, Armando Calderón Sol, el español Carlos Iturgaiz del falangista Partido Popular, un representante del Partido Reformista de la República Checa, Eduard Kozusnik y Christian Lüth de la ultraderechista Fundación Friedrich Naumann de Alemania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El ultraderechista Quiroga asumió la presidencia de su país en 2001 tras la renuncia de Hugo Bánzer y es famoso por su uso salvaje de las fuerzas de represión contra campesinos y Calderon Sol, presidente de El Salvador en los años 80,por el partido fascista ARENA, ha sido acusado en varias oportunidades de haber mandado a matar a los padres jesuitas y a Monseñor Romero,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Llama la atención que todos los partidarios extranjeros del régimen asesino de Micheletti que se impuso por las armas y mantiene una máxima represión, son los mismos individuos que participan en las campañas del Departamento de Estado donde se pretende defender a los “derechos humanos” en los países cuyas políticas progresistas molestan a Washington.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Golpistas condecoran a Valladares y al neonazi Peña Esclusa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabecillas del gobierno golpista de Honduras acaban de otorgar la “Orden José Cecilio del Valle en el grado de Comendador”, al agente CIA cubanoamericano Armando Valladares junto al jefe de la agrupación neonazi UnoAmerica Alejandro Peña Esclusa, ambos fanáticos partidarios del régimen usurpador de Tegucigalpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mientras fue creada para honrar la memoria de quién fue el redactor del Acta de Independencia de Centroamérica, la Orden José Cecilio del Valle se utiliza descaradamente por los funcionarios de Roberto Micheletti para “distinguir” a elementos de la derecha latinoamericana más extremista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Según la prensa golpista, “los galardonados, han realizado importantes acciones a favor de Honduras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Del venezolano -también golpista- Peña Esclusa, se señala que es “una prometedora figura latinoamericana que combina su experiencia política con una sólida formación moral e intelectual”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peña Esclusa es jefe de UNOAMERICA, una organización de corte fascista que reúne lo más recio de las oligarquías de Sudamérica con una ideología inspirada del Plan Condor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fue asesor en la reciente campaña electoral salvadoreña del partido ARENA (Alianza Republicana Nacionalista), fundado por el Mayor Roberto d’Abuisson Arrieta, famoso por sus escuadrones de la muerte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Valladares, el cabecilla de la pandilla neonazi radicada en Colombia, fue vinculado en abril con el intento de asesinato contra el presidente boliviano Evo Morales, en el cual participaron paramilitares fascistas reclutados en Hungría y Croatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El jefe del comando asesino, Eduardo Rózsa se reunió días antes del descubrimiento de la conspiración con el ex oficial de la inteligencia golpista argentina Jorge Mones Ruiz, un directivo de UnoAmérica quién asesoró la fracasada operación.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco días después del golpe de Tegucigalpa, UnoAmérica emitió un comunicado “reconociendo al nuevo gobierno de Honduras, presidido por Roberto Micheletti” y decretando que “no se ha producido un golpe de Estado, sino una sucesión constitucional”, una línea ya orientada por la inteligencia yanqui y la extrema derecha de Miami.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En cuanto a Valladares, el texto del otorgamiento de la condecoración afirma - irónicamente - que se la confiere “por ser un fiel defensor y protector de los Derechos Humanos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No se precisa que abandonó precipitadamente su puesto de Secretario General de la Human Rights Foundation y sus oficinas del Empire State Building en abril cuando está organización fachada de la CIA fue denunciada como cómplice del financiamiento del complot. Se dedicó desde el 28 de junio a celebrar y asesorar el régimen ilegal de Tegucigalpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torturador con la dictadura policiaca de Fulgencio Batista, el cubanoamericano se puso a disposición de la inteligencia norteamericana al tocar el suelo de Estados Unidos y ha sido utilizado en innumerables campañas de difamación de Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cierto, no es la primera condecoración que recibe. Años atrás, el fundador del grupusculo anticomunista “Resistencia Internacional” fue también “distinguido” con el máximo reconocimiento civil que Washington regala a sus servidores eméritos, la Medalla Presidencial del Ciudadano, de manos del presidente Ronald Reagan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bolpress.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1471801695833956968?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1471801695833956968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1471801695833956968&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1471801695833956968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1471801695833956968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/os-isentos-observadores-das-eleicoes-em.html' title='Os &quot;isentos&quot; observadores das eleições em Honduras'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7952985707302037923</id><published>2009-12-10T19:42:00.002-02:00</published><updated>2009-12-10T19:46:17.008-02:00</updated><title type='text'>Caricatura da direita boliviana</title><content type='html'>Este &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XegXYslgfaw"&gt;vídeo&lt;/a&gt;, que poderia ser hilário se não fosse trágico, foi enviado por Vinicius Mansur, correspondente do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil de Fato&lt;/span&gt; na Bolívia e entrevistador das duas caricaturas que aparecem na tela. Vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7952985707302037923?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7952985707302037923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7952985707302037923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7952985707302037923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7952985707302037923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/caricatura-da-direita-boliviana.html' title='Caricatura da direita boliviana'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7480199421307867182</id><published>2009-12-10T16:29:00.003-02:00</published><updated>2009-12-10T16:58:43.542-02:00</updated><title type='text'>Terrorismo de Estado, ontem e hoje</title><content type='html'>Estão circulando duas petições online importantíssimas. Embora sobre temas aparentemente distintos, elas têm tudo a ver uma com a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma delas é um apelo ao STF para que este declare que a lei da Anistia, de 1979, não se aplica a torturadores, sequestradores etc do regime civil-militar, afinal, estes são crimes de lesa-humanidade, e não políticos. Quem quiser ler o manifesto e assiná-lo, clique &lt;a href="http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra petição exige o desarquivamento e a federalização das investigações sobre os chamados "Crimes de Maio". Todos devem lembrar que em maio de 2006, o PCC fez uma série de ataques a policiais em São Paulo, causando cerca de 50 mortes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas poucos lembram (ou ficaram sabendo) do saldo do contra-ataque da PM. Pois a polícia invadiu periferias e executou mais de 400 pessoas. Sim, executou. E a imensa maioria não tinha nenhuma ligação como o PCC e sequer tinha antecedentes (não que isso justificasse aplicar penas de morte extrajudiciais). Quem quiser ler e assinar, clique &lt;a href="http://www.petitiononline.com/maesmaio/petition.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os dois assuntos têm a ver? Ora, tudo. A não punição aos agentes do Estado do passado é que permite que hoje se continue torturando e matando nas favelas, delegacias e cadeias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a doutrina do combate aos "inimigos" aplicada pelas forças de segurança do Estado é a mesma. Se antes esses inimigos eram principalmente os "comunistas", hoje são os pobres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7480199421307867182?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7480199421307867182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7480199421307867182&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7480199421307867182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7480199421307867182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/terrorismo-de-estado-ontem-e-hoje.html' title='Terrorismo de Estado, ontem e hoje'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1196154764259466174</id><published>2009-12-08T21:30:00.004-02:00</published><updated>2009-12-08T21:37:47.723-02:00</updated><title type='text'>Armas que causam câncer</title><content type='html'>Saiu no &lt;a href="http://www.jornada.unam.mx"&gt;La Jornada&lt;/a&gt;, do México. Estas eram as armas de destruição em massa a que os EUA se referiam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Desechos tóxicos por años de guerra en Irak incrementan casos de cáncer y malformaciones&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reuters&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Periódico La Jornada&lt;br /&gt;Monday 7 de December de 2009, p. 27&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagdad, 6 de diciembre. Las armas poco a poco dejan de escucharse en Irak mientras la frágil estabilidad se va consolidando, situación que traslada el foco de atención sobre un asesino silencioso que probablemente aceche a los iraquíes en los próximos años.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La incidencia del cáncer, los bebés con malformaciones y otros problemas de salud se han incrementado de manera alarmante, según funcionarios iraquíes, y muchos sospechan que la contaminación producto de las armas usadas en tantos años de guerra es una de las causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hemos visto nuevos tipos de cáncer de los que no se tenía registro en Irak antes de la guerra de 2003, tipos de cáncer fibroso (tejido blando) y cáncer óseo. Éstos se originan claramente en la radiación", dijo Jawad Ali, oncólogo de Basora, la segunda mayor ciudad iraquí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Fallujah, oeste de Irak, escenario de dos de las más feroces batallas entre las tropas estadunidenses y los insurgentes después de la invasión de Estados Unidos en 2003, una cifra récord de casos de bebés nacidos muertos, deformes o con parálisis ha alarmado a los médicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El uso de uranio en el armamento de Estados Unidos y la coalición en la guerra de 1991 para liberar a Kuwait, y en la invasión de Irak en 2003, está bien documentado, pero establecer un nexo entre el metal radiactivo y los problemas de salud entre los iraquíes es difícil, según funcionarios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las instalaciones médicas iraquíes son limitadas, y el mantenimiento de estadísticas precisas en materia de seguridad durante los años de matanzas sectarias desatadas por la invasión fue imposible.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En Basora, golpeada por años de guerra y anegada por años de contaminación industrial y agrícola, a los médicos les resulta difícil aislar las causas específicas del cáncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Su población ha vivido por años entre montañas de chatarra que contiene restos de la guerra, como el óxido marrón que se descascara con el viento que llega hasta las casas de los habitantes, sus alimentos y sus pulmones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nuestra información indica que hay más de 200 kilómetros cuadrados de tierra en el sur de Basora que contienen restos de guerra, algunos de los cuales están contaminados con uranio", dijo Bushra Ali, del departamento de prevención de radiación del Ministerio de Medio Ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un informe de 2007 de la publicación médica de la Universidad de Basora encontró que no había "un significativo aumento" en los índices de muerte por cáncer, pero que la proporción de niños muertos por la enfermedad en Basora había crecido 65 por ciento en 1997 y 60 por ciento en 2005, comparado con 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El uranio empobrecido, un metal denso, es usado en armamento para perforar blindajes como los de los tanques. Su conexión con los problemas de salud es polémica: el Ministerio de Defensa Británico dice que no hay evidencia "científica o médica confiable".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En la primera guerra del Golfo se usaron grandes cantidades de uranio empobrecido, buena parte cerca de Basora. No queda claro cuánto fue usado en Fallujah por las tropas estadunidenses en dos ataques contra la ciudad en 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El ejército estadunidense usó fósforo blanco –que puede causar graves quemaduras al hacer contacto con la piel–, a fin de marcar blancos o sacar a enemigos armados de sus escondites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco años más tarde, los doctores en Fallujah registran inusual número de bebés con afecciones cardiacas congénitas y defectos en el tubo neural, lo que implica en último caso un desarrollo anormal de la médula espinal y del cerebro, condiciones que pueden causar parálisis y la muerte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"El marcado aumento de malformaciones congénitas en recién nacidos en este hospital llevó a la junta directiva a conformar un comité especial para investigar y registrar estos casos", dijo Abdulsatar Kadim, gerente del principal hospital de Fallujah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los médicos dicen que no han podido aislar una causa específica. Varios factores pueden provocar la condición, incluida la falta de ácido fólico durante el embarazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un especialista en neurología pediátrica dijo ver en promedio semanal de tres a cuatro recién nacidos con defectos en el tubo neural en Fallujah y zonas circundantes, región de unos 675 mil habitantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1196154764259466174?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1196154764259466174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1196154764259466174&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1196154764259466174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1196154764259466174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/armas-que-causam-cancer.html' title='Armas que causam câncer'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-4244880635340086089</id><published>2009-12-08T14:38:00.003-02:00</published><updated>2009-12-08T14:44:29.385-02:00</updated><title type='text'>Repressão em Honduras</title><content type='html'>Enquanto os EUA e seus aliados trabalham para legalizar o golpe em Honduras, ao reconhecerem as eleições do dia 29 (como se eleições por si só garantissem a existência de democracia), segue no país a repressão contra quem resiste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, um comunicado publicado no site &lt;a href="http://hondurasenresistencia.com"&gt;Honduras en Resistencia&lt;/a&gt;: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;NOTA URGENTE - REAPARECE LA DESAPARICION FORZADA Y EL CRIMEN POLITICO EN HONDURAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua masacre y agresión a miembros de la resistencia y sus familiares, el de de hoy, cinco de diciembre del corriente mes, varios hombres usando vestimenta de la Dirección Nacional de Investigación Criminal  (DNIC) y encapuchados, a la una de la mañana, llegaron a las colonias el Carrizal y la Mery flores, se introdujeron violentamente a las casas donde se encontraban las señoras Vilma Martínez y Sonia Castillo; buscaban a la Señora Ada Martínez miembro activa de la resistencia contra el golpe de Estado, al no encontrarle se llevaron a las señoras antes mencionadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este Escuadrón de la muerte continúo su recorrido y allanaron otras viviendas en la Colonia el Carrizal y se llevaron cuatro personas más vinculados a la resistencia; hasta la hora de difusión de este llamado las personas se encuentran desaparecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EL CODEH denuncia la complicidad del poder judicial en esta práctica que constituye delito de lesa humanidad, denunciamos que los números disponibles para el turno del poder judicial para interponer los recursos de exhibición personal contesta una persona que al responder manifiesta pertenecer a las Fuerzas Armadas de Honduras y que no están disponibles para atender esos llamados; manifestamos que hasta este momento se ha hecho imposible presentar un habeas Corpus a favor de las víctimas por el Número 225-3928 extensión 121 asignado a los Juzgados Unificados de Francisco Morazán.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;El cuatro del corriente mes, en horas de la mañana, fueron allanadas las oficinas de edición del Periódico el Libertador, quienes los hicieron se llevaron la computadora que contenía el material para la próxima edición, abusaron de una de las empleadas a quien amenazaron con cometer actos delujuria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde el espacio del CODEH hemos denunciado la creación de Escuadrones dela Muerte organizados por el Régimen Militar y dirigidos por ex miembros del 3-16 que operan desde oficinas públicas del Estado; estas personas han recibido entrenamiento de ex militares del ejército Israelita que han llegado a Honduras para prestar estos servicios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al CODEH le preocupa la situación de persecución selectiva que desde estructuras clandestinas, dirigidas por oficiales de las Fuerzas Armadas de Honduras y de la Policía Nacional, se ha desatado en el país; esta práctica ha desplazado, actualmente, a más de quince personas y familias obligadas a salir del país por el hostigamiento, allanamientos de morada en horas nocturnas y atentados criminales, estas prácticas corresponden a escuadrones de la muerte ya organizados en Honduras, el CODEH ha presentado, públicamente, la fotografía de los miembros de estas&lt;br /&gt;estructuras; alertamos a la comunidad internacional del desplazamiento de familias por persecución política, mujeres y niños (as) han empezado a abandonar este país la persecución selectiva cada día amenaza con más fuerza la vida, la integridad física, síquica y moral, así como la libertad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A la para de esta agresión existe una campaña mediática de apología al odio hacia los defensores (as) de los derechos humanos,  entre estos periodistas que se dedican a fomentarla se encuentra el Señor Rodrigo WongArévalo quien se ha manifestado, con sorpresa, que las personas que son privadas de su libertad en el marco de la persecución política tienen el teléfono del Presidente del CODEH nuestro compañero Andrés Pavón, el número del Presidente del CODEH es público, lo hemos anunciado por&lt;br /&gt;radio ytelevisión a fin de estar disponible para todos aquellos y aquellas que por hoy son perseguidos en Honduras por no doblegarse frente al golpe de estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último exigimos a la Fuerzas Armadas de Honduras y la Policía Nacional dejar en libertad sana y salva a las personas hoy secuestradas con pruebas, en poder del CODEH, que posesionan fuertes indicios de responsabilidad de parte de estas estructuras. La Desaparición forzada esta, nuevamente, enseñando su rostro de impunidad en este régimen militarde facto, los impunes de ayer son los impunes del presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tegucigalpa Distrito del Municipio Central 05 de diciembre de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por la Comisión Ejecutiva del Comité para la Defensa de los Derechos Humanos en Honduras CODEH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luchamos por la Paz Defendiendo los Derechos Humanos y la Justicia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-4244880635340086089?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/4244880635340086089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=4244880635340086089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/4244880635340086089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/4244880635340086089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/repressao-em-honduras.html' title='Repressão em Honduras'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2892965962571733178</id><published>2009-12-04T15:25:00.003-02:00</published><updated>2009-12-04T18:28:16.199-02:00</updated><title type='text'>Como a mídia fabrica uma verdade</title><content type='html'>Não é difícil. Por exemplo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma matéria da Folha Online do dia 1º/12, sobre os planos do Obama de mandar mais soldados para o Afeganistão, tem um parágrafo, a certa altura, que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Com o reforço, os soldados dos EUA no país devem passar de 100 mil. O principal objetivo das novas tropas será combater a ação da milícia radical Taleban e garantir a segurança da população em regiões consideradas mais instáveis, como o sul e o leste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parágrafo não está entre aspas, nem há um "segundo Obama, o principal objetivo...". Ou seja, a afirmação é do redator da notícia. Então, ficamos assim: o que os EUA querem no Afeganistão é nobre, afinal, quem condenaria aquele que luta contra o terrorismo e garante a segurança da população que habita regiões instáveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece frescura, preciosismo, mas não é. Palavras, qualquer palavra, importam, e muito. Têm força para fazer grandes estragos. Uma afirmação (mentirosa) dessas repetida exaustivamente por toda a mídia ocidental (simplesmente porque a notícia em questão veio das poucas agências internacionais existentes no mundo, cujas "verdades" são distribuídas pela imensa maioria da imprensa) se torna a mais pura verdade. Simples. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o mesmo caso do que acontece com as notícias sobre as favelas brasileiras. "Jornalistas" publicam a versão oficial e pronto: a polícia, em "confronto" com "traficantes", matou tantos "bandidos". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, milhares de jovens pobres e negros são executados todos os anos pelo Estado, com a conivência criminosa da mídia e o apoio de grande parte da sociedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2892965962571733178?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2892965962571733178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2892965962571733178&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2892965962571733178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2892965962571733178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/como-midia-fabrica-uma-verdade_04.html' title='Como a mídia fabrica uma verdade'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-31185017861494973</id><published>2009-12-04T14:37:00.003-02:00</published><updated>2009-12-04T14:41:09.927-02:00</updated><title type='text'>Pequena mostra da realidade que o Clóvis Rossi finge que não conhece</title><content type='html'>Email que recebi de uma comunidade colombiana que, há anos, foi vítima de um massacre promovido por paramilitares, e que até hoje é reprimida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;SE INTENSIFICA EL HORROR, LA MUERTE Y EL DESCARO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los hechos evidencian lamentablemente lo que venimos diciendo tantas veces la incrementación de la muerte, lo peor con el descaro del Estado y sin acciones de contener este derrame de sangre y el avance paramilitar. El gobierno nacional, local y las Fuerzas Militares solo nos llaman mentirosos, terroristas psicológicos pues todo está tranquilo, según su lógica de muerte la tranquilidad es la de las tumbas, el miedo y el silencio, al cual nos oponemos, por ello nuevamente dejamos constancia de los siguientes hechos:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- El 14 de noviembre de 2009 hacia las 15 horas fue víctima de una mina en la vereda Mulatos Gilberto Graciano miembro de nuestra comunidad, él se encontraba buscando unos cerdos y junto al camino donde estaba caminando fue victima de una mina, en el mismo lugar el 3 de agosto fue víctima Aida Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todas las semanas alias Zamir se ha dedicado por todas las emisoras de la zona a seguir mintiendo y estigmatizando la comunidad, es indudable una acción orquestada de la Brigada XVII sin que ningún organismos de control del Estado haga algo ante tanta arbitrariedad e impunidad con una persona que ha cometido crímenes de lesa humanidad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El  16 de noviembre hacia las 10 horas, en Caracoli (lugar ubicado en la carretera a 10 minutos de San José hacia Apartadó) fue abordado  Wilmer Tuberquia por Wilfer Higuita con otro hombre de civil, ellos portaban armas cortas y estaban en moto,  le dijeron a Wilmer Tuberquia que tenían una lista de gente para asesinar y que en esa lista estaba Reynaldo Areyza, luego le dijeron que se fuera enseguida. Wilfer Higuita ha patrullado con el ejército y es quien con el coronel Rojas le propusieron a Reynaldo Areiza que trabajara para ellos con el fin de destruir la comunidad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El 21 y 22 de noviembre  los paramilitares realizaron reuniones. El 21 a las 11 horas en Batata y el 22 hacia las 13 horas en Murmullo (vereda de Batata), allí dijeron que todas las personas debían ser carnetizadas por ellos, que había plazo de tenerse este carnet hasta diciembre de este año, quien no lo tenga sería asesinado. La reunión de Batata fue hecha en el centro del caserío donde se encontraban viendo policía y militares, allí se encuentra una base paramilitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El 23 de noviembre hacia las 22 horas. fue asesinado Dairo de Jesús Rodríguez, conocido como  Lalo, se encontraba en el negocio de billares que tenia en San José, allí fue degollado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El 24 de noviembre a las 10 horas los paramilitares realizaron una reunión en Nueva Antioquia con la gente, allí dijeron que habían buscado un acuerdo con la guerrilla pero que no se había dado y que ahora asesinarían a cualquiera que estuviera con la guerrilla, además que iban a carnetizar a la gente donde cada persona tendría una ficha que llenarían con sus movimientos, lugar de vivienda, familiares quien no tuviera el carnet lo asesinarían. Agregaron que el objetivo principal en estos momentos era acabar esa h.p. Comunidad de Paz. En Nueva Antioquia se encuentra una base paramilitar que hemos dejando constancia hace muchos años y allí existe presencia del ejército y la policía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El 25 de noviembre hacia las 13 horas Elkin Tuberquia llamó a Rodrigo Rodríguez allí le ofreció $ 400.000 para que informara lo que hacia la comunidad en especial lo que hacia Eduar para poder aniquilarlo, que era un trabajo fácil y que ya tenían una red que estaba conectada con el ejército. Elkin  Tuberquia ha servido para mentir y distorsionar la masacre del 21 de febrero de 2005, la fiscalía. Cuando se le ha pedido por calumnia la fiscalía ha dicho que no saben donde está y que parece que está muerto según la Brigada XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El 29 de noviembre a las 15 horas  fue asesinado Luis Arnelio Zapata Montoya quien vivía en la Antena. Ese día llegaron  temprano a San José dos hombres armados en moto desde Apartadó y preguntaban por varias personas. Luis bajó en un chivero de San José hacia Apartadó, la moto con los dos hombres seguían el carro. En la platanera en Mangolo a la salida de Apartadó se encontraba otra moto con dos hombres vestidos de civil armados con arma corta, pararon el carro y los dos hombres de la moto que los seguía se bajaron, intentaron bajar a Luis quien se resistió y lo asesinaron en el carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lo anterior solo muestra el desespero por acabarnos, pero lo peor la cantidad de acciones de muerte a las que se nos esta sometiendo sin que se haga absolutamente nada. Sabemos que nos quieren exterminar pero estos esfuerzos serán inútiles pues creemos en la vida en principios de paz, de no violencia, de un mundo alternativo y eso no puede ser exterminado de ninguna forma. Pedimos la solidaridad nacional e internacional ante el horror que se esta padeciendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COMUNIDAD DE PAZ DE SAN JOSE DE APARTADÓ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diciembre 3 de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-31185017861494973?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/31185017861494973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=31185017861494973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/31185017861494973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/31185017861494973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/pequena-mostra-da-realidade-que-o.html' title='Pequena mostra da realidade que o Clóvis Rossi finge que não conhece'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7839721886836281035</id><published>2009-12-03T17:43:00.003-02:00</published><updated>2009-12-03T17:51:24.247-02:00</updated><title type='text'>Na Guatemala, "anti-comunismo" exterminou mais de 400 comunidades indígenas</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://www.jornada.unam.mx/2009/12/03/index.php?section=mundo&amp;article=018n1mun"&gt;La Jornada&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Prueban documentos que Ríos Montt ordenó genocidio indígena en Guatemala&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;David Brooks&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Corresponsal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Periódico La Jornada&lt;br /&gt;Jueves 3 de diciembre de 2009, p. 18&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nueva York, 2 de diciembre.&lt;/span&gt; Por primera vez en la historia se comprueba que el genocidio indígena en Guatemala en su peor etapa fue ordenado por el gobierno militar de Efraín Ríos Montt, revelan documentos oficiales obtenidos y divulgados hoy por el National Security Archive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los archivos de la llamada Operación Sofía contienen documentos militares secretos sobre la campaña de contrainsurgencia que resultó en matanzas de decenas de miles de civiles mayas en Guatemala, informó el National Security Archive (NSA) al divulgar el material. Los documentos establecen que la operación citada “fue ejecutada como parte de la estrategia militar del presidente de facto de Guatemala, el general Efraín Ríos Montt, bajo el comando y control de los oficiales militares de más alto rango”, afirmó el NSA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Más de 350 páginas de información&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El documento del gobierno guatemalteco, de 359 páginas, detalla la matanza de hombres, mujeres y niños no armados, la destrucción de viviendas, cultivos y animales, y el bombardeo aéreo indiscriminado de refugiados. Los documentos incluyen planes operativos, mapas, órdenes, informes de resultados y reportes de patrullajes. Además, está la orden inicial de lanzar la operación fechada el 8 de julio de 1982 firmada por el jefe del estado mayor, general Héctor Mario López Fuentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El documento fue presentado este miércoles por Kate Doyle, directora del Proyecto Guatemala del NSA, ante la Audiencia Nacional de España que está procediendo sobre el caso de genocidio en Guatemala, en el cual están acusados Ríos Montt y otros altos oficiales (la querella original fue presentada por la Fundación Rigoberto Menchú Tum en 1999).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doyle presentó los documentos ante el juez Santiago Pedraz, de la Audiencia Nacional, quien preside el caso. Los documentos fueron obtenidos por el NSA de fuentes de inteligencia militar en Guatemala, después que a principios de este año el ministro de Defensa, general Abraham Valenzuela González, había afirmado que no era posible localizar estos documentos, ni presentarlos ante un juez guatemalteco como fue ordenado por el tribunal constitucional de ese país en 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En su resumen y análisis de los documentos presentados hoy ante el tribunal español, Doyle afirmó que la operación militar se lanzó el 16 de julio de 1982 en la zona de Ixil en El Quiché. El propósito, según se describe en el plan militar, era realizar "operaciones contrasubversivas y sicológicas en el área de operaciones de la FT (Fuerza de Tarea) Gumarcaj" para "exterminar a los elementos subversivos en el área". La campaña duró hasta el 19 de agosto e involucró oficiales y tropas de varias unidades de las fuerzas armadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doyle, en su presentación del archivo al juez, sostuvo que "esta información nos da una imagen muy precisa de la intencionalidad del daño y el sufrimiento causado a las comunidades indígenas ixiles por el ejército en el curso de su campaña para erradicar a los grupos armados guerrilleros". La documentación permite concluir “con certeza y claridad que la cadena de mando funcionaba en todo momento y que el alto mando –que en ese entonces hubiera incluido el presidente, comandante general del ejército y ministro de la Defensa de facto Efraín Ríos Montt y el viceministro de la Defensa Nacional Óscar Humberto Mejía Víctores, ambos imputados en este caso– estaba perfectamente enterado de las operaciones en el campo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los documentos revelan que el ejército consideraba a pueblos enteros como el enemigo en su lucha contra el "comunismo". Comandantes informan a sus superiores durante esta operación que "durante más de 10 años, los grupos subversivos que han operado en el área del Triángulo IXIL, lograron un trabajo completo de concientización ideológica en toda la población, alcanzando ciento por ciento de apoyo". En otro informe enviado por una de las patrullas militares a sus superiores, se reporta que "en las aldeas no hay gente, toda está escondida. Todas las aldeas de la región están organizadas". Y agrega que "los guerrilleros ya tienen ganada a toda la gente, puesto que cuando ven al ejército, se esconden en las montañas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como señala Doyle, se interpretaba el temor y la huida ante la presencia militar como prueba de que el pueblo entero formaba parte del "enemigo" y, por lo tanto, se justificaba el ataque contra la población civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al evaluar los archivos durante meses, Doyle dijo hoy que “hemos determinado que estos documentos fueron creados por oficiales militares durante el régimen de Efraín Ríos Montt para planear e implementar una política de ‘tierra arrasada’ sobre las comunidades mayas en El Quiché. Los documentos registran el asalto genocida de los militares contra las poblaciones indígenas en Guatemala”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Más de 200 mil personas fueron asesinadas o desparecidas entre 1960 y 1996 en Guatemala. El peor periodo de violencia fue entre 1982 y 1983, durante operativos contrainsurgentes con el estado justificando el exterminio de unas 440 comunidades indígenas como parte de la lucha anticomunista, reportó el Center for Justice and Accountability (CJA), organización internacional de derechos humanos que encabeza el caso ante la justicia española.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El National Security Archive, organización independiente de investigaciones sobre documentación oficial y libertad de información, colocó este miércoles toda esta documentación en su sitio de Internet: www.gwu.edu/~nsarchiv/guatemala/index.htm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El caso sobre genocidio ha procedido desde 2006 ante la Audiencia Nacional. Para mayor información visitar el sitio de CJA en www.cja.org/article.php?list=type&amp;type=369&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7839721886836281035?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7839721886836281035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7839721886836281035&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7839721886836281035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7839721886836281035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/na-guatemala-anti-comunismo-exterminou.html' title='Na Guatemala, &quot;anti-comunismo&quot; exterminou mais de 400 comunidades indígenas'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-8401190746334928086</id><published>2009-12-02T00:51:00.004-02:00</published><updated>2009-12-02T01:04:16.088-02:00</updated><title type='text'>EUA pagam os talebãs para que estes não atirem em seus soldados</title><content type='html'>Estava eu buscando informações e lendo artigos sobre a guerra no Afeganistão para servirem de base para uma pauta sobre o novo plano do Obama para o país quando me deparei, em um dos textos, com a informação de que os EUA, na prática, pagam os talebãs para estes protegerem seus comboios de mantimentos e equipamentos bélicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funciona assim: a exemplo do que fizeram e continuam fazendo no Iraque, os EUA deixaram a questão da segurança das instituições e dos seus comboios militares no Afeganistão nas mãos de empresas privadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que tais empresas privadas são controladas muitas vezes por pessoas que eram muito próximas ao regime anterior a 2001. Aí, para facilitar o serviço da companhia contratada, esta paga aos talebãs para protegerem os comboios. Como disseram em um dos artigos que li, que pode ser acessado &lt;a href="http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&amp;aid=16315"&gt;aqui&lt;/a&gt;: "o Exército dos EUA está basicamente pagando aos Talebãs para que estes não atirem". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário, não? Mais detalhes, podem ser lidos &lt;a href="http://www.rebelion.org/noticia.php?id=95273&amp;titular=c%F3mo-financia-ee.uu.-a-los-talibanes-"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-8401190746334928086?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/8401190746334928086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=8401190746334928086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8401190746334928086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8401190746334928086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/eua-pagam-os-talebas-para-que-estes-nao.html' title='EUA pagam os talebãs para que estes não atirem em seus soldados'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-3092457436109580043</id><published>2009-12-01T18:17:00.001-02:00</published><updated>2009-12-01T18:20:25.292-02:00</updated><title type='text'>A César o que é de César</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://carosamigos.terra.com.br/"&gt;Caros Amigos&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por José Arbex Jr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a ler o já famoso texto de César Benjamin: “Os filhos do Brasil”, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em 27 de novembro, fiquei orgulhoso de ser da esquerda. E mais ainda: de ter compartilhado com o autor do texto alguns momentos emocionantes de nossa luta comum, como o final da marcha do MST para Brasília, em 1997, quando me encontrei pessoalmente com ele, pela primeira vez. Os parágrafos iniciais do texto são primorosos. Muito bem escritos, compõem uma narrativa densa, sedutora, que vai criando no leitor uma vontade de querer saber mais sobre uma história que nunca foi contada direito: a história da ditadura militar, dos porões, das torturas, das prisões, dos seres humanos condenados à ignomínia. Benjamin soube retratar com grande humanidade os seus companheiros temporários de cela. Resgatou-lhes a história, a identidade, a face profundamente humana.&lt;br /&gt;Mas aí, veio a facada, o golpe inesperado, a decepção, a tristeza profunda. Benjamin relatou, no mesmo texto, uma conversa supostamente mantida com Luís Inácio Lula da Silva, em São Paulo, em 1994, durante a campanha à Presidência do Brasil. Lula teria “confessado”, então, entre amigos, que, na prisão, tentou seduzir, sem sucesso, um militante de uma organização de esquerda. Benjamin faz uma comparação entre o assédio descrito por Lula e o temor que ele mesmo, Benjamin, sentiu, quando preso, de ser “currado” por outros detentos.&lt;br /&gt;Não entendi nada. Li de novo, reli, tentei buscar alguma ironia oculta, algo que justificasse, no plano do próprio texto, o absolutamente injustificável paralelo entre estupradores que pululam nas prisões brasileiras – em geral, seres humanos reduzidos a condições quase completamente animalescas pelo próprio sistema carcerário, e/ou por uma vida anterior mergulhada na mais profunda miséria econômica, ideológica e afetiva – e Lula, que não estuprou ninguém, mas que, supostamente, comentou ter sentido o desejo de manter relações sexuais com um companheiro de cela que não cedeu aos seus desejos. Não quis acreditar que alguém dotado com os recursos intelectuais de Benjamin, adquiridos ao longo de sua longa história de luta pela liberdade e pela dignidade humana, pudesse cair em um pântano tão sórdido e profundo. Mas não encontrei nada no texto de Benjamin que permitisse uma interpretação positiva. Ou melhor: encontrei “o” nada: o vazio absoluto; vazio de sentido, o vazio da total falta de perspectivas, o vazio de um rancor desmedido.&lt;br /&gt;(Antes de prosseguir, esclareço logo: não sou e nunca fui “lulista”; não sou mais já fui petista; não simpatizo com a maioria das medidas de governo adotadas por Lula, e por isso sou totalmente favorável à crítica de esquerda ao seu governo. Mais precisamente, creio que Lula pode e deve ser criticado por aquilo que fez, mas acho muito estranho ele ser atacado por aquilo que NÃO praticou.)&lt;br /&gt;Vamos agora considerar, por um segundo, que Lula realmente fez o que supostamente disse ter feito. Isto é, que em dado momento tentou seduzir – seduzir, note bem, não estuprar -- o colega de cela. E daí? O que se pode concluir disso? Qual seria, nesse caso, o crime de Lula? O exercício, o desejo da homossexualidade? Estaremos, então, diante de um texto homofóbico?&lt;br /&gt;Ainda segundo o próprio Benjamin, como já observado, Lula teria comentado o caso numa roda de amigos. Estamos, então, diante de um gravíssimo precedente, aberto pelo próprio Benjamin. De hoje em diante, todos teremos que suspeitar dos nossos amigos, teremos que nos policiar para que nossas palavras não sejam, eventualmente, atiradas contra nós por algum “traíra”, algum “dedo duro”, algum “cagueta”, algum Judas, algum oportunista que resolva tirar proveito de uma situação de cumplicidade.  Revivemos, então, a era da delação (Premiada? Que o prêmio, no caso, teria sido pago a Benjamin?), a era da intriga, da fofoca, da futrica, da artimanha, da safadeza. Que vergonha! (Isso tudo me faz lembrar a famosa oração de Marco Antônio, no brilhante texto de Shakespeare: “Poderoso César, terás então descido a tão baixo nível?”)&lt;br /&gt;Benjamin utilizou a imprensa dos patrões para atacar um expoente do movimento de esquerda do Brasil. Claro, claro, claro: sempre se pode alegar que Lula não é de esquerda, como ele mesmo já disse e como eu, pessoalmente, avalio. Mas há um abismo entre considerações de caráter individual, feitas por indivíduos privados e isolados, ou mesmo por grupos e seitas, e a realidade política concreta, historicamente determinada pela luta de classes. No contexto brasileiro, em que as alternativas concretas ao governo Lula (e à sua imagem refratada Dilma Rousseff) são figuras sinistras como as de José Serra e Aécio Neves, Lula surge como um expoente à esquerda do espectro político, com algumas conseqüências importantes para a luta de classes na América Latina: por exemplo, a condução exemplar do governo brasileiro no caso de Honduras (embora feiamente chamuscada pelo desastre no Haiti), a recusa em avalizar o acordo das bases militares estadunidenses com a Colômbia e a denúncia permanente do bloqueio de Cuba. Para não mencionar o fato de que a figura de Lula, malgré lui même, inspira movimentos de resistência ao capital em todo o mundo. Disso não se conclui, automaticamente, que a esquerda deva, necessariamente, apoiar o governo Lula, ou mesmo apostar na eleição de Dilma. Ao contrário, deve aproveitar as contradições, os paradoxos e as ambigüidades para fortalecer o seu próprio campo. Mas Benjamin preferiu fortalecer as correntes representadas pelo jornal dos campos Elíseos.&lt;br /&gt;Não por acaso, a Folha de S. Paulo cedeu o espaço todo pedido por Benjamin. Cederia mais, se necessário fosse. Benjamin conhece a teoria marxista e sabe, com Gramsci, que a mídia dos patrões é o verdadeiro organizador coletivo, é o grande partido do capital. Triste é o fato de ele ter arregaçado as mangas para trabalhar por tal partido. E pior: Benjamin sabe que o falso paralelo que tentou traçar entre os predadores das prisões da ditadura e o prisioneiro Lula seria muito mais verdadeiro se, no lugar de Lula, ele colocasse os donos dos jornais para os quais hoje escreve.&lt;br /&gt;Todo o encanto produzido pelos primeiros parágrafos do texto de César Benjamin foi transformado em fel a partir do momento em que se instaurou a delação, o oportunismo, o absurdo. Lula não estuprou o seu companheiro de cela, mas Benjamin violentou, com alto grau de sadomasoquismo, a própria consciência e uma história repleta de glórias. Requiescate in pace.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-3092457436109580043?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/3092457436109580043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=3092457436109580043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/3092457436109580043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/3092457436109580043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/12/cesar-o-que-e-de-cesar.html' title='A César o que é de César'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7033681953414389553</id><published>2009-11-30T16:28:00.001-02:00</published><updated>2009-11-30T16:30:18.456-02:00</updated><title type='text'>O que deu no Cesinha?</title><content type='html'>Do site &lt;a href="http://www.viomundo.com.br"&gt;Vi o Mundo&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caras e caros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Duarte Pereira, ex-dirigente da Ação Popular, a quem admiro pela retidão de princípios, enviou a algumas pessoas o &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2711200908.htm"&gt;texto&lt;/a&gt; de César Benjamin, “Os filhos do Brasil”, acompanhado de um comentário crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envio a vocês, abaixo, minha resposta ao Duarte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Maringoni&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Duarte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe do respeito imenso que tenho por você, por seu discernimento político e por sua história.&lt;br /&gt;Por isso quero falar-lhe como amigo e companheiro.&lt;br /&gt;Não acho correto darmos credibilidade ao Cesar Benjamin neste episódio.&lt;br /&gt;Ele tem também um passado de lutas e uma capacidade de elaboração respeitável.&lt;br /&gt;Mas há tempos, Cesar resolveu buscar um espaço em voo solo, descolando-se de qualquer ação coletiva.&lt;br /&gt;Não sei exatamente o que se passa. Não sei se é uma vaidade imensa, não sei se é alguma questão política, ou se um modo de se fazer política com o fígado.&lt;br /&gt;Uma denúncia como a que ele faz não é uma denúncia pessoal.&lt;br /&gt;Só encontro paralelo recente no caso Miriam Cordeiro. Levanta-se um pecado íntimo para se atacar uma vertente política.&lt;br /&gt;Por que a denúncia não foi feita antes?&lt;br /&gt;Por que a denúncia foi feita na Folha?&lt;br /&gt;Por que ela é feita quando o governo tem uma atitude digna na questão hondurenha?&lt;br /&gt;Por que ela é feita quando Lula recebe um inimigo figadal de Israel?&lt;br /&gt;Por que ela é feita quando há um afrouxamento mínimo na política monetária?&lt;br /&gt;Por que ela é feita quando se travam as privatizações dos aeroportos?&lt;br /&gt;Por que ela é feita quando a direita faz uma ofensiva de conjunto na América Latina?&lt;br /&gt;Por que a Folha abriu uma página inteira a ela?&lt;br /&gt;Por que ele faz isso na boca de uma campanha eleitoral?&lt;br /&gt;Por que ele faz isso quando o candidato da direita - José Serra - começa a cair nas pesquisas?&lt;br /&gt;O caso me evoca outra lembrança triste.&lt;br /&gt;No início dos anos 1970, alguns militantes da esquerda revolucionária, muito jovens, não aguentando as torturas a que foram submetidos na prisão, foram para a TV.&lt;br /&gt;Afirmavam estarem arrependidos da luta.&lt;br /&gt;Anos atrás eu os classificava com o epíteto seco de 'traidores'.&lt;br /&gt;Hoje, pensando no fato de serem adolescentes, pondero meu tom.&lt;br /&gt;Não fizeram um papel edificante.&lt;br /&gt;Causaram prejuízos irreparáveis.&lt;br /&gt;Mas eram meninos acuados.&lt;br /&gt;O caso mais evidente foi o de Massafumi Yoshinagui, da VPR. Foi até capa de Veja, em 1971. Viveu atormentado com seu gesto, até se suicidar em 1976, aos 26 anos de idade.&lt;br /&gt;Quase 40 anos depois, Cesinha - que não é mais um menino - vai para as páginas e holofotes da grande mídia, fazer o que as classes dominantes querem.&lt;br /&gt;Recebi notícias que blogs da direita estão difundindo o texto.&lt;br /&gt;Conheço o Cesinha há cerca de 25 anos.&lt;br /&gt;Sinto que nós o perdemos irremediavelmente.&lt;br /&gt;Fico envergonhado com o papel que ele está desempenhando.&lt;br /&gt;Seu passado não merece isso.&lt;br /&gt;Mas a História irá julgá-lo.&lt;br /&gt;Por ora fica na ponta da minha língua o adjetivo que usei contra os que foram à televisão naqueles anos.&lt;br /&gt;E não encontro atenuantes para César Benjamin.&lt;br /&gt;Faço votos que ele se dê bem no outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;Maringoni&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7033681953414389553?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7033681953414389553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7033681953414389553&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7033681953414389553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7033681953414389553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/o-que-deu-no-cesinha.html' title='O que deu no Cesinha?'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-7655981411409383993</id><published>2009-11-27T17:03:00.003-02:00</published><updated>2009-11-27T17:12:32.997-02:00</updated><title type='text'>O martírio da “Gandhi” do Saara</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil de Fato, ediçao 352 (de 26 de novembro a 2 de dezembro de 2009)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aminetu Haidar, ativista do Saara Ocidental, faz greve de fome na Espanha para poder voltar a seu país, ocupado desde 1975 pelo Marrocos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Igor Ojeda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aminetu Haidar tem 42 anos, mas aparenta se aproximar dos 50. Não é para menos. Já foi muito torturada. Permaneceu quatro anos detida em uma prisão secreta, sem contato com o mundo exterior. E já fez uma greve de fome de 45 dias, que deixou sequelas irreparáveis em seu organismo, como problemas na coluna e uma úlcera hemorrágica. &lt;br /&gt;Por tudo isso, seu novo jejum, iniciado em 16 de novembro, pode lhe trazer consequências ainda mais graves. E ela está disposta, se necessário, a levá-lo até o fim. A única coisa que exige é voltar para casa. &lt;br /&gt;Aminetu é saarauí. Ou seja, nasceu no Saara Ocidental, país do noroeste da África colonizado pela Espanha e que, desde 1975, é ocupado a ferro e fogo pela monarquia de Marrocos, para quem ela é, talvez, a maior pedra no sapato. Pois Aminetu luta há décadas pela independência e soberania de sua nação. Por optar pela via pacífica, é considerada por muitos como a “Mahatma Gandhi saarauí”. &lt;br /&gt;Assim, algumas das principais armas são palestras e conferências no exterior, onde denuncia a opressão que sofre a população do Saara Ocidental. Na última de suas viagens, Aminetu foi a Nova York,  no fim de outubro, para receber um prêmio por seu ativismo. Na volta, fez escala em Las Palmas e Madrid, onde trata a úlcera regularmente. &lt;br /&gt;Ao regressar à El Aaiún, capital de seu país, decidiu agir como ela e outros independentistas sempre agem. No formulário de entrada, no espaço “País de residência”, escreveu “Sarra Ocidental”, em vez de “Marrocos”. &lt;br /&gt;Já os funcionários da imigração não agiram como o usual. Em vez de riscarem o nome da nação ocupada e escreverem “Marrocos” por cima, resolveram detê-la. Depois de 24 horas presa, Aminetu foi mandada de avião, sem passaporte, para Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Greve de fome&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar lá, a primeira coisa que fez foi tentar pegar um vôo de volta, mas a polícia local não permitiu. Sua entrada no país ibérico fora autorizada mesmo sem passaporte, pois Aminetu portava um cartão de residência, concedido em 2006 para que ela pudesse ser tratada em Madrid das doenças das quais sofre. No entanto, sem passaporte, não pôde sair. Aminetu, que se diz “sequestrada” pela Espanha, deu um prazo para que sua situação fosse resolvida. Sem ser atendida, iniciou o jejum, no próprio aeroporto. &lt;br /&gt;“Ela decidiu pela greve de fome porque não havia nenhuma solução até o momento para que voltasse ao Saara Ocidental. É uma medida de protesto”, explica, por meio de contato telefônico, o ator espanhol Guillermo Toledo, porta-voz da plataforma de artistas “Todos com o Saara Ocidental”, que atendeu a chamada destinada a Aminetu. &lt;br /&gt;“Ela não está falando, está muito debilitada, quase não se escuta sua voz”, justifica ele, que está 24 horas por dia ao lado da ativista, como forma de solidariedade. Segundo Guillermo, as sequelas da primeira greve de fome de Aminetu torna “duplamente brutal” a atual. “Seu estado físico é muito precário”, conta. &lt;br /&gt;A agência de notícias oficial do Marrocos informou que a detenção e posterior expulsão da militante saarauí por parte das autoridades do país se deu devido ao “rechaço em cumprir com as formalidades administrativas”, que consistiam em preencher a ficha de ingresso adequadamente.  &lt;br /&gt;Diante da repercussão internacional da medida extrema tomada por ela em Lanzarote, Marrocos e Espanha propuseram, cada um, sua própria solução para o caso. “O Ministério de Relações Exteriores [espanhol] propõe que ela receba o estatuto de refugiada, o que ela rechaça, pois isso a tornaria apátrida. Ou seja, ela nunca poderia voltar a seu país. O Marrocos propõe que ela tire outro passaporte. O que ela igualmente rechaça por já ter esse documento. A única solução que ela aceita é que a devolvam ao Saara Ocidental”, sentencia Guillermo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;História de luta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título de “Mahatma Gandhi saarauí” encontra respaldo em sua história de militância pacífica pela soberania do Saara Ocidental. “É difícil resumir em poucas palavras a vida tão intensa e ativa dessa lutadora pelos direitos de seu povo que se foi convertendo, com o decorrer dos anos, em um símbolo da luta pela identidade e pelo reconhecimento político do povo saarauí”, diz, por correio eletrônico, Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS). &lt;br /&gt;Em 1987, aos 20 anos, após participar de uma manifestação em favor do respeito aos direitos humanos e à autodeterminação do povo saarauí, Aminetu, juntamente com outras 700 pessoas, foi presa pela polícia marroquina. Sem julgamento e sem direito a advogados, permaneceu encarcerada por quatro anos em centros secretos de detenção, onde sofreu inúmeras torturas e humilhações. Foi dada como morta por seus conhecidos. &lt;br /&gt;“Me amarravam a uma mesa e colocavam, na minha boca, olhos e nariz, um pano impregnado de um líquido que cheirava à cândida. Também me davam chutes, me flagelavam com um cabo elétrico e, além disso, fui agredida por cachorros”, relatou ao jornal espanhol El País. Durante vários meses, teve que ficar sentada em um banco de um corredor, com os olhos vendados para, depois, finalmente, ser jogada em uma minúscula cela, que compartilhou com outras saarauís. &lt;br /&gt;Após ser solta, Aminetu se converteu em “porta-voz contra as injustiças que se cometem contra seu povo, tanto dentro do Saara Ocidental como em contato com numerosas organizações internacionais”, lembra Santiago. &lt;br /&gt;Em 2005, já com dois filhos (hoje, com 15 e 13 anos), foi presa novamente por participar de outra manifestação, ficando sete meses na chamada Cadeia Negra, de El Aaiún. Foi quando realizou sua primeira greve de fome, de 45 dias, por sua libertação e por melhores condições carcerárias. Ao sair, ganhou ainda mais projeção, interna e externamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Solidariedade e omissão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso, por sua história, diz o ator Guillermo Toledo, que Aminetu Haidar foi expulsa do Saara Ocidental pelo governo marroquino e “sequestrada” pela Espanha. “A temem por sua forma de luta pacífica. Pelo massivo apoio que tem. Se ela fosse terrorista, jogasse bomba, perderia esse apoio”.  &lt;br /&gt;De acordo com ele, a solidariedade que a militante vem recebendo nos últimos dias é igualmente massiva. “Está vindo de todas as partes do mundo”. Nomes como os dos escritores José Saramago e Eduardo Galeano e do ator Javier Bardem já lhe enviaram mensagens de apoio.  &lt;br /&gt;“O único que não está solidário com sua causa – do contrário, vem atuando com profunda insensibilidade – é o governo espanhol. Atua desse jeito por causa das suas relações econômicas com o Marrocos. Para não pôr em risco essas relações com o regime marroquino, que é um regime que persegue, reprime, tortura, assassina. É uma atitude que causa surpresa, porque a Espanha costuma levantar a bandeira dos direitos humanos”, indigna-se Guillermo, para quem, ao impedir que Aminetu volte a seu país, a Espanha comete um delito internacional. “A atitude do governo é desprezível. Nenhuma membro dele, seja de baixo ou alto escalão, se dignou a telefonar para saber de seu estado de saúde”, protesta. &lt;br /&gt;O fato é que, a cada dia sem solução, mais débil fica Aminetu, fazendo com que a possibilidade de um final trágico para essa história não seja descartada. Mas, caso isso ocorra, Santiago Jiménez avisa: “Se essa atitude a levar ao martírio, sua vontade de luta, sua memória e seu sentido de sacrifício habitariam o coração de cada homem e mulher, novos e novas Aminetu. Não contribuiria para apaziguar o conflito e duvido muito que as autoridades saarauís seriam capazes de acalmar a desesperação e a raiva coletiva”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A nova estratégia do rei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Expulsão de ativista pelo Marrocos vincula-se a uma “escalada” repressiva contra a luta da população saarauí por sua independência&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Militantes pela independência do Saara Ocidental veem a ação do governo marroquino contra a ativista Aminetu Haidar como parte de uma “escalada” na repressão que vem ocorrendo nos últimos meses. &lt;br /&gt;Em 8 de outubro, por exemplo, sete membros de organizações de direitos humanos e da sociedade civil do Saara Ocidental foram presos quando regressavam ao seu país após uma visita aos acampamentos de refugiados saarauís de Tinduf, na Argélia, dirigidos pela Frente Polisario, articulação política e militar de independentistas do país do oeste africano. &lt;br /&gt;Ahmed Alnasiri, Brahim Dahane, Yahdih Ettarouzi, Saleh Labihi, Dakja Lashgar, Rachid Sghir eAli Salem Tamek estão sendo acusados pela Justiça do Marrocos – subordinada ao rei, Mohamed VI –, entre outras coisas, de “colaboração com o inimigo” e ataques à “integridade territorial” marroquina. Devem ser julgados em breve por um tribunal militar, que pode, inclusive, condená-los à morte. &lt;br /&gt;Para Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS), tais argumentações  não se sustentam, pois “é difícil acusar de traidores a quem não se consideram marroquinos”. Além disso, segundo ele, a própria ONU reconhece o Saara Ocidental como território “pendente de descolonização e submetido a Marrocos em virtude de conquista militar”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nova estratégia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na verdade, para a monarquia marroquina, pouco importa a solidez jurídica de suas acusações contra os sete militantes detidos. Segundo Santiago, tanto a prisão destes quanto a ação contra Aminetu Haidar são consequência de uma mudança na estratégia do país de Mohamed VI em relação ao Saara Ocidental.&lt;br /&gt;Ainda de acordo com Santiago, o início de novas conversações e a nomeação de um novo enviado especial da ONU parecia indicar um período de distensão, esperança interrompida pelas ações de Marrocos. “Estou particularmente convencido, e tomara que me equivoque, que toda esta tensão crescente não é senão parte de uma estratégia com a qual o Marrocos tenta romper o ritmo da negociação, justificando, assim, que não há condições adequadas para continuá-las. Condições que o Estado marroquino contribuiu muito para criar”. &lt;br /&gt;A tal mudança de estratégia foi confirmada em 6 de novembro, quando, em ocasião do 34º aniversário da “Marcha Verde”, manobra militar que permitiu a ocupação do Saara Ocidental, o rei marroquino pronunciou um discurso convocando a Justiça e as forças de segurança a atuarem com mais firmeza contra “os adversários da integridade territorial do Marrocos” e desbaratar “os complôs urdidos contra a 'marroquinidade' do nosso Saara”. &lt;br /&gt;Isso, na opinião de Santiago, indica “uma mudança brusca e calculada de atitude que busca eliminar a liderança da resistência da população saarauí a seus invasores – com o encarceramento de boa parte de seus mais destacados dirigentes e a expulsão de uma personagem do valor simbólico de Aminetu Haidar – e amedrontar a população do Saara Ocidental ocupado”. (IO)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Espanha: apoio e omissão&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vi muitas coisas ao longo da minha vida, mas nunca imaginei que o grau de cumplicidade do Estado espanhol com Marrocos chegaria tão longe”, disse à imprensa a ativista saarauí Aminetu Haidar, que iniciou greve de fome em 16 de novembro depois de ser impedida pela Espanha de retornar a seu país. &lt;br /&gt;A colaboração do país ibérico com a monarquia marroquina, na verdade, vem sendo denunciada desde 1975, quando, por meio de um acordo secreto, o primeiro deixou o território saarauí livre para a entrada das tropas militares do segundo. Desde então, não importa a tendência do governo de turno, a Espanha segue com sua política de “olhos fechados” às violações dos direitos humanos da população do Saara Ocidental por parte do Marrocos. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;“Alinhamento”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“[A Espanha executa] uma política cheia de declarações ambíguas e de fatos bem expressivos que evidenciam sua falta de neutralidade e seu alinhamento, às vezes quase submisso, às posições marroquinas”, protesta Santiago Jiménez Gómez, responsável do Gabinete de Estudos e Comunicação Permanente da Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Saara Ocidental (CEAS).&lt;br /&gt;Entre as “evidências” listadas por ele, estão a venda de armas a Marrocos, a prática da pesca em águas territoriais saarauís, negociada diretamente com a monarquia árabe, e as “gestões” por parte de personalidades políticas do governo para que o Saara Ocidental não seja reconhecido por alguns países da América espanhola. &lt;br /&gt;Segundo Santiago, as motivações espanholas para manter tal apoio são muitas. Entre elas, destacam-se os interesses econômicos de investidores do país no Marrocos e o de “pessoas que condicionam sua capacidade de decisão sobre interesses coletivos à obtenção de benefícios individuais generosamente presenteados pela monarquia marroquina”.&lt;br /&gt;“Tudo vale em um cambalacho onde a justiça, a legalidade, a equidade e a defesa do mais fraco não são cotizados a preço de mercado”, conclui. (IO)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-7655981411409383993?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/7655981411409383993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=7655981411409383993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7655981411409383993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/7655981411409383993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/o-martirio-da-gandhi-do-saara.html' title='O martírio da “Gandhi” do Saara'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-2763621341968445796</id><published>2009-11-25T19:08:00.005-02:00</published><updated>2009-11-25T19:27:11.458-02:00</updated><title type='text'>Uma luta invisível</title><content type='html'>Na imprensa brasileira, isso não é digno de notícia: desde o dia 16, Aminetu Haidar, ativista do Saara Ocidental, está em greve de fome. Poucos sabem, mas seu país, antiga colônia da Espanha, é ocupado há 34 anos pela monarquia do Marrocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo: ela retornava a seu país depois de uma viagem ao exterior, foi enviada para a Espanha pelas autoridades marroquinas, e, na Espanha, está sendo impedida de tomar um voo de volta. Por isso, decidiu pela greve de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aminetu, por lutar pacificamente pela independência, é considerada a "Mahatma Gandhi" de sua nação. O fato de sofrer de diversas doenças só torna mais perigoso seu jejum. Mas, pelo jeito, ela não irá recuar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notícias sobre o caso dela podem ser lidas &lt;a href="http://www.poemariosaharalibre.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos dias, postarei a matéria que fiz sobre o assunto para a edição do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil de Fato&lt;/span&gt; que circulará a partir de amanhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, abaixo, quem quiser saber o contexto da luta do Saara Ocidental, uma entrevista que fiz há alguns meses com um ativista uruguaio que é solidário à causa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma luta invisível&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;População do Saara Ocidental sofre, há mais de três décadas, a opressão da ocupação promovida pelo reino de Marrocos, apoiado por potências estrangeiras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Igor Ojeda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos povos oprimidos, a população do Saara Ocidental talvez seja a mais esquecida do planeta. Poucos sabem que esse país do noroeste da África está ocupado desde 1882. Primeiro, pela Espanha. E, a partir de 1975, pelo Marrocos, que aproveitou a saída das tropas coloniais para impor seu domínio sobre o território saarauí, rico em fosfato, pesca e petróleo. Desde então, os saarauís, reunidos politicamente e militarmente na Frente Polisario, lutam contra as forças marroquinas – apoiadas atualmente pela França –, pela realização de um referendo sobre sua independência e, até, contra um muro de 2.500 quilômetros de extensão. Leia, a seguir, trechos da entrevista com Emiliano Gómez López, presidente da Associação Uruguaia de Amizade com a República Árabe Saarauí Democrática (RASD), que visitou por diversas vezes a nação africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil de Fato – O que é a Frente Polisario?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Emiliano Gómez López –&lt;/span&gt; O Saara Ocidental, era, até 1975, o Saara Espanhol. Aliás, era uma província da Espanha. Em 10 de maio de 1973, depois de um período de idas e vindas dos nacionalistas saarauís, criou-se a Frente Polisario (Frente de Libertação Popular de Saguía el Hamra e Río de Oro, as duas regiões geográficas do país). É uma frente que reúne as vontades políticas de todos os setores independentistas, que tinham abandonado a possibilidade de uma via pacífica de independência e optaram pela luta política revolucionária armada. A primeira ação militar da Frente Polisario foi em 20 de maio de 1973, data que marcou o nascimento do Exército Popular de Libertação, que hoje constitui as Forças Armadas da República. Essa organização político-militar independentista conseguiu, em dois anos e meio, tomar o controle de praticamente todo o território, estabelecer negociações políticas com o governo colonial, e chegar a um acordo de repartir o território. Tudo parecia estar encaminhado à independência, porque a ONU também a estava pedindo, desde 1963, 1964. Mas aconteceu aí uma desgraça: as mudanças políticas na Espanha, devido à morte de Franco [Francisco Franco, ditador entre 1936 e 1975]. Ele estava morrendo, a incerteza política na Espanha era muito grande, não se sabia o que ia acontecer. Muitos pensavam que poderia estourar de novo uma guerra civil, e isso foi aproveitado pelo rei de Marrocos, Hassan II [exerceu o cargo de 1961 a 1999], que montou aquela encenação da chamada Marcha Verde, quando 350 mil marroquinos armados do Corão, dos retratos do rei e das bandeiras norte-americanas, foram em massa, através do deserto, até a fronteira do Saara Espanhol para tomá-lo, para “recuperá-lo” para o reino. O governo franquista tinha assinado um acordo secreto com Marrocos e Mauritânia, para, em troca de alguns privilégios econômicos, transferir a colônia às mãos da monarquia marroquina e da presidência da Mauritânia. Foram os acordos secretos de Madrid, de 14 de novembro de 1975. Nesse momento, as tropas marroquinas já estavam invadindo militarmente o Saara, a Frente Polisario estava combatendo contra os novos ocupantes, e o exército espanhol ia entregando as posições em combate. Essa era a ordem. Que foi uma verdadeira vergonha para a Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O senhor disse que o Exército de Marrocos estava recuperando o Saara. Antes tinha o controle?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marrocos nunca teve nenhuma soberania sobre o Saara Ocidental. Secularmente, as tribos saarauís tinham uma forma de governo federal próprio. Tinham o chamado Conselho dos 40, que se reunia sempre que havia alguma ameaça estrangeira, para regular as relações entre as tribos. Eram os anciãos. Mas, invocando o suposto direito ancestral, o Marrocos convocou o Tribunal de Haia, para que este emitisse um parecer para ver se efetivamente o Marrocos tinha direitos. O Tribunal, depois de três meses, depois de investigar toda a documentação espanhola, argelina, marroquina, chegou à conclusão de que não havia nenhuma ligação de soberania entre o reino de Marrocos e o Saara Ocidental. Nesse mesmo dia, começou a invasão. A política do fato consumado. E desde então, estão lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E qual era o interesse do Marrocos em ocupar o Saara Ocidental? Por que ele queria esse território?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vários fatores. A monarquia, profundamente corrupta, tinha a oposição de setores nacionalistas progressistas das Forças Armadas marroquinas. Uma das razões para começar a invasão era jogar o exército lá para o meio do deserto. Quanto mais longe do palácio, melhor. Essa foi uma das razões internas. Outra razão era a de tomar o controle das jazidas de fosfato do Saara Ocidental, uma das maiores e mais ricas do mundo. Nem precisa abrir buraco, é só tirar uma camada de areia. As reservas eram calculadas em 10 bilhões de toneladas. Além disso, no mar territorial do Saara Ocidental tem um dos bancos de pesca mais ricos do mundo. Lá, todo ano pescam uns cinco, seis, oito mil navios. E todos eles pagam direitos para pescar aí. Quanto pagam? Não sei. Talvez 30, 40 mil dólares para poder trabalhar aí o ano inteiro, cada navio. Todo esse dinheiro, que recebia a Espanha, agora vai para os bolsos não do Marrocos, mas do rei do Marrocos.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Qual foi a característica da colonização espanhola? Foi igual ao do resto do continente, de exploração de recursos naturais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, desde que a Espanha começou a ocupação do Saara Ocidental, em 1882, nunca fez nada. Aproveitava a costa saarauí para ter bases para os barcos de pesca. Não tinha outra importância, até que descobriram a presença das jazidas de fosfato. Aí, o governo espanhol fez um investimento muito grande. Todo um complexo minerador que implicava extração, transporte e carregamento dos navios. Tudo aquilo começava a dar lucros para o governo da Espanha, porque era uma companhia do Estado espanhol, mas aí começou a invasão marroquina. As instalações foram construídas para extrair até 10 milhões de toneladas por ano. No primeiro ano, o governo espanhol exportou dois milhões, no segundo ano, cinco milhões, e no terceiro, acabou, porque começou a guerra. Portanto, quem está aproveitando agora é o Marrocos. Aproveitando as próprias instalações espanholas. Eles exploram os minérios e os direitos de pesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Exportam para quem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muitos países. No Marrocos, também há jazidas. Só que, claro, quando você tem as principais jazidas do mundo, você se converte em monopolista, e pode impor preços no mercado internacional. Isso é o que está fazendo o Marrocos, pois a companhia que explora é do Estado. Na verdade, não é do Estado, é do rei. O rei é o principal acionista da companhia estatal. Estamos falando diretamente da riqueza do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O senhor disse que os soldados que participaram da invasão marroquina vinham também com bandeira estadunidense.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma coisa muito esquisita. Quem autorizou o começo da operação, da Marcha Verde, foi Henry Kissinger [ex-secretário de Estado dos EUA]. Tudo isso foi feito em cumplicidade com o governo norte-americano.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Desde então a monarquia marroquina já era aliada dos EUA?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Os EUA têm interesses estratégicos no Marrocos. Porque é a zona de confluência da 6ª Frota, do Mediterrâneo, e da 2ª Frota, do Norte do Atlântico. Portanto, o Marrocos era uma peça importante no esquema de dominação geoestratégica dos EUA. O Marrocos de um lado, o Egito do outro, e a África do Sul lá no sul. Era o Triângulo das Bermudas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Então a invasão do Saara Ocidental foi de interesse dos EUA.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tudo cozinhado entre a monarquia marroquina, os EUA e a França. Naquele tempo, neste último, já estava o Valéry Giscard d'Estaing, de direita. A França tem também interesses muito fortes na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais são?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França é a ex-potência colonial. Marrocos, Tunísia, Argélia, Mali, Senegal. No meio daquele oceano francófono, está o Saara Ocidental hispanófono. A França foi embora, politicamente, mas economicamente, ficou. O domínio continuou. Esses interesses neocoloniais amarravam os interesses da burguesia, do feudalismo marroquino, com os do imperialismo francês. E estava em jogo aquele prestígio da França. “Aqui mando eu”. Por isso que sempre foi o aliado principal do Marrocos. E é até agora. Além disso, havia os interesses econômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Desde 1975, quando começou a invasão marroquina, como evoluiu a resistência saarauí?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Espanha vai embora numa operação que culmina em 27 de fevereiro de 1976, dia em que sua bandeira é arriada pela última vez. Nesse mesmo dia, no interior do deserto, a Frente Polisario proclama a República Democrática Saarauí [RASD], para que não houvesse nenhum vácuo jurídico que pudesse ser aproveitado pelos novos ocupantes. Imediatamente, essa república jovem, recém-nascida, já é reconhecida por sete países da África. A primeira tarefa da nova república: salvar a vida da população civil, que estava ameaçada de genocídio pelas tropas marroquinas. Entraram matando, acabando com tudo. Bombardeios de napalm, de fósforo branco. Todos aqueles que puderam, fugiram para o interior do deserto, para os acampamentos da Frente Polisario, procurando proteção. E a aviação marroquina os bombardeava. Teve um acampamento desgraçadamente famoso em Um Draiga que foi bombardeado por três dias seguidos. Mataram 2.500 pessoas. Imagina quantos desapareceram. A verdade é que houve um perigo real de extermínio da população. Então a Frente Polisario fazia um combate ferrenho para impedir o avanço das tropas marroquinas. Ao mesmo tempo, evacuava a população civil rumo à Argélia. O presidente argelino, Houari Boumédiène [1965-1978], abriu a fronteira, e aí foi a salvação da população civil. Hoje, os acampamentos estão no mesmo lugar. É o ponto mais extremo do Deserto de Saara. No inverno, atinge a temperatura de quase 0ºC. No verão, ao meio-dia, 60ºC. Você percorre a região inteira de carro e encontra um arbusto, outro a cinco quilômetros, outro a dez quilômetros. Só isso! O resto é areia, pedra, areia, pedra. No meio do nada, eles montaram os acampamentos para sobreviver. Então, o Exército Saarauí, uma vez que culminou a etapa de resgate da população civil, passou a uma fase de ofensiva. E assim foi de 1976 a 1991. Quinze anos depois, a partir das negociações promovidas pelas Nações Unidas e a OUA [Organização da Unidade Africana], chegou-se a assinar o acordo de cessar-fogo. Na guerra, as Forças Armadas Saarauís não puderam expulsar os marroquinos. Mas estes tampouco puderam acabar com os saarauís. Quando as tropas da ONU entraram, tinha, do lado saarauí, 15 mil combatentes. Do lado marroquino, 165 mil homens, armados pelo melhor armamento da África do Sul, França, Espanha e EUA. Em 1980, o exército marroquino ficou quase encurralado pelos ataques do Exército Popular Saarauí. Aí, com a ajuda diplomática, política e financeira dos EUA, e de Israel, construíram os muros fortificados para evitar os ataques do Exército Popular Saarauí. Começaram a construir um muro em torno da região das jazidas. Depois fizeram outros. Hoje tem um muro que vai do norte até o sul, são mais de 2.500 quilômetros. Tem 150 mil soldados permanentemente deslocados ao longo do muro, que está precedido por campos minados, por campos de arames farpados. Eles têm sistemas de radares que detectam os movimentos de uma pessoa a 10 quilômetros de distância. A cada cinco quilômetros, há uma posição de infantaria. A cada dez quilômetros, uma posição de artilharia pesada. Detrás do muro, estão as bases dos blindados. E, por cima de tudo isso, há a aviação, continuamente patrulhando. Estima-se que isso está custando ao Estado de Marrocos, em média, 4 ou 5 milhões de dólares por dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Provavelmente, com a ajuda financeira dos EUA, França...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logicamente. E mais: os saarauís falam “por que o Marrocos é subdesenvolvido?”. Precisamente porque o dinheiro que podiam empregar no seu desenvolvimento estão empregando em gastos militares. Então, aquela divisão do deserto pelo muro, paras os saarauís, foi um choque, o deserto parecia livre, mas, de repente... uma muralha. As negociações procurando um acordo político deram como resultado o cessar-fogo que entrou em vigor em setembro de 1991. Com uma condição fundamental: que, em poucos meses, fosse realizado um plebiscito para que a população saarauí pudesse manifestar sua vontade a respeito de seu futuro político, sem pressões de nenhum tipo, livremente, tudo isso controlado pelas Nações Unidas. Escolher entre ser livres, independentes, ou ser parte do reino de Marrocos. Acontece que desde então, o reino de Marrocos tem se dedicado a sabotar, a por empecilhos diversos, para impedir a realização do referendo. Hoje já falam: “referendo não, isso é nosso, não tem discussão. Poderemos dar no máximo, uma autonomia”. Como se fosse uma província autônoma, mas sob a soberania do Marrocos. Já nem aceitam o referendo. Os saarauís dizem que aquele acordo que propiciou o fim da guerra tem sido violentado, e que, portanto, a guerra pode voltar. Essa é a situação hoje.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Esse conflito se deu na época da Guerra Fria. Houve um apoio, para a Frente Polisario, por parte da União Soviética, de Cuba etc?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da União Soviética nunca. De Cuba sim. Desde o início da proclamação da República, Cuba apoiou de uma forma só: admitindo, no seu território, estudantes saarauís. Hoje, já passaram, por Cuba, milhares de saarauís. São médicos, engenheiros. São chamados de “cubaarauís”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por que o senhor acha que a União Soviética não interviu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião, porque tinha um bom comércio com o Marrocos. Eram pragmáticos. Nunca deram nada, nem um pedaço de pão. Nem sequer o reconhecimento político. Os únicos países da Europa que reconheceram politicamente e diplomaticamente a República Saarauí foram a Iugoslávia, que não existe mais, e a Albânia, que mudou totalmente. Só. Mas do resto do bloco socialista europeu, nenhum deles. A ajuda militar veio da Argélia e, fundamentalmente, depois, havia os armamentos que eram pegos dos marroquinos. Nos acampamentos, há um museu militar, uma pequena mostra do que os saarauís capturaram. Tanques sul-africanos, norte-americanos, canhões auto-propulsados franceses, caminhões franco-germanos, metralhadoras, armamentos ligeiros e morteiros espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nesses acordos de 1991, além da realização do referendo, quais eram as bases dele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O referendo era o principal. Primeiro, entrariam os cascos azuis e uma força multinacional de polícia, para preparar o terreno para a realização do referendo. Outro ponto era o transporte, por parte da ONU, dos refugiados para o território saarauí. Três meses após os acordos, iriam realizar o referendo. Ou seja, iria ser em janeiro de 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E por que não foi realizado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses mesmos dias, o rei Hassan II falou: “espera aí, eu tenho aqui uma lista de saarauís que não estão contemplados no censo espanhol”. Porque a base do padrão eleitoral seria o censo espanhol, que contava 74 mil saarauís. O rei tirou uma lista de 120 mil. Imagina, numa população com 74 mil eleitores, e você põe 120 mil a mais. Eram os saarauís nascidos em Marrocos, que teriam direito a votar também. A Frente Polisario nunca aceitou. Nem a ONU. Ninguém aceitou. Mas, com isso, o rei bloqueou o referendo. Então, tiveram que fazer uma depuração e chegaram à conclusão que só 10 mil tinham direito. Aí, o Marrocos não aceitou. Então, inventaram outra coisa. E assim foi passando o tempo. Por que o Marrocos faz isso? Porque tem o respaldo da França. E a França tem veto no Conselho de Segurança da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Qual a população do Saara Ocidental hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximadamente 300 mil pessoas. Entre os que estão nos acampamentos, nos territórios ocupados, e os dispersos pelo mundo. Nos acampamentos, são 180 mil. Nos territórios ocupados, uns 90 mil. Só que os marroquinos enfiaram colonos... a mesma política de Israel. Além dos 165 mil soldados, tem todo o aparelho de administração colonial. E além disso, enfiaram 120 mil colonos. Ou seja, hoje a população saarauí é minoria dentro dos territórios ocupados. Então, a impaciência chega, e, por não poderem, por enquanto, optar pela via armada, começaram, em 2005, uma rebelião pacífica, a Intifada Saarauí. Nos acampamentos, estão desejando começar a guerra de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Esse foi um movimento espontâneo ou foi impulsionado pela Frente Polisario?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma mistura. Começou em maio de 2005. Até hoje, não tem parado em nenhum momento. São quatro anos de rebelião pacífica. Por enquanto, os saarauís não deram nem um tiro. No máximo, são pedras. Mas a repressão é muito grande. Neste momento, tem presos políticos em greve de fome há 30, 40 dias. Reclamando melhores condições na prisão. Mas, desde maio de 2005, desapareceram 15, e morreram quatro ou cinco. E milhares passaram pela prisão e pela tortura. Espancados nas ruas, também milhares. Homens e mulheres. Continuamente. O presidente saarauí está pedindo para a ONU para que esta cuide dos direitos humanos da população que está nos territórios ocupados. O tema foi levado ao Conselho de Segurança este ano, e foi até defendido pelo embaixador norte-americano. Pela primeira vez. Quem ficou sozinha foi a França. Ficou em evidência perante o mundo inteiro que só eles não permitem que a ONU cuide dos direitos humanos da população saarauí. Mas, pela primeira vez, o governo norte-americano assume uma posição diferente da de anteriores governos. Então, estamos numa fase promissora, porque, por um lado, a Intifada continua. Por outro lado, a Anistia Internacional, a Human Rights Watch, o Parlamento Europeu, têm emitido relatórios denunciando a violação permanente dos direitos humanos e pedindo à ONU que tomem conta disso. Por outro lado, o lobby pró-Saara Ocidental tem um peso que antes não tinha sobre o governo norte-americano. Antes, só os marroquinos, sobretudo com o Bush. O que está pedindo o governo saarauí? Uma coisa só: vamos fazer o referendo. Por que eles não fazem? Têm medo, porque a população saarauí quer ser independente. E tem uma coisa interessante. Os protagonistas da Intifada são os jovens saarauís. Mas os jovens que já nasceram nos territórios ocupados. Coisa que o Marrocos não conseguiu ganhar, sequer ideologicamente, foi a juventude. E mais: há filhos de colonos marroquinos que, por terem nascido no Sarra Ocidental, se sentem saarauís. Essa é uma derrota política muito forte para a monarquia. Ela se mantém somente na base da ocupação das Forças Armadas e do aparelho de repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O senhor falou de governo saarauí. Foi o governo instituído pela Frente Polisario, não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo saarauí por enquanto é de partido único, o partido da Frente Polisario. Mas esse partido tem uma existência condicionada à independência. O dia em que a República for totalmente soberana, que tiver o domínio sobre todo o território, automaticamente a Frente Polisario fica dissolvida e daí nascerão x partidos. É um acordo das forças políticas saarauís de combater todos juntos sob uma só bandeira, a da independência. São por definição, religiosos. Sunitas. Mas bastante liberais. É uma República comum e corrente, tem Poder Executivo, Legislativo e Judiciário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Que não são reconhecidos internacionalmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a República Saarauí é reconhecida por 82 países. Em toda a América Latina, só faltam três países para darem seu reconhecimento: Brasil, Argentina e Chile. O primeiro foi o Panamá, em 1978. Tem embaixada em Havana, Caracas, Cidade do México e Cidade do Panamá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como é a população saarauí hoje? Do que ela vive, quais suas características etc?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população saarauí que está há 33 anos nos acampamentos no sul da Argélia sobrevive graças a duas coisas. A sua determinação de sobreviver, e à solidariedade internacional. Dos organismos humanitários, da União Europeia, toda ajuda do governo argelino, e muita ajuda do povo espanhol. Porque embora o Executivo esteja totalmente a favor do Marrocos, a população espanhola está com os saarauís. No nível municipal, autonômico, estão com os saarauís. Concretamente, o Zapatero [José Luis, presidente da Espanha] e o chanceler Moratinos [Miguel Ángel] têm se inclinado a favor da monarquia marroquina. Têm até dado de presente armamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de saber. Deve ter interesses econômicos muito fortes de empresas espanholas no Marrocos para a exploração de diversos setores, turismo, minérios... interesses da monarquia espanhola... e deve ter alguns interesses pessoais de alguns políticos espanhóis, quem sabe o que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como é a economia do Saara Ocidental?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá nos acampamentos tem manufaturas artesanais, algumas hortas, uma agricultura muito precária. Imagine, no meio do deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E a população dos territórios ocupados, como vivem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrevivem, não sei como, porque são discriminados. Eles trabalham nas coisas que foi pondo lá a indústria extratora das jazidas de fosfato, trabalham na pesca, mas sempre são de quinta categoria. Se têm algum problema, são demitidos imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No Saara Ocidental, nessa região, existem empresas francesas, espanholas, estadunidenses...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os lugares. Porque, para piorar, há quatro, cinco anos, descobriram que tem petróleo e gás natural. Há uma campanha mundial das organizações progressistas para impedir a exploração dos recursos naturais saarauís. Já obrigaram empresas norueguesas, australianas a se retirarem, sob argumentos éticos. Na realidade, segundo o direito internacional, ninguém pode tirar, porque é um território ocupado. Mas tem empresas espanholas, que exploram a pesca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Que negociam diretamente com o Marrocos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. E tem outras nacionalidades, explorando minérios, pesca. E agora, querem morder o petróleo também. Voltando, a Frente Polisario falou: “se nós fizermos o referendo, vamos ganhar. E se ganharmos, os colonos marroquinos podem ficar. Não vão ser nem expulsos, nem discriminados”. E eles cumprem. Os saarauís são muito direitos nesse sentido. Eles têm um sentido de hospitalidade impressionante. Claro, é cultural do deserto. É a garantia de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tem alguma coisa que o senhor gostaria de acrescentar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A importância que hoje teria um reconhecimento por parte do Brasil. O peso internacional é grande. No fim das contas, estamos falando de um governo de esquerda. Um governo de esquerda deve ter determinados princípios que guiem sua atuação internacional. Já são 28 países na América Latina que reconhecem o Saara Ocidental. O Brasil fala que tem uma política de neutralidade, mas não é verdade. Porque quando você tem um forte que agride e uma vítima que é agredida, e você tem relações com o forte, e não tem com a vítima, então isso não é neutralidade. O Brasil tem embaixada marroquina em Brasília. Por que não tem a embaixada saarauí? Um dirigente de esquerda não pode ser neutro. Você tem que estar sempre do lado da vítima da injustiça. Eu acho que um governo de esquerda no Brasil deveria adotar medidas similares. Não estaria fazendo nenhum ato vanguardista. Mas seria muito importante. Porque quanto mais pesar na balança internacional o reconhecimento a favor da República Saarauí, menos probabilidades haverá de estourar novamente uma guerra. Mas se o povo saarauí for condenado a não ter outra saída que não seja a guerra, vai correr sangue de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-2763621341968445796?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/2763621341968445796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=2763621341968445796&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2763621341968445796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/2763621341968445796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/uma-luta-invisivel.html' title='Uma luta invisível'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1991373436922369539</id><published>2009-11-23T22:42:00.003-02:00</published><updated>2009-11-24T00:32:12.516-02:00</updated><title type='text'>E se Ahmadinejad não está realmente dizendo o que dizem que ele diz?</title><content type='html'>Pese sua retórica anti-imperialista, Ahmadinejad definitivamente não pode ser considerado um presidente de esquerda. Nacionalista, talvez. Mas "de esquerda" é forçar a barra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, chega a ser comicamente trágico o fato de sua visita ao Brasil ser tachada pela mídia grande como "a mais polêmica de um chefe-de-Estado desde a ditadura", como acabei de ouvir na Globo News. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pera lá. Por que a imprensa não considerou nem um pouco polêmica a vinda do Shimon Peres, presidente de Israel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peres foi um dos líderes dos ataques à Faixa de Gaza que mataram mais de mil civis palestinos entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Não tenho conhecimento de algo semelhante comandado por Ahmadinejad. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peres é um dos mais duros executores do sionismo israelense, que oprime, prende, tortura e mata o povo palestino há décadas. Que se saiba, não há nada equivalente do outro lado, embora Ahmadinejad imponha alguma repressão interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel possui a bomba atômica há muito tempo, com a cumplicidade e o silêncio dos EUA e das demais potências ocidentais. Já Ahmadinejad vem sendo bombardeado por sua suposta intenção de também ter a bomba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, por que o Brasil pode receber Shimon Peres, mas não o Ahmadinejad? (Para não mencionar Bush e Obama, que seguem matando milhares no Iraque e no Afeganistão) Será que a cobertura enviesada da imprensa brasileira sobre as duas visitas tem a ver com o fato do primeiro ser apoiado pelos EUA, e o segundo odiado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engraçado é que tem vezes que os meios mal conseguem disfarçar o lado que escolheram, embora pregam a imparcialidade e objetividade. O Jornal da Globo de hoje diz que por onde o presidente iraniano passa, há protestos (por onde Shimon Peres passa, não há?). Ao abrir a Folha Online mais cedo, cliquei no título "Para analista, visita de líder do Irã mostra apoio indireto do Brasil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, claro que o tal "apoio indireto" ganha ares negativos. Em segundo lugar, o tal "analista" é ninguém menos que pesquisador-chefe do Instituto de Contraterrorismo de Israel. Juro que gargalhei quando li isso. Claro que a Folha pode ouvir quem quiser para apoiar seu próprio ponto de vista. Mas dar um caráter imparcial a notícias desse tipo é desonestidade das bravas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que tanto malabarismo para condenar Ahmadinejad? Ah, sim. Ele nega o Holocausto e prega a destruição de Israel. Será mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendo a leitura do artigo abaixo, em português de Portugal. É de três anos atrás, mas segue atual. Defende que os discursos de Ahmadinejad, (que, como todo iraniano, fala farsi, e não árabe, como muitos pensam) são grosseiramente traduzidos pela mídia ocidental, que se auto-reproduz mecânica e acriticamente. Ou seja, segundo o artigo, ele nunca pregou a destruição de Israel e nunca negou o Holocausto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que, na entrevista que ele deu ao William Waack, que pode ser vista e lida &lt;a href="http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1387234-16021,00-PRESIDENTE+DO+IRA+FALA+SOBRE+GAYS+ARMAS+NUCLEARES+E+A+POSSIVEL+PARCERIA+COM.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, isso se confirma no trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma resposta, ao falar sobre o Holocausto, Ahmadinejad alterou um pouco suas declarações anteriores, que eram a de negá-lo totalmente. "A questão que apresentamos é muito clara. Eu fiz dois questionamentos, fiz duas perguntas claras. A primeira questão era: se o holocausto aconteceu, onde aconteceu? Claramente, aconteceu na Europa. Todo mundo sabe disso. Se aconteceu, aconteceu na Europa. A segunda pergunta: o que isso tem a ver com o povo palestino: por que o povo deveria pagar por isso? Por que deveriam dar a terra dos palestinos por causa de crimes cometidos na Europa?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alterou um pouco suas declarações anteriores" ou nunca as fez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se realmente essas declarações nunca foram feitas, como fica a condenação em uníssono que a imprensa faz do Ahmadinejad?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pôr palavras na boca de Ahmadinejad&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virginia Tilley*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante esta terrível confusão no Médio Oriente, convém esclarecer uma coisa: O Irão não esta a ameaçar destruir Israel. O presidente iraniano não anunciou qualquer acção contra Israel. Ouvimos repetidas vezes que o Irão está fortemente "empenhado em aniquilar Israel", porque o seu presidente Ahmadinejad, "louco" ou "inconsciente" ou "ortodoxo", ameaçou repetidamente destruir Israel. Mas cada alegada citação, cada suposta afirmação, está errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A citação mais infame – "Israel deve ser varrida do mapa" – é a mais ostensivamente falsa. No discurso proferido em Outubro de 2005, o sr. Ahmadinejad nunca usou a palavra "mapa", nem o termo "varrer". Segundo especialistas da língua farsi, como Juan Cole, e mesmo serviços conotados com a direita como o MEMRI, o que ele disse na realidade foi que "este regime que ocupa Jerusalém deve desaparecer dos anais do tempo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que significa isso? Nesse discurso numa conferência anual anti-sionista, o Sr. Ahmadinejad estava ser profético, mas não intimidador. Ele citava o Imã Khomeini, que proferiu esta afirmação nos anos 80 (num período em que Israel, efectivamente, vendia armas ao Irão, o que, na altura, não era encarado com tanto desagrado). Ele acabara de relembrar ao público que o regime do Xá, a União Soviética e o Saddam Hussein que pareciam imensamente poderosos e imutáveis e, no entanto, os dois primeiros praticamente desapareceram sem deixar rasto e o terceiro agoniza na prisão. Da mesma forma, também o "regime ocupante" em Jerusalém haveria de desaparecer um dia. A sua mensagem era, no fundo, a de que "também isto passará"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, então, e as outras "ameaças" a Israel? O mundo dos mexericos aproveitou-se bem do alegado comentário feito posteriormente, durante esse mesmo discurso: "Não há dúvida: a nova onda de agressões na Palestina vai apagar o estigma da face do mundo islâmico". "Estigma" foi interpretado como sendo "Israel" e "onda de agressões" tinha um tom assustador. Mas, na realidade o que ele disse foi: "Eu não duvido que o novo movimento na nossa querida Palestina é uma onda de moralidade que se alastra por todo o mundo islâmico e que, em breve, irá limpar esta nódoa de vergonha do mundo islâmico". "Onda de moralidade" não é a mesma coisa que "onda de agressões". A afirmação anterior esclarecia que a "nódoa de vergonha" era o fracasso do mundo islâmico em eliminar o "regime ocupante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante meses, académicos como Cole e jornalistas como Jonathan Steele do jornal londrino The Guardian têm denunciado estes erros de tradução, enquanto muitos mais vão aparecendo, como, por exemplo, os comentários do Sr. Ahmadinejad num encontro da Organização dos Países Islâmicos a 23 de Agosto de 2006. Segundo a Rádio Free Europe (Europa Livre) ele afirmou "que a "cura principal" para a crise no Médio Oriente é a eliminação de Israel". "Eliminação de Israel" implica destruição física: bombas, ataques aéreos, terrorismo ou atirar judeus ao mar. Tony Blair classificou a declaração traduzida como "chocante". Porém. O Sr. Ahmadinejad nunca disse tal coisa. Segundo a versão da al-Jazeera, o que ele realmente afirmou foi que "a cura verdadeira para o conflito é a eliminação do regime sionista, mas primeiro deve haver um cessar-fogo imediato".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São evidentes as intenções infames em traduzir constantemente "eliminação do regime ocupante" por "destruição de Israel". Por "regime" entenda-se o governo e não as populações ou cidades. O "regime sionista" é o governo israelense e o seu sistema legislativo que anexaram território palestiniano e mantêm milhões de cidadãos palestinianos sob ocupação militar. Muitos activistas dos Direitos Humanos da linha predominante acreditam que o "regime" israelense deve ser efectivamente alterado, embora discordem da forma como deve ser feito. Alguns esperam que Israel se redima por uma mudança de filosofia e governo (regime) que permitiria a solução dos dois Estados. Outros acreditam que o Estado judeu é intrinsecamente injusto, uma vez que incorpora, no Governo da Nação, princípios racistas, e reclamam a sua transformação numa democracia secular (mudança de regime). Nenhuma destas ideias sobre a mudança do regime implica a expulsão dos judeus (em direcção ao mar) ou a devastação das suas vilas e cidades. Todas implicam uma mudança política profunda, necessária para a implantação de uma paz justa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. Ahmadinejad proferiu outras declarações na Organização dos Países Islâmicos que atestam claramente a sua opinião de que o caso de Israel deve abordado no enquadramento do direito internacional. Por exemplo, ele reconheceu a realidade das actuais fronteiras quando afirmou que "qualquer agressor deve retornar à fronteira internacional libanesa". Reconheceu a autoridade de Israel e o papel da diplomacia quando observou que "devem ser preparadas as condições para o regresso dos refugiados e deslocados e os prisioneiros devem ser trocados". Também apelou ao boicote: "Nós propomos que as nações islâmicas cortem de imediato todas as relações políticas e económicas, explícitas ou não, com o regime sionista". Uma grande parte dos principais grupos judeus de defesa da paz, entidades religiosas americanas e bandos de organizações de defesa dos direitos humanos já afirmaram o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, ainda, de justiça, uma palavra final sobre a "negação do Holocausto" do sr. Ahmadinejad. A negação do Holocausto é um assunto muito sensível no Ocidente, quando ele notoriamente serve o anti-semitismo. No entanto, em qualquer outro lugar do mundo, as incertezas sobre o Holocausto devem-se a simples desinformação. É um erro pensar que existe muita informação sobre o tema a nível mundial (Sejamos um pouco mauzinhos: os americanos revelam a mesma espantosa estreiteza de horizontes relativamente ao conhecimento geral quando, por exemplo, atingem a meia-idade sem entender que as forças militares americanas mataram, pelo menos, 2 milhões de vietnamitas e acreditam que quem tal afirma é anti-americano. A maioria dos franceses ainda não admitiu que o seu exército dizimou um milhão de árabes na Argélia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cepticismo acerca da história do Holocausto começou a espalhar-se pelo Médio Oriente, não porque as pessoas odeiem os judeus, mas porque essa história é utilizada como argumento para justificar o direito de Israel à "autodefesa" através do ataque a qualquer país nas suas proximidades. As populações do Médio Oriente estão tão habituadas a falsidades do Ocidente legitimando as ocupações colonialistas ou imperialistas, que muitos se interrogam se o argumento dos 6 milhões de mortos não será mais um mito ou uma história exagerada. É desanimador que o Sr. Ahmadinejad pareça pertencer a este grupo menos culto, mas ele nunca foi conhecido pelo seu elevado nível de qualificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, o sr. Ahmadinejad não disse aquilo que a Subcomité americano sobre Política de Inteligência declarou: "Eles inventaram o mito do massacre dos judeus e colocam-no acima de Deus, religiões e profetas". Na realidade as suas palavras foram: "Em nome do Holocausto, criaram um mito e consideram-no mais importante do que Deus, a religião e os profetas". Esta linguagem refere-se ao mito do Holocausto não ao Holocausto em si mesmo, ou seja, "mito" no sentido de "místico", ou aquilo que foi feito com o Holocausto. Alguns escritores, entre os quais importantes teólogos judeus, têm criticado o "culto" ou o "fantasma" do Holocausto, sem, no entanto, negarem a sua ocorrência. Em qualquer dos casos, a principal mensagem do sr. Ahmadinejad é a de que, se o Holocausto aconteceu tal como a Europa o descreve, então é a Europa, e não o mundo islâmico, a responsável por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que razão as palavras do sr. Ahmadinejad são tão sistematicamente mal traduzidas e a sua imagem diabolizada? Será preciso perguntar? Se o mundo acreditar que o Irão se prepara para atacar Israel, então os EUA e Israel podem invocar justificação se atacarem primeiro. Com este intuito, a campanha de desinformação acerca das afirmações do sr. Ahmadinejad tem sido preparada até ao pormenor com uma nova leva de mentiras: promover o (inexistente) programa de armas nucleares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A actual agitação à volta do programa de enriquecimento nuclear iraniano está a ser arquitectada de forma tão semelhante à história das armas de destruição maciça no Iraque que devemo-nos interrogar por que razão não obtém da parte da comunidade internacional apenas uma gargalhada sonora. Com tantos temas respeitantes ao Irão – petróleo, hegemonia americana, fantasias neo-conservadoras de "um novo Médio Oriente" – a administração de Bush criou um receio internacional profundo acerca do programa de enriquecimento nuclear iraniano (ver Ray Close, Porque o Bush optará pela guerra contra o Irão). Mas os inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica, depois de examinar as instalações e relatórios do Irão, não encontraram provas de um programa de armas. E a comunidade dos serviços secretos americanaos também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os especialistas concordam que, mesmo que tal programa exista, só daqui a cinco ou dez anos o Irão teria urânio enriquecido em quantidade suficiente para uma arma que fosse, como tal uma acção militar preventiva neste momento não se justificaria. Até mesmo o relatório recente da subcomité sobre Política de Inteligência, dominadp pelos Republicanos, que indica que o governo americano não tem a informação necessária sobre o programa iraniano de armamento para o impedir, confirma claramente que a alegada "inteligência" é dispersa e inadequada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distracção casual da administração Bush em relação ao programa nuclear da Coreia do Norte indica que a questão central não é, de facto, as armas nucleares. As intenções dos neo-conservadores é mudar o regime no Irão e, por isso, puseram os seus propagandistas a postos para difundir o medo das "armas nucleares" tal como o tinham feito sobre as armas de destruição maciça no Iraque. Comentadores de retórica republicana e da ala direita já se alinharam, repetindo obedientemente afirmações infundadas que o Irão tem um "programa de armas nucleares", que ameaça o mundo, em especial Israel, com o seu "programa de armas nucleares" e que devem ser impedidos de completar o seu "programa de armas nucleares". Aqueles que, nervosamente, chamam a atenção para a falta de provas claras sobre qualquer "programa de armas nucleares" do Irão são apelidados de ingénuos e fantoches.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior ainda, a administração Bush levou esta farsa até às Nações Unidas, intimidou o Conselho de Segurança a emitir uma resolução (SC 1696) exigindo que o Irão cesse o enriquecimento de urânio até 31 de Agosto e ameaçando com sanções caso não o fizesse. A par da actuação desastrosa a respeito do ataque de Israel ao Líbano, o Conselho de Segurança esboroou-se numa incompetência submissa e humilhante perante este assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como todos os fantasmas, a alegação das armas nucleares é difícil de contrariar porque não pode ser completamente refutada. Pode ser que alguns cientistas iranianos estejam algures, em alguma instalação subterrânea, a trabalhar em tecnologia de armas nucleares. Se calhar alguns prospectores para a Coreia do Norte já exploraram as possibilidades de arranjar componentes extras. É possível que, em algum momento, uma nave espacial extraterrestre tenha embatido no deserto do Nevada. Normalmente, só porque uma coisa não pode ser contestada não a converte em verdade. Mas no universo dos neo-conservadores as possibilidades são realidades e uma certa imprensa cobarde apresenta-se pronta para bater a continência e trombetear em alta voz parangonas alarmistas. Não é preciso muito para que, através da repetição constante da expressão "eventual programa de armas nucleares", a palavra "eventual" se desvaneça silenciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer dos casos, a prova é apenas um detalhe para a administração Bush cujo anseio pelas armas nucleares é motivo suficiente para justificar um ataque antecipativo. Nos Estados Unidos, em debates que antecederam a invasão do Iraque, as pessoas insistiam, por vezes, que era grave a falta de provas sobre a existência de armas de destruição maciça. Nessa altura, a Casa Branca argumentava que, uma vez que Saddam Hussein "desejava" tais armas, o mais provável seria que ele viesse a tê-las no futuro. Por conseguinte, crimes de pensamento, mesmo imaginários, eram agora puníveis com invasão militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que os EUA vão mesmo atacar o Irão? Generais americanos estão justamente preocupados que o bombardeamento das instalações nucleares do Irão despoletaria ataques sem precedentes sobre as forças de ocupação americanas quer no Iraque, quer às bases americanas no Golfo. O Irão poderia mesmo bloquear o estreito de Ormuz, por onde passa 40 por cento do petróleo mundial. A difusão da militância terrorista dispararia. Os prejuízos potenciais para a segurança internacional e para a economia mundial seriam incomensuravelmente perigosos. Os neo-conservadores da administração Bush parecem capazes de cometer qualquer loucura, por isso nada disto lhes interessa. Mas mesmo estes senhores devem ter-se acalmado quando Israel fracassou em aniquilar o Hezbollah com recurso a violência idêntica, planeada para o Irão, sob a forma de ataque aéreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Israel pode atacar o Irão e este pode ser o plano. Em conjunto, os dois países podem compensar-se mutuamente das suas respectivas limitações estratégicas. Os EUA têm contribuído com a sua influência de super potência, preparando o terreno para as sanções, sabendo que o Irão não cederá no seu programa de enriquecimento. Tendo disseminado, internacionalmente, a crença (infundada) que o Irão ameaça com um ataque directo a Israel, o governo israelense pode, assim, reclamar o direito à autodefesa ao enveredar por uma acção preventiva unilateral para destruir a capacidade nuclear de um Estado declarado em ruptura com as directivas das Nações Unidas. Uma retaliação directa do Irão contra Israel está fora de questão porque Israel é uma potência nuclear (contrariamente ao Irão) e porque a capa protectora da segurança americana protegeria Israel. Uma reacção a nível regional contra alvos americanos poderia ser coarctada pela (escassa) confusão sobre a cumplicidade indirecta dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso, aquilo a que estamos a assistir é a criação, por parte dos EUA, do contexto de segurança internacional para o ataque unilateral de Israel e a preparação para cobrir a retaguarda de Israel na sua sequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este realmente o plano? Alguns indícios sugerem que esse cenário está em cima da mesa. Nos últimos anos Israel tem comprado novos mísseis destruidores de bunkers ("bunker-busting"), uma frota de caças F-16 e três submarinos alemães Dolphin da mais recente tecnologia (e tem mais dois encomendados), ou seja, o armamento mais adequado para atacar as instalações nucleares iranianas. Em Março de 2005, o Times de Londres noticiou que Israel tinha construído um modelo rudimentar das instalações Natanz no deserto iraniano e estava a efectuar uma série de exercícios de bombardeamento. Nos últimos meses, oficiais israelenses declararem publicamente que, no caso de as Nações Unidas não tomarem medidas, Israel bombardeará o Irão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Hezbollah, aliado do Irão, ainda é uma ameaça nos flancos de Israel. Assim, atacar o Hezbollah foi mais do que um ensaio para atacar o Irão, como disse Seymor Hersh — era necessário para atacar o Irão. Israel não conseguiu aniquilar o Hezbollah, mas o resultado pode ainda ser melhor, agora que a Resolução 1701 do Conselho de Segurança responsabilizou toda a comunidade internacional pelo desarmamento do Hezbollah. Se a Resolução 1701, patrocinada pelos EUA, tiver êxito, a agressão ao Irão é uma certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Israel e os EUA tentarem pôr em prática esse plano mal engendrado, iremos continuar a ler em todos os fóruns que o presidente iraniano – esse fascista islâmico, irracional e perigoso, que odeia judeus, nega o Holocausto e ameaça "varrer Israel do mapa" – é suficientemente insano, como se pode comprovar, para cometer um suicídio nacional ao lançar um (inexistente) programa de armas nucleares contra o poderoso arsenal nuclear de Israel. A mensagem tem sido bem martelada: contra este mito criado pelos media, Israel tem mesmo de "se defender". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Professora de ciências políticas, cidadã americana a trabalhar na África do Sul e autora de  The One-state Solution: A Breakthrough For Peace In The Israeli-palestinian Deadlock  (A solução do Estado único: um passo para a paz no impasse israelo-palestiniano) – University of Michigan Press e Manchester University Press, 2005. O seu contacto é:  tilley@hws.edu  .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1991373436922369539?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1991373436922369539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1991373436922369539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1991373436922369539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1991373436922369539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/e-se-ahmadinejad-nao-esta-realmente.html' title='E se Ahmadinejad não está realmente dizendo o que dizem que ele diz?'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-8215318023622446538</id><published>2009-11-23T15:45:00.003-02:00</published><updated>2009-11-23T15:58:37.454-02:00</updated><title type='text'>Battisti nas mãos de Lula</title><content type='html'>Abaixo, uma &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201co-julgamento-de-cesare-battisti-e-uma-farsa201d/view"&gt;entrevista&lt;/a&gt; sobre o caso Battisti com Carlos Lungarzo, militante de direitos humanos, e um artigo do jornalista &lt;a href="http://www.sebastiaonery.com.br/"&gt;Sebastião Nery&lt;/a&gt; sobre a conjuntura na Itália dos anos 70 e 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“O julgamento de Cesare Battisti é uma farsa”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para Carlos Lungarzo, membro da Anistia Internacional, processo no STF sobre extradição de ex-guerrilheiro baseia-se em “fraude” iniciada na Itália&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dafne Melo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;da Redação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A longa espera do escritor italiano Cesare Battisti poderá chegar ao fim no dia 12 (dia da veiculação desta edição), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) dará prosseguimento ao julgamento de pedido de extradição feito pelo governo da Itália. Na primeira audiência, quatro ministros votaram a favor da extradição e três contra. Marco Aurélio de Mello pediu vistas, o que paralisou o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista ao Brasil de Fato, Carlos Lungarzo, militante de direitos humanos, membro da Anistia Internacional dos Estados Unidos e professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que Mello certamente irá votar contra a extradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta ainda a dúvida se o mais novo membro da casa, José Antonio Dias Toffoli, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irá votar ou não. “Tenho expectativas moderadamente otimistas”, diz Lungarzo, que prepara um livro sobre o caso Battisti, ainda sem previsão de lançamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesare Battisti foi preso em 2007 no Brasil. Militante da organização italiana Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) entre 1976 e 1978, é detido em 1979 e condenado, dois anos depois, a 12 anos de prisão por ocultar armas e formação de bando armado. Foge, então, para o México, depois França. Em 1993, na Itália, é acusado e condenado à prisão perpétua por quatro homicídios. Battisti, em entrevistas à imprensa, defende- se das acusações e diz que não era um “militante militar”, ainda que tenha participado de assaltos à mão armada para financiar as atividades de sua organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus defensores apontam uma série de contradições e irregularidades que põem em dúvida a legitimidade de seu julgamento. Nenhuma testemunha o teria reconhecido. Além disso, o processo de 1993 contou com depoimentos de ex-militantes que receberam benefícios através da “delação premiada” ou que deram as declarações sob tortura. Segundo Lungarzo, não há uma única prova concreta, e o réu foi julgado à revelia. O fato mais contraditório é que Battisti foi condenado por dois homicídios que ocorreram no mesmo dia, um em Milão, às 15h e outro em Mestre, às 16h50. A distância entre as cidades é de 275 quilômetros, aproximadamente. Leia a seguir a entrevista com Carlos Lungarzo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil de Fato – Quais são suas expectativas em relação ao julgamento do dia 12 de novembro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Carlos Lungarzo –&lt;/span&gt; Tenho expectativas moderadamente otimistas. A votação está quatro a favor da extradição e três contra. Com o voto do ministro Marco Aurélio de Mello, que certamente votará contra a extradição, teremos um empate. De acordo com o regimento interno do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente, nesse caso, o Gilmar Mendes, não pode dar o voto de minerva, salvo fosse um assunto de grande repercussão pública. Se o regimento for respeitado por Gilmar Mendes, o empate favorece Cesare Battisti. Mas todos nós sabemos que, apesar do STF ter algumas figuras boas, Mendes e Cesar Peluso, o relator do caso, atuam de maneira muito arbitrária. Isso é perigoso e talvez não se possa manter o equilíbrio necessário. Outra possibilidade é que outros ministros entrem para votar e há, possivelmente, um ministro que teria dito que pode mudar seu voto. Então, sou moderadamente otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O senhor poderia fazer um resgate do caso Battisti?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi capturado por uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira, serviço secreto italiano e Interpol, em 18 de março de 2007. Imediatamente após ter conhecimento do fato, o governo italiano pediu sua extradição, que começou a ser tramitada. Porém, a Itália não a fez conforme as regras, ou seja, através do Ministério das Relações Exteriores [Itamaraty]. Eles foram direito ao STF, numa postura petulante do governo italiano, que demonstrou menosprezo pelo governo brasileiro. Então, em janeiro deste ano, o ministro Tarso Genro deu a Battisti a condição de refugiado pela lei 9474/1997 [que versa sobre concessão de refúgio]. No artigo 33, há a definição de que o reconhecimento da condição de refugiado, que é dada pelo Executivo, impede qualquer pedido de extradição. Ou seja, no momento em que Tarso Genro concedeu o refúgio, o processo de extradição se extinguiu. O STF, entretanto, decidiu aceitar o pedido do governo italiano, mas, a rigor, esse processo não existe, foi eliminado. Três ministros, inclusive – Eros Grau, Joaquim Barbosa e Carmen Dulce, que votaram contra a extradição – disseram que o processo estava prejudicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por isso o julgamento é ilegítimo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é uma farsa. E a fraude começa no processo de Battisti na Itália. As dez testemunhas são familiares das vítimas que sequer reconheceram Battisti em fotos. Só não é familiar uma delas, Rosana Trentin, que afirma que viu um casal que poderia ser Battisti e sua namorada, mas não sabe explicar muito o que viu, se mataram alguém ou não. Além disso, há três crianças dentre as testemunhas. Provas materiais não há nenhuma, nenhum laudo técnico. Sua condenação, em 1993, também se deu com depoimentos de militantes que colaboraram com a Justiça, utilizando o recurso da “delação premiada”. Pietro Mutti, na Itália, atribuiu a ele uma série de assassinatos. Foi uma delação premiada, sua pena foi de perpétua para oito anos. Outro delator teve redução de dois terços na pena e outros dois assinaram sob tortura. No meu livro, há uma parte em que transcrevo o comentário de um deles, que afirmou ter resistido tudo o que pôde e que acabou assinando o que a polícia lhe exigiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E o STF aceita essas afirmações para dizer que é crime comum e não político?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, diria que o relatório do STF é ainda pior, pois toma todos essas acusações falsas da Justiça italiana e ainda acrescenta suas próprias ideias, dizendo que Battisti tem “estilo sanguinário” e todo tipo de preconceito. Enfim, não se sabe exatamente o que está por trás disso, mas sabe-se que quando o julgamento foi divulgado, um ex-embaixador da Itália reuniu-se sigilosamente com o Gilmar Mendes e ninguém sabe uma linha do que eles conversaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por que o governo italiano quer prender Battisti de qualquer maneira?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá há uma sede de vingança muito grande em relação ao que se aconteceu há 30 anos, nos “anos de chumbo”. Há um caso famoso, em 1980, em que um grupo que era da direita fascista – no qual estava o atual ministro da Defesa italiano [Ignazio La Russa] – colocou explosivos em um trem em Bolonha que mataram 84 pessoas e feriram 200. Como houve acomodação jurídica, nunca se soube se eles eram culpados ou não. Mas os familiares das vítimas e algumas pessoas atribuem o atentado à esquerda: “ah, isso é coisa das Brigadas Vermelhas”. Tentam achar um bode expiatório. Então, junta a sede de vingança, com falta de informação e necessidades políticas do governo italiano – não só da parte de Silvio Berlusconi [primeiro-ministro italiano].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O governo italiano pode ter a intenção de, a partir desse caso, gerar algum tipo de jurisprudência para pedir extradição de outros militantes que estão aqui no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, isso é um balão de ensaio. Se Battisti for extraditado, eles não vão parar por aí. Existem uns 600 italianos dos “anos de chumbo” refugiados no Brasil. Acredito que é um plano para usar isso como propaganda. Mais que isso, se eles concedem extradição, todo sistema de concessão de refúgio do Brasil cai por terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Itália tem fama de dar péssimo tratamento a seus presos políticos. Isso poderia pesar na decisão?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só neste ano, 62 presos políticos se suicidaram nas prisões da Itália. Nos últimos nove anos, a média tem sido essa. No total, parece que nesse tempo cerca de 500 já cometeram suicídio. Há juízes em diversos lugares do mundo que se recusam a extraditar italianos devido às péssimas condições do sistema carcerário. Teve uma juíza americana que se recusou a mandar um mafioso porque disse que a prisão italiana era o caminho para a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Qual é o contexto histórico do surgimento dos grupos armados de esquerda na Itália, na década de 1970?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A história começa com o fim da fascismo na Segunda Guerra Mundial. Os EUA estavam muito preocupados com o crescimento de partidos de esquerda na Europa. E eles tinham crescido mesmo. O Partido Comunista Francês era muito forte, e o da Itália era o que mais tinha filiados em toda a Europa. Então, tinha um plano que juntava a CIA, o Tratado do Atlântico Norte [Otan], setores da Igreja Católica e da máfia, a direita do Partido Democrata Cristão e, sobretudo, setores do Exército. Formaram um rede que atuou em toda Europa, mas na Itália foi muito forte, onde foi chamada de Operação Gladio, que passava pelo terrorismo de Estado. Eles começaram, a partir de 1969, a fazer uma série de atentados grandes, como bombas em lugares públicos. A primeira foi na praça Fontana, em Milão. Até esse momento, não havia esquerda armada na Itália, com exceção de uma divisão de autodefesa do Partido Comunista, que era formada com armas que usaram para combater na Segunda Guerra, contra os fascistas. Aí, nos anos 1970, aparecem as Brigadas Vermelhas, que aos poucos vai ficando cada vez mais violenta. E aí vão surgindo muitos grupos, dentre eles o de Battisti, o PAC. No geral, apoiavam greves, faziam propaganda e não eram muito violentos. Até que em 1978 decidiram matar um torturador da prisão de Udine. Battisti saiu do PAC logo após esse assassinato, justamente porque tinha críticas a essas ações violentas. Aí foi quando fugiu para o México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Battisti sempre negou os crimes atribuídos a ele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 18 anos ele nega, negou sempre. Desde que trabalho com direitos humanos, nunca vi alguém negar um crime por tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A cabeça de Battisti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebastião Nery&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em junho de 1982, foi encontrado estrangulado em Londres, embaixo da “Blackfriars Bridge” (“a Ponte dos Irmãos Negros”), o banqueiro italiano Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano, que acabava de quebrar, e tinha como diretores o cardeal Marcinkus, o conde Umberto Ortolani e o chefe da P-2 italiana (maçonaria), Licio Gelli. Nos dias seguintes, na Itália e na Inglaterra, apareceram assassinados varios outros ligados a Calvi. Não é só na Santo André paulista que se limpa a área. No meio da confusão estava o conde papal Umberto Ortolani, um dos quatro “Cavaleiros do Apocalipse”. Quando, a partir de 90, a “Operação Mãos Limpas” chegou perto deles, o conde, banqueiro do Vaticano e diretor do jornal “Corriere de La Sera”, depois de mais um magnífico almoço com Brunello di Montalcino, mostrava-me Roma lá de cima de sua mansão no Gianiccolo e me dizia : - Isso não vai acabar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;MÁFIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende o que é acabar bem. O Ministério Publico e a Justiça enfrentaram a aliança satânica, que vinha desde 1945, no fim da guerra, entre a Democracia Cristã e aliados e a máfia italiana. Houve centenas de prisões, suicídios. Nunca antes a máfia tinha sido tão encurralada e atingida. Responderam com atentados e bombas, detonando carros e assassinando procuradores, juízes e a esquerda radical. Os grandes partidos (a Democracia Cristã, o Socialista e o Liberal) explodiram. O Partido Comunista, conivente, desintegrou-se. E meu amigo conde, condenado a 19 anos, morreu em 2002, aos 90 anos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"FORTES PODERES"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banqueiro, o maçon, o cardeal e o conde eram uma historia exemplar do satânico poder dos banqueiros, mesmo quando, como ele, um banqueiro de Deus, vice-presidente do banco Ambrosiano do cardeal Marcinkus, que fugiu para os Estados Unidos e nunca saiu de lá. Os que criticam, sem razão alguma, o ministro Tarso Genro, por ter dado asilo político ao italiano Cesare Battisti, deviam ler um livro imperdível : “Poteri Forti” (“Fortes Poderes, o Escândalo do Banco Ambrosiano”), do jornalista italiano Ferruccio Pinotti, abrindo as entranhas do poder de corrupção do sistema financeiro, de braços dados com governos, partidos, empresários, maçonaria e mafia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"MÃOS LIMPAS"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “Operação Mãos Limpas” não teria havido se um punhado de bravos jovens, valentes e alucinados, das “Brigadas Vermelhas” e dos “Proletarios Armados pelo Comunismo” (PAC), não tivesse enfrentado o Estado mafioso, naquela época totalmente comandado pela máfia. O governo, desmoralizado, usava a máfia para elimina-los. Eles reagiam, houve mortos de lado a lado e prisões dos principais lideres intelectuais, como o filósofo De Negri (asilado na França) e o romancista Cesare Battisti, tambem exilado na França e agora preso no Brasil. Eu estava lá, vi tudo, escrevi. Quando cheguei a Roma em 90 como Adido Cultural, a luta ainda continuava, sangrenta, devastadora. Foram eles, os jovens rebeldes das décadas de 70 e 80, que começaram a salvar a Italia. Se não se levantassem de armas na mão, a aliança Democracia Cristã, Partido Socialista, Liberais e Máfia estaria lá até hoje. Berlusconi é o feto podre que restou e um dia será extirpado...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;BERLUSCONI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ex-presidente da França, Jacques Chirac, corrupto com atestado publico, a pedido de Berlusconi retirou o asílo politico de Battisti e o Brasil lhe deu. Tarso Genro está certo. O problema foi, era, continua político. O fascista Berlusconi (primeiro-ministro) é apoiado pelos desfrutaveis ex-comunistas Giorgio Napolitano e Massimo d`Alema, que se esconderam quando o juiz Falcone foi assassinado e o procurador Pietro, hoje no Parlamento, comandou a “Operação Mãos Limpas” Não têm autoridade nenhuma. Por que não devolveram Caciolla, o batedor de carteira do Banco Central, quando o Brasil pediu? As Salomés de lá e de cá querem entregar à máfia a cabeça de Battisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.sebastiaonery.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-8215318023622446538?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/8215318023622446538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=8215318023622446538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8215318023622446538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/8215318023622446538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/battisti-nas-maos-de-lula.html' title='Battisti nas mãos de Lula'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-5751100159089001870</id><published>2009-11-19T14:36:00.001-02:00</published><updated>2009-11-19T14:39:00.679-02:00</updated><title type='text'>A grande mídia e a desigualdade racial</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia:grandes revistas e jornais tem posição contraria a agenda de interesse dos afrodescendente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Venício Lima&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Dia da Consciência Negra” é comemorado em todo o país na data em que Zumbi – o herói principal da resistência simbolizada pelo quilombo de Palmares – foi morto, 314 anos atrás: 20 de novembro de 1695. Muitas revoltas, fugas e quilombos aconteceram antes da Abolição em 1888.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil de 2009 é, certamente, outro país. Apesar disso, “os negros continuam em situação de desigualdade, ocupando as funções menos qualificadas no mercado de trabalho, sem acesso às terras ancestralmente ocupadas no campo, e na condição de maiores agentes e vítimas da violência nas periferias das grandes cidades”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgado em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, de 1998 a 2008, dobrou o número de negros e pardos com ensino superior. Mesmo assim, os números continuam muito abaixo da média da população branca: só 4,7% de negros e pardos tinham diploma de nível superior em 2008, contra 2,2% dez anos antes. Já na população branca, 14,3% tinham terminado a universidade em 2008. Dez anos antes, eram 9,7%. Entre o 1% com maior renda familiar per capita, apenas 15% eram pretos ou pardos no total da população brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande mídia e a desigualdade racial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse quadro de desigualdade e injustiça histórica, como tem se comportado a grande mídia na cobertura dos temas de interesse da população negra brasileira, vale dizer, de interesse público?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pesquisa encomendada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (OBM), analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No período compreendido entre 1º de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2008, foi acompanhada a agenda da promoção da igualdade racial e das políticas de ações afirmativas em torno dos seguintes temas: cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial, diversidade racial e religiões de matriz africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível reproduzir aqui todos os detalhes da pesquisa. Menciono apenas cinco achados de um Relatório de quase 100 páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com graus diferentes, os jornais observados se posicionaram contrariamente aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente. Em toda a pesquisa, as políticas de reparação – ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas - tiveram o maior o percentual de textos com sentidos contrários: 22,2%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reportagens veicularam sentidos mais plurais do que os textos opinativos que, com pequenas variações, se posicionaram contrários à adoção das cotas, da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e da demarcação de terras quilombolas. A argumentação central dos editoriais é de que esses instrumentos de reparação promovem racismo. Em relação à demarcação das terras quilombolas, os textos opinativos em O Estado de S. Paulo, 78,6%, e O Globo, 63,6%, criticaram o Decreto n.º 4.887/2003 que regulamenta a demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos. O argumento principal foi o de que o critério da autodeclaração é falho e traz insegurança à propriedade privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A íntegra deste artigo se encontra &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/a-grande-midia-e-a-desigualdade-racial"&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-5751100159089001870?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/5751100159089001870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=5751100159089001870&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5751100159089001870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/5751100159089001870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/grande-midia-e-desigualdade-racial.html' title='A grande mídia e a desigualdade racial'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-1589323566367400530</id><published>2009-11-18T18:24:00.002-02:00</published><updated>2009-11-18T18:28:11.851-02:00</updated><title type='text'>“Precisamos de uma Internacional de movimentos sociais”</title><content type='html'>Abaixo, uma excelente entrevista que o &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia"&gt;Brasil de Fato&lt;/a&gt; fez com o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Precisamos de uma Internacional de movimentos sociais”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vice-presidente da Bolívia cobra mais iniciativa dos movimentos sociais latino-americanos, pede visão “continentalizada” da esquerda e afirma que o atual processo político ainda não põe a superação do capitalismo em jogo, mas dele emergem ações comunistas no interior da sociedade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Elena Apilánez&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vinicius Mansur&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;de La Paz (Bolívia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro García Linera não é um vice qualquer. Além de acumular o posto de presidente do Congresso boliviano, ele é um dos principais responsáveis pelas articulações políticas do governo de Evo Morales e talvez o mais destacado teórico do processo pelo qual passa a Bolívia atualmente. Sua larga bagagem política e intelectual, além de o credenciar a receber títulos como o “vice-presidente mais atuante do continente” ou o “intelectual mais importante da América Latina na atualidade”, também o capacita para dar largas e aprofundadas respostas, fazendo com que nossa entrevista não chegasse nem à metade das perguntas preparadas. Em meio à atribulada agenda de um vice-presidente e candidato à reeleição em campanha, Álvaro García concedeu ao Brasil de Fato duas rápidas horas de uma conversa pouco factual e mais analítica sobre o processo político que vive a América Latina, em geral, e a Bolívia, em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil de Fato – Um olhar sobre a história política latino-americana indica que, de certa forma, ela se move por ondas. O senhor acha que essa ascensão recente de governos oriundos de organizações com trajetórias de esquerda configura uma nova onda?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Álvaro García Linera –&lt;/span&gt; Creio que este é um ciclo muito novo e inovador sem comparação nos últimos 100 anos da história política latino-americana. A única coisa comum no século 20 foram as ditaduras militares. Fora disso, a esquerda teve presença descompassada na região. Processo parecido foi a onda de luta armada, mas não era presença vitoriosa de esquerda; era combativa, resistente, por parte da ala mais radicalizada. A vitória em Cuba trouxe uma leva guerrilheira, que nos anos 1960 estava em todo o continente. Quando a esquerda armada triunfa na Nicarágua, o continente já tinha outros ritmos, outras rotas. Então, pela primeira vez em 100 anos há uma sintonia territorial da esquerda, com governos progressistas e revolucionários. A direita já tinha essa habilidade de “continentalizar” suas ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quais elementos dão unidade a essa sintonia?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O que permitiu a leva de governos progressistas foi o ciclo neoliberal. Ciclo que, mais ou menos, golpeou todos os países de maneira quase simultânea em seus efeitos e defeitos. O atual processo é muito inovador por seu caráter “continentalizado” de esquerda, pela busca de políticas pós-neoliberais – umas mais radicais, outras menos –, por ser um ascenso da esquerda através da via democrática-eleitoral, por ser a primeira vez que ela projeta estratégias de caráter estrutural coordenadas a nível continental. Antes, a esquerda tinha um olhar sobre o continente em termos da conspiração revolucionária. Nunca em termos de economia, de comércio, de criar um mercado comum, uma defesa comum. É uma série de desafios sobre os quais ela nunca tinha refletido, que tem a ver com o exercício de governo, com sua maturidade de reflexão. E também é inovador porque isso se faz sem um pensamento único de esquerda. Não há um referente comum como a URSS, por sorte; não está a China, melhor ainda. O processo de esquerda são muitas coisas agora. Pode ser marxista ultra-radical, pode ser socialista, pode ser vinculado ao pós-modernismo intelectual, pode ser mais nacionalista... e todos são esquerda. Isso é muito rico, permite uma pluralidade de reflexões, de discursos, de ideias. Não há o modelo a imitar ou uma “igreja” que dita o bom comportamento, como ditava antes. É um momento de reconstrução plural do pensamento de esquerda, ainda primitivo. Mas, temos que ver a história em processos que podem durar 50, 80 anos. Não nos desesperemos por não ter as coisas consolidadas agora, por não termos com claridade um grande programa de esquerda continental e mundial. Isso vai demorar 20 anos pelo menos, depois de várias derrotas, de várias vitórias e outras derrotas. Este é um momento germinal e ainda há pedaços do continente que estão em outro rumo. Isso é normal, inclusive, é possível prever a curto prazo uma volta parcial do pensamento e dos governos de direita em alguns países no continente e não vamos nos assustar. Lutemos contra isso, mas este é um processo longo e lento, vai requerer ainda várias levas de ascenso social e popular que permitam despertar toda a potência desse momento histórico, que ainda não se fez visibilizar totalmente. Ainda faltam novas ondas. Não esqueça que Marx usava o conceito de revolução por ondas. Elas vão e voltam, logo vêm de novo e regressam um pouco. A onda atual é das primeiras, logo haverá um pequeno refluxo à espera de uma nova onda que permitirá, a depender dos homens e mulheres de carne e osso, expandi-la a outros territórios e aprofundar as mudanças que até agora são superficiais, parcialmente estruturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Este processo coloca a superação do capitalismo em jogo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marx dizia que o comunismo é o movimento real, que se desenvolve diante de nossos olhos, e que supera a ordem existente. Não é uma questão de teoria, de discurso, é questão de realidade. E está claro que a primeira meta pautada pelas forças populares diversas do continente foi, em primeiro lugar, frear o esvaziamento social, democrático e material que caracterizou o processo neoliberal. Esvaziamento material a partir da exteriorização dos excedentes, esvaziamento social com a retirada dos direitos conquistados nos últimos 100 anos e esvaziamento democrático mediante a aterrizagem da doutrina única, liberal e individualista. O segundo momento é de reconstituir e ampliar direitos da sociedade, assumir controles do excedente econômico, expandir a geração da riqueza com sua distribuição. Essas demandas sociais surgem a partir de 1995 e são de caráter democrático-social, no sentido marxista do termo. Ainda não foram atendidas plenamente, como é o tema da terra, entretanto, elas já abriram espaço para demandas mais radicais, mais comunistas, que ainda são incipientes, parciais e fragmentadas. Veja a experiência argentina com a tomada de fábricas, as experiências no Brasil, na Venezuela, as empresas sociais na Bolívia, criadas no nosso governo, reivindicadas pelo povo, ou a potencialização dada às estruturas comunitárias, para buscar um desenvolvimento diferente à economia de escala, com tecnologias alternativas, articulações de produção. Todas elas avançam, têm a experiência de gestão e regridem. Aqui na Bolívia, com a questão da água: existia uma experiência falida [privatização da água em Cochabamba], defende-se a socialização do controle da água, implanta-se outra gestão e, em seguida, ela retrocede. Ou seja, essas potencialidades comunistas da sociedade – porque não há comunismo que não venha da sociedade, não há comunismo de decreto, não há socialismo de Estado, isso é sem sentido – têm ainda uma força muito dispersa, uma presença embrionária, não conseguem coagular, mas estão latentes. Seguindo essa leitura, hoje, em 2009, não estamos diante de uma perspectiva de superação do capitalismo. Dizer outra coisa é nos enganar. Mas emergiram ações da sociedade que apontam para o socialismo, construído pelas próprias classes trabalhadoras. Existem sinais, sementes, aflorações, mas ainda não constituem a razão dominante da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E quanto isso amadurecerá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dez, 20 anos? Não se pode definir. O que pode fazer o revolucionário é, a cada sinal de socialismo – como a reapropriação, por parte dos produtores, de sua própria produção com democratização e socialização da tomada de decisões –, reforçá-lo para que se expanda. O dever do comunista é meter-se de cabeça a cada abertura, não inventar o comunismo. O comunismo é a capacidade real do povo de produzir e se associar. Eu tenho a leitura de Marx, ao avaliar a Segunda Revolução Industrial, em 1850, que dizia que serão necessárias dezenas, milhares de lutas, de fracassos, de pequenas vitórias, depois novamente fracassos, para que, da própria experiência da classe trabalhadora, surja a necessidade de associar-se para tomar o controle da produção. E isso é uma visão muito, mas muito otimista do ciclo que está emergindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A entrevista, na íntegra, pode ser lida &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/201cprecisamos-de-uma-internacional-de-movimentos-sociais201d"&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/90873656759170751-1589323566367400530?l=noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/feeds/1589323566367400530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=90873656759170751&amp;postID=1589323566367400530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1589323566367400530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/90873656759170751/posts/default/1589323566367400530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2009/11/precisamos-de-uma-internacional-de.html' title='“Precisamos de uma Internacional de movimentos sociais”'/><author><name>Igor Ojeda</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02206895033364301114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-90873656759170751.post-118495622626128774</id><published>2009-11-17T21:06:00.002-02:00</published><updated>2009-11-17T21:11:35.337-02:00</updated><title type='text'>Por que cantar o hino nacional?</title><content type='html'>Com dois dias de atraso, republico um excelente texto sobre nosso hino nacional, escrito para o site &lt;a href="http://www.viapolitica.com.br"&gt;Via Política&lt;/a&gt; por ocasião das comemorações da proclamação da República:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por que não canto o Hino Nacional&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mário Maestri&lt;/span&gt;, de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma linguagem mandarinesca esconde os verdadeiros conflitos de uma sociedade dividida por interesses de classe, um Estado fundado e construído através da produção consciente da miséria, da exploração e da desigualdade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do século 19, os soldados franceses enviados por Bonaparte para vergar a barbárie e restabelecer a civilização na parte francesa da ilha de Santo Domingos, futuro Haiti, escutavam, ao longe, assustados e perplexos, o ressoar da canção querida que seus oficiais lhes proibiam cantar. Eram os negros insurrectos que, entoando a Marselhesa, surgiam da profundeza da noite para desbaratar as linhas do exército invicto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avante, filhos da Pátria&lt;br /&gt;O dia de glória chegou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra nós, levantou-se,&lt;br /&gt;O estandarte ensanguentado da tirania.&lt;br /&gt;Escutai, nos campos, rugir esses ferozes soldados?&lt;br /&gt;Eles vêm, nos nossos braços,&lt;br /&gt;degolar vossos filhos, vossas companheiras.&lt;br /&gt;Às armas, cidadãos! Formai, vossos batalhões!&lt;br /&gt;Marchemos! Marchemos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Marselhesa teria sido composta para o exército do Reno, em 1792, pelo capitão-engenheiro Claude-Joseph de Lisle Rouget. Ela transformou-se na principal canção popular marcial e, muito mais tarde, no hino nacional da França, pela decisão e vontade anônimas e soberanas da população nacional em armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Marselhesa foi selecionada entre tantos outros hinos porque, na forma e no conteúdo, sintetizava o entusiasmo com que a França democrática, republicana e plebeia levantava-se para vergar os aristocratas e conservadores que, dentro e fora do país, coligavam-se contra a revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o golpe militar de 1799, Bonaparte proibiu aos soldados franceses cantar a Marselhesa, tamanha era seu poder de invocação democrática e revolucionária. A tradição conta que teria apenas permitido que fosse entoada, por uma única vez, em 1805, em Austerlitz, quando da grande vitória sobre os imperadores da Áustria e da Rússia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pela Internacional!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século 19, através do mundo, a Marselhesa tornou-se a canção do movimento democrático e socialista. Em 1870, com a Terceira República francesa, ela foi reconduzida como hino patriótico francês. Portanto, em 1871, na Comuna de Paris, o mundo do trabalho e a ordem do capital defrontaram-se, de armas à mão, cantando o mesmo hino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os combates parisienses, foi composto o “Canto da Internacional: hino dos trabalhadores”, que o jornal oficial da Comuna falhou ao prognosticar como a possível “Marselhesa da nova Revolução” – como lembra Luiz A. Gini. Cem mil trabalhadores foram mortos, fuzilados ou aprisionados durante e após os combates pelas forças da reação burguesa.&lt;br /&gt;O Canto da Internacional não prosperou. Porém, a canção revolucionária A Internacional, com música do operário Pierre Degeyter [1888] e poema escrito por Eugène Pottier, que participara da Comuna, em 1871, terminou celebrizando-se, no fim do século 19. Desde então, A Internacional constituiu o hino dos trabalhadores franceses e de todo o mundo, cantado com a mesma música nos mais diversos idiomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pé, ó vítimas da fome!&lt;br /&gt;De pé, famélicos da terra!&lt;br /&gt;Da idéia a chama já consome&lt;br /&gt;A crosta bruta que a soterra.&lt;br /&gt;Cortai o mal bem pelo fundo!&lt;br /&gt;De pé, de pé, não mais senhores!&lt;br /&gt;Se nada somos neste mundo,&lt;br /&gt;Sejamos tudo, ó produtores!&lt;br /&gt;Refrão (bis)&lt;br /&gt;Bem unidos façamos,&lt;br /&gt;Nesta luta final,&lt;br /&gt;Uma terra sem amos&lt;br /&gt;A Internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macieira não dá laranjas. A gênese histórica e social radicalmente distinta do hinário patriótico brasileiro explica seu nulo poder evocativo popular e democrático. A ruptura da união do Brasil com Portugal foi certamente o movimento de independência mais atrasado e mais conservador das três Américas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tranquilizar os interesses britânicos e portugueses, as classes dominantes provinciais do Brasil aceitaram o tacão centralizador e despótico de um príncipe português que era, igualmente, o herdeiro da coroa lusitana que renegavam. Para garantir a continuidade da ordem negreira, os grandes proprietários de todas as províncias optaram por um Estado monárquico, centralizador e antiliberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Independência de branco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito logo, os senhores teriam a prova amarga da tacanhice da solução bragantina. Em novembro de 1823, apenas 14 meses após o Sete de Setembro, dom Pedro desferia o primeiro golpe
